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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Pintura: Almada Negreiros [2]

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O engenho faz a Arte...

Amabilidade do João Fráguas, que enviou este vídeo.
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O árbitro nem sequer tinha um apito!...
Extraordinária peça cinematográfica, contada apenas por imagens, que é o que marca a originalidade da forma de expressão da Sétima Arte.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Poema: Marlene Antes de se deitar - por Maria Azenha

NATAL..sem fronteiras - Pintura em acrilico s/tela

Marlene Antes de se deitar

Marlene Antes de se deitar
beija de pé trinta santinhos
que estão na cómoda do quarto

encostados uns aos outros
lado a lado
e a uma boneca de pano
não podem olhar para o espelho

há uma cama muito estreita
e uma mesa de cabeceira
com um candeeiro a fingir de estrela
por cima Do presépio

os livros de Marlene muito magrinhos
vão fazer quase cem anos
estão montados numa estante feita de madeira
com os pãezinhos de Santo António e resmas
de papéis torcidos


o meu pai que já morreu
diz-me que isto é um perfeito Disparate
que um dia vou ser castigada
e obrigada a ler romances de cavalaria


Disparate ou não acredito obviamente
na Ressurreição dos políticos
a confirmar
a televisão de Marlene está sempre no mesmo sítio


Marlene Nunca escreveu uma carta à júlia pinheiro
nem à fátima lopes nem ao sr. aníbal não é o da mercearia
porque em pequena foi obrigada
a fazer cópias e camisolas e outros trabalhos forçados


hoje em dia olha para as pessoas
aos encontrões de santinhos
ela faz muitos cachecóis para o frio
e eu penso que estou a abraçar Marlene
na rua do Crucifixo


depois disto é preciso muito cuidado
passei a usar uma pala lateral nos olhos
faz-me falta esta prótese


Marlene com quem algumas vezes falo
disse-me que as baratas este natal andam muito 
[cabisbaixas
as lojas estão cheias de cócó de pombos
e que nunca mais tinha visto a Branca de neve
só depois percebi a quem se referia


mas para manter o sigilo
- antes ir para a cadeia do que ser reles -
só me vem à memória a assunção esteves
se calhar é uma encarnação do Esteves da Tabacaria
do Álvaro de Campos


Marlene anda muito triste e aborrecida
porque ninguém lhe liga e a santa casa da Misericórdia
manda-lhe comida a mais
a irmã que se chama Carminho
tem muitas vertigens e a mania de partir a cabeça
está quase sempre na prisão do sofá
com o saco de água quente nas mãos
debruado a ponto cruz
vai fazer noventa e nove anos
está cheia de pressa para conhecer s.josé
é por isso que Abel mata Caim que por sua vez ressuscita
[Abel
tenho muita pena de Marlene e do menino Jesus
porque não têm nenhuma doença mental
às vezes penso que devia ter conhecido o Edward Hopper


***«»***
Nota: A “poeta” estilhaçou o Natal, partindo todos espelhos seculares, onde nos mirávamos uma vez por ano, vestidos a preceito, para figurarmos nos presépios de plasticina e olhando para aquela noite, julgando-a diferente das outras, só porque no céu havia um candeeiro a fingir de estrela. A partir deste momento, o melhor será deitar para os caixotes do lixo da Marlene, da irmã da Marlene, que se chama Caminho, da assunção esteves, que não é uma encarnação do Esteves da Tabacaria do Álvaro de Campos, e para a latrina do cavaco as lantejoulas, as luzinhas a piscar e todos os livros com mais de cem anos, que nunca foram lidos.
Aguardemos que a Marlene escreva uma carta à júlia pinheiro e à fátima lopes e que Caim ressuscite Abel, para que as baratas, nos próximos natais, não andem cabisbaixas.

...
Quem foi que disse que a Poesia não era subversão? É na subversão dos temas e das formas que a Poesia se reinventa. Foi o que fez Maria Azenha neste poema, ao desmistificar a festa natalícia e deixando o Natal pelas ruas da amargura, algures, na cidade de Lisboa, num esgoto, entre a Rua da Madalena e a Rua do Crucifixo.
Maria Azenha tem sempre uma forma superior de encher o Verbo, estilhaçando a realidade e encontrando uma nova ordem para os cacos.
Atenção, guardiães da Ordem Pública: a Poesia está viva, porque ela é eminentemente subversiva!...
AC

A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Jugular - Reis Novais: Direito constitucional para manequins


Será útil ouvir a voz avisada do Professor Reis Novais, em vésperas de uma decisão do Tribunal Constitucional (TC), (que,certamente, será histórica), sobre os pedidos de fiscalização preventiva de normas constantes no Orçamento de Estado de 2014. 
Espera-se que o TC não deixe impressionar-se pela chantagem movida pelo governo de Passos Coelho, pela comissão europeia, através da voz do português Durão Barroso, e pelas quadrilhas de políticos e comentadores, para quem a Constituição da República é um empecilho a impedir a satisfação das suas ambições. 
O veredito do TC poderá ser o virar de uma página ou, pelo contrário, um simples marcador dessa mesma página. Tudo poderá vir a ser diferente, para o melhor ou para o pior.
AC

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Economie de guerre au Portugal - Cristina Semblano *

 

Le Portugal est un pays exsangue. Le chômage officiel, qui approchait les 20%, a diminué ces deux derniers trimestres «à la faveur» d’une baisse de la population active. Celle-ci est le fruit d’une émigration de masse dont les flux atteignent, voire dépassent, ceux des années 60 qui avaient vu un grand exode des Portugais, fuyant la misère, la dictature et la guerre coloniale (1). La moitié des chômeurs ne bénéficie pas d’allocation chômage et on compte par milliers les exclus du revenu minimum d’insertion, des allocations familiales ou du complément social vieillesse. 

(1) On évalue à 120 000 le nombre de Portugais qui ont émigré en 2012, soit un exode de 10 000 personnes en moyenne par mois, sur une population de quelque 10,5 millions d’habitants.
Libération

(Ler aqui texto completo)

* Economiste, Enseigne l' Economie Portugaise à la Université de Paris - IV Sorbone 

***«»***
A ligeira queda da taxa de desemprego, durante este ano, que o governo e os seus acólitos têm utilizado como argumento para anunciar o início da retoma e assim pretenderem demonstrar o sucesso das suas políticas de austeridade, não passa de uma perigosa ilusão estatística, já que, em acumulado, nos dois últimos dois anos, o número de empregos extintos continua a ser muito superior ao número de empregos criados, tal como já foi referido aqui. Esta ligeira queda da taxa de desemrego deve-se à emigração em massa dos jovens (120 mil, em 2012!), grande parte deles, jovens qualificados, em quem a sociedade investiu, para agora irem contribuir para a criação de riqueza dos países de destino. Portugal acaba por ser um grande exportador de mão de obra. Trata-se da única promessa concretizada por Passos Coelho, promessa esta que estava implícita no seu apelo aos jovens para emigrarem. As outras promessas, aquelas que foram anunciadas na campanha eleitoral, já o vento as levou, e já nem ele se recorda de as ter feito.
Portugal está a caminho de completar o período do ajustamento previsto pelo Programa de Estabilidade Económica e Financeira da troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu), e nenhum dos objetivos constantes no Memorando de Entendimento, assinado pelos partidos do arco da traição PS/PSD/CDS), vai ser cumprido, o que quer dizer que as políticas prosseguidas estavam erradas, tal como muitos de nós previmos em devido tempo. E esse erro monumental, de quem concebeu, aprovou e aplicou essas malsãs políticas de austeridade, vai ser pago, novamente, pela maioria dos portugueses, continuando os banqueiros, os causadores da crise financeira, a ficar imunes a qualquer sacrifício e a um qualquer castigo.  
Na realidade, Portugal está a viver numa economia de guerra, uma economia de guerra causada por uma guerra financeira, inspirada pelo novo imperialismo alemão e aplicada por um dos seus braços políticos, a União Europeia.
AC

domingo, 15 de dezembro de 2013

País em regressão civilizacional e cultural, diz Jerónimo de Sousa


Líder do PCP citou “desmantelamento da Direcção Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direcção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas áreas da cultura"

A política do atual Governo é de regressão económica e social mas também “civilizacional e cultural”, afirmou hoje em Lisboa o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
“Na cultura a situação é hoje de profunda crise e de abandono de qualquer perspetiva real da sua democratização. Olhe-se para onde se olhar é a política de destruição que impera”, disse o responsável numa sessão evocativa de Álvaro Cunhal, antigo secretário-geral do partido, que morreu em 2005.
No ano em que faria 100 anos se fosse vivo, porque nasceu a 10 de novembro de 1913, o PCP tem organizado iniciativas para o lembrar, uma delas hoje ao juntar intelectuais e artistas para debater precisamente o tema “Álvaro Cunhal, o intelectual e o artista”, no âmbito da qual se falou da sua faceta de escritor, pintor, músico e até tradutor.
Ao falar no encerramento do encontro Jerónimo de Sousa lembrou o artista e pensador e falou da cultura e da forma como é “maltratada pela política da direita”, que teme “o seu imenso potencial de criação, liberdade e transformação”.
É isso, acrescentou, que tem feito o atual Governo, nomeadamente na educação, na informação e comunicação, na ciência, na arte contemporânea, nas culturas artísticas ou no património.
Há, disse Jerónimo de Sousa, “uma ofensiva destruidora” alargada aos serviços públicos da área da cultura, com “cortes brutais” nos Orçamentos de Estado, desmantelando-se e desqualificando-se serviços, que são centralizados e depois requalificados “para o despedimento”. É, acusou, “uma operação de aglomeração para ser mais fácil destruir”.
Jerónimo de Sousa citou depois o “desmantelamento da Direção Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas áreas da cultura, “o que também pode ser entendido como uma censura financeira às artes e à cultura”.
E o resultado desta política está exemplificado nos últimos dados europeus divulgados (Eurobarómetro), disse o responsável: “O que se vê é que estamos a andar para trás e a divergir com outros povos europeu. Estamos no fim da lista”, disse.
“É este o rumo de uma política também de desastre cultural que está em curso. Uma política que não só destrói o que existe como inviabiliza a criação do novo”, disse Jerónimo de Sousa, concluindo que “é tempo de pôr fim” ao “rumo de desastre”, razão que tem levado o partido a pedir com insistência a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa

***«»***
A direita sempre se deu mal com a Cultura. Nutre por ela um ódio de morte. Talvez porque a Cultura seja a sua antítese, ao rejeitar o conservadorismo bacoco e provinciano  e tentando, por outro lado, progredir sempre pelo caminho ousado da descoberta da modernidade, em plena liberdade.
Em Portugal, este governo de direita (o governo mais reacionário do regime democrático), não podendo eliminá-la por decreto, nem puxar por uma pistola, quando dela ouve falar, como dizia o ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, procura asfixiá-la financeiramente e desestruturá-la organicamente, ao nível do aparelho de Estado. O que vem dar ao mesmo.
A Cultura é a expressão da alma de um povo, ao qual está intimamente ligada. Querer liquidá-la, é querer matar esse mesmo povo.
AC

sábado, 14 de dezembro de 2013

‘Funcionários’ de supermercado na África do Sul fazem emocionante homenagem a Nelson Mandela

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A mais emocionante homenagem a Mandela veio do local mais inesperado

O coro musical Soweto Gospel Choir, da África do Sul, preparou um flash mob em homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela. Vestidos como funcionários de um supermercado em Soweto, os membros do grupo começaram a entoar, um a um, a canção “Asimbonanga”, dedicada ao líder.
Os consumidores param para observar e, emocionados, recebem flores. Ao fim do vídeo, todos do coro erguem o punho direito cerrado, símbolo da luta contra o racismo. No vídeo, aparece a mensagem “Hamba Kakuhle, Tata Madiba” (“Vá bem, pai Madiba”, em tradução livre).
A canção foi composta pelo músico sul-africano Johnny Clagg durante os anos 1970, quando Madiba ainda estava na prisão. A letra diz: “Não vimos ele/ Não vimos Mandela/ No lugar onde ele está/ No lugar onde ele é mantido”.
Retirado da página do Facebook de João Azevedo.

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Nunca um líder foi tão amado pelo seu povo, como o foi (e continuará a ser) Nelson Mandela. Em vida, foi grande! Morto, transformou-se num gigante! Já entrou na mitologia dos grandes heróis da Humanidade.
AC

Portugal - Jorge de Sousa Braga - Dito Por Mario Viegas

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Só faltou falar do infante, aquele que bateu na mãe!...

Vídeo retirado da página da "poeta" Maria Azenha.

Pintura: Almada Negreiros [1]

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a seu irmão, D. Duarte, em 1426

Infante D. Pedro

Carta enviada de Bruges, pelo Infante
D. Pedro a D. Duarte, em 1426,
resumo feito por Robert Ricard 
e constante do seu estudo
«L’Infant D. Pedro de Portugal
et “O Livro da Virtuosa Bemfeitoria”»,
in Bulletin des Études Portugaises,
do Institut Français au Portugal,
Nova série, tomo XVII, 1953, pp. 10-11).

«O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na ação do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício.»

Amabilidade de João Fráguas

***«»***
Amigo João:
O Infante D. Pedro foi um dos vultos mais brilhantes da História de Portugal. Os seus ensinamentos, para que Portugal saísse definitivamente do modelo de desenvolvimento da Idade Média, em que dominava a nova e a velha aristocracia, ambas esclerosadas, e se transformasse num Estado moderno, baseado na força do trabalho e na capacidade de iniciativa da nascente burguesia comercial, que reclamava direitos e reformas e uma Justiça mais equitativa, foi, depois, prosseguida com êxito, pelo seu sobrinho-neto, D. João II, outro vulto gigantesco da nossa História - um estadista de uma grande astúcia e possuidor de uma visão política rara.
Um e outro encabeçaram o que hoje se chama de forças progressistas, e que só vieram a ter continuidade efetiva, passados uns séculos, com o Marquês do Pombal (no Iluminismo), com Mouzinho da Silveira (no Liberalismo) e com Afonso Costa (na República).
Os restantes estadistas rastejaram pela vulgar mediania ou pela grosseira e desprezível mediocridade.
Um abraço,
Alexandre

Manuela Ferreira Leite: "Não percebo quando se fala de sucesso"


Manuela Ferreira Leite, a falar na TVI24, diz não perceber “quando se fala de sucesso”. A economista afirma ter uma “divergência profunda com o programa da troika” e acha que “era preciso mais tempo para corrigir o mercado”.
A economista afirmou que o programa de ajuda externa “foi executado num período muito curto” e que “não se conseguiram atingir os objectivos que se pretendiam, ou seja, ficamos só com as más consequências do programa”.

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Eu também não percebo onde está o sucesso do Programa de Estabilidade Económica e Financeira aplicado pela troika a Portugal. O programa não atingiu nenhum dos objetivos pretendidos. Todas as previsões e estimativas estavam erradas e não se confirmaram. E o que é mais grave, é que o país sai mais empobrecido desta agressão, com um nível de desemprego enorme, uma dívida pública agravada, a economia das pequenas e médias empresas destruída, uma mancha de novos pobres a alastrar e um incerto horizonte futuro sem esperança.
Trata-se de uma bárbara guerra financeira, desencadeada contra um povo indefeso, por um inimigo externo poderoso, que contou com a colaboração de um inimigo interno, liderado por traidores.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ferreira do Amaral: “Vai-se chegar à conclusão que não será possível pedir mais sacrifícios aos portugueses”


O economista João Ferreira do Amaral antecipa que se atingirá um limite do esforço que pode ser exigido aos portugueses, criando um conflito entre a sustentabilidade social e as exigências de consolidação orçamental.
“Vai-se chegar à conclusão que não será possível pedir mais sacrifícios aos portugueses”, afirmou Ferreira do Amaral, durante a conferência de apresentação do relatório do Observatório sobre Crises e Alternativas, na Fundação Calouste Gulbenkian. “Como ainda estamos longe de atingir os objectivos de consolidação orçamental, parece-me existir um conflito” entre o equilíbrio social e orçamental.
“Enquanto tivermos uma dívida acima dos limites estaremos sob protectorado. A nossa soberania estará limitada durante décadas. É dizer que o País não terá sustentabilidade política durante anos”, acrescentou. Portugal está numa situação de insustentabilidade “a vários níveis” que “não tem muitos paralelos na nossa História”.
O economista refere que, perante essa insustentabilidade, “há sempre situações de ruptura”. “Uma economia distorcida, com uma moeda que continua a valorizar ao longo do tempo e uma dívida externa elevada não pode funcionar”, sublinhou.


 ***«»***
Os mesmos argumentos, que o economista Ferreira do Amaral esgrimiu, para fundamentar a sua oposição à adoção da moeda única, continuam válidos no momento em que cada vez mais se coloca a questão de Portugal regressar a uma moeda nacional, a fim de recuperar o seu poder monetário e cambial.
Já dissemos aqui, várias vezes, e repetimos. Ao aderir ao euro, Portugal fez a figura daquela criança que vestiu o casaco do pai. Ficava-lhe demasiado grande e sobravam mangas. Um país, como Portugal, com uma produtividade muito inferior à dos países que se tornaram os seus maiores parceiros comerciais, não poderia ser beneficiado no saldo das trocas de bens e serviços. Esse saldo só poderia ter-lhe sido favorável se tivesse uma moeda própria, com um valor ajustado à sua produtividade.
Este postulado é de uma evidência cristalina, em ciência económica, e eu só me admiro como muitas sumidades na matéria andam por aí a desmenti-lo. Só poderá ser por interesse pessoal ou de classe.
AC

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Poema: Aviso número dois_ - por Maria Azenha


Aviso número dois_

Na sala há uma parede escarlate
Nessa parede está escondido o Führer
Alguns cidadãos são então levados
em fatos transparentes para fora de casa
outros arrastam blocos de pedra
contam as feridas em lascas de ferro
Há um lago de sangue quando o sol cega
onde os náufragos da hora se curam e afogam
às vezes fico com a frieza da guerra
sou um número fazendo pressão Contra a parede da sala
Somos cidadãos transparentes É certo
Apagaremos as nossas pegadas Até no  deserto

 © maria azenha

***«»***
Nota: Este seria o único poema que faria tremer a consciência do Führer… 
Maria Azenha tem o condão de construir ambientes, sem recorrer à descrição discursiva. Basta-lhe encontrar as palavras certas para a construção das suas eloquentes metáforas. Neste poema, sobressai o pesadelo do trabalho forçado e o da monstruosidade da guerra, através de palavras recorrentes e incisivas, que definem um cenário dantesco de dor e sofrimento, correspondendo assim, desta forma, à mais correta definição de poesia, em que o mais importante é sugestão implícita do que descrição explanativa. 

A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Opinião: Queremos um país decente - por Paulo Ferreira

Para que a memória não se apague!

“O texto que sustenta a manchete da edição de domingo do "Jornal de Notícias" é o exemplo mais chocante dessa realidade. É difícil imaginar pior. O que a jornalista Inês Schreck escreveu não é um murro no nosso coletivo estômago: é um valente soco nas fundações de um país que abana e ameaça cair. É uma vergonha.
Cito-a: "Há cada vez mais doentes oncológicos em grandes dificuldades económicas. Não têm dinheiro nem para comer, pondo em risco a própria recuperação. Os pedidos de ajuda disparam". Estamos, portanto, a deixar morrer pessoas com cancro que não têm dinheiro para se alimentar, ou para pagar as consultas e os medicamentos de que necessitam.
Cito o presidente do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa contra o Cancro: "Há famílias inteiras que, de um dia para o outro, ficam na miséria, porque o cancro atingiu o único elemento [do agregado familiar] que trabalhava".
Cito o retrato dramático de uma dessas famílias: o pai está inválido e desempregado, a mãe tem um cancro raro e hereditário em estado avançado e duas filhas menores a seu cargo, sendo que uma delas também é doente oncológica. Todos vivem agarrados a uma pensão que não chega aos 300 euros.
Cito, em conclusão, um país que se entretém  com o "reviralhismo de café". Cito um país que deve envergonhar-se de si próprio. Que não é decente”.
Paulo Ferreira

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Contudo, há muitos portugueses que não se escandalizam nem sentem qualquer tipo de vergonha!
Os nazis queimaram os judeus nos fornos crematórios. Este governo infame condena a uma morte silenciosa e dolorosa idosos pobres, portadores de doenças oncológicas. O crime, em ambos os casos, é da mesma natureza. E não pode ter perdão!... 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Agradecimento


Agradeço a diva moraes falcão morais  a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

Homenagem a Nelson Mandela


Um gigante que transformou em anões os seus algozes do passado e todos os hipócritas que falsamente o adulam no presente. Ergueu-se da terra para libertar o seu povo, acabando por iluminar o mundo com o seu humanismo e o seu exemplo. Regressa à terra na apoteose olímpica da sua vitória sobre as forças do Mal. Mesmo morto, Mandela continuará a lutar, porque um homem desta envergadura e desta têmpera nunca morre.
Alexandre de Castro

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Invictus, foi o poema mais famoso de William Ernest Henley, um poeta e jornalista britânico, do século XIX, e que Mandela considerava um poema inspirador. Lia-o sempre, quando necessitava de retemperar a sua coragem. (Descobri este vídeo na página da Silvia Fontes).
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http://www.noticiasaominuto.com/mundo/142696/primeiro-ministro-checo-espera-conseguir-nao-ir-ao-funeral#.UqSXWtJdUWR
Não foi preciso esperar muito tempo, para que um dos tais hipócritas, aos quais me refiro no meu texto de homenagem a Mandela, se revelasse cruamente, através de um traiçoeiro e indiscreto microfone. Também anda por aí mascarado um indígena lusitano, de igual quilate.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Franciscus, un mito en proceso de ensamblaje - por Armando B. Ginés

Cardeal Bergoglio dá a comunhão ao ditador sanguinário Videla 

El neoliberalismo necesita una fachada amable para hacer soportable sus inclemencias ideológicas, sus graves consecuencias sociales y sus descarnadas políticas desplegadas contra los pobres en todo el mundo. La aparición del cardenal Bergoglio como jefe máximo del catolicismo se inscribe en un nuevo paradigma estratégico de las elites mundiales. El cataclismo vital provocado por el neoliberalismo durante los últimos decenios del siglo XX hasta hoy precisa de un contrapeso de alivio para los sufrimientos infligidos a la clase trabajadora y a las capas de población más desfavorecidas. Nadie mejor que el poder católico, con sucursales nacionales repartidas en los cinco continentes, para que haga florecer un renovado mensaje rebosante de esperanzas inconcretas pero muy efectistas que puedan comprar los pobres y marginados para sentir más llevaderas sus penas existenciales. En este sentido, la iglesia católica tiene una experiencia contrastada de siglos al servicio de las elites hegemónicas a través de la historia. Siempre ha considerado a los pobres como sus clientes predilectos, a los que ha neutralizado sus conatos de ira y justicia social a base de bellas doctrinas para que el dolor tuviera una razón de ser trascendente y especial. Los intereses de la sumisión y el silencio paciente aquí en la Tierra tendrían su recompensa en el más allá, en un no lugar indeterminado y eterno llamado cielo por pura convención utilitaria. Este catecismo irracional ha funcionado bien en contextos muy dispares. ¿Por qué ahora no habría de hacerlo por enésima vez y con idéntica fortuna? (Ver aqui texto completo)
Amabilidade de Mário Jorge Neves
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Não esquecer que o Vaticano encontra-se entre os cinco maiores potentados financeiros do mundo e que há uma espúria aliança, embora oculta, entre o papado e sua Cúria e os centros vitais do imperialismo euro-americano. As próprias universidades católicas, que, nos seus cursos de Economia e Gestão, apresentam o neoliberalismo como a melhor doutrina económica, são excelentes veículos da propaganda intelectualizada da ideologia do sistema capitalista, além de fornecerem, em recursos humanos, excelente matéria-prima para as empresas, para os organismos públicos e até para os governos, tal como acontece atualmente em Portugal.
E isto para não falar da estreita coabitação das estruturas eclesiásticas católicas com a maioria dos regimes fascistas do século XX. Benito Mussolini, Hitler, Franco, Salazar, Videla e todos os generais fascistas latino-americanos tiveram sempre a discreta bênção papal. O próprio Papa, Francisco, enquanto cardeal  de Buenos Aires, durante a ditadura dos militares, teria denunciado aos corifeus do regime dois padres progressistas (um deles teria morrido às mãos dos carrascos).
AC

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

PCP diz que Governo vai "mais longe" que ditadura fascista com privatização dos CTT


O PCP acusou hoje o Governo de ir mais longe que a ditadura fascista no que à privatização dos CTT diz respeito, com os sociais-democratas a assinalarem que os CTT vão ser vendidos com uma valorização de 100% do seu capital.
"No que diz respeito aos CTT e ao serviço público postal, este Governo atreve-se a ir mais longe do que foi a própria ditadura fascista. Pela primeira vez em cinco séculos de história, os correios são entregues aos interesses privados dos grupos económicos", acusou o deputado comunista Bruno Dias em intervenção no parlamento.
O parlamentar criticou na sua intervenção o "obsceno espetáculo de enriquecimento de alguns à custa do empobrecimento de quase todos", num "processo verdadeiramente escandaloso de submissão total do interesse público, em que tudo vale para favorecer este vergonhoso negócio".
Na resposta, o deputado do PSD Luís Menezes, reconhecendo o "mar ideológico" que separa as posições dos sociais-democratas e dos comunistas, disse que o Estado receberá com esta venda "quase aquilo que receberia por 12 anos de dividendos futuros", ficando ainda com 30% do capital dos CTT.
O parlamentar "laranja", que registou a coerência do PCP sobre esta matéria, acusou o PS de "falta de vergonha" porque em todos os Programas de Estabilidade e Crescimento (PEC) dos socialistas estava inscrita "preto no branco a privatização dos CTT".
A venda das ações dos CTT - Correios de Portugal permitiu um encaixe de 579 milhões de euros, disse hoje o presidente executivo da empresa, Francisco Lacerda.

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Nesta notícia, sobre a privatização dos CTT, valioso património material e imaterial do país, ao serviço do bem público, assinalam-se bem as clivagens políticas e ideológicas existentes entre os três maiores partidos, e que traduzem as próprias clivagens da sociedade portuguesa.
Enquanto o PCP se opõe com determinação à privatização, pela simples razão de que a gestão privada de um bem público, ficando sujeita à lei do lucro, acaba por prejudicar o sentido social da prestação de serviços desse mesmo bem, e que, no caso vertente, se traduz no encerramento de centenas de postos de atendimento integrais nas zonas do território nacional, com menor densidade demográfica, prejudicando assim as populações mais isoladas, normalmente de escassos rendimentos, o PSD, pelo contrário, remete a sua parca argumentação para a narrativa da contabilidade de mercearia, vangloriando-se de que, com o encaixe da privatização, o Estado arrecadou, de uma assentada, doze anos de dividendos futuros. Esqueceu-se o deputado falante de que esse encaixe é irrepetível e que Portugal não acaba daqui por doze anos, sendo o ónus, nesta perspetiva financeira, atirado, mais uma vez, para as gerações futuras.
Já o Partido Socialista tem o que merece, e aí, o deputado laranja até tem razão, já que o Partido Socialista, que perdeu as suas matrizes ideológicas fundadoras, é sempre aquele partido que é e não é, que diz e não diz, que faz e não faz, debatendo-se eternamente com o seu shakespeariano conflito íntimo, do Ser ou não Ser, o que está a tolher-lhe a capacidade de iniciativa para se assumir como um verdadeiro partido de oposição.
AC

Petição [da Intersindical] Contra o Encerramento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo



O anúncio feito, pelo Ministro da Defesa Aguiar Branco, do encerramento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), representa um crime minuciosamente preparado a executar pelo governo contra os trabalhadores, a região, a construção naval e a economia nacional.
Os ENVC, são a única empresa de construção naval em Portugal, com 69 anos de trabalho, com centenas de navios construídos e milhares de reparações executadas ao longo da sua existência.
Ao liquidar uma empresa viável e estratégica da indústria nacional com capacidade de projecto e tecnologicamente preparada para responder às exigências de qualidade imposta pelos padrões actuais, da construção naval mundial, o governo não só prossegue a destruição do tecido produtivo como hipoteca o desenvolvimento económico do país e a independência nacional. 
O governo tem de responder perante os portugueses, pelos prejuízos que vai causar à economia do país à região e aos trabalhadores. 
Os peticionários consideram indispensável a suspensão deste processo, e o repensar de uma outra estratégica para os ENVC e para a construção naval em Portugal.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Poema: COMPANHEIROS - por Mia Couto


COMPANHEIROS

Quero
escrever-me de homens
quero
calçar-me de terra
quero ser
a estrada marinha
que prossegue depois do último caminho

e quando ficar sem mim
não terei escrito
senão por vós
irmãos de um sonho
por vós
que não sereis derrotados

deixo
a paciência dos rios
a idade dos livros

mas não lego
mapa nem bússola
porque andei sempre
sobre meus pés
e doeu-me
às vezes
viver
hei-de inventar
um verso que vos faça justiça

por ora
basta-me o arco-íris

em que vos sonho
basta-te saber que morreis demasiado
por viverdes de menos
mas que permaneceis sem preço

companheiros 

MIA COUTO

Uma escolha da "poeta" Sónia M
***«»***
Um poema épico, que prescinde da linguagem épica, para evitar estilos estereotipados. Com agrado, regista-se a originalidade.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Minhas notas: É possível que alguém acenda o fósforo...


As grandes mudanças na História são impulsionadas pelos povos, quando adquirem a necessária maturidade política, decorrente da sua situação desesperada, e que são enquadradas por lideranças que se opõem ao sistema a derrubar. Será por um dos países do sul da Europa que a corda irá partir, e, logo a seguir, suceder-se-ão séries de efeitos miméticos imprevisíveis. É como os incêndios na floresta. Basta um fósforo para atear as labaredas, mas ninguém poderá dizer a direção que o fogo vai tomar, tal é a imprevisibilidade da direção dos ventos.
A agitação social, fruto do descontentamento e do desespero, está a crescer, e, em 2014, face à dureza das políticas de austeridade, que, à partida, se sabe serem infrutíferas, em relação aos objetivos governamentais, é possível que alguém acenda o fósforo.

1 de Dezembro de 2013 – Comentário publicado no blogue Ladrões de Bicicletas.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Islândia: Um pequeno povo!... Um grande povo!... Não se ajoelhou!...


Islândia corta até 24 mil euros nas hipotecas de famílias com empréstimos

O Governo islandês anunciou sábado ir cortar até 24.000 euros na hipoteca de cada família com empréstimos à habitação, uma promessa da campanha eleitoral apesar das advertências internacionais contra o plano.
O custo da medida está estimado em cerca de 900 milhões de euros e será financiado com impostos sobre os bancos e fundos de gestão de ativos dos bancos que faliram durante a crise financeira de 2008, salientou o Governo.
O Partido Progressista, do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson, vencedor das eleições de abril, tinha prometido aliviar a dívida das famílias, o que ajudou à conquista de votos na campanha.
O chefe do Governo disse após tomar posse que a medida não iria afetar as contas públicas e sugeriu de imediato que fossem os credores dos bancos islandeses a suportar a despesa.
O anúncio do corte da hipoteca levantou as vozes críticas de várias organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional, mas as autoridades do país estão determinadas em levar o projeto em frente.
Muitas famílias islandesas lutam com dificuldade para pagarem os seus empréstimos indexados à inflação e que pareciam seguros antes da crise de 2008 e que aumentaram acentuadamente depois do colapso da coroa islandesa face a outras moedas.
Atualmente, segundo os dados oficiais, a dívida das famílias corresponde a 108% do Produto Interno Bruto, uma percentagem alta na comparação internacional.
Com esta medida, que começará a ser aplicada em meados de 2014, o Governo pretende aumentar o rendimento disponível às famílias e incentivar a poupança.

***«»***
Uma medida corajosa, inteligente e amiga da economia, e que não vai agravar as contas públicas. Corajosa, porque é mais um país a desafiar, e, nesta crise, pela segunda vez, o poder sacralizado do capitalismo financeiro internacional, que começou logo a rosnar, através do seu braço institucional, o FMI. Inteligente e amiga da economia, porque aumenta o rendimento disponível das famílias, o que vai promover o crescimento económico, através da poupança, do consumo e, até, do pequeno investimento. Não vai agravar as contas públicas, porque serão os bancos privados a suportar os respetivos custos, esses mesmos bancos que causaram a crise. 
Decididamente, a Islândia não é uma boa aluna! É uma borbulha de rebeldia! 
O povo islandês não importou os burros mirandeses, a que o jornalista norte-americano fez referência na reportagem do The New York Times, sobre Portugal! 
O povo da Islândia lutou pela sua dignidade, que os seus alarves banqueiros agrediram!... 
O povo islandês não se ajoelhou!... 

Acordai, portugueses!