domingo, 26 de setembro de 2010

É essencial continuar a apoiar o mercado de trabalho, segundo o FMI e a OIT


“Se os efeitos das recessões do passado
servirem de guia, estes desenvolvimentos
[no mercado de trabalho] podem ter um
custo humano pesado.
Para os que ficam desempregados pode ser
uma perda permanente no rendimento, uma
redução da esperança de vida, e piores
resultados académicos e salariais para os seus
filhos. Além disso, o desemprego deverá
provavelmente afectar as atitudes de forma a
reduzir a coesão social, um custo que permanecerá”.
Do Relatório Conjunto FMI/OIT (Setembro 2010)
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No mundo, existem actualmente 210 milhões de desempregados, o que revela a extensão e a profundidade da actual crise, que agora já começa a ser entendida na sua verdadeira dimensão. Hoje, já ninguém se atreve a dizer que ela era conjuntural e que afectava apenas o sector financeiro, ignorando que a origem teria de ser encontrada no funcionamento da economia, cujo paradigma se alterou com a globalização.
O relatório das duas agências da ONU dá grande ênfase ao forte crescimento verificado no desemprego de longa duração, entre os jovens, e aponta o perigo que essa realidade pode provocar no futuro, a nível económico e social (mais pobreza, mais exclusão social e uma maior conflitualidade, que, nalguns casos, pode ser explosiva). Daí a necessidade dos governos manterem os apoios ao desemprego e à criação de emprego, tarefa que vai tornar-se muito difícil no actual contexto económico e financeiro.
O relatório não se esqueceu de referir Portugal, como um dos países que mais foi afectado pelo desemprego estrutural e um dos poucos que, erradamente, começou a retirar os apoios públicos aos desempregados e à criação de novos postos de trabalho.

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