quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Poema: O poema desafia a morte - por maria azenha

 Escultura - © Giuseppe Bergom.
Imagem da coleção da autora.

O poema desafia a morte

porque é uma mulher gritando
como se deus fosse o seu amante
e um lírio O seu delírio branco
Ícaro num corpo Com asas de imperador
antes de ser morto   Ou enforcado no deserto

© maria azenha

In No tempo dos espelhos
***«»***
Procuro obstinadamente descobrir o mistério da poesia de Maria Azenha. Hoje, parece-me que o descobri, através da leitura deste pequeno grande poema, onde o artifício da construção e da desconstrução das palavras é evidente. Maria Azenha consegue escrever frases soltas, aparentemente desconexas entre si, e, posteriormente, juntá-las numa harmonia poética perfeita, engrandecendo-as nos seus múltiplos jogos lúdicos e metafóricos. Maria Azenha abdica da poesia descritiva. Os seus poemas, e agora também me refiro ao conjunto da sua obra, são uma verdadeira alucinação de metáforas, sobrepostas umas sobre as outras, e de onde nascem alegorias de um novo tipo.
AC

A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.