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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Anotação do Tempo: E se eu vos disser...





E se eu vos disser...

E se eu vos disser que me lembro
de todas as rugas daquele tempo
cavadas no granito e nos rostos...
E se eu vos disser que me lembro
da geografia da fome
e de todos aqueles para quem
a sua miserável pobreza
era a sua maior riqueza...
E se eu vos disser que ainda ouço
a voz das pedras dos caminhos e dos casebres
e o crepitar do lume das lareiras nos Invernos,
para aquecer o frio e fazer crescer os sonhos...
E se eu vos disser que aquele tempo 
era um tempo sem tempo,
apenas para esperar a morte...
E se eu vos disser que o mundo
nascia e morria ali,
porque não havia mais mundos
para além das serranias e dos baldios...
E se eu vos disser que tudo isto
é memória dorida, 
ferida a sangrar em carne viva
que o tempo não alivia...
Este era o meu povo,
o povo ignorado que não esqueço
e que ainda trago na lembrança…

Alexandre de Castro


Lisboa, Outubro de2014

____________________________ Agradeço aos meus amigos Diamantino Silva e João Fráguas o envio do vídeo.

Ponte Europa

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Notas do meu rodapé: A eurofagia


A eurofagia

O conceito de eurofagia, recentemente introduzido no léxico da economia política, explica, de certa forma, muito do que atualmente está a acontecer na Europa, principalmente nos países da zona da moeda única. A palavra, que não consta ainda no léxico do português,  tem uma etimologia imediata e intuitiva. Significa autofagia da economia da zona euro, que aqui também poderá ser utilizada para compreender o estado da economia de toda a União Europeia. E esta autofagia é uma das principais causas da atual estagnação económica dos países europeus, cujo crescimento do passado recente se baseou maioritariamente nas trocas comerciais intercomunitárias, desperdiçando-se, por uma inércia anunciadora da sua inevitável decadência, as oportunidades oferecidas pela globalização dos últimos vinte anos. E, nessas trocas, tem de haver sempre países que ganham, os que exportam mais, e os que perdem, os que importam mais. Os países do norte ganharam, principalmente a Alemanha, e os países da periferia perderam, como foi o caso de Portugal. Só que essa zona do conforto para os países ricos acabou, tal como as estatísticas e as previsões económicas, principalmente na Alemanha França e Itália e Espanha, estão a demonstrar. A deflação ameaça aqueles quatro países, e uma vez instalada a deflação, e tal como está a acontecer à economia japonesa, torna-se muito difícil sair dela.
Pode pois dizer-se que os países da zona euro foram preguiçosos, porque se acomodaram à facilidade de fazer trocas comerciais entre si, num mercado com pouco risco e altamente garantido, mas que não evitou o avanço da lenta e progressiva invasão das exportações dos países emergentes, que, gradualmente, foram ganhando quota de mercado no espaço europeu. Vejamos só dois casos diferenciados, um país que ganhou e outro que perdeu, nestas trocas intercomunitárias. Na Alemanha, sessenta por cento das suas exportações são para os países europeus, e Portugal tem, como principal destino das suas exportações, a Alemanha, a França e a Espanha. Atualmente, a Alemanha, que no fim do século passado vendia a maquinaria para a China construir as suas fábricas, já está a sofrer a concorrência, nos seus mercados tradicionais, das máquinas construídas e exportadas pelo gigante asático, que são muito mais baratas. Nas lojas dos chineses compra-se uma máquina elétrica de cortar o cabeço por metade do preço da de uma máquina similar, fabricada em Itália. Portugal, que tentou vencer esta dependência das suas exportações em relação aos três países atrás citados, tem tido muitas dificuldades em diversificar as suas exportações para outros espaços, e isto porque falta à maioria dos nossos empresários ousadia, conhecimento e clarividência, e também capital. Foram muitos anos a viverem num espaço protegido, o do Portugal continental e o dos territórios  ultramarinos, Não era necessário inovar, formar e arriscar, porque as vendas e os lucros estavam garantidos. Foi o período da autofagia lusitana, embora o PIB tivesse crescido, mas não acompanhando o crescimento verificado no conjunto dos países europeus. Com a adesão à União Europeia e ao euro, o esforço a fazer também não era muito, porque as fronteiras aduaneiras da Europa foram abertas. Mas essas mesmas fronteiras abriram-se também à exportação do capital, através da especulação financeira, empobrecendo o país, porque esse capital fazia falta para o investimento nacional.
Como as perpetivas dos países europeus, de não conseguirem crescer para o exterior do seu espaço (1), são diminutas, eles vão continuar a comer-se uns aos outros, até os mais fracos serem devorados. É uma consequência natural da economia eurofágica.
Alexandre de Castro


***«»***
(1) A Comissão Europeia revê assim em baixa as previsões para estes três países [Espanha, França e Alemanha] e confirma também o modesto crescimento que se espera para a zona euro no próximo ano: no total, os países da moeda única deverão registar um crescimento médio de 1,1%.
Os ‘nuestros hermanos’ são, ainda assim, quem se encontra em melhores condições. Bruxelas baixou a previsão em quatro pontos decimais, para os 1,7%, um crescimento superior ao previsto para a Alemanha (menos nove casas decimais, para os 1,1%) e França (menos oito pontos decimais, para os 0,7%). Já em Portugal, a revisão de Bruxelas foi de dois pontos decimais. O crescimento esperado é agora de 1,3%.
Notícias ao Minuto

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dois poemas de Maria Gomes


Dois poemas de Maria Gomes

Há litorais sem vento, meu amor,
pássaros sem estrelas,
mares antiquíssimos,
e raízes
em precipícios,
em minhas mãos vazias.

_________mariagomes
6, jan, de 2013


Vou ouvir o meu coração bater pela harpa abandonada.
Segui-lo-ei, cegamente, como quem segue a canção de um rio,
seu oiro perdido,
imenso...
Vou entretecer meus dedos na palavra fogo, na palavra água,
vou tocar teu rosto pleno
nesta intempérie!

________________mariagomes

agosto, 2012

Facebook

terça-feira, 4 de novembro de 2014

FMI autocritica-se por ineficácia a responder à crise


A auditoria considera que as soluções para o relançamento da atividade economica se centraram demasiado nas medidas de austeridade e no controlo orçamental dos países mais afetados. Os auditores defendem que as medidas tomadas pelo FMI não foram eficazes no relançamento da economia e contribuiram para a volatibilidade dos fluxos de capital nos mercados emergentes.
***«»***

Eu, que não sou economista, antecipei-me três anos às conclusões atuais dos peritos do FMI, já que, neste blogue, tenho andado a defender, e desde 2011, que as políticas baseadas na austeridade e doentiamente fixadas na obsessão do défice orçamental não eram as mais acertadas para resolver o problema da dívida soberana excessiva, uma vez que penso que o problema está na economia e não nas finanças. Os empréstimos da troika, com melhores condições de reembolso, deveriam ter sido aplicados de uma forma controlada e muito rigorosa na reindustrialização do país.
No mínimo, eu devia ser promovido a ministro das Finanças.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

“O Presidente é parcial com o Governo e não acrescenta nada ao sistema” - Entrevista a Jorge Reis Novais


O constitucionalista Jorge Reis Novais considera que o Chefe de Estado e o Governo tiveram uma estratégia de facto consumado durante os anos da troika.
É um crítico da actuação do Governo e do Presidente da República nos anos do memorando. Considera desnecessário mudar a Constituição neste momento, mesmo para alterar o sistema eleitoral, e admite ter mudado de ideias em relação à composição do Tribunal Constitucional. O seu livro Em defesa do Tribunal Constitucional – Uma resposta aos críticos é lançado quarta-feira, com apresentação de Marcelo Rebelo de Sousa e Pacheco Pereira, na livraria Almedina Atrium Saldanha, em Lisboa.
PÚBLICO [ver entrevista]

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O Tribunal Constitucional foi a âncora da legitimidade constitucional, contra a arrogância e a prepotência de uma maioria de direita, com tiques ditatoriais.

Sondagem coloca Podemos à frente das intenções de voto em Espanha


Nunca um partido recém-criado em Espanha conseguiu atraiar intenções de voto tão alta, adianta o jornal El País.
É um resultado sem precedentes na política espanhola. Se as legislativas previstas para 2015 se realizassem agora, o recém-criado Podemos seria o partido mais votado, remetendo para terceiro lugar os populares do primeiro-ministro Mariano Rajoy, revela uma sondagem publicada neste domingo peloEl País.
O jornal fala num “sismo sem precedentes na política espanhola” para descrever o efeito da entrada em cena da formação liderada por Pablo Iglesias que, menos de três meses depois da sua criação, ficou em quarto lugar nas eleições europeias de Maio, elegendo cinco eurodeputados. Agora, com osescândalos de corrupção a morderem o já desgastado Governo de Rajoy, sem pouparem também o Partido Socialista, a formação de esquerda leva mais longe a surpresa.
Segundo a sondagem da empresa Metroscopia, se as eleições fossem agora, o Podemos recolheria 27% dos votos, mais 1,5 pontos percentuais do que os atribuídos aos socialistas liderados por Pedro Sánchez, que perderam quase cinco pontos em apenas um mês. Mas se o PSOE cai, o Partido Popular (PP) afunda-se: consegue apenas 20,7% das intenções de voto, quase menos dez pontos do que em Outubro

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A maioria dos espanhóis já percebeu que socialistas e conservadores apenas são diferentes nos pormenores e nas siglas. No fundamental, são iguais. São as duas faces de uma mesma moeda. Oxalá que, por contágio fronteiriço, a ideia floresça em Portugal.

O desafio agora é móvel


Resultados de um projecto sobre a utilização da Internet pelos mais jovens vão ser discutidos numa conferência em Lisboa no fim de Novembro.
A facilidade de acesso à internet proporcionada pelos dispositivos móveis comosmartphones ou tablets intensificaram a pressão para “estar sempre ligado”. Dois terços dos adolescentes têm “grande necessidade” de verificar o telemóvel com regularidade e mais de metade já se sentiu aborrecido por não poder usar o aparelho por falta de bateria ou de rede.
Estas conclusões resultam do projecto Net Children Go Mobile, que em Portugal é coordenado pela Faculdade de Ciências Socias da Universidade Nova de Lisboa e que também aponta para uso excessivo das tecnologias por partes dos mais jovens.
O uso intensivo apresenta-se “mais intenso” entre os 13 e os 14 anos, mostra Cristina Ponte, que coordena este projecto. Entre estes, 31% demonstram uma ou outra forma de utilização excessiva do telemóvel ou smartphone. Este valor é inferior entre os colegas entre os 15 e 16 anos: 19%. 
O Net Children Go Mobile é uma continuação do projecto EU Kids Online, que tinha traçado um retrato da utilização da Internet pelos mais jovens na Europa. Desta feita, o foco é feito na forma como os adolescentes utilizam os telemóveis, tablets e outros dispositivos móveis. Os resultados nacionais serão discutidos na conferência Crianças e meios digitais móveis em Portugal, que se realiza a 28 e 29 de Novembro, em Lisboa.
SAMUEL SILVA

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Se o assunto não fosse muito sério, estaria tentado a dizer: ponham os compêndios escolares na internet e os testes no telemóvel, e vão ver que os putos começam a preferir andar de bicicleta.
Começa a haver um desajustamento entre as inovações tecnológicas e os comportamentos sociais. A dependência em relação à internet e aos telemóveis não afeta apenas os jovens. É transversal a todo o tecido social. 
No entanto, e pelo facto dos jovens terem menos defesas, aquele desajustamento é preocupante. Além dos distúrbios psicológicos, psico-somáticos e comportamentais, o uso excessivo dos meios móveis de comunicação, pelos jovens, poderá distorcer-lhes a perceção da realidade, que só a relação interpessoal poderá desenvolver e apurar. Refiro-me particularmente aos valores associados ao conceito da amizade e ao desenvolvimento do discurso lógico e do pensamento dialético, assim como ao domínio da expressão escrita. 
Resta um aspeto positivo nesta obsessiva dependência: o adestramento no manuseamento das linguagens da informática, o que os prepara para a sociedade do futuro.


domingo, 2 de novembro de 2014

A Fiscalidade Verde é uma manobra para enganar os contribuintes

Fiscalidade Verde

Nem cinco, nem sete. Combustível vai aumentar quatro cêntimos
O ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Moreira da Silva, disse, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, que os combustíveis deverão aumentar quatro cêntimos no próximo ano, como consequência da reforma da Fiscalidade Verde. A Galp apontava para valores superiores.

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A fiscalidade verde não passa de um estratagema para compensar as perdas de receitas com as benesses fiscais, ao nível de IRS, com que o governo vai contemplar os portugueses, em 2015. O descontentamento gerado com o aumento dos combustíveis vai diluindo-se ao longo do tempo, ao contrário do que aconteceria se os aumentos recaíssem sobre o IRS, cujo valor tem uma visibilidade marcada, ao fim do mês, no recibo do vencimento. Suavizando-se o IRS, ao longo do ano, e todos os meses, os contribuintes vão receber um salário líquido mais elevado, do que no ano anterior, devido à descida da importância cobrada com a retenção na fonte. 
À primeira vista, os portugueses irão julgar que vão ficar com mais dinheiro no bolso. Mas isso é uma ilusão. O aumento dos combustíveis e do IMI encarregar-se-á de demonstrar o contrário. É que o governo está a dar com uma mão o que vai tirar com a outra mão.
O governo parte da presunção de que os portugueses apenas vão dar conta do logro, depois das eleições.

sábado, 1 de novembro de 2014

A tortura na Idade Média



As 10 técnicas de tortura mais assustadoras da Idade Média

Métodos terríveis marcaram o período conhecido como "Idade das Trevas"

1 – Empalamento
 
EMPALAMENTO: UMA DAS TÉCNICAS
MAIS TERRÍVEIS DA IDADE MÉDIA 

Uma das mais conhecidas técnicas de tortura é a do empalamento. Durante a Idade Média, inimigos tinham seus corpos atravessados por enormes estacas. Normalmente, o processo começava pelo ânus e seguia até a boca. E o mais assustador: a vítima poderia levar até três dias para morrer.
O personagem que ficou mais conhecido pela técnica foi Vlad III, o Empalador (o sujeito que inspirou Drácula). O tirano costumava apreciar uma refeição enquanto observava as estacas atravessando os orifícios de seus inimigos. Estima-se que Vlad tenha matado de 20 a 300 mil pessoas dessa maneira.

2 – Berço de Judas
 
BRUTAL ARTEFATO UTILIZADO NA IDADE MÉDIA

Chamado de Berço ou Cadeira de Judas, essa técnica pode ser considerada uma “prima distante” da empalação. Com um pouco mais de sadismo, as vítimas eram obrigadas a sentar em pirâmides de madeiras lentamente até a morte. Presas por cordas, elas tinham seus orifícios anais ou vaginais “esticados” pelo tronco pontudo de madeira durante dias.
A intenção do efeito era empalar lentamente. Para isso, algumas delas recebiam pesos nas pernas a fim de aumentar a dor e a velocidade. E fora a humilhação, o Berço de Judas dificilmente era higienizado, assim podendo gerar infecções dolorosíssimas.

3 – O Caixão da Tortura
 
EXPOSTOS EM PRAÇA PÚBLICA EM UM CAIXÃO DE FERRO 

Usado como sentença para crimes como blasfêmia e roubo, o Caixão da Tortura funcionava assim: as pessoas julgadas eram obrigadas a ficar dentro da “cela móvel” durante dias até a morte. Extremamente apertadas, as gaiolas eram penduradas em praça pública para que sofressem exposição ao sol e também para que animais pudessem se alimentar do ser humano, enquanto vivo.

4 – O Balcão da Tortura
 
O BALCÃO DA TORTURA FOI CONSIDERADO O MAIS DOLOROSO
INSTRUMENTO DE TORTURA DO PERÍODO 

Consistindo em uma mesa de madeira com cordas fixadas nas áreas superiores e inferiores, o Balcão da Tortura chegou a ser considerado o mais doloroso método de toda cultura medieval.
As cordas se prendiam aos pés e mãos da vítima em uma ponta e a roldanas em outra. Ao torturador, bastava girar as maçanetas para que os membros dos torturados se esticassem em pura agonia. Muitas vezes, os membros chegavam a ser arrancados pelo dispositivo.
No final da Idade Média, a mesa ganhou uma variante: com espinhos de ferro que penetravam nas costas da vítima. Tudo isso para que confessassem seus crimes.

5 – O Estripador de Seios

EXPERIÊNCIA BRUTAL: O ESTRIPADOR DE SEIOS

Esse terrível aparato costumava ser utilizado para punir mulheres acusadas de realizar bruxaria, aborto ou adultério. As garras – aquecidas por brasas ou em temperatura comum – do aparelho eram usadas para arrancar os seios dessas mulheres.
O artefato também ganhou uma variante, chamada de ‘The Spider’. Exatamente como o outro instrumento, mas com as garras acopladas a uma parede. Isso fazia com que o torturador pudesse puxar as mulheres até que o estripador ficasse com os seios pendurados. Muitas morriam de hemorragia ou de infecção.

6 – Pera da Angústia
 
PERA DE METAL REALIZADA PARA TRAZER
MUITA DOR ÀS VÍTIMAS

Esse brutal equipamento era utilizado para iniciar a punição de mulheres, mentirosos, e homossexuais. O aparelho em formato de pera era inserido nas vaginas femininas, no ânus dos homossexuais e na boca dos blasfemadores.
Para que as quatro folhas de metal se abrissem, bastava à vítima “entortar” um parafuso. A pera era capaz de arrancar a pele com sua expansão e mutilar os orifícios das pessoas que a recebiam. O método era conhecido por apenas “abrir” a sequência de torturas.

7 – A Roda da Tortura
 
RODA DA TORTURA FAZIA COM QUE PESSOAS TIVESSEM
SEUS MEMBROS QUEBRADOS EM PRAÇA PÚBLICA 

Conhecido por sempre matar a vítima de forma bem lenta, essa era a Roda da Tortura. Com os membros presos em uma roda de madeira, as pessoas viam seus braços e pernas serem atingidos pelos torturadores com grandes martelos de metal. Depois disso, eram pendurados – ainda na roda – em praça pública, para que animais se alimentassem das vítimas vivas.

8 – Serra para cortar ao meio
 
PESSOAS ERAM SERRADAS AO MEIO
NA IDADE MÉDIA

Por serras serem muito comuns na Idade Média, a técnica de tortura foi muito utilizada para matar pessoas acusadas de bruxaria, adultério, assassinato e blasfêmia. Além disso, era costumeiramente usada para ameaçar os acusados, colocando seus familiares nos dentes afiados da serra.
Como funcionava: dois torturadores amarravam as pessoas de cabeça para baixo a fim de deixar todo o sangue fluir; depois disso, pegavam uma serra e atravessavam as vítimas começando pelo meio das pernas. A tortura costumava levar horas.

9 – O Esmaga Cabeças
 
O ESMAGA CABEÇAS, MAIS UM ARTEFATO
EXTREMAMENTE BRUTAL

Altamente utilizado durante a Inquisição Espanhola, o Esmaga Cabeças – como ficou conhecido – era capaz de causar dores e danos irreparáveis. O instrumento consistia em um capacete ligado à uma barra onde se apoiava o queixo da vítima. Depois disso, o parafuso apertava o capacete comprimindo a cabeça da vítima.
Com isso, os torturadores conseguiam destruir as arcadas dentárias e as mandíbulas. E caso a tortura não parasse, os globos oculares saltavam dos olhos e o cérebro saía despedaçado pelo crânio.

10 – Tortura do Garrote

 TORTURA DO GARROTE MATOU MUITAS PESSOAS
NA INQU
ISIÇÃO ESPANHOLA

Também muito usado na Espanha, o “garrote espanhol” servia para provocar uma morte lenta nas vítimas. Como o torturador possuía controle da corda amarrada no pescoço da pessoa, aos poucos ela ia sendo apertada para que as vítimas morressem asfixiadas.
A técnica foi utilizada durante a Inquisição com o objetivo de conseguir confissões dos acusados. O dispositivo esteve presente no país espanhol até 1975.
GALILEU

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Na Idade Média, a inovação tecnológica dos processos da tortura ultrapassou os que estavam ligados à economia, e os tecnocratas da Santa Inquisição, em nome da Fé, assumiram a liderança inventiva de prolongar a agonia dos condenados com o maior sofrimento possível. Foi um verdadeiro horror!..
A selvajaria e a barbárie caíram na Terra, de escantilhão, vindas do Céu.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Poema: Jardins do medo_ por maria azenha

Fotografia por © Marcin Sacha (Poland)

Jardins do medo_

Há jardins do medo com flores diante do Diabo
E as ratazanas insultam a vida do poema
Um Rei morre em silêncio diante da sua amada
E a sua amada é uma mulher madura que vive numa jaula
Coroada por ciprestes
– seus lábios são pombas feridas que habitam o cimento -
E eu digo: a minha pátria é a minha amada
que chora o veneno do poema
sobre um ninho de excrementos.

© maria azenha

***«»***
E a Pátria morre-nos no peito, a arder, no turbilhão da memória de um Alcácer Kibir sem glória, onde um Rei morre num ninho de excrementos, e de onde nascerão as flores dos jardins dos medos.
Este poema de Maria Azenha eleva-nos à dimensão trágica do desastre coletivo, que a História marcou no calendário do Tempo, onde as cinzas dormem.
Maria Azenha é a grande inspiradora daquilo que, humildemente, eu vou escrevendo sobre os seus poemas, poemas que esgotam o sentido das palavras, e que nos conduzem a um profundo arrebatamento, a caminho da total sublimação.
Alexandre de Castro

A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.

Deboche eleitoralista...


"Nos termos do Tribunal Constitucional, a reversão salarial em Portugal em 2016 deverá ser total, porque o Tribunal Constitucional não permitiu que a proposta que o Governo anunciou pudesse em 2016 prosseguir com mais uma devolução de 20% do corte salarial", afirmou o primeiro-ministro durante o debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2015.
Mas, acrescentou, caso seja reeleito nas legislativas do próximo ano irá apresentar novamente a proposta chumbada pelos juízes do Palácio Ratton: "Se eu for primeiro-ministro nessa altura não deixarei de apresentar novamente essa proposta, portanto, proporei que a reversão salarial seja de 20% em 2016, como consta de resto daquilo que tem sido a posição pública do Governo".

***«»***
Definitivamente, entrou-se no deboche eleitoralista... O que no ano passado eram inevitabilidades e dificuldades, são agora facilidades e benesses.
Esta promessa do governo não tem nenhuma sustentabilidade no cenário macro-económico dos próximos anos, com as exportações a estagnarem, devido à deflação que ameaça a economia europeia. E com as exportações a perderem vigor e o consumo interno a continuar a ser travado pela austeridade, o PIB não poderá crescer. Por outro lado, em 2015, e até 2021, Portugal passará a pagar ao FMI os empréstimos concedidos por esta instituição internacional, ao abrigo da Programa de Assistência Económica e Financeira (troika), o que vai obrigar o governo português a financiar-se no mercado da dívida, contraindo novas dívidas para pagar as anteriores, o que agravará a sua dependência perante o exterior.
Mas vai haver uns tantos tansos que vão acreditar novamente em promessas eleitorais...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os perigos e as virtudes de combinar ciência com religião


O papa Francisco aprova as teorias do Big Bang e da Evolução das Espécies mas também defende que "é precisa" a criação divina para as explicar por completo. Demonstrou abertura ou tentou usar a ciência como fudamento para a crença?
Carlos Fiolhais, físico e um dos mais conhecidos divulgadores científicos portugueses, avisa que pode ser "perigoso" recorrer à ciência para tentar fundamentar as crenças religiosas. E dá o exemplo de Galileu Galilei, que dizia: "O Espírito Santo ensina-nos como ir para o céu, não como é o céu".
Já a teóloga Teresa Toldy defende que o Papa pretendia apenas demonstrar que ciência e religião não são incompatíveis e que não estava a tentar enciaxar as duas variáveis numa só.

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A religião e a Ciência são totalmente incompatíveis. A religião baseia-se no fundamento da crença, enquanto a Ciência elege a racionalidade empírica sobre factos objetivos, observáveis e mensuráveis. A religião cultiva a subjetividade, enquanto a Ciência procura a objetividade da realidade. São como a água e o azeite. Não miscíveis…
A aceitação (envergonhada?), por parte da igreja católica, das teorias do Big Bang e da Evolução das Espécies já vem tardia, e demonstra a dificuldade que a  Cúria Romana revela em lidar com a Ciência, naqueles aspetos em que os dogmas são desmascarados.

Notas do meu rodapé: Crise de 1891-93


O Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), de 2011, comumente designado por Memorando da Troika, foi apresentado numa perspetiva de ajuda desinteressada e altruísta ao Estado português, com o argumento de que a sua dívida pública. Não foi apresentado, discutido, nem explicado ao povo português, ao nível dos seus efeitos, que já eram conhecidos pelos seus subscritores indígenas e pelos dirigentes dos partidos do arco da traição. É o que está a ver-se. Já anteriormente, fizera carreira a tese do "bom aluno", que tanto embeveceu a nata bem pensante do país, e que, agora, o governo de Passos Coelho adotou, de uma forma caninamente subserviente. 
O cenário do ultimato de 1890, e o dos anos anteriores e o dos anos subsequentes, está a repetir-se, embora em contextos diversos, com atores diferentes, mas com uma causa comum: a armadilha da dívida. 
Na segunda metade do século XIX, Portugal, para se industrializar (o que foi uma boa opção), teve de endividar-se, a fim de construir os caminhos de ferro, infraestrutura indispensável para desenhar o mercado interno, pois não fazia sentido produzir adubos no Barreiro e ter de os transportar de mula para Trás-os-Montes e para o Minho. Só que o Estado Português viu-se na necessidade de contrair empréstimos junto da Bolsa de Londres, para poder comprar aos ingleses locomotivas, carruagens, carris de ferro e outros equipamentos industriais, que Portugal não produzia. O dinheiro dos empréstimos nem sequer chegava a Portugal, pois o valor das nossas exportações de produtos do setor primário da economia não chegava para evitar a acumulação crescente do défice comercial e o da balança de pagamentos. 
Quando se chegou a 1890, os ingleses já sabiam que Portugal estava de tanga, e sem dinheiro para mandar cantar um cego, quanto mais para organizar um exército que fosse defender o Mapa Cor de Rosa. 
A crise financeira, na sua vertente orçamental, monetária e cambial, era muito parecida com a atual. A moeda nacional, super-valorizada em relação à produtividade da economia, não conseguia acompanhar o valor da Libra, que se valorizava. Na década anterior, já a dívida pública vinha a agravar-se para cobrir os crónicos défices orçamentais. Coube à dupla José Dias Ferreira (bisavô da Manuela Ferreira Leite) e Oliveira Martins (bisavô de Guilherme Oliveira Martins) apanhar os cacos da crise. Um desvalorizou a moeda em 30 por cento e o outro, no ano seguinte, viu-se obrigado a declarar a bancarrota. Não pagamos, disseram eles! Que se saiba, não houve nenhum terramoto em Portugal, nem os ingleses enviaram a sua Marinha de Guerra e a sua Infantaria. Os credores, antes arrogantes e intransigentes, moderaram os seus ímpetos agressivos e pensaram duas vezes que seria bem melhor receber algum dinheiro do que não receber nenhum. E iniciaram-se negociações construtivas para reestruturar a dívida, em termos aceitáveis para o devedor, no sentido de não atrofiar o crescimento da sua economia, condição vital para os credores, para garantirem pagamentos futuros dos créditos em dívida. Perdoou-se parte da dívida, alongaram-se os prazos das maturidades e baixou-se a taxa de juro. Não se fez nada que não pudesse fazer-se na atualidade. Portugal não desapareceu do mapa, não se afundou no Atlântico, nem alienou soberania. Foi doloroso para o povo. Com as posteriores desvalorizações da moeda nacional, os sacrifícios atingiram proporcionalmente pobres e ricos. Durou o inferno (igual ao atual, mas em que os ricos não se queimam nas chamas) uns quatro anos, até que a economia reanimou com o salto das exportações e com a dinamização do mercado interno, dois pilares importantíssimos para a formação do PIB (eu ainda não compreendi como é que a troika e este governo querem aumentar o PIB, matando o consumo interno!). 
Desculpe-me esta longa exposição, mas eu apenas quis demonstrar que a crise atual é muito parecida com a de 1891-93, sendo, no entanto, muito diferente nas formas para a superar. Os portugueses dos finais do século XIX sofreram menos do que a maior parte dos portugueses sofrem na atualidade, não entrando em linha de conta com as diferenças dos respetivos padrões de vida, assim como dos diferentes níveis de desenvolvimento. Atualmente, estamos a ser estúpidos, porque estamos a deixar que nos destruam a economia, ao nível das pequenas e médias empresas, que, antes desta crise, ocupavam oitenta por cento da população ativa, assim se explicando as elevadas taxas de desemprego atingidas, passados dois anos da austoritária governação troikiana. 

Os nossos amiguinhos europeus estão a ajudar-nos, certamente. Mas com estes amigos destes, eu prefiro os inimigos.




Perfeitamente de acordo, Luís Alves de Fraga. O Memorando da Troika foi apresentado nessa perspetiva de ajuda desinteressada e altruísta. Não foi apresentado, discutido, nem explicado ao povo português, ao nível dos seus efeitos, que já eram conhecidos pelos seus subscritores indígenas e pelos dirigentes dos partidos do arco da traição. É o que está a ver-se. Já anteriormente, fizera carreira a tese do "bom aluno", que tanto embeveceu a nata bem pensante do país, e que, agora, o governo de Passos Coelho adotou, de uma forma caninamente subserviente. 
O cenário do ultimato de 1890, e o dos anos anteriores e o dos anos subsequentes, está a repetir-se, embora em contextos diversos, com atores diferentes, mas com uma causa comum: a armadilha da dívida. 
Na segunda metade do século XIX, Portugal, para se industrializar (o que foi uma boa opção), teve de endividar-se, a fim de construir os caminhos de ferro, infraestrutura indispensável para desenhar o mercado interno, pois não fazia sentido produzir adubos no Barreiro e ter de os transportar de mula para Trás-os-Montes e para o Minho. Só que o Estado Português viu-se na necessidade de contrair empréstimos junto da Bolsa de Londres, para poder comprar aos ingleses locomotivas, carruagens, carris de ferro e outros equipamentos industriais, que Portugal não produzia. O dinheiro dos empréstimos nem sequer chegava a Portugal, pois o valor das nossas exportações de produtos do setor primário da economia não chegava para evitar a acumulação crescente do défice comercial e o da balança de pagamentos. 
Quando se chegou a 1890, os ingleses já sabiam que Portugal estava de tanga, e sem dinheiro para mandar cantar um cego, quanto mais para organizar um exército que fosse defender o Mapa Cor de Rosa. 
A crise financeira, na sua vertente orçamental, monetária e cambial, era muito parecida com a atual. A moeda nacional, super-valorizada em relação à produtividade da economia, não conseguia acompanhar o valor da Libra, que se valorizava. Na década anterior, já a dívida pública vinha a agravar-se para cobrir os crónicos défices orçamentais. Coube à dupla José Dias Ferreira (bisavô da Manuela Ferreira Leite) e Oliveira Martins (bisavô de Guilherme Oliveira Martins) apanhar os cacos da crise. Um desvalorizou a moeda em 30 por cento e o outro, no ano seguinte, viu-se obrigado a declarar a bancarrota. Não pagamos, disseram eles! Que se saiba, não houve nenhum terramoto em Portugal, nem os ingleses enviaram a sua Marinha de Guerra e a sua Infantaria. Os credores, antes arrogantes e intransigentes, moderaram os seus ímpetos agressivos e pensaram duas vezes que seria bem melhor receber algum dinheiro do que não receber nenhum. E iniciaram-se negociações construtivas para reestruturar a dívida, em termos aceitáveis para o devedor, no sentido de não atrofiar o crescimento da sua economia, condição vital para os credores, para garantirem pagamentos futuros dos créditos em dívida. Perdoou-se parte da dívida, alongaram-se os prazos das maturidades e baixou-se a taxa de juro. Não se fez nada que não pudesse fazer-se na atualidade. Portugal não desapareceu do mapa, não se afundou no Atlântico, nem alienou soberania. Foi doloroso para o povo. Com as posteriores desvalorizações da moeda nacional, os sacrifícios atingiram proporcionalmente pobres e ricos. Durou o inferno (igual ao atual, mas em que os ricos não se queimam nas chamas) uns quatro anos, até que a economia reanimou com o salto das exportações e com a dinamização do mercado interno, dois pilares importantíssimos para a formação do PIB (eu ainda não compreendi como é que a troika e este governo querem aumentar o PIB, matando o consumo interno!). 
Desculpe-me esta longa exposição, mas eu apenas quis demonstrar que a crise atual é muito parecida com a de 1891-93, sendo, no entanto, muito diferente nas formas para a superar. Os portugueses dos finais do século XIX sofreram menos do que a maior parte dos portugueses sofrem na atualidade, não entrando em linha de conta com as diferenças dos respetivos padrões de vida, assim como dos diferentes níveis de desenvolvimento. Atualmente, estamos a ser estúpidos, porque estamos a deixar que nos destruam a economia, ao nível das pequenas e médias empresas, que, antes desta crise, ocupavam oitenta por cento da população ativa, assim se explicando as elevadas taxas de desemprego atingidas, passados dois anos da austoritária governação troikiana. 
Os nossos amiguinhos europeus estão a ajudar-nos, certamente. Mas com estes amigos destes, eu prefiro os inimigos.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Poema: « Visita em sombra » - por maria azenha

Fotografia - Autor não identificado

« Visita em sombra »
══

A minha mãe
folheei-a à noite.
Colheu-me de revés
num assalto à paz. 
(nunca a vi)
Bateu-me à porta,
em criança,
de facto .
Com o pescoço
ao lado do meu pai
pintou o meu rosto
com palavras exasperadas.
(e os meus seios estavam a crescer
numa dor
nos bicos da alma… )
À noite,
às doze em ponto , 
furei o tapume 
com
saltos.
Meti-me a verter piedade
pelos cantitos
dos
olhos.
Copulei as risadas doidas
a chapinhar
nos bibes.
Olhei de folga
por todos os domingos.
Toquei as arestas vivas
das bonecas degoladas.
Remeti todos os serviços
p’ras escolas
fu-
ne-
rárias.
Crucifiquei as chávenas
Todas
ao pequeno-almoço.
No último exame de Ontem
incendiei- a 
viva
num grande Campanário!,
══
MARIA AZENHA
(Poeta portuguesa, n. 1945)
in “P.I.M.”, Universitária Editora,Lda, Lisboa, 1999

***«»***
Nota: Uma dança onírica de metáforas, a saltarem em cascata no poema, incendiado-nos a imaginação até ao arrasador climax poético “(e os meus seios estavam a crescer/numa dor/nos bicos da alma…)”. E, no final, aparece o fogo purificador, para acalmar a consciência, depois daquele vendaval destruidor, que não poupou as chávenas nem as escolas funerárias.
AC

A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Notas do meu rodapé: Como Kemal Ataturk aboliu o uso da burka na Turquia moderna



Como Kemal Ataturk aboliu o uso da burka na Turquia moderna

Kemal Atatürk, o pai da Turquia moderna, que, sobre os escombros da califado do império otomano, na sequência da I Guerra Mundial, construiu um Estado Republicano secular e ocidentalizou culturalmente aquele país, conseguiu sem qualquer esforço abolir o uso da burka, que estava muito enraizado. Lembrou-se da lenda sobre a origem da adoção daquela indumentária pelas mulheres muçulmanas. Na Idade Média, no noroeste da India, os imãs de uma obscura tribo muçulmana, fazendo a sua interpretação pessoal do Alcorão, decretaram uma sharia, que obrigava todas as mulheres, solteiras, casadas e viúvas, a irem prostituir-se, num determinado dia do calendário islâmico, num bosque dos arredores da cidade principal. Para não serem reconhecidas posteriormente pelos homens a quem se entregavam, por obrigação, as mulheres começaram a usar nesse dia um lenço enorme que lhes tapava o rosto, tendo esse lenço evoluído progressivamente para o formato da atual burka. 
Atatürk, um estadista genial, sabia que, se proibisse o uso da burka, iria enfrentar uma grande resistência por parte dos fundamentalistas islâmicos e do respetivo clero, assim como a da população mais conservadora e tradicionalista, principalmente na Anatólia. 
Neste contexto complexo, em que os equilíbrios políticos são sempre difíceis, Atatürk resolveu publicar um decreto, que obrigava as prostitutas a usarem burka. Remédio santo. No dia em que o decreto entrou em vigor, nenhuma mulher se atreveu a sair à rua, trajando a burka.

Nota: Uma outra versão sobre o local de origem do uso burka, e que me foi comunicada por uma amiga, situava aquele local numa zona, algures entre Síria e o Iraque, precisamente onde hoje está instalado o fanático Estado Islâmico. Local de origem à parte, o que é certo é que Ataturk fez um golpe de génio, matando à nascença qualquer oposição e resistência dos muçulmanos islâmicos, que não lhe perdoavam a institucionalização de uma República secular e a da laicidade na educação, assim como a difusão da cultura europeia, a fim de promover a ocidentalização dos costumes e da sociedade.
Ataturk granjeou um enorme prestígio junto do seu povo, ao mesmo tempo deixou para a posteridade uma grande aura de heroísmo e, no ocidente, era muito respeitado e admirado. A Turquia de hoje deve muito a este político e militar, que conseguiu obter a independência da sua Pátria, tendo para isso sido obrigado a liderar grandes combates contra o exército britânico, pois à Inglaterra tinha sido concedido, através da Sociedade das Nações e do Tratado de Versalhes, o mandato da maior parte dos territórios do desmembrado Império Otomano, que deu muitas dores de cabeça à Europa, durante os seus quase quatro séculos da sua existência.