segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Notas do meu rodapé: O difícil entendimento entre o PS e o PCP


PCP disponível para dialogar com PS nas legislativas de 2015
O secretário-geral do PCP respondeu, este domingo, em Alenquer ao líder dos socialistas, afirmando que o PCP "está aberto" para eventuais alianças com o PS se ganhar as eleições legislativas de 2015, desde que defina "claramente" as suas políticas.

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O difícil entendimento entre o PS e o PCP

Dialogar não é pactuar!.. É procurar entendimentos e estabelecer compromissos de boa fé. É entreabrir uma porta, há muito tempo fechada. 
Se o que separa o PCP do PS se reduzisse a questões de pormenor, esse entendimento e os respetivos compromissos seriam fáceis de ser alcançados. Mas, infelizmente, não é assim. A questão europeia divide profundamente os dois partidos, com o PCP a propor a renegociação da dívida pública e a denúncia do Tratado Orçamental de 2012, que é um autêntico garrote para a economia portuguesa e que prolonga e agrava a austeridade, e a defender a eventual saída controlada do euro, e com o PS a assumir posições divergentes, insistindo na sua política europeísta, que, quanto a nós, continuará a desfavorecer Portugal.
Esta é uma questão central, que se encontra a montante de todas as outras.
É certo que António Costa já deu um sinal positivo, ao admitir que as razões dos problemas da economia portuguesa derivam, entre outros fatores, do choque da admissão do euro, mas, até agora, não apresentou nenhuma solução para resolver esses mesmos problemas. A única intenção que manifestou foi a de querer mobilizar os partidos europeus da sua família política, alinhados na Internacional Socialista, para propor um alívio das políticas de austeridade. Mas, se ele tomar esta iniciativa, arrisca-se a ficar a falar sozinho, pois esses partidos já adotaram o figurino do "socialismo de mercado" e o do "socialismo neoliberal", eufemismos para disfarçar a comunhão de interesses com os partidos conservadores.
António Costa tem de admitir que, na Europa, ninguém lhe ligará, pois só mede um metro e sessenta e nove centímetros de altura, e também que não tem corpo para aguentar um empurrão da corpulenta senhora Merkel, que o atirará pela escada abaixo, em três tempos.
Há ainda um outro problema: A comissão europeia anda a enviar recados de que é necessário aplicar mais políticas de austeridade, a incidir, naturalmente, sobre os salários e pensões e em cortes acrescidos da despesa do Estado, principalmente nos serviços sociais (Educação e Saúde). Em 2015, devido às eleições para Assembleia da República, a comissão europeia, possivelmente, será tolerante, a fim de evitar a erosão eleitoral dos partidos em que se apoia (PS, PSD e CDS).Mas, em 2016, o grau de exigência assumirá o formato de uma ordem peremptória e indiscutível, acompanhada pelas respetivas ameaças. Que fará António Costa, se vier a ser primeiro-ministro, tal como se espera? Eu, se me cruzasse com ele na rua, perguntar-lhe-ia apenas se o novo PEC, para 2016, será o PEC IV recauchutado ou um PEC V, novinho em folha?...

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