quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Notas do meu rodapé: A terceira geração pós-25 de Abril está aí.

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A maioria dos participantes na manifestação da última segunda feira, em frente à Assembleia da República, era constituída por jovens à volta dos vinte anos, o que de forma evidente contrasta com o perfil etário dos participantes das ritualizadas manifestações do passado. Pode falar-se já de uma terceira geração, depois do 25 de Abril, que descobriu de repente que lhe querem roubar o futuro. Sem estrutura organizativa sólida, guiando-se mais pela emotividade e pela criatividade espontânea ocasional, estes jovens disseram o que não queriam. Parece-me que ninguém consegue enquadrá-los. Quando eles começarem a descobrir o que querem, não tenho dúvidas de que tudo vai mudar.
É muito difícil aos regimes políticos sobreviverem à hostilidade dos jovens. É o que ensina a história. E entre as coisas que eles disseram que não queriam (e já o disseram em 2011), ficou bem explicitado no slogan "O Povo Unido não precisa de Partido", o que não deixa de ser, ao mesmo tempo, preocupante e desafiador. Todos os atores do quadro político saído da revolução do 25 de Abril devem refletir sobre este fenómeno sociológico, que é novo neste já longo e cansado percurso histórico, que parece estar em fim de ciclo. É que os jovens desta geração adquiriram outras mentalidades e funcionam com novas ferramentas. Respondem melhor aos apelos do Facebook do que ao discurso político enfatizado, de recorte clássico. Bebem cerveja. Não bebem vinho tinto. 

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