quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os perigos e as virtudes de combinar ciência com religião


O papa Francisco aprova as teorias do Big Bang e da Evolução das Espécies mas também defende que "é precisa" a criação divina para as explicar por completo. Demonstrou abertura ou tentou usar a ciência como fudamento para a crença?
Carlos Fiolhais, físico e um dos mais conhecidos divulgadores científicos portugueses, avisa que pode ser "perigoso" recorrer à ciência para tentar fundamentar as crenças religiosas. E dá o exemplo de Galileu Galilei, que dizia: "O Espírito Santo ensina-nos como ir para o céu, não como é o céu".
Já a teóloga Teresa Toldy defende que o Papa pretendia apenas demonstrar que ciência e religião não são incompatíveis e que não estava a tentar enciaxar as duas variáveis numa só.

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A religião e a Ciência são totalmente incompatíveis. A religião baseia-se no fundamento da crença, enquanto a Ciência elege a racionalidade empírica sobre factos objetivos, observáveis e mensuráveis. A religião cultiva a subjetividade, enquanto a Ciência procura a objetividade da realidade. São como a água e o azeite. Não miscíveis…
A aceitação (envergonhada?), por parte da igreja católica, das teorias do Big Bang e da Evolução das Espécies já vem tardia, e demonstra a dificuldade que a  Cúria Romana revela em lidar com a Ciência, naqueles aspetos em que os dogmas são desmascarados.