terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O mau jornalismo televisivo de Mário Crespo

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Mário Crespo é um péssimo jornalista. Ainda não aprendeu que, no decorrer de uma entrevista, a boa prática profissional exige ao jornalista uma reserva prudente quanto à emissão das suas próprias opiniões, pois o objetivo é recolher a opinião do entrevistado, que é aquilo que interessa ao público, sendo por isso que a sua presença se justifica. O jornalista deve anular-se e dar o palco ao entrevistado. Deve limitar-se a enquadrar o tema com inteligência e criatividade e fazer as perguntas com objetividade. Se for sagaz, deve fazer perguntas armadilhadas para explorar eventuais contradições do entrevistado. Mas Mário Crespo, enrola-se nas suas palavras, e assume-se como comentador. Aos entrevistados, seus correligionários ideológicos, espreguiça-se untuosamente, num canhestro servilismo, fazendo perguntas bondosas e inocentes. Aos entrevistados que não lêem pela sua cartilha política, faz perguntas impertinentes e capciosas. Se Mário Crespo pretende exercer a função de comentador político, terá de criar o seu próprio espaço de opinião, bem marcado e bem definido. Aí, pode dizer o que muito bem entender.
Mas, além de ser um mau jornalista, Mário Crespo não percebe nada de economia. Destila venenosamente os estereótipos da direita neoliberal, delicia-se ronceiramente com os lugares comuns que debita, na presunção de que são pensamentos brilhantes. Nesta entrevista ao dirigente da CGTP, Arménio Carlos, percebeu-se que não sabe o que é a taxa de produtividade, focalizando-a exclusivamente no fator trabalho. Não sabe que os grandes motores para o aumento da taxa de produtividade assentam no investimento, na inovação tecnológica e na melhoria do sistema de gestão e de comercialização, que são os principais fatores que promovem o aumento do PIB.
Salvou-se nesta entrevista o desempenho de Arménio Carlos, que deu uma lição ao ignorante jornalista.