sábado, 25 de setembro de 2010

Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida – Al Berto (poema declamado)



Al Berto foi um dos poetas mais influentes do último quartel do século passado. É o poeta que, na poesia portuguesa, melhor interiorizou a tristeza. Ele próprio, foi um homem triste, como se carregasse aos ombros toda a angústia humana.
Conheci-o na editora/livraria Assírio & Alvim, aqui bem perto da minha casa, que lhe editou a maior parte da obra. Sóbrio nas palavras e nos gestos, era nos olhos que se concentrava toda a sua energia comunicativa. A fama nunca lhe subiu à cabeça, e a sua humildade tinha a força abrasadora dos fortes, à qual nenhm interlocutor resistia..
Estudou Belas-Artes, em Lisboa e Bruxelas, e os seus conhecimentos de pintura eram vastíssimos, ao ponto de ter sido convidado para escrever os textos das obras sobre pintura, que a Assírio & Alvim publicava em luxuosas edições. Mas até na prosa, a palavra que lhe saía da caneta era a da poesia, o que, diga-se em abono da verdade, ampliava a compreensão da natureza da pintura.