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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O engenho faz a Arte...
Amabilidade do João Fráguas, que enviou este vídeo.
**
O árbitro nem sequer tinha um apito!...
Extraordinária peça cinematográfica, contada apenas por imagens, que é o que marca a originalidade da forma de expressão da Sétima Arte.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Poema: Marlene Antes de se deitar - por Maria Azenha
![]() |
NATAL..sem fronteiras - Pintura em acrilico
s/tela
|
Marlene Antes de
se deitar
Marlene Antes
de se deitar
beija de pé trinta santinhos
que estão na cómoda do quarto
beija de pé trinta santinhos
que estão na cómoda do quarto
encostados uns aos outros
lado a lado
e a uma boneca de pano
não podem olhar para o espelho
há uma cama muito estreita
e uma mesa de cabeceira
com um candeeiro a fingir de estrela
por cima Do presépio
os livros de Marlene muito magrinhos
vão fazer quase cem anos
estão montados numa estante feita de madeira
com os pãezinhos de Santo António e resmas
de papéis torcidos
o
meu pai que já morreu
diz-me que isto é um perfeito Disparate
que um dia vou ser castigada
e obrigada a ler romances de cavalaria
diz-me que isto é um perfeito Disparate
que um dia vou ser castigada
e obrigada a ler romances de cavalaria
Disparate
ou não acredito obviamente
na Ressurreição dos políticos
a confirmar
a televisão de Marlene está sempre no mesmo sítio
na Ressurreição dos políticos
a confirmar
a televisão de Marlene está sempre no mesmo sítio
Marlene Nunca
escreveu uma carta à júlia pinheiro
nem à fátima lopes nem ao sr. aníbal não é o da mercearia
porque em pequena foi obrigada
a fazer cópias e camisolas e outros trabalhos forçados
nem à fátima lopes nem ao sr. aníbal não é o da mercearia
porque em pequena foi obrigada
a fazer cópias e camisolas e outros trabalhos forçados
hoje
em dia olha para as pessoas
aos encontrões de santinhos
ela faz muitos cachecóis para o frio
e eu penso que estou a abraçar Marlene
na rua do Crucifixo
aos encontrões de santinhos
ela faz muitos cachecóis para o frio
e eu penso que estou a abraçar Marlene
na rua do Crucifixo
depois
disto é preciso muito cuidado
passei a usar uma pala lateral nos olhos
faz-me falta esta prótese
passei a usar uma pala lateral nos olhos
faz-me falta esta prótese
Marlene com
quem algumas vezes falo
disse-me que as baratas este natal andam muito
disse-me que as baratas este natal andam muito
[cabisbaixas
as lojas estão cheias de cócó de pombos
e que nunca mais tinha visto a Branca de neve
só depois percebi a quem se referia
e que nunca mais tinha visto a Branca de neve
só depois percebi a quem se referia
mas
para manter o sigilo
- antes ir para a cadeia do que ser reles -
só me vem à memória a assunção esteves
se calhar é uma encarnação do Esteves da Tabacaria
do Álvaro de Campos
- antes ir para a cadeia do que ser reles -
só me vem à memória a assunção esteves
se calhar é uma encarnação do Esteves da Tabacaria
do Álvaro de Campos
Marlene anda
muito triste e aborrecida
porque ninguém lhe liga e a santa casa da Misericórdia
manda-lhe comida a mais
porque ninguém lhe liga e a santa casa da Misericórdia
manda-lhe comida a mais
a
irmã que se chama Carminho
tem muitas vertigens e a mania de partir a cabeça
está quase sempre na prisão do sofá
com o saco de água quente nas mãos
debruado a ponto cruz
vai fazer noventa e nove anos
está cheia de pressa para conhecer s.josé
tem muitas vertigens e a mania de partir a cabeça
está quase sempre na prisão do sofá
com o saco de água quente nas mãos
debruado a ponto cruz
vai fazer noventa e nove anos
está cheia de pressa para conhecer s.josé
é
por isso que Abel mata Caim que por sua vez ressuscita
[Abel
tenho
muita pena de Marlene e do menino Jesus
porque não têm nenhuma doença mental
porque não têm nenhuma doença mental
às
vezes penso que devia ter conhecido o Edward Hopper
***«»***
Nota: A “poeta” estilhaçou o Natal, partindo
todos espelhos seculares, onde nos mirávamos uma vez por ano, vestidos a
preceito, para figurarmos nos presépios de plasticina e olhando para aquela
noite, julgando-a diferente das outras, só porque no céu havia um candeeiro a
fingir de estrela. A partir deste momento, o melhor será deitar para os
caixotes do lixo da Marlene, da irmã da Marlene, que se chama Caminho, da
assunção esteves, que não é uma encarnação do Esteves da Tabacaria do Álvaro de
Campos, e para a latrina do cavaco as lantejoulas, as luzinhas a piscar e todos
os livros com mais de cem anos, que nunca foram lidos.
Aguardemos que a Marlene escreva uma carta à júlia pinheiro e à fátima lopes e que Caim ressuscite Abel, para que as baratas, nos próximos natais, não andem cabisbaixas.
...
Quem foi que disse que a Poesia não era subversão? É na subversão dos temas e das formas que a Poesia se reinventa. Foi o que fez Maria Azenha neste poema, ao desmistificar a festa natalícia e deixando o Natal pelas ruas da amargura, algures, na cidade de Lisboa, num esgoto, entre a Rua da Madalena e a Rua do Crucifixo.
Maria Azenha tem sempre uma forma superior de encher o Verbo, estilhaçando a realidade e encontrando uma nova ordem para os cacos.
Aguardemos que a Marlene escreva uma carta à júlia pinheiro e à fátima lopes e que Caim ressuscite Abel, para que as baratas, nos próximos natais, não andem cabisbaixas.
...
Quem foi que disse que a Poesia não era subversão? É na subversão dos temas e das formas que a Poesia se reinventa. Foi o que fez Maria Azenha neste poema, ao desmistificar a festa natalícia e deixando o Natal pelas ruas da amargura, algures, na cidade de Lisboa, num esgoto, entre a Rua da Madalena e a Rua do Crucifixo.
Maria Azenha tem sempre uma forma superior de encher o Verbo, estilhaçando a realidade e encontrando uma nova ordem para os cacos.
Atenção, guardiães da Ordem Pública: a Poesia está viva, porque ela é eminentemente subversiva!...
AC
A "poeta" maria
azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Jugular - Reis Novais: Direito constitucional para manequins
Será útil ouvir a voz avisada do Professor Reis Novais, em vésperas de uma decisão do Tribunal Constitucional (TC), (que,certamente, será histórica), sobre os pedidos de fiscalização preventiva de normas constantes no Orçamento de Estado de 2014.
Espera-se que o TC não deixe impressionar-se pela chantagem movida pelo governo de Passos Coelho, pela comissão europeia, através da voz do português Durão Barroso, e pelas quadrilhas de políticos e comentadores, para quem a Constituição da República é um empecilho a impedir a satisfação das suas ambições.
O veredito do TC poderá ser o virar de uma página ou, pelo contrário, um simples marcador dessa mesma página. Tudo poderá vir a ser diferente, para o melhor ou para o pior.
AC
AC
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Economie de guerre au Portugal - Cristina Semblano *
Le Portugal est un pays exsangue. Le chômage
officiel, qui approchait les 20%, a diminué ces deux derniers trimestres
«à la faveur» d’une baisse de la population active. Celle-ci est le fruit
d’une émigration de masse dont les flux atteignent, voire dépassent, ceux
des années 60 qui avaient vu un grand exode des Portugais, fuyant
la misère, la dictature et la guerre coloniale (1). La moitié
des chômeurs ne bénéficie pas d’allocation chômage et on compte par milliers
les exclus du revenu minimum d’insertion, des allocations familiales ou du
complément social vieillesse.
(1)
On évalue à 120 000 le nombre de Portugais qui ont émigré en 2012, soit un
exode de 10 000 personnes en moyenne par mois, sur une population de
quelque 10,5 millions d’habitants.
Libération
(Ler aqui texto completo)
***«»***
A ligeira queda da taxa de desemprego, durante
este ano, que o governo e os seus acólitos têm utilizado como argumento para anunciar o início
da retoma e assim pretenderem demonstrar o sucesso das suas políticas de
austeridade, não passa de uma perigosa ilusão estatística, já que, em
acumulado, nos dois últimos dois anos, o número de empregos extintos continua a
ser muito superior ao número de empregos criados, tal como já foi referido
aqui. Esta ligeira queda da taxa de desemrego deve-se à emigração em massa dos jovens (120 mil, em
2012!), grande parte deles, jovens qualificados, em quem a sociedade investiu,
para agora irem contribuir para a criação de riqueza dos países de destino.
Portugal acaba por ser um grande exportador de mão de obra. Trata-se da única
promessa concretizada por Passos Coelho, promessa esta que estava implícita no
seu apelo aos jovens para emigrarem. As outras promessas, aquelas que foram anunciadas na
campanha eleitoral, já o vento as levou, e já nem ele se recorda de as ter
feito.
Portugal está a caminho de completar o período
do ajustamento previsto pelo Programa de Estabilidade Económica e Financeira da
troika (Comissão Europeia, Fundo
Monetário Internacional e Banco Central Europeu), e nenhum dos objetivos
constantes no Memorando de Entendimento,
assinado pelos partidos do arco da traição PS/PSD/CDS), vai ser cumprido, o que
quer dizer que as políticas prosseguidas estavam erradas, tal como muitos de
nós previmos em devido tempo. E esse erro monumental, de quem concebeu, aprovou
e aplicou essas malsãs políticas de austeridade, vai ser pago, novamente, pela
maioria dos portugueses, continuando os banqueiros, os causadores da crise
financeira, a ficar imunes a qualquer sacrifício e a um qualquer castigo.
Na realidade, Portugal está a viver numa
economia de guerra, uma economia de guerra causada por uma guerra financeira,
inspirada pelo novo imperialismo alemão e aplicada por um dos seus braços
políticos, a União Europeia.
AC
domingo, 15 de dezembro de 2013
País em regressão civilizacional e cultural, diz Jerónimo de Sousa
Líder do PCP citou “desmantelamento da Direcção
Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direcção Geral das
Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas
áreas da cultura"
A política do atual Governo é de regressão
económica e social mas também “civilizacional e cultural”, afirmou hoje em
Lisboa o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
“Na cultura a situação é hoje de profunda crise
e de abandono de qualquer perspetiva real da sua democratização. Olhe-se para
onde se olhar é a política de destruição que impera”, disse o responsável numa
sessão evocativa de Álvaro Cunhal, antigo secretário-geral do partido, que
morreu em 2005.
No ano em que faria 100 anos se fosse vivo,
porque nasceu a 10 de novembro de 1913, o PCP tem organizado iniciativas para o
lembrar, uma delas hoje ao juntar intelectuais e artistas para debater
precisamente o tema “Álvaro Cunhal, o intelectual e o artista”, no âmbito da
qual se falou da sua faceta de escritor, pintor, músico e até tradutor.
Ao falar no encerramento do encontro Jerónimo de
Sousa lembrou o artista e pensador e falou da cultura e da forma como é
“maltratada pela política da direita”, que teme “o seu imenso potencial de
criação, liberdade e transformação”.
É isso, acrescentou, que tem feito o atual
Governo, nomeadamente na educação, na informação e comunicação, na ciência, na
arte contemporânea, nas culturas artísticas ou no património.
Há, disse Jerónimo de Sousa, “uma ofensiva
destruidora” alargada aos serviços públicos da área da cultura, com “cortes
brutais” nos Orçamentos de Estado, desmantelando-se e desqualificando-se
serviços, que são centralizados e depois requalificados “para o despedimento”.
É, acusou, “uma operação de aglomeração para ser mais fácil destruir”.
Jerónimo de Sousa citou depois o
“desmantelamento da Direção Geral do Património Cultural” e “as limitações
impostas à Direção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de
retirada total do Estado nas áreas da cultura, “o que também pode ser entendido
como uma censura financeira às artes e à cultura”.
E o resultado desta política está exemplificado
nos últimos dados europeus divulgados (Eurobarómetro), disse o responsável: “O
que se vê é que estamos a andar para trás e a divergir com outros povos
europeu. Estamos no fim da lista”, disse.
“É este o rumo de uma política também de
desastre cultural que está em curso. Uma política que não só destrói o que
existe como inviabiliza a criação do novo”, disse Jerónimo de Sousa, concluindo
que “é tempo de pôr fim” ao “rumo de desastre”, razão que tem levado o partido
a pedir com insistência a demissão do Governo e a realização de eleições
antecipadas.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo
acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa
***«»***
A direita sempre se deu mal com a Cultura. Nutre
por ela um ódio de morte. Talvez porque a Cultura seja a sua antítese, ao
rejeitar o conservadorismo bacoco e provinciano e tentando, por outro lado, progredir sempre pelo caminho
ousado da descoberta da modernidade, em plena liberdade.
Em Portugal, este governo de direita (o governo
mais reacionário do regime democrático), não podendo eliminá-la por decreto,
nem puxar por uma pistola, quando dela ouve falar, como dizia o ministro da
Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, procura asfixiá-la financeiramente e desestruturá-la
organicamente, ao nível do aparelho de Estado. O que vem dar ao mesmo.
A Cultura é a expressão da alma de um povo, ao
qual está intimamente ligada. Querer liquidá-la, é querer matar esse mesmo
povo.
AC
sábado, 14 de dezembro de 2013
‘Funcionários’ de supermercado na África do Sul fazem emocionante homenagem a Nelson Mandela
**
A mais emocionante homenagem a Mandela veio do local mais
inesperado
O coro musical Soweto Gospel Choir, da África do
Sul, preparou um flash mob em homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela.
Vestidos como funcionários de um supermercado em Soweto, os membros do grupo
começaram a entoar, um a um, a canção “Asimbonanga”, dedicada ao líder.
Os consumidores param para observar e,
emocionados, recebem flores. Ao fim do vídeo, todos do coro erguem o punho
direito cerrado, símbolo da luta contra o racismo. No vídeo, aparece a mensagem
“Hamba Kakuhle, Tata Madiba” (“Vá bem, pai Madiba”, em tradução livre).
A canção foi composta pelo músico sul-africano
Johnny Clagg durante os anos 1970, quando Madiba ainda estava na prisão. A
letra diz: “Não vimos ele/ Não vimos Mandela/ No lugar onde ele está/ No lugar
onde ele é mantido”.
Retirado
da página do Facebook de João Azevedo.
***«»***
Nunca um líder foi tão amado pelo seu povo, como
o foi (e continuará a ser) Nelson Mandela. Em vida, foi grande! Morto,
transformou-se num gigante! Já entrou na mitologia dos grandes heróis da
Humanidade.
AC
AC
Portugal - Jorge de Sousa Braga - Dito Por Mario Viegas
**
Só faltou falar do infante, aquele que bateu na mãe!...
Vídeo
retirado da página da "poeta" Maria Azenha.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a seu irmão, D. Duarte, em 1426
![]() |
| Infante D. Pedro |
Carta enviada de Bruges, pelo
Infante
D. Pedro a D. Duarte, em 1426,
resumo feito por Robert
Ricard
e constante do seu estudo
«L’Infant D. Pedro de Portugal
et “O Livro da Virtuosa
Bemfeitoria”»,
in Bulletin des Études
Portugaises,
do Institut Français au Portugal,
Nova série, tomo XVII, 1953, pp.
10-11).
«O governo do Estado deve basear-se nas quatro
virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é
satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o
despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas
que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um
salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles
cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número
de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma
que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de
inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois
anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de
D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que
têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça
deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É
principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o
grande mal está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar
sobretudo na ação do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que
a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou.
Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que
fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas
exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de
animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de
ofício.»
Amabilidade
de João Fráguas
***«»***
Amigo João:
O Infante D. Pedro foi um dos vultos mais
brilhantes da História de Portugal. Os seus ensinamentos, para que Portugal
saísse definitivamente do modelo de desenvolvimento da Idade Média, em que
dominava a nova e a velha aristocracia, ambas esclerosadas, e se transformasse num
Estado moderno, baseado na força do trabalho e na capacidade de iniciativa da
nascente burguesia comercial, que reclamava direitos e reformas e uma Justiça
mais equitativa, foi, depois, prosseguida com êxito, pelo seu sobrinho-neto, D.
João II, outro vulto gigantesco da nossa História - um estadista de uma grande
astúcia e possuidor de uma visão política rara.
Um e outro encabeçaram o que hoje se chama de
forças progressistas, e que só vieram a ter continuidade efetiva, passados uns
séculos, com o Marquês do Pombal (no Iluminismo), com Mouzinho da Silveira (no
Liberalismo) e com Afonso Costa (na República).
Os restantes estadistas rastejaram pela vulgar mediania
ou pela grosseira e desprezível mediocridade.
Um abraço,
Alexandre
Manuela Ferreira Leite: "Não percebo quando se fala de sucesso"
Manuela Ferreira Leite, a falar na TVI24, diz
não perceber “quando se fala de sucesso”. A economista afirma ter uma
“divergência profunda com o programa da troika” e acha que “era preciso mais
tempo para corrigir o mercado”.
A economista afirmou que o programa de ajuda
externa “foi executado num período muito curto” e que “não se conseguiram
atingir os objectivos que se pretendiam, ou seja, ficamos só com as más
consequências do programa”.
***«»***
Eu também não percebo onde está o sucesso do
Programa de Estabilidade Económica e Financeira aplicado pela troika a
Portugal. O programa não atingiu nenhum dos objetivos pretendidos. Todas as
previsões e estimativas estavam erradas e não se confirmaram. E o que é mais
grave, é que o país sai mais empobrecido desta agressão, com um nível de
desemprego enorme, uma dívida pública agravada, a economia das pequenas e
médias empresas destruída, uma mancha de novos pobres a alastrar e um incerto horizonte
futuro sem esperança.
Trata-se de uma bárbara guerra financeira, desencadeada contra um povo indefeso, por um inimigo externo poderoso, que contou com a colaboração de um inimigo interno, liderado por traidores.
Trata-se de uma bárbara guerra financeira, desencadeada contra um povo indefeso, por um inimigo externo poderoso, que contou com a colaboração de um inimigo interno, liderado por traidores.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Ferreira do Amaral: “Vai-se chegar à conclusão que não será possível pedir mais sacrifícios aos portugueses”
O economista João Ferreira do Amaral antecipa
que se atingirá um limite do esforço que pode ser exigido aos portugueses,
criando um conflito entre a sustentabilidade social e as exigências de
consolidação orçamental.
“Vai-se chegar à conclusão que não será possível
pedir mais sacrifícios aos portugueses”, afirmou Ferreira do Amaral, durante a
conferência de apresentação do relatório do Observatório sobre Crises e
Alternativas, na Fundação Calouste Gulbenkian. “Como ainda estamos longe de
atingir os objectivos de consolidação orçamental, parece-me existir um
conflito” entre o equilíbrio social e orçamental.
“Enquanto tivermos uma dívida acima dos limites
estaremos sob protectorado. A nossa soberania estará limitada durante décadas.
É dizer que o País não terá sustentabilidade política durante anos”,
acrescentou. Portugal está numa situação de insustentabilidade “a vários
níveis” que “não tem muitos paralelos na nossa História”.
O economista refere que, perante essa
insustentabilidade, “há sempre situações de ruptura”. “Uma economia distorcida,
com uma moeda que continua a valorizar ao longo do tempo e uma dívida externa
elevada não pode funcionar”, sublinhou.
***«»***
Os mesmos argumentos, que o economista Ferreira
do Amaral esgrimiu, para fundamentar a sua oposição à adoção da moeda única,
continuam válidos no momento em que cada vez mais se coloca a questão de
Portugal regressar a uma moeda nacional, a fim de recuperar o seu poder
monetário e cambial.
Já dissemos aqui, várias vezes, e repetimos. Ao
aderir ao euro, Portugal fez a figura daquela criança que vestiu o casaco do
pai. Ficava-lhe demasiado grande e sobravam mangas. Um país, como Portugal, com
uma produtividade muito inferior à dos países que se tornaram os seus maiores
parceiros comerciais, não poderia ser beneficiado no saldo das trocas de bens e
serviços. Esse saldo só poderia ter-lhe sido favorável se tivesse uma moeda própria, com
um valor ajustado à sua produtividade.
Este postulado é de uma evidência cristalina, em
ciência económica, e eu só me admiro como muitas sumidades na matéria andam por
aí a desmenti-lo. Só poderá ser por interesse pessoal ou de classe.
AC
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Poema: Aviso número dois_ - por Maria Azenha
Aviso número dois_
Na
sala há uma parede escarlate
Nessa parede está escondido o Führer
Alguns cidadãos são então levados
em fatos transparentes para fora de casa
outros arrastam blocos de pedra
contam as feridas em lascas de ferro
Há um lago de sangue quando o sol cega
onde os náufragos da hora se curam e afogam
Nessa parede está escondido o Führer
Alguns cidadãos são então levados
em fatos transparentes para fora de casa
outros arrastam blocos de pedra
contam as feridas em lascas de ferro
Há um lago de sangue quando o sol cega
onde os náufragos da hora se curam e afogam
às
vezes fico com a frieza da guerra
sou um número fazendo pressão Contra a parede da sala
sou um número fazendo pressão Contra a parede da sala
Somos
cidadãos transparentes É certo
Apagaremos as nossas pegadas Até no deserto
Apagaremos as nossas pegadas Até no deserto
©
maria azenha
***«»***
Nota: Este seria o único poema que faria tremer
a consciência do Führer…
Maria Azenha tem o condão de construir ambientes, sem recorrer à descrição discursiva. Basta-lhe encontrar as palavras certas para a construção das suas eloquentes metáforas. Neste poema, sobressai o pesadelo do trabalho forçado e o da monstruosidade da guerra, através de palavras recorrentes e incisivas, que definem um cenário dantesco de dor e sofrimento, correspondendo assim, desta forma, à mais correta definição de poesia, em que o mais importante é sugestão implícita do que descrição explanativa.
Maria Azenha tem o condão de construir ambientes, sem recorrer à descrição discursiva. Basta-lhe encontrar as palavras certas para a construção das suas eloquentes metáforas. Neste poema, sobressai o pesadelo do trabalho forçado e o da monstruosidade da guerra, através de palavras recorrentes e incisivas, que definem um cenário dantesco de dor e sofrimento, correspondendo assim, desta forma, à mais correta definição de poesia, em que o mais importante é sugestão implícita do que descrição explanativa.
A "poeta" maria
azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Opinião: Queremos um país decente - por Paulo Ferreira
![]() |
| Para que a memória não se apague! |
“O texto que sustenta a manchete da edição de
domingo do "Jornal de Notícias" é o exemplo mais chocante dessa
realidade. É difícil imaginar pior. O que a jornalista Inês Schreck escreveu
não é um murro no nosso coletivo estômago: é um valente soco nas fundações de
um país que abana e ameaça cair. É uma vergonha.
Cito-a: "Há cada vez mais doentes
oncológicos em grandes dificuldades económicas. Não têm dinheiro nem para
comer, pondo em risco a própria recuperação. Os pedidos de ajuda
disparam". Estamos, portanto, a deixar morrer pessoas com cancro que não
têm dinheiro para se alimentar, ou para pagar as consultas e os medicamentos de
que necessitam.
Cito o presidente do Núcleo Regional do Norte da
Liga Portuguesa contra o Cancro: "Há famílias inteiras que, de um dia para
o outro, ficam na miséria, porque o cancro atingiu o único elemento [do
agregado familiar] que trabalhava".
Cito o retrato dramático de uma dessas famílias:
o pai está inválido e desempregado, a mãe tem um cancro raro e hereditário em
estado avançado e duas filhas menores a seu cargo, sendo que uma delas também é
doente oncológica. Todos vivem agarrados a uma pensão que não chega aos 300
euros.
Cito, em conclusão, um país que se entretém com o "reviralhismo de café". Cito
um país que deve envergonhar-se de si próprio. Que não é decente”.
Paulo
Ferreira
***«»***
Contudo, há muitos portugueses que não se
escandalizam nem sentem qualquer tipo de vergonha!
Os nazis queimaram os judeus nos fornos
crematórios. Este governo infame condena a uma morte silenciosa e dolorosa idosos pobres, portadores
de doenças oncológicas. O crime, em ambos os casos, é da mesma natureza. E não
pode ter perdão!...
sábado, 7 de dezembro de 2013
Agradecimento
Agradeço a diva moraes falcão morais a amabilidade de ter aderido
ao Alpendre da Lua, como
amiga/seguidora.
Homenagem a Nelson Mandela
Um gigante que transformou em anões os seus
algozes do passado e todos os hipócritas que falsamente o adulam no presente.
Ergueu-se da terra para libertar o seu povo, acabando por iluminar o mundo com
o seu humanismo e o seu exemplo. Regressa à terra na apoteose olímpica da sua
vitória sobre as forças do Mal. Mesmo morto, Mandela continuará a lutar, porque
um homem desta envergadura e desta têmpera nunca morre.
Alexandre de Castro
***«»***
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Invictus, foi o poema mais famoso de William Ernest Henley, um poeta e jornalista britânico, do século XIX, e que Mandela considerava um poema inspirador. Lia-o sempre, quando necessitava de retemperar a sua coragem. (Descobri este vídeo na página da Silvia Fontes).
**
http://www.noticiasaominuto.com/mundo/142696/primeiro-ministro-checo-espera-conseguir-nao-ir-ao-funeral#.UqSXWtJdUWR
http://www.noticiasaominuto.com/mundo/142696/primeiro-ministro-checo-espera-conseguir-nao-ir-ao-funeral#.UqSXWtJdUWR
Não foi preciso esperar muito tempo, para que um
dos tais hipócritas, aos quais me refiro no meu texto de homenagem a Mandela, se
revelasse cruamente, através de um traiçoeiro e indiscreto microfone. Também
anda por aí mascarado um indígena lusitano, de igual quilate.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Franciscus, un mito en proceso de ensamblaje - por Armando B. Ginés
![]() |
| Cardeal Bergoglio dá a comunhão ao ditador sanguinário Videla |
El neoliberalismo necesita una fachada amable
para hacer soportable sus inclemencias ideológicas, sus graves consecuencias
sociales y sus descarnadas políticas desplegadas contra los pobres en todo el
mundo. La aparición del cardenal Bergoglio como jefe máximo del
catolicismo se inscribe en un nuevo paradigma estratégico de las elites
mundiales. El cataclismo vital provocado por el neoliberalismo durante los
últimos decenios del siglo XX hasta hoy precisa de un contrapeso de alivio para
los sufrimientos infligidos a la clase trabajadora y a las capas de población
más desfavorecidas. Nadie mejor que el poder católico, con sucursales
nacionales repartidas en los cinco continentes, para que haga florecer un renovado
mensaje rebosante de esperanzas inconcretas pero muy efectistas que puedan
comprar los pobres y marginados para sentir más llevaderas sus penas
existenciales. En este sentido, la iglesia católica tiene una experiencia
contrastada de siglos al servicio de las elites hegemónicas a través de la
historia. Siempre ha considerado a los pobres como sus clientes predilectos, a
los que ha neutralizado sus conatos de ira y justicia social a base de bellas
doctrinas para que el dolor tuviera una razón de ser trascendente y especial.
Los intereses de la sumisión y el silencio paciente aquí en la Tierra tendrían
su recompensa en el más allá, en un no lugar indeterminado y eterno
llamado cielo por pura convención utilitaria. Este catecismo irracional ha
funcionado bien en contextos muy dispares. ¿Por qué ahora no habría de hacerlo
por enésima vez y con idéntica fortuna? (Ver aqui texto completo)
In Rebelión
Amabilidade
de Mário Jorge Neves
***«»***
Não esquecer que o Vaticano encontra-se entre os
cinco maiores potentados financeiros do mundo e que há uma espúria aliança,
embora oculta, entre o papado e sua Cúria e os centros vitais do imperialismo
euro-americano. As próprias universidades católicas, que, nos seus cursos de
Economia e Gestão, apresentam o neoliberalismo como a melhor doutrina
económica, são excelentes veículos da propaganda intelectualizada da ideologia do sistema
capitalista, além de fornecerem, em recursos humanos, excelente matéria-prima
para as empresas, para os organismos públicos e até para os governos, tal como
acontece atualmente em Portugal.
E isto para não falar da estreita coabitação das
estruturas eclesiásticas católicas com a maioria dos regimes fascistas do
século XX. Benito Mussolini, Hitler, Franco, Salazar, Videla e todos os
generais fascistas latino-americanos tiveram sempre a discreta bênção papal. O
próprio Papa, Francisco, enquanto cardeal de Buenos Aires, durante a ditadura
dos militares, teria denunciado aos corifeus do regime dois padres progressistas (um deles teria
morrido às mãos dos carrascos).
AC
AC
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
PCP diz que Governo vai "mais longe" que ditadura fascista com privatização dos CTT
O PCP acusou hoje o Governo de ir mais longe que
a ditadura fascista no que à privatização dos CTT diz respeito, com os
sociais-democratas a assinalarem que os CTT vão ser vendidos com uma
valorização de 100% do seu capital.
"No que diz respeito aos CTT e ao serviço
público postal, este Governo atreve-se a ir mais longe do que foi a própria
ditadura fascista. Pela primeira vez em cinco séculos de história, os correios
são entregues aos interesses privados dos grupos económicos", acusou o
deputado comunista Bruno Dias em intervenção no parlamento.
O parlamentar criticou na sua intervenção o
"obsceno espetáculo de enriquecimento de alguns à custa do
empobrecimento de quase todos", num "processo verdadeiramente
escandaloso de submissão total do interesse público, em que tudo vale para
favorecer este vergonhoso negócio".
Na resposta, o deputado do PSD Luís Menezes,
reconhecendo o "mar ideológico" que separa as posições dos
sociais-democratas e dos comunistas, disse que o Estado receberá com esta venda
"quase aquilo que receberia por 12 anos de dividendos futuros",
ficando ainda com 30% do capital dos CTT.
O parlamentar "laranja", que registou
a coerência do PCP sobre esta matéria, acusou o PS de "falta de
vergonha" porque em todos os Programas de Estabilidade e Crescimento (PEC)
dos socialistas estava inscrita "preto no branco a privatização dos CTT".
A venda das ações dos CTT - Correios de Portugal
permitiu um encaixe de 579 milhões de euros, disse hoje o presidente executivo
da empresa, Francisco Lacerda.
***«»***
Nesta notícia, sobre a privatização dos CTT, valioso
património material e imaterial do país, ao serviço do bem público, assinalam-se bem as
clivagens políticas e ideológicas existentes entre os três maiores partidos, e
que traduzem as próprias clivagens da sociedade portuguesa.
Enquanto o PCP se opõe com determinação à
privatização, pela simples razão de que a gestão privada de um bem público,
ficando sujeita à lei do lucro, acaba por prejudicar o sentido social da
prestação de serviços desse mesmo bem, e que, no caso vertente, se traduz no
encerramento de centenas de postos de atendimento integrais nas zonas do
território nacional, com menor densidade demográfica, prejudicando assim as
populações mais isoladas, normalmente de escassos rendimentos, o PSD, pelo
contrário, remete a sua parca argumentação para a narrativa da contabilidade de
mercearia, vangloriando-se de que, com o encaixe da privatização, o Estado
arrecadou, de uma assentada, doze anos de dividendos futuros. Esqueceu-se o
deputado falante de que esse encaixe é irrepetível e que Portugal não acaba
daqui por doze anos, sendo o ónus, nesta perspetiva financeira, atirado, mais
uma vez, para as gerações futuras.
Já o Partido Socialista tem o que merece, e aí,
o deputado laranja até tem razão, já que o Partido Socialista, que perdeu as
suas matrizes ideológicas fundadoras, é sempre aquele partido que é e não é,
que diz e não diz, que faz e não faz, debatendo-se eternamente com o seu shakespeariano
conflito íntimo, do Ser ou não Ser, o
que está a tolher-lhe a capacidade de iniciativa para se assumir como um
verdadeiro partido de oposição.
AC
Petição [da Intersindical] Contra o Encerramento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo
O anúncio feito, pelo Ministro da Defesa Aguiar
Branco, do encerramento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC),
representa um crime minuciosamente preparado a executar pelo governo contra os
trabalhadores, a região, a construção naval e a economia nacional.
Os ENVC, são a única empresa de construção
naval em Portugal, com 69 anos de trabalho, com centenas de navios construídos
e milhares de reparações executadas ao longo da sua existência.
Ao liquidar uma empresa viável e estratégica da indústria nacional com capacidade de projecto e tecnologicamente preparada para responder às exigências de qualidade imposta pelos padrões actuais, da construção naval mundial, o governo não só prossegue a destruição do tecido produtivo como hipoteca o desenvolvimento económico do país e a independência nacional.
Ao liquidar uma empresa viável e estratégica da indústria nacional com capacidade de projecto e tecnologicamente preparada para responder às exigências de qualidade imposta pelos padrões actuais, da construção naval mundial, o governo não só prossegue a destruição do tecido produtivo como hipoteca o desenvolvimento económico do país e a independência nacional.
O governo tem de responder perante os
portugueses, pelos prejuízos que vai causar à economia do país à região e aos
trabalhadores.
Os peticionários consideram indispensável a
suspensão deste processo, e o repensar de uma outra estratégica para os ENVC e
para a construção naval em Portugal.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Poema: COMPANHEIROS - por Mia Couto
COMPANHEIROS
Quero
escrever-me
de homens
quero
calçar-me
de terra
quero
ser
a
estrada marinha
que
prossegue depois do último caminho
e
quando ficar sem mim
não
terei escrito
senão
por vós
irmãos
de um sonho
por
vós
que
não sereis derrotados
deixo
a
paciência dos rios
a
idade dos livros
mas
não lego
mapa
nem bússola
porque
andei sempre
sobre
meus pés
e
doeu-me
às
vezes
viver
hei-de
inventar
um
verso que vos faça justiça
por
ora
basta-me
o arco-íris
em
que vos sonho
basta-te
saber que morreis demasiado
por
viverdes de menos
mas
que permaneceis sem preço
companheiros
MIA COUTO
Uma escolha da
"poeta" Sónia M
***«»***
Um
poema épico, que prescinde da linguagem épica, para evitar estilos
estereotipados. Com agrado, regista-se a originalidade.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Minhas notas: É possível que alguém acenda o fósforo...
As grandes mudanças na História são
impulsionadas pelos povos, quando adquirem a necessária maturidade política,
decorrente da sua situação desesperada, e que são enquadradas por lideranças
que se opõem ao sistema a derrubar. Será por um dos países do sul da Europa que
a corda irá partir, e, logo a seguir, suceder-se-ão séries de efeitos miméticos
imprevisíveis. É como os incêndios na floresta. Basta um fósforo para atear as
labaredas, mas ninguém poderá dizer a direção que o fogo vai tomar, tal é a
imprevisibilidade da direção dos ventos.
A agitação social, fruto do descontentamento e do desespero, está a crescer, e, em 2014, face à dureza das políticas de austeridade, que, à partida, se sabe serem infrutíferas, em relação aos objetivos governamentais, é possível que alguém acenda o fósforo.
A agitação social, fruto do descontentamento e do desespero, está a crescer, e, em 2014, face à dureza das políticas de austeridade, que, à partida, se sabe serem infrutíferas, em relação aos objetivos governamentais, é possível que alguém acenda o fósforo.
1 de Dezembro de 2013 – Comentário publicado no
blogue Ladrões de Bicicletas.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Islândia: Um pequeno povo!... Um grande povo!... Não se ajoelhou!...
Islândia corta até 24 mil euros nas hipotecas de
famílias com empréstimos
O Governo islandês anunciou sábado ir cortar até
24.000 euros na hipoteca de cada família com empréstimos à habitação, uma
promessa da campanha eleitoral apesar das advertências internacionais contra o
plano.
O custo da medida está estimado em cerca de 900
milhões de euros e será financiado com impostos sobre os bancos e fundos de
gestão de ativos dos bancos que faliram durante a crise financeira de 2008,
salientou o Governo.
O Partido Progressista, do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson, vencedor das eleições de abril, tinha prometido aliviar a dívida das famílias, o que ajudou à conquista de votos na campanha.
O Partido Progressista, do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson, vencedor das eleições de abril, tinha prometido aliviar a dívida das famílias, o que ajudou à conquista de votos na campanha.
O chefe do Governo disse após tomar posse que a
medida não iria afetar as contas públicas e sugeriu de imediato que fossem os
credores dos bancos islandeses a suportar a despesa.
O anúncio do corte da hipoteca levantou as vozes
críticas de várias organizações internacionais como o Fundo Monetário
Internacional, mas as autoridades do país estão determinadas em levar o projeto
em frente.
Muitas famílias islandesas lutam com dificuldade
para pagarem os seus empréstimos indexados à inflação e que pareciam seguros
antes da crise de 2008 e que aumentaram acentuadamente depois do colapso da
coroa islandesa face a outras moedas.
Atualmente, segundo os dados oficiais, a dívida
das famílias corresponde a 108% do Produto Interno Bruto, uma percentagem alta
na comparação internacional.
Com esta medida, que começará a ser aplicada em
meados de 2014, o Governo pretende aumentar o rendimento disponível às famílias
e incentivar a poupança.
***«»***
Uma medida corajosa, inteligente e amiga da
economia, e que não vai agravar as contas públicas. Corajosa, porque é mais um
país a desafiar, e, nesta crise, pela segunda vez, o poder sacralizado do
capitalismo financeiro internacional, que começou logo a rosnar, através do seu
braço institucional, o FMI. Inteligente e amiga da economia, porque aumenta o
rendimento disponível das famílias, o que vai promover o crescimento económico,
através da poupança, do consumo e, até, do pequeno investimento. Não vai
agravar as contas públicas, porque serão os bancos privados a suportar os
respetivos custos, esses mesmos bancos que causaram a crise.
Decididamente, a Islândia não é uma boa aluna! É
uma borbulha de rebeldia!
O povo islandês não importou os burros
mirandeses, a que o jornalista norte-americano fez referência na reportagem do
The New York Times, sobre Portugal!
O povo da Islândia lutou pela sua dignidade, que
os seus alarves banqueiros agrediram!...
O povo islandês não se ajoelhou!...
Acordai, portugueses!
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