segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Notas do meu rodapé: Carta aos socialistas


Virar à esquerda

Devido à sua oportunidade no momento político presente, que está a assumir uma extrema gravidade para o país, deixo aqui o texto de um comentário que escrevi no Grupo do Facebook, "Movimento Republicano 5 de Outubro":

Carta aos socialistas
O problema do PS é apenas um problema de identificação com a palavra "socialismo". O que é o socialismo para o PS? Eu entendo que os militantes do PS são de uma importância fundamental para uma política de esquerda. Mas ser de esquerda (hoje, infelizmente, uma palavra ambígua e equívoca, tal é a profusão de ideários que dela se reclamam) não é certamente uma política que se limita a querer dar uns "retoques", como disse Seguro, no plano da Reforma do Estado do PSD, nem é, seguramente, não querer desvincular-se do Memorando da Troika, que foi concebido, e isto é inegável, numa perspetiva do mais puro e duro ideário do neoliberalismo (uma doutrina política e uma teoria económica que não tem nuances). E há uma contradição insanável, de forma, de conteúdo e de ideário, entre uma qualquer forma de socialismo e o neoliberalismo. Não pode haver um "socialismo neoliberalista", nem um "neoliberalismo socialista". E eu, que não estou a ser soprado ao ouvido por nenhuma voz de uma qualquer cassete partidária, desejo que o Partido Socialista Português seja um verdadeiro partido de esquerda, não para nele me filiar, mas para também com ele fazer uma ampla unidade de todos aqueles (e já são milhões) que querem romper com o neoliberalismo que domina a Europa, sob a batuta das instituições da UE. E, nesse sentido, a primeira coisa a fazer, e que será a primeira prova de fogo, é romper com a troika e com tudo o que ela significa e personifica.
Não queira António José Seguro ser o Hollande português. Não queiram os honrados militantes (os outros não) do PS deixar que isso aconteça. Será a desgraça de Portugal, pois fumar um Definitivos (Passos Coelho) ou um Português Suave (A.J. Seguro) é a mesma coisa. Ambos matam.