quinta-feira, 30 de setembro de 2010

E ainda há quem diga que a leitura não dá prazer!...

Para onde vai a economia portuguesa?


O retrato não é animador. As empresas ainda
não estão a investir, o desemprego continua
a aumentar e o consumo privado teima em cair.
E a situação só tenderá a alterar-se a partir
de 2012.
As conclusões são do estudo Eurozone Forecast,
da Ernst & Young, que hoje está a ser apresentado
a nível europeu e que aponta para que a economia
portuguesa tenha regressado à recessão no segundo
semestre.
PÚBLICO
***
Na minha nota de rodapé de 23 Abril, a propósito da aprovação das medidas de austeridade, consignadas no PEC, escrevi o seguinte: "E a pergunta que se coloca inevitavelmente é esta: o que iremos fazer em 2013 com a economia, sabendo que o paradigma em que assentou o desenvolvimento económico do país nos últimos trinta anos se encontra completamente esgotado?". As conclusões do estudo Eurozone Forecast, da Ernst & Young, vêm dar a resposta correcta à pergunta então colocada. A economia portuguesa irá ressentir-se gravemente, já que o governo, que não fez o trabalho de casa em devido tempo, está a comprometer o crescimento de dois importantes pilares do sistema económico, cujas variáveis servem de referência para o cálculo do PIB - o investimento privado e o consumo interno. O aumento brutal do IVA, o imposto mais perverso e mais estúpido do sistema fiscal, já que não é equitativo, irá provocar enormes estragos no tecido produtivo do país. A diminuição do poder de compra da população, já de si precário ao nível das classes menos favorecidas, vai determinar a falência de muitas pequenas e médias empresas e o consequente aumento do desemprego, o que, pelo efeito de ricochete, mais pressão irá provocar sobre o consumo.
Perante esta negra perspectiva, dominada por um dramático clima de incerteza, também os investidores privados adiarão os seus projectos e os seus investimentos, o que se reflecte negativamente na oferta de novos postos de trabalho.
E a pergunta continua a ser esta: Para onde vai a economia portuguesa?

http://economia.publico.pt/Noticia/portugal-arrisca-um-regresso-a-recessao-no-final-do-ano_1458750

Um Poema ao Acaso: Auto-retrato com fantasmas e mamíferos

Auto-retrato com fantasmas e mamíferos
.
Eu e tu: o resto são fantasmas. Fábricas de lençóis aflitos. Empresas
inadequadas ao mundo visível. A disfunção eréctil da promessa de
aparição.
A sociedade aquosa e secreta dos fantasmas. Espécie de produto
catabólico do omisso, que é o distintivo do amor e a pistola
impalpável do mortal, que por mais amar o próximo se tornou
efectivamente longínquo.

A casa deserta, continuamente adiada, sem episódios de maior
relevo ou directrizes. Horas mais que malignas escoam do espaço
interior a sua manutenção inevitável. A invertebrada mobília da
noite. Os moluscos da insónia. A escuridão adesiva. O silêncio
adesivo. A música da água morta nas canalizações. Passos
imperceptíveis, dados em falso num plano sem gravidade nem
resolução.
Tudo parece evitar-se a custos baixíssimos. Um aquário cheio de
instantes destruídos, adaptados entretanto com as guelras da
memória vã.

Eu e tu, dois mamíferos elegantemente despidos, maravilhados com
as suas imperfeições ideais.
A luz da Lua que atravessa o postigo e descola imagens e desloca
olhares. Técnicas nulas e mistas para acender a audácia,
para ascender à audácia, como se estivéssemos mergulhados na pré-
historia do ânimo e do aviso, no futuro trémulo da hesitação.
E no entanto, passeiam-se à nossa volta as formas plenas da
desobediência em lingerie, influentes flores do interlúdio, os
dejectos delicados da insensatez que já não nos assustam com a sua
epilepsia mordaz.

André Domingues
(Do Amor Mau)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Anotação do tempo: A tua boca espera a minha...



A tua boca espera a minha…

Gosto de beijar os teus joelhos
que me desafiam a olhar
para as tuas pernas macias
a fecharem-se na fenda do teu ventre.
Subo novamente
os lábios a ferver
e sinto os teus mamilos eriçados
de prazer.
A tua boca espera a minha
ávida e sôfrega de todas as urgências
do amor.

Alexandre de Castro

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O vício Farmville...

Roubado ao Pedro Frias, que o publicou no Facebook

Anotação do Tempo: Os Outonos começam assim


Os Outonos começam assim

Os Outonos começam assim
quando a boca já não articula
as palavras certas
e os muros começam a ruir
à nossa volta, um a um.
E são as pedras desfeitas,
que as mãos agarram
num tempo de poeira,
a cegar o olhar
que retalho a memória
em pedaços.
Procuro equilíbrios impossíveis
na geometria do arco
incerto que me cerca,
escrevo palavras ocas, sem sentido,
no ângulo raso, desenhado
no osso do crepúsculo
e, de ti, apenas vejo linhas,
curvas e rectas, alguns difusos círculos,
sem corpo, sem alma, sem rosto…
Só deserto…

Alexandre de Castro

domingo, 26 de setembro de 2010

Farmville: Pensado para viciar, garante especialista

O Farmville é um verdadeiro engodo, assim como a filosofia que enforma o Facebook. Como diz este especialista da Universidade do Minho, que o Expresso entrevistou (ver ligação), o jogo apenas se destina a fidelizar os aderentes. Eu acrescentarei que existe naquele jogo a técnica manipulatória da infantilização, habilmente concebida para sublimar o desejo, que cada ser humano manifesta inconscientemente, de regressar aos tempos da infância, ou, pelo menos, de recuperar ludicamente a sua respectiva memória.
O próprio Facebook também utiliza várias técnicas para que a rede se multiplique em cascata.
Eu aderi com relutância ao Facebook, apenas para ser simpático para quem me convidava, mas rejeitei sempre, por higiene mental, corresponder às solicitações para aderir ao Farmville ou a qualquer outro jogo.
Acautelem-se os entusiastas do Facebook, pois as vossas mensagens podem acabar por chegar aos destinatários menos desejáveis ou aos mais inconvenientes. Já ocorreram, naquele mundo fantasiado e travestido de um enganador poder virtual, muitos amargos de boca e muitos dissabores. Não tardarão a surgir estudos sociológicos e investigações jornalísticas sobre esta matéria.
http://clix.expresso.pt/farmville-pensado-para-viciar-garante-especialista=f605434

É essencial continuar a apoiar o mercado de trabalho, segundo o FMI e a OIT


“Se os efeitos das recessões do passado
servirem de guia, estes desenvolvimentos
[no mercado de trabalho] podem ter um
custo humano pesado.
Para os que ficam desempregados pode ser
uma perda permanente no rendimento, uma
redução da esperança de vida, e piores
resultados académicos e salariais para os seus
filhos. Além disso, o desemprego deverá
provavelmente afectar as atitudes de forma a
reduzir a coesão social, um custo que permanecerá”.
Do Relatório Conjunto FMI/OIT (Setembro 2010)
***
No mundo, existem actualmente 210 milhões de desempregados, o que revela a extensão e a profundidade da actual crise, que agora já começa a ser entendida na sua verdadeira dimensão. Hoje, já ninguém se atreve a dizer que ela era conjuntural e que afectava apenas o sector financeiro, ignorando que a origem teria de ser encontrada no funcionamento da economia, cujo paradigma se alterou com a globalização.
O relatório das duas agências da ONU dá grande ênfase ao forte crescimento verificado no desemprego de longa duração, entre os jovens, e aponta o perigo que essa realidade pode provocar no futuro, a nível económico e social (mais pobreza, mais exclusão social e uma maior conflitualidade, que, nalguns casos, pode ser explosiva). Daí a necessidade dos governos manterem os apoios ao desemprego e à criação de emprego, tarefa que vai tornar-se muito difícil no actual contexto económico e financeiro.
O relatório não se esqueceu de referir Portugal, como um dos países que mais foi afectado pelo desemprego estrutural e um dos poucos que, erradamente, começou a retirar os apoios públicos aos desempregados e à criação de novos postos de trabalho.

Compensa não ter tomates...



Imagens enviadas pelo amigo João Fráguas

Adeus (Palavras Gastas) – Eugénio de Andrade (declamado)


Para ler o poema (em português ou castelhano), acompanhando a sua audição: http://opoemaquehojepartilhariacomvoces.blogspot.com/

Anotação do Tempo: As tuas madrugadas



As tuas madrugadas

Visito o esplendor das tuas madrugadas
percorro as avenidas de álamos
que engalanam o sonho
que te acordou.
Já não esperas o meu beijo
nem as flores
suspensas nos meus dedos.
As ausências
são ásperas e frias
e os silêncios
são o fino gume dos punhais
a trespassar a dor
e a esfaquear a esperança.

Alexandre de Castro

sábado, 25 de setembro de 2010

Madredeus - A Vaca de Fogo

Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida – Al Berto (poema declamado)



Al Berto foi um dos poetas mais influentes do último quartel do século passado. É o poeta que, na poesia portuguesa, melhor interiorizou a tristeza. Ele próprio, foi um homem triste, como se carregasse aos ombros toda a angústia humana.
Conheci-o na editora/livraria Assírio & Alvim, aqui bem perto da minha casa, que lhe editou a maior parte da obra. Sóbrio nas palavras e nos gestos, era nos olhos que se concentrava toda a sua energia comunicativa. A fama nunca lhe subiu à cabeça, e a sua humildade tinha a força abrasadora dos fortes, à qual nenhm interlocutor resistia..
Estudou Belas-Artes, em Lisboa e Bruxelas, e os seus conhecimentos de pintura eram vastíssimos, ao ponto de ter sido convidado para escrever os textos das obras sobre pintura, que a Assírio & Alvim publicava em luxuosas edições. Mas até na prosa, a palavra que lhe saía da caneta era a da poesia, o que, diga-se em abono da verdade, ampliava a compreensão da natureza da pintura.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Anotação do Tempo: Dissertação sobre um relógio sem ponteiros...

Salvador Dali

Dissertação sobre um relógio sem ponteiros…


Passo os dias a contar
as horas e os minutos
num relógio invisível
na parede onde ainda
está o teu retrato.
Tu levaste os ponteiros
e nunca mais voltaste
só porque queres
contar o tempo
à tua maneira.

Alexandre de Castro

http://fragmentosdebondade.blogspot.com/2010/09/dissertacao-sobre-um-relogio-sem.html

O ridículo mata!...


Quando passar numa das principais artérias da cidade de Lamego, não vai precisar de muita atenção para esbarrar numa original placa. Não se trata de um escritório de advogado, ou um consultório médico, nem mesmo de um gabinete de contabilidade, mas sim da novíssima profissão liberal de, imagine lá... deputado!! A mediocridade não enxerga além de si mesma, já dizia Doyle e, antigamente este tipo de pessoas recebiam apropriado adjectivo mas hoje, ainda que tal aconteça pouco lhes importa... já perderam a noção do ridículo e a vergonha!
Enviado pelo João Fráguas
***
Portugal sempre foi pacóvio e parolo. Neste caso, a ostentação é ridícula, mas eu julgo que a atitude deriva da nova cultura, reinante nas cúpulas do Partido Socialista, e que foi introduzida há uns anos atrás pelos aventureiros da política.
Lamego, a minha cidade, a cidade onde estudei, é pródiga em parir deputados, que se celebrizaram pelo ridículo. Há uns anos, Natália Correia vergastou com um poema satírico um deputado, também ele de Lamego, que, num discurso na Assembleia da República, para gáudio do país, defendia a cópula só para fins reprodutivos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Anotação do Tempo: Dissertação de um ateu...



Dissertação de um ateu…

Antes de tudo era o Verbo
antes do Ser e da carne
antes do modo
do tempo
e da pessoa,
singular ou plural,
uma conjugação em desuso
que declinei muitas vezes
antes de me aborrecer.

Alexandre de Castro

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Carlos Dias, pela sua decisão de se inscrever como seguidor deste blogue.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Anotação do Tempo: Dissertação sobre um abraço a um amigo...


Salvador Dali

Dissertação sobre um abraço a um amigo…

No abraço de despedida
vi-lhe a opacidade húmida
do olhar
falámos alegremente do passado
tropeçando nos obstáculos da memória
tentámos iludir os dias
que hão-de vir
falámos do trabalho, ombro a ombro,
que nos doeu nos ossos
e dos livros que ainda queremos escrever
magro, o fio da voz a rastejar
ao ritmo da respiração vacilante
como se a doença o quisesse distrair
eu pensei que este seria
o nosso último abraço
é que eu não tenho hora marcada
e também posso morrer de repente.

Alexandre de Castro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mensagem Sra Ministra da Educação Sexual (por Rui Unas)

Enviado por Son Iou Miou
***
Isabel Alçada é a ministra do actual governo que mais se esforça para combater o défice...

Anotação do Tempo: Dissertação sobre a casa do pai...

Amadeo de Souza-Cardoso

Dissertação sobre a casa do pai…

À memória de meu pai

Era a casa do pai,
desde que ele morreu,
a árvore do quintal
nunca mais foi regada
o cão recusou-se a sair
e apareceu enforcado no varandim,
não sei se por tristeza
ou porque, entretanto, enlouquecera,
o violino ficou como estava
depois da última valsa
uma das cordas continua partida,
os livros, nas estantes de castanho,
parecem ser eternos
a alimentar a voracidade das traças
e eu nunca cheguei a saber
se toda aquela sabedoria encaixotada
a forrar paredes e os vãos das escadas
não significava apenas
a volúpia de um ócio ancestral
como se fosse um culto profano,
e, naquele labirinto,
nem sequer a luz do dia
varria as sombras de todos
os passados que por ali viveram
e de que a genealogia falava
só os fantasmas, ainda vivos,
deambulavam aos tropeções
pelo sótão,
nas noites de temporal
ou quando fazia frio,
e era nesses momentos
que eu tinha medo
de ficar só.

Alexandre de Castro

domingo, 19 de setembro de 2010

Anotação do Tempo: Dissertação sobre o Génesis...




Dissertação sobre o Génesis...

A José Saramago,
O grande escritor, que alguns insultam,
mas que muitos admiram.

Só quando abriu a porta do paraíso,
para sair,
é que descobriu que havia
mais mundos
pensou que poderia encontrar
outra mulher
Eva nunca chegou a cortar-lhe
a respiração
embora tivesse a certeza que a trazia
bem fodida
como mandava a praxe divina
também não perdoava à mulher
aquela maldita maçã
que lhe ficou atravancada
na garganta
a subir e a descer, enquanto
falava ou comia
agora já sabia quem mandava
dentro e fora do paraíso
e, logo ali, veio-lhe à cabeça
que talvez pudesse encontrar outros homens
iguais a si
que se propusessem em conjunto,
o que seria uma novidade,
desafiar a soberba do Senhor,
ele lá deveria ter as suas fraquezas,
mas enquanto assim pensava
a olhar para os cardos e os calhaus
do caminho
arrepiou-se-lhe a pele, como a um ouriço,
pois o Senhor poderia ter-lhe adivinhado
aquele seu secreto pensamento,
Foda-se, disse Adão,
que mal fiz eu, para ter de vir ao mundo
e ter merecido este castigo divino,
por uma culpa que eu não consigo ver
e foi nesse momento de raiva, que se virou
para Eva, que vinha mais atrás,
como manda a regra,
e, no futuro, há-de mandar a tradição,
e lhe disse para abrir as pernas
pois viera-lhe, de repente, uma enorme vontade
de foder.

Alexandre de Castro

Anotação do Tempo: Dissertação sobre os nacionalismos...


Dissertação sobre os nacionalismos…

Nada como fazer da morte
uma vitória
para que a história a glorifique
como uma epopeia ou uma tragédia
só assim os homens e as mulheres
se ajoelham perante Deus
e declaram o amor à Pátria
penitenciando-se nos altares,
louvando os santos e os mártires
e cantando nas paradas marciais
a grandeza dos seus heróis.

Alexandre de Castro

Luz Casal - Piensa en Mi


***
"Siempre pienso en ella cuando estoy triste"

O ADEPTO MAIS CONFUSO DO MUNDO!

sábado, 18 de setembro de 2010


Descoberta (II)...

Ficamos sem saber
de onde vem a tua doçura
e o teu enlace com o encanto ...

Abres o teu sorriso ao mundo
na ingenuidade consentida
que habita o teu corpo
de mulher madura ...

Ficamos sem saber
onde nasce a força que te agita
e a humildade que te engrandece ...

Sabemos apenas
que és uma mulher já desperta
para a urgência da descoberta,
no cruzamento do limiar oculto dos sentidos ...

Alexandre de Castro

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Anotação do Tempo: Dissertação sobre o silêncio


Dissertação sobre o silêncio…

Há sempre uma porta
ou uma janela
que nunca se fecham
talvez só a luz branca da Lua
penetre a opacidade dos silêncios
as mãos ainda ardem
de apagar os fogos que ateei,
e de raspar as ervas dos muros
para quebrar as grades do degredo,
assim posso voltar a ver as cores lavadas
de todas as madrugadas
e violar o teu silêncio em segredo.

Alexandre de Castro

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Delitos papais. A vida sexual nada santa dos papas



Na história da Igreja há Papas violadores, homossexuais,
fetichistas, incestuosos e até zoofílicos.
São mais de 300 páginas com centenas de histórias pouco
santas sobre a vida sexual dos Papas da Igreja Católica.
O livro do jornalista peruano Eric Frattini, recém-chegado
às livrarias portuguesas e editado pela Bertrand, percorre,
ao longo dos séculos, a intimidade secreta de papas e
antipapas, mas não pretende causar "escândalo". Apenas
"promover uma reflexão sobre a necessária reforma da
Igreja ao longo dos tempos".
O escritor admite, aliás, que alguns dos relatos possam ter
sido inventados, nas diferentes épocas, por inimigos políticos
dos sumos pontífices. Lendas ou verdades consumadas, no
livro "Os Papas e o sexo" há de tudo. Desde Papas violadores
e zoofílicos a Papas homossexuais e fetichistas, além de Santos
Padres incestuosos, pedófilos ou sádicos, passando por Papas
filhos de Papas e Papas filhos de padres.
Jornal "i"
***
A história dos Papas é a história da infâmia e do crime. Os escândalos sexuais praticados pelos representantes de deus, mataram o próprio deus, se é que ele, realmente, alguma vez existiu. O opróbrio manchou irremediavelmente as paredes do Vaticano. Não admira, pois, que a igreja católica esteja pejada de padres pedófilos, que passaram impunes à justiça canónica e à justiça secular. A ignomínia chegou ao ponto de ter existido um Papa,Urbano II, que criou uma lei que permitia aos padres terem amantes, desde que pagassem um imposto.
http://www.ionline.pt/conteudo/78038-delitos-papais-vida-sexual-nada-santa-dos-papas

LUZ CASAL- BESARE EL SUELO POR TI

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quanto mais se afia, mais se gasta...

Neste tipo de relação é sempre o lápis que se lixa. Por vezes, custa muito mantê-lo bem afiado, para garantir a excelência do seu desempenho!

Anotação do Tempo: Dissertação sobre as dissonâncias...

Edvard Munch

Dissertação sobre as dissonâncias…

Deitas-te a meu lado
e eu não sei por que lado
devo começar
trazes nos cabelos
todos os caprichos
que aprendeste com o vento
e com a lua
no tempo em que eu
aprendi a percorrer
todos os teus caminhos
e agora pedes-me
para tudo recomeçar
como se a vida
nunca tivesse sido
o tempo de lentamente envelhecer.

Alexandre de Castro

Momentos - Uma história sem palavras

Um filme de Nuno Rocha

Numa noite normal com o passado largado da memória, um homem reencontra, no lugar a que chama casa, lembranças de um tempo que viveu. Fragmentos de pura felicidade e instantes de sublime partilha, surgem como apontamentos de esperança de um presente que não voltará a ser o mesmo.

Enviado pelo amigo João Fráguas

domingo, 12 de setembro de 2010

Advogados oficiosos processam Estado por atrasos no pagamento de honorários

Os advogados oficiosos processaram o Estado
por causa dos atrasos no pagamento dos honorários,
que estão por processar desde Abril, anunciaram hoje
em comunicado.
“Os advogados que exercem no âmbito do Acesso ao
Direito colocaram o Estado em Tribunal com o objectivo
de verem pagos os honorários que se encontram em
atraso desde pelo menos o mês de Abril”, lê-se na nota.
De acordo com o comunicado, estão nessa situação
“cerca de 9100 advogados”.
PÚBLICO
***
Os atrasos do Estado no pagamento aos seus fornecedores de bens e serviços não é um problema de hoje. É um cancro que se desenvolve há muito tempo, aumentando todos os anos, e que, neste momento de crise, se agrava dramaticamente.
Além de reflectir uma grande falta de respeito pelos credores e um mau exemplo para os cidadãos, este comportamento revela a grande falta de sensibilidade dos governantes para com as dificuldades daqueles que trabalham para sobreviver dignamente. Todos esses credores, para produzirem os bens e serviços que vendem ao Estado, contraiem obrigações perante terceiros, e, por vezes, o incumprimento do Estado obriga-os também a transferir esse incumprimento para terceiros. O processo dinamiza-se e dá origem à multiplicação exponencial da dívida rolante. Prosaicamente, poderá dizer-se que metade do país deve à outra metade, ou, se quisermos ser mais rigorosos, seria apropriado afirmar que Portugal é um país em que a maioria dos cidadãos são credores durante a manhã e devedores durante a tarde. À noite dormem, para descansar, excepto aqueles que têm insónias por causa das dívidas.
No caso destes nove mil advogados, que estão no princípio da sua carreira, o Estado, pedagogicamente, vai-lhes ensinando que o incumprimento das dívidas é um problema menor num Estado de Direito. Com um Estado caloteiro, governado por dirigentes políticos desonestos, o país não conseguirá sair do marasmo em que se encontra. É urgente, se ainda formos a tempo, recuperar a dimensão ética da arte de governar, para que a sociedade possa ter referências mais sólidas e mais dignificantes.

Anotação do Tempo: Dissertação sobre o tempo...


Dissertação sobre o tempo…

Chego sempre atrasado
quando me chamas
as horas nunca esperam por mim
e é por isso que os relógios me odeiam
talvez seja o tempo a querer adiar
o futuro que tu desejas

Alexandre de Castro
http://ponteeuropa.blogspot.pt/2009/10/momento-de-poesia_20.html
http://fragmentosdebondade.blogspot.pt/2010/09/dissertacao-sobre-o-tempo.html#comment-form

Uma questão jurídica complicada*

Clicar na imagem para a ampliar



Isto é uma "violação estatu(t)ária" ou...
um "engano monumental"?!
* Enviado pelo amigo João Fráguas

sábado, 11 de setembro de 2010

16 Girls + 1 Bicycle = Awesome

Vídeo enviado pelo amigo João Fráguas

Se quisesse ser sarcástico, eu poderia dizer que estas rapariguinhas apenas podem comer meia tigela de arroz por dia, para que a bicicleta possa aguentar o peso de todas elas. Prefiro, no entanto, sobrevalorizar o facto de ter sido na antiga União Soviética e na China que as artes circenses ganharam o estatuto cultural e social, a que tinham direito.

O Mundo a seus pés!...

Clicar na imagem para a ampliar
Ordem, disciplina, rigor e uma rasante uniformidade constituem a imagem de marca da China. Nós, ocidentais, somos confrontados com a determinação e a pujança de um povo que quer ultrapassar o silêncio de séculos. Olha-se a fotografia e parece-nos que aqueles militares não têm tempo para fazer mais nada. Mas, na verdade, eles fazem tudo que lhes compete fazer. Como qualquer chinês. Uma nova filosofia de Estado e de sociedade está a nascer naquele país. Quem ainda estiver por cá, daqui a trinta anos, vai compreender melhor o que quero dizer.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

PORTUGAL, UMA PRAÇA PARA O MUNDO - Filme que está a ser exibido no pavilhão de Portugal, em Shanghai

PORTUGAL, UMA PRAÇA PARA O MUNDO from Anze Persin on Vimeo.

Enviado pelo amigo João Fráguas

***

Uma pirosada. Só faltou aparecer o Fernando do FCP, por detrás dos figurantes, a mostrar a dentadura nova. Também se esqueceram do Santana Lopes, para completar o trio dos três mosqueteiros da política portuguesa. Um finalista do curso de cinema teria feito melhor.

Padre detido no Brasil com sete mil euros nas cuecas


Monsenhor Abílio Ferreira da Nova, natural da Póvoa
de Varzim, foi apanhado no aeroporto com 52 mil euros
escondidos na mala, meias e até cuecas. Denúncia alertou
polícia.
Diário de Notícias
***
O Divino Espírito Santo, por vezes, distrai-se e deixa-se apanhar em flagrante! Falta saber se as cuecas do padre estavam lavadas, uma vez que o dinheiro suja.

Anotação do Tempo: A ideia cristalina dos dias...


A ideia cristalina dos dias…

A ideia cristalina dos dias
a sombra e a luz do teu rosto
no instante do meu afago
exacto o teu olhar
a desvendar-me
a alegria descontrolada da descoberta
e os teus cabelos negros, cheios,
na onda do vento
a entrelaçarem-se nos meus dedos.
Eterna, a preto e branco,
a fotografia que enviaste,
luz de estátua, parada no tempo
do meu encantamento.

Alexandre de Castro

Gopak (Hopak) - Igor Moiseyev ballet

Enviado pelo meu amigo João Fráguas

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Notas do meu rodapé: É a economia, estúpido!...


Fich vê uma possível nova recessão como maior risco para o défice do Estado

A agência de notação de risco (rating) de
crédito Fitch considera que o principal risco
para as contas públicas portuguesas é o de
uma nova recessão, e que o país tem
pouca margem para falhar as metas do défice,
que considera credíveis.
A agência divulgou hoje no seu site um
relatório especial sobre a dívida soberana da
zona euro, intitulado “Fiscal Consolidation
Yet To Begin In Earnest”, onde diz que
Portugal tem pouca margem de manobra
orçamental devido às suas perspectivas de
crescimento serem menores que as dos
restantes membros da UE e por ter um PIB
baixo e que foi por isso que em Março reduziu
para AA- a nota de risco de incumprimento
da dívida nacional, apesar de o país não ter
sido afectado desproporcionadamente pela
recessão global.
PÚBLICO
***
Já aqui afirmámos que a redução do défice orçamental para os níveis exigidos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) não se revelava difícil para o governo. Bastava cortar na despesa e aumentar os impostos. Só que os cortes da despesa do Estado privilegiaram o sector social, principalmente os desempregados e os cidadãos mais frágeis da sociedade, em vez de se focalizar na sua despesa primária. Continuamos a ter um Estado gordo, pesado e esbanjador. Mas, tal como também já afirmámos por diversas vezes, e que as agências de rating e os investidores nos títulos da dívida soberana também sustentam, Portugal defronta-se com o problema maior de resolver a insuficiência estrutural da sua economia, que adormeceu à sombra, no tempo das vacas gordas, das exportações para a UE e que nunca se adaptou ao paradigma da globalização.
Só o governo de José Sócrates embandeirou em arco com o tímido aumento do PIB nos dois trimestres deste ano, que à luz da estatística não revela nenhuma tendência consolidada de crescimento da economia. O ligeiro optimismo, que a taxa da variação homóloga do PIB revelou nos dois trimestres deste ano, desvanece-se com a leitura dos números da respectiva variação em cadeia, que se ficou pelos 1,1% no 1º trimestre e pelos 0,3% no segundo trimestre, valores estes muito insuficientes para repor o grande trambolhão do 2º e 3º trimestres de 2009.
Mas, se a procura interna aumentou, com o aumento do consumo das famílias e do Estado, muito à custa da venda dos automóveis, como consta no boletim do INE, o investimento continua em terreno muito negativo. E o investimento é o sangue do crescimento da economia no futuro.
Afirma o INE: "No 2º trimestre de 2010, o Investimento apresentou uma diminuição em termos homólogos de 3,8%, variação próxima da verificada no trimestre anterior (-3,5%). A FBCF total diminuiu 4,6% em volume no 2º trimestre de 2010, o que compara com a variação de -2,3% observada no trimestre anterior". Com estas quedas do investimento e da Formação Bruta de Capital Fixo não é de estranhar que as perspectivas de crescimento nos próximos anos sejam sombrias e duvidosas, tal como as agências de rating afirmam.

O nacional-facilitismo na Universidade



Uma perigosa reaccionária
.
Uma professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa ficou sem a regência de duas cadeiras por ter chumbado mais de 50% dos alunos. O motivo invocado pelo Departamento de Química da Nova para a punição não deixa dúvidas: "Aumento súbito do insucesso escolar". Desde que, no sistema educativo português, foi consagrado entre os direitos, liberdades e garantias fundamentais o direito ao sucesso escolar, quem se meta entre um aluno e o diploma a que tem direito (atrevendo-se, como no caso, a dar notas negativas em exames finais) é culpado do pior dos crimes, o de terrorismo anti-estatístico. Se o futuro licenciado sabe ou não sabe alguma coisa (ler, escrever e contar, por exemplo), é irrelevante; o país, as estatísticas e as caixas dos supermercados precisam de licenciados. Foi isso que a professora da Nova não percebeu. Arreigada a valores reaccionários, achava (onde é que já se viu tal coisa?) que "um aluno só merece 10 valores se adquiriu as competências mínimas nas vertentes teóricas e práticas da disciplina". Campo de reeducação em Ciências da Educação com ela.
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Comentário: A cultura do nacional-facilitismo instalou-se em todo o sistema de ensino. Além de ter, no futuro, de pagar com juros a dívida soberana, preocupantemente a crescer todos os dias, esta geração de alunos, que não tem culpa, também irá pagar a sua ignorância e a sua falta de competências.
Não me admiraria nada que o grau de licenciado passasse a ser outorgado na Conservatória do Registo Civil no acto do assentamento de todos os recém nascidos ou na pia baptismal. Doutor passaria a fazer parte do nome próprio de cada cidadão. Portugal passaria a ser um pacóvio país de doutores.
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Agradeço ao João Fráguas e ao Diamantino Silva a referenciação para este texto, do comentador e poeta Manuel António Pina.