terça-feira, 17 de agosto de 2010

Notas do meu rodapé: Como a China salvou o mundo da recessão...

PIB da China ultrapassou o do Japão no segundo trimestre
A dimensão da economia chinesa, medida pelo
PIB, ultrapassou no segundo trimestre
ligeiramente a do Japão e Pequim está bem
posicionada para no final do ano ter a segunda
maior economia do planeta, mas ainda a grande
distância dos EUA, que lideram esta tabela.
... A ultrapassagem do Japão pela China em termos
de dimensão económica expressa em dólares
americanos vem na sequência de um processo
que se iniciou há 30 anos e em que o país tem
apresentado taxas de crescimento anuais da
ordem dos dez por cento há pelo menos uma década,
tendo sido o seu crescimento determinante para fazer
o mundo sair da recessão global que viveu no ano
passado, na sequência da crise financeira declarada no
Ocidente no final de 2008.
PÚBLICO
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Este enorme êxito da economia chinesa, que salvou o mundo de uma profunda recessão, não se deve apenas ao forte crescimento verificado nos últimos trinta anos, em consequência das reformas económicas introduzidas por Deng Xiaoping, em 1978, e que se basearam, essencialmente, na criação de condições favoráveis à captação de avultados investimentos estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, e à subordinação de toda a economia à intensiva industrialização. Tudo seria diferente se a China não tivesse antecipado a previsão da crise que iria assolar as principais economias ocidentais em 2008 e 2009 e não tivesse avançado com fortes medidas de estímulo às zonas rurais para que a sua procura interna conseguisse suportar a diminuição da procura global e, assim, manter produtivo o seu gigantesco aparelho industrial. Esses estímulos, no valor de 586 mil milhões de dólares, proporcionalmente, tendo como referência os respectivos PIB's, muito superiores aos 787 mil milhões de dólares que o governo dos Estados Unidos injectou na sua economia, principalmente nos grandes bancos, permitiu que milhões de chineses das zonas rurais tivessem acesso a uma gama diversa de produtos industriais para uso doméstico, até ali inacessíveis, ao mesmo tempo que se canalizavam investimentos públicos para a construção de infra-estruturas naquelas zonas.
Muitos economistas, na altura, duvidaram da eficácia deste plano ambicioso, gizado pelas autoridades chinesas, que assim tentavam compensar a diminuição das suas exportações, principalmente para os Estados Unidos, onde a sua classe média, um dos potentes motores do funcionamento da economia mundial, veio a claudicar com a crise de 2008/2009. Antes da crise financeira ter explodido, já os chineses andavam alarmados com a diminuição da procura global, que as suas estatatísticas evidenciavam. Ainda com as exportações em alta, verificava-se que 75 por cento das indústrias chinesas estavam com problemas de excesso de capacidade e que a taxa de crescimento dos lucros das empresas já se tinha reduzido para metade. E este alarme era justificado, já que, no primeiro trimestre de 2009, o PIB chinês caiu para seis por cento, o valor mais baixo dos 10 anos anteriores.
Ao contrário do que as economias ocidentais fizeram, que foram em socorro dos bancos, neles injectando o dinheiro dos contribuintes, a China, com uma enorme clarividência, aumentou, através dos apoios estatais, a procura interna, elevando o padrão de consumo de milhões de camponeses, o que lhe permitiu manter o emprego nas zonas industriais. Ao mesmo tempo, salvou da recessão a economia mundial e evitou a instalação de uma inflação global generalizada.

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