terça-feira, 26 de março de 2013

“É óbvio que uma moção de censura serve para derrubar o Governo”


Depois de a imprensa ter noticiado que António José Seguro enviou uma carta aos membros da troika em que deixa clara a intenção de derrubar o Governo e de renegociar o memorando, fonte do PS confirmou ao PÚBLICO o teor da missiva, que deverá ser divulgada ainda nesta terça-feira.
“É óbvio que uma moção de censura serve para derrubar o Governo”, disse fonte do partido, explicando que a carta tem uma primeira parte em que “é feito o enquadramento político da moção de censura e em que são explicadas as suas razões”.
A missiva enviada à troika pelo secretário-geral do PS tem uma segunda parte em que se escreve que o partido “honrará todos os compromissos do Estado, mas que pretende renegociar o memorando” subjacente ao programa de ajustamento económico em curso no país desde o pedido de ajuda externa, em Maio de 2011.
“É uma carta dura”, confirmou fonte do partido, explicando que “em princípio deverá ser divulgada hoje [terça-feira]”.
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António José Seguro gosta de escrever cartas à troika! Diz o porta-voz do PS que esta última se trata de uma carta "dura", embora eu diga que é mais uma carta de amor. 
Percebeu-se a intenção de António José Seguro. Pretendeu pedir, a quem na realidade governa Portugal, a devida e respeitosa autorização para derrubar o governo de Passos Coelho. E se a troika disser não, mesmo que de forma subliminar? Talvez seja a oportunidade soberana para a Hitler de saias lhe tirar o tapete, a fim de abrir caminho ao regresso apoteótico de José Sócrates, que sabe enganar melhor os portugueses.

Adenda: Anunciar uma moção de censura ao governo e, ao mesmo tempo, prestar vassalagem às instituições europeias é um tiro de pólvora seca. O tiro apenas faz barulho. E António José Seguro já demonstrou que apenas sabe caçar pardais com uma espingarda de chumbo. A António José Seguro falta-lhe a visão estratégica para perceber que o problema do governo está a montante. O verdadeiro nó górdio é o memorando da troika, que tem de ser firmemente denunciado.

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