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sábado, 11 de junho de 2011

Notas do meu rodapé: Cavaco Silva vai novamente agarrar no leme!...


Cavaco recomenda o exemplo de frugalidade e sacrifícios do interior
O discurso do Presidente da República na sessão solene do 10 de Junho deslocou o eixo das suas preocupações do centro da vida política para o interior do país. Uma metáfora, disse Cavaco Silva no fim.
Depois de discorrer sobre as potencialidades do interior e a necessidade de a ele regressar, promovendo a agricultura, o turismo e alguma indústria, o Chefe de Estado salientou no entanto que a principal potencialidade do interior estão as suas gentes. “A sua frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir num tempo em que a fibra e a determinação dos portugueses são postos à prova”, afirmou.
E foi aqui que deixou uma mensagem clara para o país, em particular para o próximo governo, representado na plateia por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, ambos ainda como líderes de partidos da oposição.
“Não podemos falhar. Os custos seriam incalculáveis. Assumimos compromissos perante o exterior e honramo-nos de não faltar à palavra dada”, disse, com grande solenidade.
PÚBLICO
***
Curiosamente, fui com Cavaco Silva como primeiro-ministro que a desertificação do interior mais se intensificou, depois do 25 de Abril. Balizando a economia pela cartilha monocolor do neoliberalismo (a única cartilha que aprendeu a ler), os seus dois governos de maioria absoluta, perseguindo unicamente o efeito de escala e a vantagem de proximidade entre produtores (de bens e serviços), distribuidores e consumidores, promoveram a concentração da maioria das ajudas dos fundos comunitários na região da Grande Lisboa, em prejuízo do interior do país, onde a falta de investimentos, geradores de emprego, determinou o êxodo dos mais novos. Como os governos seguintes prosseguiram a aplicação do mesmo guião neoliberal da economia, que apenas se preocupa com as rentabilidades imediatas e ignora os efeitos a longo prazo, a desertificação na maioria dos concelhos do interior foi de tal monta, que se chegou ao ponto de, em alguns deles, serem as câmaras municipais os maiores empregadores locais, o que é uma situação anómala num país, cujos governantes afirmavam apostar no seu pujante desenvolvimento (que não é apenas crescimento económico).
Cavaco Silva, a quem competia desenhar um grande plano estratégico para a economia, limitou-se praticamente a gerir (e mal) os fundos comunitários, revelando aí a sua tacanhez como estadista. Durante os seus dois mandatos, não surgiram nenhumas reformas estruturantes, que mudassem o paradigma do desenvolvimento económico. Quando saiu do governo, odiado pela maioria do povo português, deixou o Estado e a economia com o mesmo perfil existente nos tempos de Salazar, um dirigente político que ele pretendeu canhestramente imitar. Este elogio e este apelo à frugalidade dos portugueses encaixa bem no pensamento político do ditador. Salazar tinha medo de perder o controlo do país, se facilitasse a proletarização intensiva do sector secundário da economia. Por isso,  apenas permitiu uma tímida industrialização do país. 
Quer Salazar quer Cavaco Silva promoveram os dois principais ciclos de crescimento económico do século XX (1950 a 1973 e 1986 a 1990, respectivamente), beneficiando de favoráveis condições externas, mas esqueceram-se de aplicar políticas que aumentassem a taxa de produtividade, que é o indicador económico mais significativo da saúde de uma economia. Naqueles dois períodos, o aumento do PIB per capita acompanhou o evidenciado pelo conjunto dos doze países mais desenvolvidos, mas a taxa de produtividade acusou uma crónica estagnação, que ainda hoje persiste. 
Afirmámos aqui, numa nota sobre o desfecho das eleições presidenciais, com Cavaco Silva a ser eleito por vinte e três por cento dos eleitores inscritos , que o centro político deslocar-se-ia de S. Bento para o palácio de Belém, caso o PSD viesse a ganhar as eleições legislativas seguintes, perante um cenário, já pressentido, da queda do governo do PS, e de que, neste caso, seria Cavaco Silva o verdadeiro primeiro-ministro, através de interposta pessoa. Os avisos públicos já avançados para a acção do próximo governo, a chantagem emocional sobre a hipótese de um fracasso, e, agora, este ungido apelo à frugalidade dos portugueses mostram bem a sua intenção de ser o timoneiro deste barco prestes a naufragar.
Cavaco Silva, ao aceitar sem pestanejar e sem um reparo crítico os ditames da troika (UE-FMI-BCE), juntou-se aos partidos do arco da traição. O seu pendor autoritarista irá emergir, apoiado pela nova maioria parlamentar de direita, o que prefigura para o futuro um regime político autoritário, de perfil ditatorial, ou, se quisermos utilizar o termo do politicamente correcto, de uma democracia musculada.
E será essa ditadura travestida que é urgente começar a denunciar e a combater, tentando contrariar a orquestração da direita, que se prepara para arrasar o país com uma onda de choque brutal.

Españistán, de la Burbuja Inmobiliaria a la Crisis (por Aleix Saló)

*
Por mais que se tente branquear a situação em Espanha, os analistas não deixam de considerar o grande risco a que está exposto o seu sistema financeiro e a sua economia. Os planos da União Europeia para evitar a bancarrota na Grécia e na Irlanda revelaram-se insuficientes, o que obriga a um novo reforço de intervenção, com novos empréstimos e com a exigência de novas medidas de austeridade. Em Portugal, não irá ser diferente, apesar do país passar a ser governado por uma ditadura parlamentar de direita. Se outros motivos de preocupação não houvesse, a situação em Portugal não deixa de alarmar os dirigentes espanhóis. A Espanha mergulhará no abismo se em Portugal as coisas derem para o torto, uma vez que os bancos espanhóis encontram-se entre os principais credores da dívida portuguesa. 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Conto: A PINTURA DO AUTOMÓVEL- Fernando Pessoa (Ficções)


[A PINTURA DO AUTOMÓVEL]

Eu explico como foi (disse o homem triste que estava com uma cara alegre), eu explico como foi...
Quando tenho um automóvel, limpo-o. Limpo-o por diversas razões: para me divertir, para fazer exercícios, para ele não ficar sujo.
O ano passado comprei um carro muito azul. Também limpava esse carro. Mas, cada vez que o limpava, ele teimava em se ir embora. O azul ia empalidecendo, e eu e a camurça é que ficavamos azuis. Não riam... A camurça ficava realmente azul: o meu carro ia passando para a camurça. Afinal, pensei, não estou limpando este carro: estou-o desfazendo
Antes de acabar um ano, o meu carro estava metal puro: não era um carro, era uma anemia. O azul tinha passado para a camurça. Mas eu não achava graça a essa transfusão de sangue azul.
Vi que tinha que pintar o carro de novo.
Foi então que decidi orientar-me um pouco sobre esta questão dos esmaltes. Um carro pode ser muito bonito, mas, se o esmalte com que está pintado tiver tendências para a emigração, o carro poderá servir, mas a pintura é que não serve. A pintura deve estar pegada, como o cabelo, e não sujeita a uma liberdade repentina, como um chinó. Ora o meu carro tinha um esmalte chinó, que saía quando se empurrava.
Pensei eu: quem será o amigo mais apto a servir-me de empenho para um esmalte respeitável? Lembrei-me que deveria ser o Bastos, lavador de automóveis com uma Caneças de duas portas nas Avenidas Novas. Ele passa a vida a esfregar automóveis, e deve portanto saber o que vale a pena esfregar.
Procurei-o e disse-lhe: «Bastos amigo, quero pintar o meu carro de gente. Quero pintá-lo com um esmalte que fique lá, com um esmalte fiel e indivorciável. Com que esmalte é que o hei-de pintar?»
«Com BARRYLOID», respondeu o Bastos, «e só uma criatura muito ignorante é que tem a necessidade de me vir aqui maçar com uma pergunta a que responderia do mesmo modo o primeiro chauffeur que soubesse a diferença entre um automóvel e uma lata de sardinhas».
«Perfeitamente . . .»
«Com que é que você quer pintar um carro», continuou o Bastos sem me ligar importância, «senão com um esmalte que seja ao mesmo tempo brilhante e permanente? E, ainda por cima fácil de aplicar... Isto do fácil de aplicar é comigo, mas é uma virtude, e as virtudes citam-se... Vá-se embora!...»
«Bom...», disse eu.
«Isto de esmaltes de nitrocelulose», prosseguiu o Bastos, dando-me um encontrão, não é um assunto de mercenaria a retalho. Tem uma coisa maçadora a que se chama ciência. Sabe o que é? Mas é maçadora para quem prepara as coisas; para nós, que as recebemos preparadas para as aplicarmos, é um alívio e uma alegria. Este BARRYLOID é o produto de longos cuidados feitos no primeiro laboratório de tintas, lacas e vernizes. Percebeu? Não é o primeiro produto do género que apareceu, porque o ser primeiro está bem se se trata de estar numa bicha, mas não se trata de tintas ou de coisas que metam estudo e provas. Não: nas tintas e na prática, a última palavra é que é a primeira.»
«Meu caro Bastos...», disse eu.
«Só BARRYLOID», respondeu o Bastos, virando-me as costas.
«Eu queria agradecer...», prossegui.
«Traga o carro», disse o Bastos.
Levei-lhe o carro e ele pintou-o a BARRYLOID. E não há camurça, nem chuva, nem poeira da pior estrada, que consiga envergonhar esse esmalte de aço. Sim: o Bastos tratou-me mal, mas tratou bem a verdade. Não há nada como o BARRYLOID.
... Tanto assim que, quando comprei o meu segundo carro, tratei logo de saber se ele vinha já pintado a BARRYLOID. Ele aí está na base da página e no fim da minha história. Passa-se a camurça, mas é preciso usar óculos fumados: o brilho deslumbra. E, o que é mais, deslumbrará, porque dura.
A minha camurça dura eternamente. O que se tem gasto muito são os óculos fumados; e os elogios dos amigos que vêem os meus carros pintados a BARRYLOID.
Fernando Pessoa

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Cavaco espera que portugueses queiram ser “curados”



O Presidente da República disse hoje esperar que os portugueses queiram ser “curados” e que sejam capazes de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional, sublinhando que acredita que o país vai “vencer”.
PÚBLICO
***
Os portugueses já foram curados muitas vezes. E de que maneira! Mas foram sempre enganados pelos médicos, que nunca acertaram nas causas da doença e prescreveram os medicamentos errados. Agora, têm de ir para um serviço de urgêncai, que é o serviço hospitalar mais perto da morgue. Ainda ninguém sabe quem vai pagar as despesas do funeral.

Manipulação grosseira!...



Alguém mal intencionado, e aproveitando alarvemente a recente informação sobre a eventual adesão do papa Bento XVI, enquanto adolescente, à Juventude Hitleriana, resolveu fazer, a partir de uma fotografia original - onde se vê, com vestes eclesiásticas, o futuro papa e o seu irmão, a executarem um gesto litúrgico - uma habilidosa montagem de truncagem, apresentando apenas o jovem Ratzinger a fazer a saudação nazi.  
É uma manipulação grosseira e inaceitável, que descredibiliza o seu autor. A amplitude do humor cessa no limite da fronteira entre a verdade e a mentira e quando se recorre à adulteração das fontes. Ao nível da caricatura, é legítimo pôr um preservativo no nariz do papa, pelo significado discursivo que representa, mas é inadmissível transformar um gesto realizado num contexto litúrgico, ligando-o à saudação nazi. Isto, independentemente de Ratzinger ter abraçado ou não a ideologia nazi.

Mudança de Operador


Liguei para as Finanças e ouvi a mensagem:
"Aviso, está a ligar para um cliente que agora pertence ao FMI"

Notas do meu rodapé: Não quero ver a raínha de Inglaterra vestida com a burka

Ao contrário do anunciado na primeira imagem pode clicar em todas para as ampliar














Estas manifestações fundamentalistas, que nada têm de espontaneidade, antes obedecem a um plano difusor altamente organizado e centralizado, fazem-me recordar as manifestações das juventudes hitlerianas dos anos trinta do século passado. A uni-las, um rancoroso ódio de brutalidade animalesca contra o inimigo eleito, assumido numa encenação grotesca e patética, e ao arrepio de todos os avanços civilizacionais baseados na tolerância e no direito pela diferença. Os países muçulmanos podem ter muitas razões de queixa em relação ao colonialismo europeu do passado e às agressões permanentes do sionismo judaico sobre o martirizado povo da Palestina, cuja independência as forças progressistas do ocidente defendem com sincera convicção. Não podem, contudo, através das suas comunidades europeias, alimentar o ódio xenófobo contra os povos que lhe deram acolhimento, nem ameaçar de morte quem não se identifica com a sua satânica religião, idêntica na sua vocação totalitária e exclusivista à matriz original das duas outras religiões monoteístas. 
Sabe-se que os fundamentalistas islâmicos, ensandecidos pela cegueira de ajustar contas com a História, pretendem conquistar através da demografia, aquilo que, na Idade Média, não conseguiram pelas armas. E, neste aspecto, aceito plenamente que se deva aplicar a lei da reciprocidade de tratamento, expulsando do solo europeu aqueles muçulmanos hostis, que nele entraram, utilizando o cavalo de Tróia, e limitando as liberdades a quem não quer respeitar as liberdades dos outros. A Europa não pode transformar-se na cloaca dos fundamentalistas islâmicos, que nela pretenderão impor, quando para isso tiverem a força suficiente, as implacáveis leis corâmicas da sharia, reclamadas na manifestação de Londres, e à qual reportam as imagens publicadas.
Não quero ver a rainha de Inglaterra vestida com a burka nem quero regressar ao tempo da Inquisição, em que apostasia e o ateísmo eram purificados pelo fogo.
Notas:
(1) "Deste modo, tornou-se uma obrigação individual, à qual não há escapatória, de cada Muçulmano preparar o seu equipamento, decidir-se a participar na jihad, e preparar-se para ela até que a oportunidade seja oportuna e Deus decrete uma matéria que é certo que será completada..."
al-Banna, fundador da Irmandade Muçulmana
(2) Sobre a total intolerância pelos costumes não-muçulmanos: "Tudo no Universo é Muçulmano pois tudo obedece a Deus pela submissão às suas leis... Em toda a sua vida, desde o estado embriónico até à dissolução do corpo após a morte, cada tecido dos seus músculos e cada membro do seu corpo segue o curso prescrito pelas leis de Deus. A sua língua, que pela sua ignorância defenda a negação de Deus ou professe divindades múltiplas, é na sua própria natureza "Muçulmana"... Aquele que negar Deus é um Kafir ("escondedor") porque ele esconde pela sua descrença o que é inerente à sua natureza e embalsamado na sua alma. Todo o seu corpo funciona em obediência a esse instinto... A realidade torna-se-lhe alienada e ele tateia na escuridão".
Sayed Abul ala Mawdudi, fundador da  Jamaat-e-Islami 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os pepinos da Casa Branca são célebres!...

Não, não... pepinos, não!
Fotografia e legenda do iol.pt

Cavaco condecora Manuela Ferreira Leite no Dia de Portugal


José Castelo-Branco

Cavaco Silva vai condecorar no Dia de Portugal a antiga ministra das finanças e antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite com Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
A Presidência da República divulgou esta terça-feira a lista das condecorações a serem atribuídas na cerimónia oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que este ano tem lugar em Castelo Branco, no dia 10 de Junho.
PÚBLICO
***
Depois de verificar que o jornal Reconquista, o jornal mais reaccionário da imprensa regional portuguesa, e que é propriedade da paróquia de São Miguel da Sé, de Castelo Branco, vai ser agraciado como Membro Honorário da Ordem de Mérito, eu só passarei a acreditar no apartidarismo e no espírito de imparcialidade de quem estabeleceu os critérios das nomeações, quando o Presidente da República, Cavaco Silva, condecorar o entertainer José Castelo-Branco, pelo seu mérito em prolongar a acção civilizadora de Portugal junto das tribos primitivas de África, ensinando os homens a maquilharem o rosto.

CDS-PP diz que declarações de Ana Gomes são de "baixo nível"


A vice-presidente do CDS-PP Assunção Cristas considerou esta terça-feira “inadmissíveis”, “inqualificáveis” e de “baixo nível” as declarações da eurodeputada socialista Ana Gomes a propósito do líder democrata-cristão, Paulo Portas.
“O CDS entende que as declarações da doutora Ana Gomes são inadmissíveis, inqualificáveis e não merecem da nossa parte qualquer comentário que seja de tal forma são de um baixo nível que não é admissível na política portuguesa”, disse.
PÚBLICO
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Inadmissível e inqualificável é a complacente impunidade perante a justiça dos políticos corruptos. Porque não pode ou porque não quer, a  justiça, através de cumplicidades cruzadas, bloqueia e paralisa todos os processos judiciais, que envolvam altos dirigentes governamentais e partidários. O recurso aos mais variados sofismas, para contornar a aplicação da lei penal, atira os processos para o fundo das gavetas e para os recantos de esconsas prateleiras, até que vençam os prazos de prescrição e a memória colectiva os esqueça. Prevalece uma cultura de castas, sobrevive a pesada herança aristocrática do privilégio diferenciador e da saloia pretensão da superioridade moral de uma classe que se julga acima de qualquer suspeita. Mas todos nós sabemos que os seus armários estão cheios de esqueletos.
Não se pode falar de democracia, quando a justiça não é imparcial e equitativa. Nos últimos anos, o país assistiu com espanto e indignação ao desfile obsceno dos escândalos judiciais, que tinham os políticos como alvos. Nenhum político foi parar à cadeia.
http://publico.pt/Política/ana-gomes-defende-paulo-portas-fora-do-governo-e-da-exemplo-de-dsk_1497884
http://publico.pt/Política/cdspp-diz-que-declaracoes-de-ana-gomes-sao-de-baixo-nivel_1497938

segunda-feira, 6 de junho de 2011

NÃO, NÃO SUBSCREVO - um poema de Jorge de Sena declamado por André Gago

*
Um poema premonitório, que o filme adaptou à actualidade.

Notas do meu rodapé: Há outros caminhos para além da via sacra da troika


As condições leoninas, que acompanham os empréstimos (com juros elevados) da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional a Portugal, Grécia e Irlanda, contrariam toda a racionalidade económica, já que, como sustentam os economistas nobelizados,  Joseph Stiglitz e Amartya Sen, além de outros, não comprometidos com o sistema do grande capital, nenhuma economia pode crescer numa situação de aperto orçamental. Em períodos de crise económica, o Estado tem de intervir, directa e indirectamente, na economia, já que os agentes privados, independentemente da sua autonomia, têm de se enquadrar numa mesma estratégia de recuperação geral, previamente assumida, depois de um estudo muito rigoroso do mercado global. Ora, em Portugal, nem o governo de José Sócrates nem a troika se preocuparam com esse estudo. A afirmação muito badalada que, depois de corrigir o défice orçamental, Portugal reconquistaria a confiança do mercado de capitais, e poderia, a partir daí, recuperar a economia, carece de fundamentação científica e não tem, a ancorá-la, nenhum estudo. Genericamente, subentende-se que as exportações subiriam através do aumento da competitividade proporcionada pela diminuição dos salários dos trabalhadores (não os dos gestores nem o dos funcionários superiores do Estado). Esta postura comodista e empobrecedora parte do princípio da continuidade de um aparelho produtivo de trabalho intensivo e de pouco valor acrescentado, como acontece actualmente.
Num estudo recente para o Banco de Portugal, o insuspeito economista e ex-ministro do governo de António Guterres, Augusto Mateus, depois de concluir que vai ser muito difícil para Portugal regressar ao crescimento económico, afirma que "o acento tónico da nossa competitividade está mais em produzir mais valor do nosso produto e não produzir a custo mais baixo". E aponta vários caminhos. Um deles, e obrigatoriamente, é o da diversificação das exportações, um outro é o da valorização dos jovens quadros, saídos das universidades, e que, actualmente, são os únicos trabalhadores portugueses que são competitivos, já que são altamente qualificados e são baratos em relação aos seus congéneres europeus. Disse Augusto Mateus numa entrevista ao PÚBLICO: "Em Portugal há recursos altamente qualificados, temos engenheiros, médicos, gestores, físicos, químicos, gente muito escolarizada, muito competente, pois foi formada em universidades modernas e capazes, mas com salários baixos".
Ora, acontece, que nem o PSD nem o PS escreveram, nos seus programas, uma linha, ou o que quer que fosse sobre este domínio (janela de oportunidade). Entregaram-se ao fundamentalismo monetarista do FMI, que não está a resultar na Grécia nem na Irlanda, e que, em Portugal, também não vai resultar, a não ser que queiram reduzir o país à dimensão económica do Afeganistão.
Pela sua importância, voltaremos a referirmo-nos a este estudo de Augusto Mateus.

Três metáforas eloquentes...

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Cartoon-Rodrigo-Expresso

Fotografia do Diário de Notícias

Fotografia de uma rua de Lisboa tirada por um sem abrigo-Público


Jerónimo espera luta de quem votou nos partidos da "troika"


O secretário-geral do PCP considerou, este domingo à noite, que "a luta social será inevitável" e envolverá, também, aqueles que votaram "nos partidos da troika" quando se sentirem "enganados" pelos partidos que "esconderam" as medidas que querem aplicar e, nomeadamente, pela campanha de "mentira" e "dissimulação" da Direita.
Não é preciso ser profeta para saber que essa luta se desenvolverá. E, nessa luta, podem contar com o PCP, com a CDU", afirmou Jerónimo de Sousa, comentando o reforço do número de eleitos da CDU, que conseguiu eleger pelo distrito de Faro.
Jornal de Notícias
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Foi o único discurso mobilizador que se ouviu ontem. Com o futuro parlamento transformado em caixa de ressonância da nova maioria da direita - uma simples Repartição Geral do governo - a luta vai desenrolar-se noutros palcos, quando os portugueses começarem a percorrer a via sacra desenhada pela troika. E é nessa luta que devem concentrar-se todas as energias. 

A declaração assassina que levou Sócrates à derrota!...

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domingo, 5 de junho de 2011

Notas do meu rodapé: Claro que o país vai mudar, mas para pior...


Relvas: "É clara a vontade de mudança do País"
O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, reagiu esta tarde 'a quente' às projecções das televisões dizendo que "é inequívoco e claro a vontade de mudança do País".
O dirigente 'laranja' disse haver "o reconhecimento de um projecto de mudança" para o País, e agradeceu "a todos os portugueses" pelo resultado do seu partido.
Diário de Notícias
***
Claro que o país vai mudar. E muito, mas para pior! Depois de ter saído da minha assembleia de voto, e prevendo a vitória eleitoral da direita, comentei para uma pessoa amiga que a maioria dos eleitores iria arrepender-se da decisão tomada no dia de hoje. Se é que já não está arrependida. É claro que estou a referir-me àqueles eleitores da classe média, que, constituindo a principal franja populacional, sobre a qual vai recair, com desmesurado impacto, o peso da crise, foi votar nos seus futuros carrascos. Enquanto o Partido Socialista, que José Sócrates transformou numa ruína ideológica, fazia uma larga curva para chegar a um objectivo impopular, o PSD vai pretender fazer esse mesmo caminho em linha recta. É certo que a governação não vai ser fácil, quando os portugueses, tal como os gregos, descobrirem a fraude de que estão a ser vítimas.
A democracia não se esgota num acto eleitoral. A democracia também se exerce na rua e nas empresas, quando os políticos exercem o poder em benefício de interesses alheios ao bem comum. E a aceitação humilhante da ingerência externa, a impor condições leoninas, como se Portugal fosse um protectorado da União Europeia, não é do interesse do bem comum. Por isso, é necessário combatê-la. 

Um Poema ao Acaso: O tempo do sol se pôr - André Domingues


O tempo do sol se pôr

Pedes-me que vá contigo ver a tarde rebentar, assistir a um
espectáculo único, em estreia absoluta numa praia bem afastada da
cidade e de toda a máquina de má-criação ocidental, um filme
propositadamente mudo projectado em céu aberto, com uma
narrativa demasiadamente linear e efeitos sonoros arcaicos, apesar
de apresentar um elenco de luxo, entre estrelas prematuras e luas
célebres pela sua perspicácia ornamental. Pedes: por favor, vem ver
comigo a tarde rebentar, a tarde rebentar, a tarde rebentar, o teu
telefone dá eco, mas o eco é só uma reflexão do som, nada mais,
não tem substância, sentido, não é nenhum indício de nada, eu é
que ouço tudo multiplicado, vejo tudo multiplicado, sinto tudo
multiplicado, agora, com o meu telefone a arder nas mãos e os uivos
transparentes do desejo que a tua voz adoça com coragem, agora
que tu pedes em demasia, agora que me amarras ao valor
acrescentado da tua chamada, pedaços de linhas trocadas e restos
de álcool nas sílabas onde o sol demora a entrar, agora que me
espancas com um convite apesar de tudo simpático, não fosse o
facto de ocultar a bomba atómica debaixo de tanta metáfora
desinteressada e um cheiro forte a ganância, realce e convicção.
A partir de determinada altura, já não pedes, persuades. A tua voz é
uma câmara fechada, onde o eco corrige as suas perfurações com
sangue e óleo de sândalo. A tua voz é perfeita, porque é
performática. A tua voz elabora um pão minúsculo, altamente
aliterado, que eu como, sílaba a sílaba, sem dar por nada. A a sua
assimilação é imediata e rapidamente entra o sol em circulação. O
pão tem a informação essencial que o teu pedido verbal transporta e
explora em metáforas, com a excepção de actuar directamente
sobre o meu sistema nervoso central, e suspender-me como uma
droga suspende os membros e a resposta mais provável.
As reticências não duram eternamente, a tarde vai-se afundando e é
preciso que eu diga qualquer coisa entretanto, mas eu continuo
calado, tão calado como um afogado entrevistado em plena acção,
Então? Anda lá. Passas primeiro por minha casa?, e eu, com a boca
cosida, cheia de palavras derrubadas, aftas, pequenos cadáveres
monumentais, eu murmurei qualquer coisa incompreensivelmente
cómica, numa língua que nunca soube falar. Foi então que tu
tomaste o meu grunhido como um sim (também o meu telefone dava
eco, disseste, para terminar) e incluíste no silêncio final um “Até
já” sonâmbulo, e foi também então que a chamada caiu
desamparada e os pontos que eu tinha nos lábios desapareceram,
sem mais, e o ser voltou ao seu lugar.
André Domingues
In blogue "Do Amor Mau"

La llorona-Chabuca Granda

sábado, 4 de junho de 2011

sexo no futuro

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Rui Jesus, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

CP dá carros de luxo a gestores


Presidente da CP, José Benoliel, usa, segundo o relatório
do Governo da firma, um Mercedes E220CDI Elegance.
Fotografia e legenda do Correio da Manhã

A empresa do Estado tem um prejuízo de 195 milhões de euros, Mas cinco gestores tem frota automóvel de luxo que custa mais de 55 mil euros.
O "Correio da Manhã" escreve que cada um dos cinco administradores da CP - Combios de Portugal, empresa pública com um prejuízo superior a 195 milhões de euros e uma dívida hsitórica de 3,3 mil milhões de euros, tem um Mercedes da firma para utilização pessoal.
Os carros de luxo foram, segundo o relatório do Governo da Sociedade da CP de 2010, adquiridos em regime de renting em 2008, altura em que o prejuízo desta firma do Estado já ultrapassava os 190 milhões de euros. Em 2010, a CP (gastou) 55.720 euros com as rendas destes cinco automóveis.
Diário de Notícias (Revista da Imprensa)
***
Eu até concordo. Ficava muito mais caro construir ferrovias, até às residências de cada um dos administradores...

Bruxelas anuncia novo pacote de ajuda à Grécia


O novo pacote de assistência financeira à Grécia, confirmado hoje pelo presidente do eurogrupo, Jean-Claude Juncker, vai ser suportado por uma contribuição-base voluntária dos bancos credores do país. Por conhecer está o montante do novo empréstimo, mas já a certeza, também, de que Atenas vai receber a quinta tranche do actual pacote de ajuda.
As autoridades externas acabaram por aceder ao envio dos 12 mil milhões de euros no próximo mês, mas reclamando como contrapartida serem ainda acertadas agulhas quanto às modalidades do reembolso do empréstimo e mantendo a exigência de Atenas avançar rapidamente com um amplo processo de privatizações.
PÚBLICO
***
Seria conveniente que o senhor Jean-Claude Juncker e os seus pares começassem já a pensar num novo pacote de ajuda (empréstimo suplementar) para o próximo ano e que o governo patriótico grego diligenciasse imeditamente a venda em pacote do Partenon e da Acrópole, como eu há dias aconselhei. Quanto ao povo grego, exportem-no para a Turquia. Assim, já ficarei a saber que, quando chegar a vez de Portugal, irei para Marraquexe, em Marrocos.

Marchas populares começaram “maratona” para conquistar público e júri no Pavilhão Atlântico

Fotografia do PÚBLICO

As mais de duas mil pessoas que assistiram ontem à noite às marchas populares não foram suficientes para ocupar todos os lugares do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, mas bastaram para mostrar o entusiasmo das claques e acentuar o nervosismo dos participantes.
PÚBLICO
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Vá lá! A troika ainda deixou uma margem para o povo se divertir. Para o ano vai chorar.
http://publico.pt/Local/marchas-populares-comecaram-maratona-para-conquistar-publico-e-juri-no-pavilhao-atlantico_1497471

Psiquiatra acusado de violação suspenso por dois meses (!)


Se tivesse sido acusado de violar a doente numa instituição pública, o psiquiatra do Porto - que foi condenado a uma pena suspensa de cinco anos de prisão, em primeira instância, mas depois absolvido pelo Tribunal da Relação - seria, em princípio, expulso da função pública por infracção disciplinar (diz a Inspecção-Geral das Actividades de Saúde).
... (O médico)... Depois de ter sido condenado em primeira instância a cinco anos de prisão e a uma indemnização de 30 mil euros, foi posteriormente absolvido pela Relação do Porto, uma decisão que originou grande controvérsia, até porque um dos três desembargadores discordou.
PÚBLICO
***
E se a violação tivesse ocorrido numa instituição de saúde público-privada?
A partir daqui os médicos já ficam a saber que só podem "foder" as doentes nos seus consultórios privados, e, preferencialmente, no norte do país.

Um Poema ao Acaso: Um dentista - Gonçalo M. Tavares


Um dentista

Conheci num poema de Auden
um dentista reformado que se pôs a pintar montanhas.
Pintou trinta e três montanhas como os pintores de parede
pintam trinta e três paredes. Depois parou, limpou o suor da testa,
pediu um copo de vinho e uma mulher, e despiu-se, embriagado,
fazendo sexo como um dentista
e não como um pintor de montanhas.
E se pensas que uma e outra forma de tocar numa mulher
são idênticas, então deves ler mais poesia.
Gonçalo M. Tavares

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Não votar nos partidos do arco da traição é uma medida da Higiene Pública




Transcrevo um comentário que deixei num blogue de um amigo:
"Votar nos partidos do arco da traição significa legitimar a abjecta intervenção da troika e passar uma esponja por um passado de políticas erradas e erráticas, conduzidas por políticos desonestos e incompetentes. Votar no PS, PSD ou CDS é condenar Portugal à miséria e subordiná-lo à feroz ditadura do capitalismo financeiro internacional. Votar num desses partidos é repetir o filme da Grécia, cujo povo está condenado a um sofrimento atroz, sem um fim à vista, e que, isoladamente, não poderá libertar-se da chantagem da UE".
Alexandre de Castro

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Comissão Europeia gastou oito milhões de euros em festas e jactos privados

Durão Barroso terá gasto 28 mil euros numa estadia de 4 noites em Nova Iorque
Fotografia e legenda do PÚBLICO

Enquanto exige aos países da zona euro mais austeridade para reduzir o défice, a Comissão Europeia (CE) não tem refreado os seus próprios gastos. De acordo com uma investigação jornalística, os comissários europeus gastaram cerca de oito milhões de euros em jactos privados, festas e férias luxuosas.
PÚBLICO
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A classe política das democracias dos países ocidentais herdou as taras da aristocracia europeia do tempo de Luís XIV. Era uma aristocracia insaciável na obtenção de prebendas e privilégios, enquanto povo se arrastava numa vida miserável, e que perseguia obstinadamente a ideia de imitar a vida luxuosa do Rei Sol. A ultrapassar os dirigentes políticos das instituições europeias, neste espectáculo indecente de ostentação perdulária, à custa do erário público, apenas se conhecem os boçais ditadores africanos, quando visitam a Europa ou os EUA, mas que ainda não perderam o hábito de cuspir para o chão,  tal como o faziam quando viviam na palhota. e exibindo uma superior indiferença pela conspurcação provocada nos ladrilhos de mármore e nos tapetes persas dos seus palácios. Os dirigentes das instituições europeias não viveram na palhota. Também já não cospem para o chão. Agora cospem para o ar e assobiam para o lado, dizendo que os gregos, os portugueses e os irlandeses vivem acima das suas possibilidades.

Conto: ESCREVER (AS AGONIAS DE) - Carlos Teixeira Luís


ESCREVER (AS AGONIAS DE)

Se não contas nenhuma história, de que falas? Se contas uma história, onde estão os personagens? Quem são eles? São só personagens? Não são pessoas? Então porque achas que alguém te vai ler? Se for teu amigo, vai ler-te ou não, vai felicitar-te mas não vai continuar a ler-te, vai apenas continuar a ser teu amigo, não achas? Os melhores leitores são sempre as pessoas que não nos conhecem, porque os que nos conhecem, porque haverão de nos ler, se já nos conhecem, não é verdade? Porque haveremos de vender livros aos amigos se eles não nos lêem?
Se não consegues fazer uma frase perfeita, porque não fazes duas quase perfeitas? Se escreves uma metáfora em dois segundos, porque carga de água achas que ela nunca foi escrita? Se te achas um génio da escrita, então não sabes que génio é alguém que é diferente e consegue fazer coisas que a grande maioria não consegue, e que surge só de vez em quando, assim de cem em cem anos? Se te achas um génio, não será isso, uma evidência que não o és? Vê a história, todos os Cristos que se diziam Cristos, nenhum deles era Cristo, e só houve um e nunca se identificou a si próprio mas foram os outros que o fizeram, não consegues tirar uma lição disto? Porque não vais para casa e escreves menos mas melhor? Se não sai nada de jeito porque insistes em ser poeta ou escritor se não o és, na realidade? Porque insistes? Ao menos, sê feliz.
Carlos Teixeira Luís
(Jan. 11)

O desfile carnavalesco da barbárie?!

Jovem agredida com violência em Benfica (vídeo)
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Espancamento a fuzileiro na Escola de Fuzileiros gravado em video !!!
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Que tipo de país é este? Que tipo de sub-cultura está a contaminar os jovens portugueses? Perante o assombro e a indignação, os portugueses interrogam-se sobre o novo fenómeno da violência gratuita entre os jovens e a sua mediatização. Alguma coisa está errada na sociedade. Teoricamente, muitas serão as causas deste anormal comportamento. É urgente identificá-las.

Enfermeiros querem poder receitar alguns medicamentos e exames

Bastonária da OE Maria Augusta Sousa

A Ordem dos Enfermeiros (OE) vai propor ao poder político que os profissionais de enfermagem possam receitar medicamentos, exames complementares de diagnóstico e ajudas técnicas em determinadas circunstâncias, à semelhança do que já acontece em vários países, como Espanha, Estados Unidos e Inglaterra.
PÚBLICO
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Que me desculpem os meus amigos enfermeiros, que são muitos, mas eu discordo em absoluto com a proposta da Bastonária da O.E, que aponta para a possibilidade de se outorgar capacidade de prescrição de medicamentos aos enfermeiros . A não ser que se pretenda transformar estes profissionais em médicos de 2ª classe, o que seria pouco dignificante.
Os enfermeiros são hoje profissionais altamente qualificados, cujo trabalho é imprescindível na área da prestação de cuidados de saúde. A sua profissão tem especificidades próprias, que as outras profissões da área da saúde não possuem, e são estas especificidades que devem ser valorizadas e dignificadas, para que esta nobre profissão obtenha o reconhecimento público que merece. Fazer diagnósticos clínicos e prescrever medicamentos são competências que se adquirem nos cursos de Medicina e nos internatos médicos das diversas especialidades médicas, e que se revestem de uma grande complexidade técnica e de uma grande responsabilidade deontológica, que não pode ser banalizada. Partilhar as competências de decidir sobre a "necessidade de reavaliação do diagnóstico", como afirma a Bastonária, e de prescrever medicamentos, significa promover a diluição das responsabilidades deontológicas e provocar o desencadeamento de um desnecessário conflito de interesses profissionais.
Afirmou a Bastonária, "Se o enfermeiro verifica que a terapêutica de um doente crónico está de acordo com a prescrição médica e não há necessidade de reavaliação do diagnóstico, faz sentido que [o paciente] tenha que ir de novo a uma consulta?", pergunta à qual eu respondo com outra pergunta: O que está lá a fazer o médico?
Espero que, no futuro, os auxiliares de enfermagem não venham reivindicar o exercício de algumas funções, que pertencem em exclusivo ao múnus da enfermagem.
Presumo que as grandes preocupações profissionais dos enfermeiros não sejam as de pretender prescrever medicamentos.
http://publico.pt/Sociedade/enfermeiros-querem-poder-receitar-alguns-medicamentos-e-exames_1497118

Na vida dos hominídeos eles ficavam, elas vinham, sugere estudo da Nature


Fotografia do PÚBLICO

Há mais de um milhão de anos, na savana situada no que é hoje a África do Sul, os grupos de hominídeos teriam uma história de vida diferente consoante fossem machos ou fêmeas. Um estudo publicado esta quarta-feira na Nature sugere que enquanto os hominídeos masculinos mantinham-se no mesmo habitat desde que nasciam até à morte, as fêmeas teriam crescido num local diferente e acabavam por morrer noutra região.
PÚBLICO
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Bem me parecia que elas foram sempre muito vadias!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Leonard Cohen vence Prémio Príncipe das Astúrias das Letras



Leonard Cohen foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras. O compositor e intérprete canadiano foi também nomeado para o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes pelo seu trabalho como músico.
O júri constituído pelos escritores Andrés Amorós, Juan José Armas Marcelo, Fernando Sánchez Dragó e Berta Piñán e pela directora do Instituto Cervantes, Cármen Cafarell, destacou a riqueza das letras das músicas de Cohen, assim como os seus trabalhos e livros publicados.
PÚBLICO
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A minha singela homenagem a Leonard Cohen
"De uma carta que escrevi a uma amiga sobre Leonard Cohen:
O percurso de Leonard Cohen é apaixonante, e eu, confesso, não o conhecia. Judeu, canadiano, educado por mulheres, um pai ausente, brilhante aluno no liceu, culto e inteligente, iniciou a sua actividade intelectual como poeta, atingindo alguma notoriedade. Depois, abandonou os poemas, que não lhe sustentavam a vida, e inicia a sua brilhante carreira musical, como compositor e intérprete. Viciou-se nas drogas e amou obsessivamente algumas mulheres, principalmente Marianne, a quem dedicou uma das suas emblemáticas canções".

Dance me to the end of love, LEONARD COHEN

Um Poema ao Acaso: Qualquer sistema - Leonard Cohen


Qualquer sistema

Qualquer sistema que façam sem nós
será derrubado
Já os avisamos antes
e nada do que construíram ficou de pé.
Ouçam enquanto se debruçam sobre os vossos planos
Ouçam enquanto arregaçam as mangas
Ouçam mais uma vez
Qualquer sistema que façam sem nós
será derrubado
Têm os vossos medicamentos
Têm as vossas armas
Têm as vossas Pirâmides, os vossos Pentágonos
Com toda a vossa erva e balas
já não podem caçar-nos
Tudo o que revelaremos sobre nós
será este aviso
Nada do que construíram ficou de pé
Qualquer sistema que façam sem nós
será derrubado
Leonard Cohen, Poemas e Canções

O Partenon já está à venda!


Na Grécia, a situação vai de mal a pior, e já se fala numa intervenção externa para gerir o processo das privatizações e o problemático sistema fiscal. Trata-se de um colonialismo de novo tipo, que prefigura um grave recuo civilizacional. Se a situação não fosse tão trágica para o povo grego, eu atrever-me-ia a ironizar a situação, aconselhando o governo de Atenas a vender o Partenon e a Acrópole aos alemães. É certo que daqui por dois anos, Portugal também terá de vender o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Cristiano Ronaldo e o Mourinho. Por isso, não podemos ficar descansados e pensar que o mal só acontece aos outros.

Estatística do Alpendre da Lua - Maio de 2011

Clicar duas vezes na imagem
Nº de visitas mensais
 
Visitas diárias de MAI 11

Visitas dós últimos sete dias de MAI 11 

Alpendre da Lua registou neste mês de Maio mais um record de visitas (6.254), verificando-se um ligeiro crescimento em relação aos dois meses anteriores. A quinze dias de completar dois anos de adesão ao sitemeter, o Alpendre da Lua já recebeu, até ao final do dia de ontem, 56.168 visitas. Estes resultados são considerados satisfatórios e traduzem bem a adesão dos leitores a este projecto editorial, adesão essa que se agradece.
O Editor