quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Superar os limites!...


Raparigas fantásticas, famosas na época. Um vídeo de 1944, foi recuperado, digitalizado e colorido. Nesta clássica coreografia do filme “Broadway Rhythm”, as assim chamadas The Ross Sisters, Aggie, Maggie e Elmira, cantam e movimentam-se de uma forma que não parece ser humanamente possível. Nos primeiros 45 segundos elas cantam. Mas o que vem a seguir é impressionante.
Texto e vídeo, da página de Jorge Manuel Magalhães Ribeiro.
***«»***
Umas bonecas de borracha não seriam tão maleáveis e flexíveis!... 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Pintura: - "Memórias Outonais" - por Dália Faceira

"Memórias Outonais"

Esta pintura é aquela onde a pintora Dália Faceira (Dacha) revela, com elevada sensibilidade, a sua enorme capacidade em trabalhar pictoricamente a água, o que é difícil. É uma pintura que honra qualquer Galeria de Arte.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Música: Vem, além de toda a solidão - Madredeus


Vem, além de toda a solidão - Madredeus

Vem,
além de toda a solidão
perdi a luz do teu viver
perdi o horizonte

Está bem
prossegue lá até quereres
mas vem depois iluminar
um coração que sofre

Pertenço-te
até ao fim do mar
sou como tu
da mesma luz
do mesmo amar

Por isso vem
porque me quero
consolar
Se não está bem
deixa-te andar a navegar

Letra e música de Pedro Ayres Magalhães
Voz: Teresa Salgueiro

A questão do Relvas é do Relvas, mas não é do Relvas... - por Carlos Matos Gomes


A questão do Relvas. A questão do Relvas é do Relvas, mas não é do Relvas. O Relvas é como os calos. A culpa dos calos é dos pés, mas é também dos sapatos e de quem os calça. Quero eu dizer: a culpa é do Relvas, porque o Relvas é uma erva daninha (nasceu assim, é da sua natureza). Dá caganeira, comichão, visões, dores. O Relvas, tendo esta essência malsã, não serve para fazer chá. A culpa dos males causados pelo Relvas é do Relvas, neste sentido. Mas é também de quem faz chá com o Relvas. Isto é, quem convida o Relvas para ir falar a um clube de pensadores, nem as pensa! Quem convida o Relvas para ir falar a uma universidade a sério, nem as pensa. Isto é, a culpa dos vómitos no clube de pensadores e no ISCTE, é dos pensadores que não pensam o que os portugueses pensam do Relvas e dos comunicadores que não percebem a imagem que os portugueses têm do Relvas.
Carlos Matos Gomes
Escritor

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Canto General - Los Libertadores - Pablo Neruda e Mikis Theodorakis

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Vídeo 2
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Vídeo 3
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Vídeo 4


Canto General - Los Libertadores

Pablo Neruda
Mikis Theodorakis
Maria Farandouri (*)

Munich - Olympia Halle - 1981 (*)

Aquí viene el árbol, el árbol
de la tormenta, el árbol del pueblo.
De la tierra suben sus héroes
como las hojas por la savia,
y el viento estrella los follajes
de muchedumbre rumorosa,
hasta que cae la semilla
del pan otra vez a la tierra.

Aquí viene el árbol, el árbol
nutrido por muertos desnudos,
muertos azotados y heridos,
muertos de rostros imposibles,
empalados sobre una lanza,
desmenuzados en la hoguera,
decapitados por el hacha,
descuartizados a caballo,
crucificados en la iglesia.

Aquí viene el árbol, el árbol
cuyas raíces están vivas,
sacó salitre del martirio,
sus raíces comieron sangre,
y extrajo lágrimas del suelo:
las elevó por sus ramajes,
las repartió en su arquitectura.
Fueron flores invisibles,
a veces, flores enterradas,
otras veces iluminaron
sus pétalos como planetas.

Y el hombre recogió en las ramas
las corolas endurecidas,
las entregó de mano en mano
como magnolias o granadas
y de pronto, abrieron la tierra,
crecieron hasta las estrellas.

Éste es el árbol de los libres.
El árbol tierra, el árbol nube.
El árbol pan, el árbol flecha,
el árbol puño, el árbol fuego.
La ahoga el agua tormentosa
de nuestra época nocturna,
pero su mástil balancea
el ruedo de su poderio.

Otras veces, de nuevo caen
las ramas rotas por la cólera,
y una ceniza amenazante
cubre su antigua majestad:
así pasó desde otros tiempos,
así salió de la agonía,
hasta que una mano secreta,
unos brazos innumerables,
el pueblo, guardó los fragmentos,
escondió troncos invariables,
y sus labios eran las hojas
del inmenso árbol repartido,
deseminado en todas partes,
caminando por sus raíces.
Éste es el árbol, el árbol
del pueblo, de todos los pueblos
de la libertad, de la lucha.

Asómate a su cabellera:
toca sus rayos renovados:
hunde la mano en las usinas
donde su fruto pulpitante
propaga su luz cada día.
Levanta esta tierra en tus manos,
participa de este esplendor,
toma tu pan y tu manzana,
tu corazón y tu caballo
y monta guardia en la frontera,
en el límite de sus hojas.

Defiende el fin de sus corolas,
comparte las noches hostiles,
vigila el ciclo de la aurora,
respira la altura estrellada,
sosteniendo el árbol, el árbol
que crece en medio de la tierra.
***«»***
Um canto à terra, às árvores, aos povos, à luta e à liberdade. A Poesia e a Música levadas ao limite do sublime por dois criadores geniais - Pablo Neruda e Mikis Theodorakis.
As três versões, aqui apresentadas, com diferenças nos arranjos musicais e vocais, acentuando cada uma delas a predominância de uma ou de outra daquelas duas dimensões, evidenciam a beleza rítmica da grande moldura musical com que o famoso compositor grego enquadrou o poema de Pablo Neruda. Compondo, para a peça ser cantada na língua de Cervantes, Mikis Theodorakis foi ao ponto de assimilar, ao recorte musical clássico, elementos da música popular do universo castelhano, uma combinação polifónica que se revelou positiva. Esta composição musical é verdadeiramente empolgante! Eu aconselhava o leitor a não perder a audição do segundo vídeo, que tem a versão que dá mais expressão ao elemento coral. Além de empolgante, é exaltante.
AC
(*) Referente ao terceiro vídeo.

Poema: num sapato de Dante - por Maria Azenha

Leda atomica- Salvador Dali
PRELÚDIO

num sapato de Dante
( a Rui V.A.)

Deram as onze badaladas.
deram as onze

no meu quarto.
e espero por ti, Líli,toda a noite
para que me venhas ver.
mas, ai!,
todos os ponteiros dos relógios voaram pela sala!
todos os livros das estantes caíram como um grito!
o meu coração soltou-se aos bocados
para de ti me esconder...

ai,Líli,
vem depressa,
queimei-me com versos
quando por ti esperava!

olha
como todos os crisântemos carbonizaram
pelas árvores, fora, a arder!...
ouves, Líli?  sentes?…
vê  os séculos distantes quando passam
por mim!
repara como os nossos  beijos vão em cavalgada,
cambaleando como um Baco,
numa gotinha incendiada
da chuva!...

clamarei por ti
mais uma vez,
até que um verso meu se solte pela janela fora!...

ai,Líli!
todo o meu corpo pegou fogo
ao riso abalado de Van Gogh!
as minhas orelhas fugiram
através da minha carne fogosa!
soltou-se-me um braço!,
uma perna minha foi parar à Malásia !

e deram doze badaladas.
deram mais doze badaladas no meu quarto.
e, Líli ,ainda não veio!

ah! como um brutamontes
arrancarei todas as fechaduras à dentada!
tomarei todos os livros de assalto
das estantes!,
entre nuvens sonharei versos gigantes!...

ouves, Líli?
sentes?

olha como apunhalei a Terra
só com um verso de Nietzche !

todos os loucos e enfermos dos hospícios
me vieram ver!
todos os mendigos me trouxeram uma trincheira
de beijos,
para de ti me esconder!

ah!, não me ralo,
tenho comigo a orelha cortada
de Van Gogh ,
e o ouro todo que corre agora
pelas vossas salas!...
sou o maior dos amantes,
a teu lado, a arder...

mostrarei então a Deus todos os meus versos feitos,
que não trocarei por nada !
e quando tu vieres, disfarçada de Goethe,
porei o meu monóculo bem aberto
numa garrafa ébria de gin!
tocarei para ti, Líli, a flauta dos milagres
com Deus em todo o meu quarto
a arder...

o meu coração viaja agora pela europa fora!

que inferno,Líli!
o meu choro copioso
caiu na última lágrima de Dante,
derramada às seis em ponto!
peguei fogo às janelas!
ardo pelas chaminés fora
pelas paredes da casa incendiadas em Kant!

ai,Líli,
não tenho para onde fugir!
o meu corpo
mudou-se todo para o teto,
voa para cima, num sapato de Dante!

e rubra,
como um diamante, soltarei então o meu último grito
pela Via-Láctea dentro,
dentro de ti,
com um verso a arder...

ai,Líli , brilharei como um rubi para sempre
no último dos amantes...
brilharei eternamente
quando
passar
por
ti!

maria azenha

  Obs. (1)-Líli  (ou Lília)- representa a Poesia , figura feminina, por excelência.

 ***«»***
PREFÁCIO BREVE PARA UM LIVRO DE POESIA
QUE OS LIVROS DE POESIA NÃO DEVERIAM TER PREFÁCIO

Com Maria Azenha a palavra transforma-se em algoritmo, numa fórmula possível para o encantamento do ínfimo. Captura do excedente. É uma matemática feita de objetos fractais, roturas para com a normalidade. Um testemunho sobre o que vagueia sem limite ou função. Um voo rasante nos abismos dos céus. A palavra «mudou-se para o teto», como o corpo, «num sapato de Dante». Na companhia de Líli (ou Lília), figura que representa a poesia, a emancipação do futuro. Guia que nos leva, a salvo, para além do purgatório dos dias. Líli ou Lídia, em Fernando Pessoa. Beatriz, em Dante. Mensageira portadora de um destino maior que o remorso de existir.
Assim é a poesia.
Viagem íntima sobre a condição humana.
Como na poesia de Dante, a viagem realizada é contada de forma rigorosa, embora transbordante de imagens, poema narrativo com detalhes visuais. A obra em três andamentos não segue, no entanto, um caminho de perfetibilidade. Vagueia com os objetos e os sentidos sem rumo certo. Fórmula onde o resultado se mantém indecifrável.
A poesia de Maria Azenha é um algoritmo onde as incógnitas conspiram, e tornam-se cúmplices do silêncio e do infinito. Equação de difícil resolução, diria. Assim como a fraternidade perdida na grande cidade. «A boca de neve das bonecas grita com vestidos de lagartas mortas, encostadas à parede das palavras». (Que gritam agora? Pergunta a autora). O infinito faz muito ruído. E enquanto na rua os cães dormem com os seus mendigos, «alguns verbos desalojados acionam granadas». É, assim, a poesia. A violência e o amor que as palavras melhor sabem reproduzir.
Avisa a autora que o poema também é feito de palavras por inventar, servindo-se das coisas do mundo: solidão, noite, folhas, lâminas. Facas, lábios. Aranhas. O cansaço que se esconde nas dobras de todas as alvoradas. Trocando as voltas às palavras de Maria Azenha: O poema é um louco que queima os pensamentos. O que é um poema? O poema é uma criança que atravessa a rua
«com uma flor de cinzas na boca».

João Lutas Craveiro
Sociólogo e Investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil – LNEC
Docente da Universidade Nova de Lisboa - UNL

***«»***
Na resposta de agradecimento à amável oferta de Maria Azenha, de dois livros de poesia de sua autoria,  "Num sapato de Dante" e "A Sombra da Romã", escrevi à "poeta" o seguinte:
"... imediatamente, fui ler o primeiro poema, "num sapato de Dante", um título surpreendente. Quero dizer-lhe, e utilizando uma expressão da linguagem comum, que, após a sua leitura, "fiquei agarrado à cadeira". Depois, percorri transversalmente as páginas dos dois livros, detendo-me num ou noutro poema, e, lendo-os aligeiradamente, descobri metáforas "desconcertantes". Se me pedissem uma palavra, apenas, para caracterizar a sua poesia, eu avançaria com a palavra "densidade". Uma enorme "densidade poética", que obriga o leitor a parar em cada verso, para lhe abarcar todo o seu sentido. E é isso que vou fazer nos próximos dias: ler lentamente os seus lindos poemas, para descobrir a tal "matemática feita de objetos fractais."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Apenas um terço dos britânicos quer continuar na União Europeia


Uma sondagem publicada nesta segunda-feira pelo Financial Times indica que apenas um em cada três britânicos votaria “sim” no referendo prometido por David Cameron sobre se o Reino Unido quer continuar como membro da União Europeia (UE). A sondagem, desenvolvida pela Harris Interactive a pedido do jornal britânico, mostra que 50% dos 2114 inquiridos votariam “não” à continuidade no espaço europeu e que apenas 33% se mostra favorável ao espaço comunitário. Os restantes 17% afirma que não votaria no referendo.
PÚBLICO
***«»***
A História fala mais alto. Os britânicos perceberam que é impossível construir uma qualquer unidade política num continente constituído por uma amálgama de nacionalidades, que, nem sequer, ao longo dos séculos,  conseguiu construir uma língua comum. O nacionalismo faz parte da matriz fundadora dos estados europeus, que se afirma sempre, quando esses estados estão em perigo ou perdem a sua independência política. Carlos Magno, Napoleão e Hitler falharam na sua ambição de, pela força, unir politicamente a Europa.
Se é verdade que o projeto da unidade europeia nasceu do impulso para pretender anular as ambições hegemónicas das três principais potências europeias, tentado evitar mais guerras, também é certo que, na mente dos seus fundadores, havia a ideia oculta de construir uma barreira segura ao avanço do comunismo, que no pós-guerra seduzia grande parte do operariado industrial da Europa Ocidental e o universo da intelectualidade. E esta realidade assustava os agentes do capital, que quase fizeram do anti comunismo a doutrina oficial do projeto. Hoje, afastado o perigo comunista, a doutrina oficial passou a ser o neoliberalismo.
Se o espaço europeu, inicialmente, ao anular as barreiras alfandegárias entre os estados, permitiu alavancar o crescimento económico e favoreceu o desenvolvimento mitigado dos países mais pobres, a realidade depressa veio demonstrar que o tal mercado único passou a ser um mercado autofágico, que se devorava a si próprio, e sem a capacidade para  assegurar a ambicionada liderança mundial. A Europa já não consegue crescer economicamente. Este é que é o verdadeiro problema. A Alemanha só já canaliza trinta por cento das suas exportações para o espaço extra-europeu. A China, que importava da Alemanha a maquinaria industrial para as suas fábricas, não só caminha, neste domínio, para a sua auto suficiência, como também já se constituiu num concorrente de respeito da Alemanha no espaço europeu e mundial.
Havia a esperança de que a unificação do mercado económico e financeiro poderia conduzir à unidade política. Pura ilusão! A unidade económica e monetária apenas está a servir os interesses do grande capital, que se aglomera e se concerta nos principais centros financeiros, beneficiando assim os países mais ricos, que, entretanto, também se esgadanham silenciosamente entre si, para tentarem alcançar a posição dominante. A Alemanha, a França e Grã-Bretanha olham-se entre si com diplomática desconfiança. Ao longo dos últimos anos, a Grã-Bretanha percebeu que não poderia competir com o famoso eixo franco-alemão, o que a obriga a atrelar-se ao seu velho aliado de sempre, os Estados Unidos. A sua saída da UE tem lógica.
Com o alastramento da atual crise, que se explica também pela anemia da economia, e que afetará, mais tarde ou mais cedo, todas as economias da Europa, os antigos e atuais nacionalismos vão ressuscitar, em reação à tentativa dos países mais ricos quererem dominar os países pobres, através da deriva federativa, que começa a ser desenhada nos gabinetes de Bruxelas, sem qualquer controlo democrático.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Miguel Relvas foge aos protestos no ISCTE

**
Mal Miguel Relvas entrou na sala onde decorria a conferência "Como vai ser o jornalismo nos próximos 20 anos", promovida pela TVI, um grupo de estudantes que estava sentado a meio da plateia levantou-se e começou a entoar palavras de ordem.
O ministro subiu ao palco para falar, mas o coro de protestos não baixou o tom. Miguel Relvas esperou alguns segundos e tentou dar início à palestra. Os estudantes intensificaram o protesto, empunhando cartazes do movimento "Que se lixe a troika! O povo é quem mais ordena", impedindo que o ministro com a tutela da comunicação social e da juventude proferisse uma palavra.
O diretor de informação da TVI, José Alberto Carvalho, tentou apaziguar os ânimos, pedindo aos estudantes que ouvissem o que o ministro tinha para dizer. Mas não conseguiu.
Foi, então que Rosa Cullell, administradora-delegada da Media Capital, subiu ao palco com a intenção de acalmar os estudantes. Esforço também em vão.
Os seguranças do ministro decidiram, então, que era altura de o ministro deixar o local. Uma missão que se afigurou complicada. E à saída do anfiteatro do ISCTE procuraram, entre muitos empurrões a quem ali se encontrava, uma saída.
Diário de Notícias
***«»***
Foi humilhante! Não me lembro de nenhum ministro dos governos após o 25 de Abril ter sido enxovalhado em público e impedido de falar, como foi Miguel Relvas, tal é a aversão que a sua permanência no governo está a provocar, transversalmente, em todos os setores da sociedade portuguesa. De nada vale vir dizer que se tratou de um pequeno grupo, não representativo. Existe a consciência plena de aquele grupo manifestou o sentir da maioria dos portugueses, que já consideram a criatura uma perfeita aberração. É, sem dúvida, a caricatura de um governo esquizofrénico e demoniacamente perigoso.

Carta de Seguro sem aviso de receção...


António José Seguro enviou uma carta aos membros da troika a pedir que, na próxima avaliação, seja tida em conta a situação real do país e não apenas o que está escrito no memorando.
O secretário-geral do PS diz aos presidentes do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que “infelizmente a situação económica e social agravou-se fortemente”. 
PÚBLICO
***«»***
 Trata-se de uma carta para consumo interno, já com um olho posto nas eleições autárquicas, que se avizinham. Em resposta a António José Seguro, a troika vai responder que a situação em Portugal, tomando como referência a Grécia, não está assim tão má, como se diz, embora para lá caminhe. Por outro lado, Passos Coelho irá, certamente, chamar-lhe queixinhas.
É do conhecimento geral que, no mundo animal, de nada vale à presa pedir clemência ao predador, pois apenas lhe restam duas alternativas: ou consegue libertar-se, através da astúcia e da luta, ou será inapelavelmente devorada. E António José Seguro já deveria saber que, neste caso, a UE é uma voraz predadora, que não se compadece com o sofrimento das suas vítimas. E António José Seguro também já deveria saber que a União Europeia não é um espaço de solidariedade, mas um espaço de negócio, puro e duro. António José Seguro deveria estudar melhor o processo da Islândia, que não andou a pedir com o chapéu na mão, o que seria uma estratégia inútil, antes exigiu, ou seja, lutou, quando foi transformada em presa, tendo conseguido libertar-se.
Soube-se hoje que um quarto das crianças portuguesas já passam fome. Também já se sabe que os idosos pobres já nem sequer vão ao médico do centro de saúde, porque não têm dinheiro para os medicamentos e para as taxas moderadoras, o que é um escândalo nacional, que não vai comover os agiotas e os políticos sem escrúpulos, os indígenas e os de fora, nem os destinatários da carta do dirigente socialista português. António José Seguro, se não compreender que a atual situação do país exige a denúncia do memorando de entendimento com a troika, arrisca-se a ser considerado uma versão moderada de Passos Coelho. Não basta fazer discursos agressivos contra o governo, se, ao mesmo tempo, não se apresentar a verdadeira e a única alternativa para ultrapassar a crise. A História Económica ensina-nos (ver o caso da Argentina, na última década do século passado, e o caso português na crise financeira de 1891-93) que os credores só recuam e só se dispõem a renegociar as dívidas, quando os devedores falam grosso, ou seja, quando ameaçam suspender o respetivo pagamento.Ver notícia

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Citações: Diáspora!...


Diáspora
É tanto o que me dói, por não poder estar quando deveria...
Às vezes sinto que não foi apenas o país que abandonei. Perdi tudo e continuo a perder a cada dia: os casamentos que não celebro, as crianças que nascem e a quem não dou as boas vindas, as velas de um bolo de aniversário, que não vejo soprar!... E os mortos, os meus, que não enterro!...
A nossa casa pode ser em qualquer parte do mundo, é verdade, mas, fora do lugar onde criámos raízes, não somos mais que uma flor dentro de uma jarra...
Sónia Micaelo

domingo, 17 de fevereiro de 2013

FMI: dívida da Grécia “não é viável” sem mais ajuda da União Europeia - PÚBLICO


A Grécia vai precisar de mais ajuda dos seus parceiros europeus para conseguir controlar o enorme peso da sua dívida em 2016, disse nesta sexta-feira o responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), Poul Thomsen.
Poul Thomsen, que lidera a missão do FMI na Grécia, afirmou que existe um buraco nas projecções preliminares para 2015-2016 que pode chegar aos 9500 milhões de euros.
A dívida grega “não é viável” sem transferências directas por parte da União Europeia, que se comprometeu nesse sentido, em Dezembro, frisou Thomsen.
PÚBLICO
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Foi necessário sujeitar o povo grego à humilhante "escravidão" da mais infame austeridade, para se chegar à triste conclusão de que não é através do empobrecimento forçado, que se consegue o desenvolvimento. E os economistas do FMI e os políticos europeus sabiam disso. Só que era urgente salvar os bancos dos países ricos, os mesmos que forçaram o endividamento dos países da periferia, com dinheiro virtual, oriundo da especulação bolsista, e que agora pretendem equilibrar os seus balanços, com o dinheiro da economia real, oriundo dos rendimentos do trabalho. E este é o lado injusto da dívida, que os governos fantoches de Portugal, da Grécia, da Itália e da Grécia não querem admitir.
http://www.publico.pt/economia/noticia/fmi-divida-da-grecia-nao-e-viavel-sem-mais-ajuda-da-uniao-europeia-1581231

Grande prémio World Press Photo para um cortejo fúnebre que não se esquece


O sueco Paul Hansen ganhou o importante prémio de fotojornalismo com um funeral de crianças em Gaza. Na lista de premiados deste ano há um português, Daniel Rodrigues. Santiago Lyon, presidente do júri desta 56.ª edição dos prestigiados prémios de fotojornalismo e director de fotografia da agência Associated Press (AP), diz que este trabalho de Hansen para o diário sueco Dagens Nyheter “é simplesmente uma colecção forte de expressões”, que o tamanho dos corpos das crianças acentua. É, garante, “uma imagem incrível” que mostra, como tantas outras nas mais de cem mil que foram a concurso, que o fotojornalismo continua a ser um instrumento poderoso para contar uma história.
“Estas situações são muito complexas", disse Hansen, que vai receber dez mil euros da fundação World Press Photo. “É difícil exprimir as emoções, traduzir o que está a acontecer. A luz é dura e há muita gente.” À AP explicou por que razão escolheu o beco para fotografar: “A luz fazia ricochete nas paredes e por isso pensei que ali se poderia olhar para tudo isto como uma procissão… Temos a profundidade da imagem e a luz que se move.” O português Daniel Rodrigues, 25 anos, também optou pelo preto e branco e venceu na categoria Vida Quotidiana com uma fotografia de crianças a jogarem futebol num campo em Dulombi que servira de aquartelamento militar quando a Guiné-Bissau era uma colónia portuguesa.
PÚBLICO 
***«»*** 
Na fotografia e, concretamente, no fotojornalismo, três parâmetros são necessários, para que a fotografia possa dialogar com o observador: O tema, o contexto do cenário e a própria técnica fotográfica. E esta fotografia de Paul Hansen incorporou até ao limite aqueles conteúdos da hermenêutica fotográfica, acrescentando-lhe ainda um outro elemento estruturante, o contraste fisionómico, entre a serenidade dos rostos das crianças mortas e a crispação e desespero dos rostos dos adultos, que choram de dor, de raiva e de impotência. O tema não podia ser melhor para a fotografia: a morte de crianças inocentes por uma guerra injusta entre Golias e David. O contexto do cenário, explicou-o o próprio Hansen, ao referir-se à profundidade do campo e aos reflexos da luz, que transmitiram densidade humana ao cortejo. Fosse a fotografia tirada em campo aberto e com grande luminosidade, e ela não teria o mesmo impacto. Quanto à técnica, escapam-nos as respetivas metodologias utilizadas pelo grande fotógrafo.
Quanto ao nosso compatriota, Daniel Rodrigues, que felicitamos, é necessário que se diga que ele está desempregado, o que nos leva a perguntar que país é este que parece ter por regra desperdiçar os talentos e promover os medíocres e os ignorantes.
http://www.publico.pt/cultura/noticia/fotografia-de-duas-criancas-mortas-na-faixa-de-gaza-vence-world-press-photo-1584578#/0

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Maria Costa, pela sua decisão de se inscrever como amiga/seguidora deste blogue.

Poema: Inexplicavelmente - por maria azenha


Inexplicavelmente

A criança ergue o olhar à altura dos passos
de alguém que viaja.
Sentada no solo rente ao céu do chão
está viva por uma palavra misteriosa.
Ali, pregada em terra, olha para que a sigam
ou a ceguem,
com uma rosa na mão.

Inexplicavelmente tornou-se uma deusa
na bíblia dos náufragos.

maria azenha

Discurso da líder da Juventude Internacional Socialista torna-se viral

(Discurso completo) Beatriz Talegón: Revolución desde un hotel de 5 estrellas  

Beatriz Talegón, de la Unión Internacional de Juventudes Socialistas, pone los puntos sobre las íes a líderes socialistas de todo el mundo acusándoles de ser los responsables de la grave situación actual, mientras estaban reunidos en un hotel de cinco estrellas en Cascais para celebrar el encuentro del Consejo de la Internacional Socialista
"Me sorprende mucho cómo pretendemos remover la revolución desde un hotel de cinco estrellas en Cascais, llegando en coches de lujo. Me pregunto de verdad si nosotros podemos darle a los ciudadanos una respuesta cuando vosotros, líderes políticos, les decís que los entendéis, que sufrís porque somos socialistas. ¿De verdad sentimos ese dolor aquí dentro?, ¿de verdad podemos entender lo que estamos pidiendo al mundo desde un hotel de cinco estrellas?"
"Desgraciadamente, no hemos sido los socialistas del mundo los que hemos animado a la gente a salir a la calle ni a movilizarse, y lo que debería dolernos es que ellos están pidiendo democracia, están pidiendo libertad, están pidiendo fraternidad, están pidiendo una educación pública, una sanidad pública y nosotros no estamos ahí".
"Vosotros, líderes, mal llamados líderes porque sois los responsables de lo que está pasando".
"Luego os llenaréis la boca en vuestros discursos hablando del desempleo juvenil, de que os preocupan mucho los jóvenes: no os preocupamos en absoluto porque nos tenéis aquí y ni siquiera venís a preguntarnos cuál es nuestro punto de vista".
"Tenemos mucho que decir porque a la gente le interesa saber qué piensan los jóvenes, porque somos nosotros los que estamos pagando las consecuencias de vuestra acción o de vuestra falta de acción".
Vital Aza (You Tube)
***«»***
Beatriz Talegón alega que "a esquerda" passou a estar ao serviço das elites, "dança com o capitalismo" e é "burocrática".
Um vídeo com a intervenção da secretária-geral da União Internacional de Jovens Socialistas durante a reunião da Internacional Socialista (IS) em Cascais, na semana passada, onde tece duras críticas aos líderes socialistas, tornou-se viral em Espanha, está a ser muito partilhado em Portugal e, via redes sociais, a chegar à América Latina.
Na intervenção em Cascais, referiu-se ao que considera ser a crescente distância entre os dirigentes e as forças socialistas e a geração mais jovem, criticando a contradição entre o luxo da própria reunião e o elevado desemprego ou a contestação nas ruas de Espanha. Exigindo que as contas da IS não sejam um “mistério”, recusou que os militantes jovens só sirvam para “aplaudir” e acusou os dirigentes de serem em parte “os responsáveis pelo que está a acontecer” e de não lhes preocupar “em absoluto” a situação.
“O que nos deveria doer é que eles estão a pedir democracia... e nós não estamos aí”, afirmou a jovem de 29 anos, referindo-se à falta de apoio das lideranças para os jovens que protestam nas ruas. “Não nos querem escutar”, disse, considerando que “a esquerda está agora ao serviço das elites, dança com o capitalismo, é burocrática”. “Tem perdido completamente o norte, a ideologia, a conexão com as bases. E isso é algo que a esquerda não se pode permitir.”
À propagação do vídeo de Cascais, os cibernautas da esquerda não afecta ao PSOE está a responder com a carta aberta que Julián Jiménez, um antigo dirigente local da Juventude Socialista espanhola, dirigiu a Beatriz Talegón nesta terça-feira. O professor de 29 anos acusa a antiga companheira no Partido Socialista espanhol – que abandonou em 2009, em desacordo com o rumo político do Executivo de José Luis Zapatero – de estar apenas a autopromover-se.
Num longo texto, Jiménez lembra que, quando em 2009 se apresentou publicamente com um discurso de teor idêntico ao de Talegón, foi criticado dentro do PSOE, incluindo pela própria Beatriz, que depois o terá acusado de “deslealdade” após a dissidência. “Ao ouvir-te hoje, querida Beatriz, não pude deixar de me lembrar daqueles comentários que deixaste na minha rede social quando tomei aquela decisão”, escreve. “Aqueles em que falavas de lealdade, de que ser socialista era defender a política do PSOE quer gostes ou não, de que criticar o que agora criticas tu era deslealdade.”
“Queria acreditar em ti, cara ex-companheira, mas não posso fazê-lo. Creio recordar que trabalhavas então em Bruxelas, para o partido a nível europeu. Por que não foste rebelde naquele momento? Quem conhece o podre funcionamento do PSOE sabe que um rebelde nunca chega a um cargo de tanta responsabilidade como o de dirigente da União Internacional de Jovens Socialistas”, atira Jiménez, enumerando depois um conjunto de críticas aos últimos anos do governo socialista e os entendimentos com o PP de Rajoy.
O jovem activista diz acreditar “sinceramente” que o discurso de Talegón é “mera pose” dirigida aos “incautos de boa-fé”, para que vejam nele “um ar fresco que, honestamente, não existe no PSOE”.
PÚBLICO
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Ontem, fiquei agarrado à cadeira, ao ler um empolgante e grandioso poema. Hoje, fiquei novamente agarrado, ao ouvir as cáusticas acusações da jovem dirigente da União Internacional das Juventudes Socialistas, Beatriz Talégon, na reunião da  Internacional Socialista (IS), em Cascais, que, de uma maneira clara e objetiva, desmascarou a hipocrisia dos partidos socialistas, acusando-os de fazerem o jogo do capitalismo. Comecei a desamarrar-me da cadeira, quando comecei a ler a Carta Aberta do dissidente do PSOE,  Julián Jiménez, que acusava Beatriz Talegon de oportunismo. 
Não sei qual dos dois tem razão, já que, neste momento, isso pouco interessa. Interessa-me sim, dando razão a Beatriz Talégon, a denúncia do posicionamento dos partidos socialistas na atual crise financeira da Europa e, particularmente, da dos países periféricos. A sua ação em pouco se diferencia da ação dos partidos da direita. Incidem nos mesmos erros e utilizam a mesma metodologia. Na oposição, prometem o céu e, quando no governo, abrem as portas do inferno. O percurso dos partidos socialistas da Espanha, da França e, principalmente, os da Grécia e de Portugal, é um rosário de cedências à ditadura do capitalismo financeiro e à chantagem das várias instituições da UE, a sua maior expressão política. Não podem dizer que não tiveram culpas na eclosão da atual crise, assim como, por outro lado, ainda não ofereceram aos cidadãos uma alternativa credível para dela sair. Na Grécia e em Portugal, associaram-se aos partidos da direita, para permitirem que os seus países fossem tutelados pela troika, quando, na realidade, havia outras alternativas que não comprometeriam o desenvolvimento económico nem ameaçariam o Estado Social.
Mas, por outro lado, também não posso deixar de dar razão a Julián.Talégon, a acreditar no factos que ele apresenta, e que não foram desmentidos por ninguém, em Espanha. O que não falta aos partidos socialistas é a existência, no seu seio, de aventureiros e oportunistas, que se servem da política para, exclusivamente, se servirem a si próprios. 
Os partidos socialistas europeus têm um problema importante para resolver: a sua identidade socialista. E é uma contradição de termos erguer a palavra socialismo, ao mesmo tempo que, na prática, se adotam as práticas do neoliberalismo.Socialismo e neoliberalismo são como a água e o azeite. São realidades imiscíveis.  

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Vox Pop - A ignorância dos nossos universitários

Sugestão de Diamantino Silva e de Joaquim Pereira da Silva
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Esta amostra poderá não ser estatisticamente significativa. Poderá até ter havido a intenção malévola de selecionar os exemplos mais negativos. Mas é, sem dúvida, exemplarmente elucidativa! Comprova, pelo menos, o elevado grau de iliteracia de muitos jovens universitários portugueses. Alguns até poderão vir a ser brilhantes, nas áreas específicas dos seus conhecimentos, mas serão sempre ignorantes na compreensão e na apreensão do mundo que os rodeia. Falta-lhes a visão dialética, a cultura geral e a capacidade de pensamento crítico. E isto é preocupante, porque sem elites esclarecidas, nenhum país progride.
Lembro-me que, no início da década oitenta, do século passado, um jornal deu-se ao trabalho de fazer, em entrevista, um pequeno teste de Língua Portuguesa aos alunos do 1º ano da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Um autêntico desastre, que provocou algum escândalo, na época. E eu fiquei em pânico, porque fico sempre em pânico, quando vejo pobreza à minha volta.

Agradecimento


 É sempre com grande alegria que recebo um(a) "poeta" neste espaço.  Agradeço à Sandra Subtil a sua inscrição como amiga/seguidora do Alpendre da Lua.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Notas do meu rodapé: Tudo em nome da Fé!...

video
Amabilidade de Joaquim Pereira da Silva
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Grande lição, a da socióloga Wafa Sultan! Só faltou uma coisa: a denúncia da ocupação da Palestina pelo Estado judaico, uma ocupação vergonhosa, que contrariou a tradicional postura pacifista dos judeus, ao longo de séculos. Desde o tempo da ocupação romana da Palestina, os judeus nunca mataram ninguém por questões religiosas, até porque o judaísmo não tem pretensões expansionistas, ao contrário das religiões cristãs e da muçulmana. Os judeus, na sua Diáspora, foram sempre vítimas, mesmo em Portugal. Mas também é certo que os judeus (os seus grandes banqueiros) todos os dias matam silenciosamente muita gente, através da especulação desenfreada, no mercado de capitais, e da manipulação do mercado da dívida, práticas que levam a fome e a morte a muitas partes do mundo, sendo também Portugal uma das suas recentes vítimas.
Também estão a matar por questões políticas, na Palestina, para sustentarem o mito falacioso do Grande Israel, sustentado numa historicidade, intencionalmente mal interpretada, de um livro escrito na Idade do Ferro (metáfora do meu amigo, o escritor Carlos Esperança).
O Islão, cujas práticas remontam aos tempos da Idade Média, não esconde a sua vocação expansionista, que sempre o caracterizou e que o Profeta decretou, no seu livro sagrado, onde também consta que os infiéis, os apóstatas e os ateus devem ser condenados à morte. Se o Islão é extremamente pacifista para com os seus fiéis, é barbaramente violento para os que lhe contestam os fundamentos. Concebe-se matar em nome da Fé, assim como se prescrevem penas bárbaras e selvagens para as mulheres adúlteras e para os criminosos do delito comum. Totalitário na sua matriz fundadora, fundamentalista na doutrina e radical nos seus métodos de persuasão, o islão fechou-se sobre si mesmo, não evoluindo para a modernidade civilizacional, que assenta principalmente nos conceitos da liberdade de pensamento, na democracia política e económica, na laicidade do Estado e numa justiça independente de um qualquer poder civil ou religioso. 
Também o catolicismo, o ramo preponderante do cristianismo, nunca abandonou a sua natureza totalitária, expansionista e fundamentalista, nos tempos atuais mais camuflada num discurso conciliador, que a evolução das sociedades ocidentais obrigou a adotar. Na Idade Média, as guerras e as chacinas em nome de Deus foram constantes. O Papa arvorava-se como o suserano dos suseranos, confirmando e apeando reis, usando e abusando dos poderes da excomunhão. Durante a colonização, serviu-se da evangelização dos novos povos, para melhor facilitar a sua exploração pelos colonizadores.
A Inquisição deixou marcas e feridas profundas nos países onde foi instalada, tutelando, com poderes absolutos, a justiça divina, num conúbio vergonhoso com os poderes politicos. A condenação à morte, pela fogueira, até envergonhou o próprio Diabo, que não conseguia fazer melhor, lá no inferno.
As três religiões do Livro contribuíram, de forma decisiva, para o desenho da história dos povos de grande parte do mundo, mas atrás de si deixaram um rasto de violência, de alienação e de escândalos de toda a ordem. 
É necessário reduzi-las à dimensão dos seus templos. Nada mais uma República laica lhes deve permitir. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Minhas notas: Sobre a (não)existência de Deus...

Quadro negro

Sobre a (não)existência de Deus...
A linha do horizonte é desenhada por cada um de nós, como o limite da nossa própria capacidade para percepcionar o Mundo, a Vida e próprio Homem. A partir daí, sentimo-nos frágeis e perdidos, mergulhados que estamos na mais profunda ignorância. E foi nesse magma primitivo, em que nada fazia sentido com a realidade vivencial, que o Homem inventou Deus, para pôr uma certa ordem na sua própria lógica existencial. Desde esse momento, progredindo em todas as frentes, nas das técnicas, nas das ideias, nas da economia e nas do imaginário, a linha do horizonte, avançando, foi desvendando esse espaço negro da ignorância. Mas a ideia de Deus foi ficando na memória das crenças, enquanto muitos acreditam piamente na chegada do dia da revelação, que os oficiais dos cultos estão sempre a anunciar para o dia seguinte, ao contrário de outros, mais céticos, que, não obedecendo aos sacerdotes e ridicularizando os profetas, remetem esse dia para as calendas gregas.
http://www.diariodeunsateus.net/2013/02/11/sobre-a-nao-existencia-de-deus/

Cantora pede desculpa por ter dormido com um rapaz


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A cantora japonesa Minami Minegishi confessou publicamente, num vídeo lançado no YouTube, que tinha dormido com um namorado, o que é proibido na banda pop AKB48.
Um insólito vídeo de arrependimento de uma cantora da banda pop japonesa AKB48 por ter dormido com um rapaz deu a volta ao mundo através do YouTube.
Nas imagens, Minami Minegishi, de 20 anos, com a cabeça rapada (sinal tradicional de luto ou dor no Japão) surge, desolada, a fazer uma confissão perante as câmaras. A estrela pop japonesa pede desculpa aos seus fãs por ter dormido com um rapaz e assegura, lavada em lágrimas, que não quer deixar a sua banda.
Segundo o jornal espanhol "ABC", o insólito caso aconteceu após Minami Minegishi ter passado uma noite com um rapaz e ter sido "apanhada" pelas câmaras a abandonar o seu "ninho de amor". O produtor do grupo não perdou a "falha" e acusou-a imediatamente de ter quebrado a principal regra dos AKB48: não namorar com ninguém.
Após a publicação do polémico vídeo na Internet, que teve mais de 7 milhões de visualizações, os fãs acabaram por defender a jovem e perdoar o seu "deslize".
A cantora explica a sua noite com Alan Shirahama, bailarino de um grupo juvenil, como uma atitude "imatura e irrefletida". "Não acredito que por ter feito isto não possa ser perdoada e tenha de abandonar o grupo, porque não quero abandonar os AKB48", diz.
O grupo AKB48 foi lançado pelo produtor Yasushi Akimoto em 2005, sendo formado por 90 raparigas, que vão formando grupos que aparecem diariamente em teatros, canais televisivos, anuncios comerciais e revistas. O seu êxito já é exportado para fora do Japão devido á boa imagem que oferecem. As mulheres do grupo tem de ter uma imagem de pureza e castidade e casos como este são considerados pelos produtores da banda como prejudiciais à sua imagem.
Diário de Notícias
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Deveria ser proibido proibir, principalmente as relações sexuais assumidas entre adultos, que pertencem por inteiro ao universo dos afetos e que nenhum poder alheio pode tutelar. Pelo efeito de uma particular sharia, com resquícios de uma cultura feudal, ainda a perturbar as mentes de alguns japoneses, o fundador do grupo AKB48, por motivos de ordem comercial e de imagem pública,  impôs às cantoras e às coristas a abstinência sexual. Trata-se de uma violação grosseira dos direitos individuais e, aqui, também, do Direitos do Trabalho, uma vez que a jovem mulher arrisca-se a perder o emprego. Uma afronta à dignidade de uma jovem mulher, que viu a sua privacidade devassada e a sua sexualidade condenada. 
http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=3031227&seccao=M%FAsica&page=-1

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Poema: Sonhos - por Maria João Correia


Sonhos
Sonhos? Sonhos são pontes imaginárias…
hoje, tive vontade de escrever ao mundo…
aquele rio, aquele que por ali passa…
são as lágrimas das margens que secaram,
onde outrora construí a minha ponte, fortemente sonhada.
Maria João Correia
Retirado do blogue Birras e Berros

Nota: Eu tinha dito que este poema era demasiado belo para ficar escondido no lugar dos segredos, de quem se julga eternamente criança.
http://birraseberros.blogspot.pt/2013/01/sonhos.html

Citações: Jean Cocteau


"Eu sou uma mentira que diz sempre a verdade".
jean cocteau - do poema "o pacote vermelho"

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Poema: o trapezista da alma - por maria azenha

Voz da autora

o trapezista da alma

preparou tudo
a penumbra
a sala
a corda
a mão pousada no retrato de Sylvia Plath
o papel com o último número de telefone
o casaco pousado no solo
tudo sem grande aparato

quando deram por ele
tocava na rádio um blues
maria azenha

Nota: Uma amiga minha costuma dizer que a poesia não se comenta, saboreia-se. Mas eu não resisto a chamar a atenção do leitor para a beleza deste poema, apesar da sua singeleza formal, o que só os grandes poetas conseguem fazer. Neste poema, detenhamo-nos na precisão e na abrangência do seu título e na importância da introdução no texto, de uma forma isolada e sem qualquer adjetivação, da palavra "corda". O poema ganha imediatamente todo o seu significado, provocando o impacto desejado pela autora. Trata-se de uma subtileza da técnica poética, que Maria Azenha trabalhou muito bem na estruturação deste poema.
http://alpendredalua.blogspot.pt/2013/01/citacao-de-um-poema-de-maria-azenha-e-o.html

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Escritores: Agustina Bessa Luís e sua definição do ato da escrita.


AGUSTINA BESSA-LUÍS, in CONTEMPLAÇÃO CARINHOSA DA ANGÚSTIA (Guimarães Editores, 2000)

O QUE É ESCREVER?
Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (não de livraria, mas de indignação social profunda) é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração. Mas porque a poética precisão de dum acto humano não corresponde totalmente à sua evidência. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever é um pouco corrigir a fortuna, que é cega, com um júbilo da Natureza, que é precavida.
In Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen
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Na realidade, escrever é isto: um ato individual de audácia, para provocar o delírio, a fantasia, a piedade e a desfiguração, podendo ainda acrescentar-se a exaltação (dos mitos) e a magia (para não deixar de fora o realismo mágico ou realismo fantástico dos autores sul-americanos do fim do século passado), a desconstrução e construção da Ideia e do Ser, etc... A escrita, desde que foi inventada, foi sempre um ato libertador do Homem. E é este paradigma que o escritor deve respeitar.

Crónicas de um destino anunciado: O PESADELO - por Sónia M


Crónicas de um destino anunciado
O PESADELO

Esta noite tive um pesadelo. Despertava e apenas ouvia silêncio.
Era muito mais que a ausência de sons. Era profundo, apertava cá dentro como um mau agoiro.
Levantei-me lentamente e dirigi-me à janela. Lá fora as ruas estavam cheias de gente de braços abertos e mãos estendidas, a olhar o céu. Pareciam estátuas, ninguém se mexia nem falava.
Os carros não circulavam, as fábricas não produziam, o mundo inteiro havia simplesmente parado e toda a humanidade estava na rua de braços abertos e mãos estendidas, a olhar o céu.
Saí à rua descalça, o silêncio incomodava mais do que o frio, que fazia.
Era difícil caminhar por entre aquele aglomerado de gente. Acabei por andar pouco mais de um metro e parei. Confusa, tentei perguntar, à senhora ao meu lado, o que se passava, mas da minha boca não saía
um único som! Por mais que abrisse e fechasse a boca, o único que cuspia era silêncio!
Comecei a sentir os pés molhados. Rapidamente aquela água já me chegava aos tornozelos! Parecia um rio, que nascia aos nossos pés.
Foi então que reparei que todos choravam, silenciosamente, sem desviar o olhar do céu.
Elevei o meu olhar e as lágrimas brotaram também dos meus olhos.
O mundo havia mergulhado naquele silêncio triste, sem palavras, ninguém poderia voltar a falar da beleza das flores. O céu estava encoberto com uma nuvem gigante e dela caíam milhares de borboletas mortas.
Abri os braços e estendi também as minhas mãos, que a pouco e pouco ficaram cheias de cadáveres coloridos...
Quando acordei, tentei escrever o sonho imediatamente, para tentar não me esquecer dele.
Acordei incomodada!
Sónia M

Amabilidade da autora, que ofereceu este texto inédito ao Alpendre da Lua.

Nota crítica: Este texto da "poeta" Sónia M, que, ao nível das influências literárias, quer pela opção temática, quer pela desconstrução do real e da subversão da narrativa, acusa influências de Kafka e das correntes surrealistas, enquadra-se perfeitamente nas tendências estilísticas dos novos autores portugueses da era pós-Saramago.
Respondendo à autora, a agradecer-lhe a amabilidade, disse-lhe que este seu pequeno texto marcava um degrau na escalada do seu percurso literário, que assim ensaiava novas formas de expressão e avançava para a descoberta de novos temas.
AC

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sequestro da TROIKA - para garantir o pagamento dos empréstimos bancários (fraudulentos)

Amabilidade de Olímpio Alegre Pinto
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Paulo Morais tem vindo a destacar-se na firme denúncia da grande armadilha da dívida.
Nesta apresentação, a primeira desmistificação centra-se na clarificação dos conceitos entre o resgate de uma dívida e o sequestro de um Estado. Em princípio, um resgate de uma dívida ocorre quando existe incumprimento, o que não foi o caso de Portugal.
Depois, e isto é muito importante, detém-se na explicação da organização do sistema bancário internacional, com os bancos nacionais das economias das periferias a subordinarem-se, para se alcançar o mesmo objetivo comum, aos grandes bancos dos países centrais, os mais ricos.
Por fim, Paulo Morais interroga-se sobre os motivos que levaram os partidos, que aqui temos vindo a qualificar de partidos do arco da traição, a submeterem-se a um sequestro, acionado por três instituições internacionais - que, indesmentivelmente, defendem os interesses do capitalismo financeiro, e que atuaram no sentido de reforçar, por este processo, a garantia de que Portugal iria desenvolver políticas restritivas, inimigas da economia e da população, para arranjar dinheiro para pagar as dívidas e os seus juros - quando, na realidade, havia alternativas mais favoráveis para a economia portuguesa e menos dolorosas para  a população.

Fernando Ulrich toda a gente aguenta SIC

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Depois de estar dedicada ao jornalismo, entrou no PSD e recentemente arranjou trabalho no Governo. E o povo? “ai aguenta aguenta”.
Costuma-se dizer em gíria popular que quem tem telhados de vidros não deve atirar pedras. As recentes declarações de Fernando Ulrich sobre os sem-abrigo bem como outras proferidas meses antes estão na ordem do dia e a indignar a maioria dos Portugueses.
Uma investigação feita ao passado familiar de Ulrich deixou-nos com a resposta do “ao aguenta, aguenta”. A esposa de Ulrich estava numa carreira de jornalista quando entrou para o PSD onde as suas funções desde 1979 era a gestão do Gabinete de Comunicação desse mesmo partido.
Em 2011 integrou um gabinete semelhante, mas na Presidência da República, conforme pode comprovar esta informação do Dário da República e publicada sexta-feira no nosso Facebook.
No final do ano passado Ulrich informou os Portugueses que Portugal “aguenta” mais austeridade. Há alguns dias, firmou que “se os Gregos aguentam uma queda do PIB de 25% os Portugueses não aguentariam porquê”.
O presidente do Banco que teve lucros em 2012 na ordem dos 249 milhões de Euros e que a esposa trabalha no Governo com um ordenado acima da média dos Portugueses, não pode comparar os Portugueses em dificuldades com a vida que lhe pode acontecer, pois não há comparação possível.
Tugaleaks

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

"Se os sem abrigo aguentam, por que é que nós não?"


O "patrão" do BPI decidiu hoje explicar a sua polémica (e famosa) declaração "Ai aguenta, aguenta", relativamente à questão de se o país aguenta mais austeridade. E fê-lo com uma frase igualmente polémica.
Foi no passado mês de outubro que Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, disse que Portugal aguentaria ainda mais austeridade. Hoje, esclareceu o que queria dizer, comparando a situação de cada cidadão à dos sem-abrigo.
Durante a conferência de apresentação dos resultados do banco, o banqueiro começou por dar o exemplo da Grécia:"Se os gregos aguentam uma queda do PIB de 25% os portugueses não aguentariam porquê? Somo todos iguais, ou não?", questionou, citado pela TVI24.
E depois chegou aos sem-abrigo: "Se você andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer".
"E se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, naquela situação e sofrer tanto, aguentam, porque é que nós não aguentamos?", acrescentou. "Parece-me uma coisa absolutamente evidente", concluiu.
Diário de Notícias
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Eu nunca vi um banqueiro cair na miséria e, muito menos, tornar-se um sem-abrigo. Mas o banqueiro Fernando Ulriche admite que essa situação pode ocorrer, inclusivamente com ele. À cautela, já encomendei uma manta, que lhe oferecerei, no caso ele ter de vir dormir todas as noites, debaixo das arcadas dos prédios da avenida Almirante Reis.O almocinho está garantido, na sopa dos pobres, ali perto, aos Anjos. Eu julgo que ele vai aguentar!
À insensibilidade já demonstrada anteriormente, o banqueiro exibiu agora um descaramento obsceno e grotesco, que ofendeu os portugueses.