terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Suspense da coligação "é questão de protagonismos"


Marcos Perestrello, vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Socialista (PS) critica o Governo por não ter aprendido a lição das consequências das medidas que tomou nos últimos três anos. Rejeitando que o PS de Sócrates seja o único culpado pela entrada da troika em Portugal, o socialista acredita que o PS de António Costa é uma boa alternativa para o país e que não é conveniente pensar num bloco central.
onsiderando, em declarações ao Diário de Notícias, que o PS “é uma alternativa capaz de assegurar a mudança política que a cada momento o país precisa, Marcos Perestrello rejeita que o PS seja o culpado da austeridade que se implementou no país, e acusa o Governo de ter acentuado a dívida, aumentado a pobreza, o desemprego e a divida pública.
Por isso, defende que é necessário “um projeto de esperança e confiança no futuro do país”, que acredita que este PS, que é o “PS de sempre”, conseguirá implementar.

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Que o país precisa de "um projeto de esperança e confiança no futuro", como afirma o dirigente socialista Marcos Perestrello, já nós sabemos. O que continuamos a não saber é como o PS pretende restaurar essa esperança e essa confiança, sem apresentar um projeto coerente e sustentável sobre a magna questão da dívida, cujo pagamento, nos prazos acordados, é impossível, já que exigiria um crescimento anual do PIB, principalmente a ser suportado pelo aumento das exportações, à volta dos quatro por cento, o que também é inviável, dado o clima de incerteza que paira sobre a economia europeia e, a partir do próximo ano, também sobre as economias de países emergentes.
Aquela ideia peregrina de António Costa, de remeter a discussão para o quadro europeu é uma falácia, já que está a colocar a resolução do problema nas mãos dos principais credores da dívida pública portuguesa, os tais credores institucionais, que a detêm em cerca de 43 por cento. E já sabemos que parte desses credores - os governos dos países europeus que contribuíram para o enorme empréstimo da UE a Portugal, através da troika - o que querem é ver de volta o seu dinheiro, pouco se importando com o sofrimento do povo português. E depois, é também necessário convencer o BCE e o FMI, as outras duas  instituições da troika, mais preocupadas em assegurar o domínio do capitalismo financeiro internacional, cujos interesses defendem por inteiro.

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