sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Deboche eleitoralista...


"Nos termos do Tribunal Constitucional, a reversão salarial em Portugal em 2016 deverá ser total, porque o Tribunal Constitucional não permitiu que a proposta que o Governo anunciou pudesse em 2016 prosseguir com mais uma devolução de 20% do corte salarial", afirmou o primeiro-ministro durante o debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2015.
Mas, acrescentou, caso seja reeleito nas legislativas do próximo ano irá apresentar novamente a proposta chumbada pelos juízes do Palácio Ratton: "Se eu for primeiro-ministro nessa altura não deixarei de apresentar novamente essa proposta, portanto, proporei que a reversão salarial seja de 20% em 2016, como consta de resto daquilo que tem sido a posição pública do Governo".

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Definitivamente, entrou-se no deboche eleitoralista... O que no ano passado eram inevitabilidades e dificuldades, são agora facilidades e benesses.
Esta promessa do governo não tem nenhuma sustentabilidade no cenário macro-económico dos próximos anos, com as exportações a estagnarem, devido à deflação que ameaça a economia europeia. E com as exportações a perderem vigor e o consumo interno a continuar a ser travado pela austeridade, o PIB não poderá crescer. Por outro lado, em 2015, e até 2021, Portugal passará a pagar ao FMI os empréstimos concedidos por esta instituição internacional, ao abrigo da Programa de Assistência Económica e Financeira (troika), o que vai obrigar o governo português a financiar-se no mercado da dívida, contraindo novas dívidas para pagar as anteriores, o que agravará a sua dependência perante o exterior.
Mas vai haver uns tantos tansos que vão acreditar novamente em promessas eleitorais...

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