quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Notas do meu rodapé: E o saque continua! Fujam que Portugal já está a arder!


Austeridade não pára. Bruxelas quer cortar mais 1,6 mil milhões em 2015

Ao início a troika prometia um crescimento acumulado de 4,1% de 2012 a 2015. A austeridade matou essa miragem mas vai continuar: mais 5,5 mil milhões até 2015
O programa de ajustamento em que Portugal caiu em meados de 2011 veio embrulhado num cenário idílico sobre a evolução da economia portuguesa, pelo menos no conjunto de previsões feitas então pela Comissão Europeia, que ao final de dois anos são já impossíveis de atingir.
Segundo o plano inicial do programa, Portugal deveria chegar ao final do prazo do programa com um défice não superior a 2,3%, uma dívida abaixo dos 108% e um ano e meio de crescimento em cima - 1,2% em 2013 e 2,5% em 2014 -, o que faria com que a economia voltasse a depender dos mercados na mó de cima.
Agora, com as previsões da Comissão Europeia ontem divulgadas, é cada vez mais evidente que Portugal vai perder a almofada da troika e regressar aos mercados numa condição deplorável face ao prometido inicialmente: se no Verão de 2011 as previsões apontavam para um crescimento acumulado de 1,9% até 2014 - contração de 1,8% em 2012 seguida de crescimento de 1,2% e de 2,5% em 2013 e 2014 -, agora o PIB quando Portugal sair do ajustamento acumula uma contração de 4,2%, valor também longe do que era previsto por Bruxelas ainda há um ano.
Comparações idênticas são possíveis com as restantes previsões feitas pela troika e que justificavam o regresso de Portugal aos mercados em 2014: a dívida seria de 107,6% no ano do regresso mas vai ser de 126,7%; o desemprego rondaria os 11,6% mas vai rondar os 17,7%; o défice orçamental já estaria nos 2,3% mas afinal está nos 4%, etc. E ao ritmo a que as previsões vão sendo revistas, também a carga de austeridade imposta aos portugueses tem sido aumentada, ainda que de forma menos clara que as previsões feitas recorrentemente. Só a data de regresso aos mercados permanece igual.

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E o saque continua! Fujam que Portugal já está a arder! 
Prometeram-nos o céu e estão a atirar-nos para o inferno. 
Merkel afirmou, há uns quatro meses, que a austeridade apenas duraria mais cinco anos. Coisa pouquechinha! 
Vivemos conturbados tempos, em que nada é provisório. É tudo definitivo. Até a austeridade!...
Eu não sei como isto vai acabar. O que sei é que alguma coisa está a começar, pois já nada poderá ser igual. E poderá ser que, mais uma vez, a luz apareça sobre os escombros de uma tragédia. Uma tragédia que já é inevitável.
A comissão europeia perdeu toda a legitimidade em exigir mais medidas de austeridade a Portugal. Além de ser a verdadeira autora material do Memorando de Entendimento, ela admitiu, em função das sucessivas avaliações dos funcionários da troika, que aquelas medidas seriam as mais ajustadas em relação à prossecução dos objetivos pretendidos, nos quais se incluía a normalização das finanças públicas de Portugal. O fracasso foi flagrante. Nenhum dos objetivos dos indicadores macroeconómicos foi atingido, sofrendo todos eles um preocupante agravamento, o que está a colocar problemas acrescidos aos portugueses, cuja maioria ingenuamente acreditou que a austeridade que lhes era pedida iria ser compensada no final do tal plano de ajustamento, que a própria comissão europeia desenhou, em parceria com o FMI e BCE.
Quer o governo português, a soldo dos interesses da capital financeiro, quer a comissão europeia (um braço institucional desses mesmos interesses) são os únicos responsáveis da grave situação criada a Portugal. No futuro irá saber-se se atuaram por incompetência ou por má-fé. Eu inclino-me a admitir a segunda hipótese.
AC

1 comentário:

O Puma disse...

As ratazanas não são eternas