terça-feira, 12 de março de 2013

As guerras são sempre antecedidas por grandes crises...


Europa salvou os bancos mas arrisca-se a perder uma geração, diz Martin Schulz
Os países da UE são “campeões do mundo” a fazer cortes, mas não a pensar medidas para o crescimento, diz o presidente do Parlamento Europeu.
A Europa gastou milhões de euros para resgatar os bancos, mas, com a crise e os actuais níveis de desemprego, em particular entre os jovens, arrisca-se a perder uma geração, considera o presidente do Parlamento Europeu.
Em entrevista à Reuters, o alemão Martin Schulz identifica a perda de confiança dos cidadãos na capacidade de a União Europeia resolver os seus problemas como “uma das principais ameaças” da própria UE. “E se a nova geração perde confiança, penso que é a UE que está verdadeiramente em perigo”, diz.

Juncker alerta para "os demónios da guerra" na Europa
O ex-líder do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, admite que a atual crise europeia pode provocar uma nova guerra.
O primeiro-ministro luxemburguês não poupou nas palavras: "Quem acredita que a eterna questão da guerra e paz na Europa não pode voltar a ocorrer, está completamente errado. Os demónios não desapareceram, estão apenas a dormir, como foi demonstrado pela guerra na Bósnia e no Kosovo", afirmou em entrevista publicada este domingo na revista alemã Der Spiegel.
Um alerta reforçado pela forma como a União Europeia, e especialmente a Alemanha, está a lidar com a crise grega: "A forma como alguns políticos alemães se têm referido à Grécia, um país severamente atingido pela crise, deixou feridas profundas na sociedade grega. Da mesma forma, assustou-me ver manifestantes em Atenas receber a chanceler alemã, Angela Merkel, envergando uniformes nazis".

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A guerra já começou. Não com tanques e com canhões, mas com a dívida e com os euros. É uma guerra financeira. Admitir que a UE é um espaço de solidariedade foi (é e continuará a ser) um grande equívoco. É unicamente um espaço de negócio. O Conselho Europeu não é mais do que um conselho de administração de uma grande multinacional, que se chama Eurolândia. E nas suas reuniões só se ouve falar de mercados, orçamentos, dívida soberana e juros. Nas suas reuniões periódicas, semeadas de fraternais abraços e de efusivos beijinhos à chanceler Angela Merkel, as decisões milagrosas, amplamente festejadas, só têm validade até ao dia seguinte. A crua realidade encarrega-se rapidamente de as desmentir e de as tornar obsoletas, exceto aquelas que reforçam as políticas de austeridade dos países periféricos.
A Alemanha de Merkel está a fazer com o euro o que a Alemanha de Hitler não conseguiu fazer com a Wehrmacht. E é nos períodos críticos que os nacionalismos se reacendem. A Alemanha é odiada pelos povos europeus da periferia. Falta uma liderança carismática para atear o rastilho da revolta. Julgo que na íntima consciência de cada um de nós ainda não se desvaneceu a metáfora das "bastilhas" e das "guilhotinas". 
Torna-se hoje evidente que o projeto da UE fracassou irremediavelmente. A Europa esgotou o seu potencial e é um continente envelhecido e anémico, que não vai ultrapassar esta crise, que é, antes de tudo, uma crise económica. Os agentes do capitalismo europeu, principalmente o financeiro, procuram salvar-se, maximizando os rendimentos das mais valias, através da imposição da austeridade aos países mais fragilizados, a fim de apanharem o carrossel  dos países emergentes, onde irão investir. Os povos vão sendo condenados à pobreza.
Mas a História não é uma linha reta. Dá muitas curvas, algumas delas inesperadas, a provocarem sobressaltos e calafrios. No final da década de noventa, do século passado, eu senti que estava a viver o fim de uma época histórica e o início de uma outra, que se apresentava ainda como uma nebulosa, muito difusa. Hoje, sinto que nos aproximamos do ponto de rutura, que impulsionará grandes mudanças. Só não sei qual será o seu sentido.

1 comentário:

Joao C. disse...

Se este tema lhe interessa aconselho-lhe a leitura do livro "Better Angels of Our Nature" de Steven Pinker, infelizmente não traduzido entre nós.

Nele são apresentadas evidencias de que estamos a caminho de um mundo mais pacifico, e que a desigualdade entre as pessoas é uma causa muito mais forte para a guerra que as crises em si, quando todos pagam por igual as desgraças.