domingo, 22 de janeiro de 2012

Passos sobre Cavaco: "Os sacrifícios têm que ser repartidos por todos"


O primeiro-ministro garantiu neste sábado que os “sacrifícios vão valer a pena e que Portugal vai passar esta situação difícil” e que todos, independentemente da sua posição, têm que fazer sacrifícios, reagindo às declarações do PR sobre a sua reforma.
PÚBLICO
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Passos Coelho ainda não leu o relatório da Comissão Europeia, comentado e referido aqui, no post anterior, onde se afirma que Portugal foi o país, entre todos aqueles que estão sujeitos a políticas de austeridade, que mais fez incidir os sacrifícios sobre as classes de menores rendimentos. Ao contrário do que afirma Passos Coelho, que na mentira nada fica a dever a José Sócrates, os sacrifícios não são iguais para todos. Observando o gráfico, pode ver-se que à medida que diminui o rendimento, aumenta a percentagem da perda do poder de compra, até chegar, no fim da escala, aos seis por cento para os mais pobres, enquanto os mais ricos perderam apenas dois por cento.  Com estas selvagens medidas de austeridade, que não vão resolver a crise profunda em que se encontra o país, o fosso entre os rendimentos dos vinte por cento dos portugueses mais pobres e os vinte por cento dos portugueses mais ricos vai agravar-se, aproximando-se do patamar que caracteriza os países subdesenvolvidos, em termos da distribuição dos rendimentos.
A conclusão que tem de se tirar, leva a concluir que o grande patronato e o governo prosseguem uma gravosa política de empobrecimento da maioria da população, aproveitando a crise financeira para acentuar a transferência de rendimentos dos trabalhadores para o capital.
http://www.publico.pt/Política/passos-sobre-cavaco-os-sacrificios-tem-que-ser-repartidos-por-todos_1530145

5 comentários:

Maria José Meireles disse...

Sacrifícios nunca valem a pena. Muito menos para os que, entretanto, emigrarem... para o além...

Graza disse...

Os países subdesenvolvidos caracterizam-se também pela forte percentagem da sua economia paralela, ou informal, em Portugal já vai nos 25%, e isto é mau com este ou com outro Governo, é mau sempre, e o agravamento vai agora ser maior. Na Suíça, esse valor representava o ano passado 8% e na Bulgária 33%. Não sei porque refiro isto, mas de repente quis fazer a ponte entre as sondagens que dão maioria a esta coligação, o mau estado do país, e esta realidade da nossa economia, porque parece haver gente satisfeita com o que está a ser feito. Qual será o efeito pernicioso desta economia informal numa democracia, não digo economia, digo democracia. Até que ponto a economia informal joga um jogo contrário ao jogo democrático?
Não é para responder. :)
Um abraço.

Graza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexandre de Castro disse...

Tem toda a razão, Grazina. A economia paralela, não só prejudica a economia e a sua transparência, como degrada a democracia. Tal como as desigualdades da distribuição da riqueza pelos diferentes grupos sociais, o valor da economia paralela também se constitui num índice importante para a avaliar o estado de desenvolvimento de um país.
Um abraço
Alexandre

Diamantino disse...

Tudo certo e eu concordo. Mas como diria o tal senhor de La Palice, também para entender o comportamento do nosso povo teremos que ir à genese das coisas e, neste caso, para não irmos mais longe - e eu insisto neste ponto - vamos ao nosso século XIX, ao Rotativismo e ao Regabofe, que aí o Zé interiorizou a ideia de que o Estado não é uma pessoa de bem, antes pelo contrário, é ladrão e, daí,espertos os que o roubam, pois lá diz o mesmo Zé que quem rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Diamantino