domingo, 16 de outubro de 2011

Portugal é um país cada vez mais pobre e desigual...

Fotografia do Diário de Notícias
Desde 1974 salário mínimo aumentou apenas 88 euros
O salário mínimo nacional teve um acréscimo de apenas 88 euros desde 1974, enquanto que as pensões mínimas de velhice e invalidez aumentaram apenas 38 euros nos últimos 36 anos, segundo dados da Pordata.
A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala segunda-feira, a Pordata divulgou alguns dados estatísticos relativamente à situação económica e social do país.
Comparando a evolução do salário mínimo e das pensões mínimas de invalidez e velhice desde 1974 até 2010, e descontando o efeito da inflação, constata-se que hoje em dia os beneficiários desses apoios sociais auferem apenas mais 88 euros e 38 euros respetivamente.
Nesse mesmo ano (2010), correspondia a 15 por cento da população portuguesa o número de pensionistas de invalidez e velhice da Segurança Social com pensões inferiores ao salário mínimo, o que significa que perto de um milhão e meios de pessoas estavam nessa situação.
Além disso, existia mais de meio milhão de pessoas a receber o Rendimento Social de inserção, dos quais quase metade (47%) com menos de 25 anos.
A Pordata revela ainda que em 2009 (últimos dados disponíveis) Portugal era o quarto país da União Europeia (UE) com maiores desigualdades de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres, sendo que o rendimento dos mais ricos era 6 vezes superior ao dos mais pobres (a média europeia era de cinco).
Diário de Notícias
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Estes números deviam fazer corar de vergonha todos os primeiros-ministros dos governos constitucionais, desde Mário Soares a José Sócrates, e passando por Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, e, agora, Passos Coelho. Todos eles deveriam ser confrontados com esta amarga realidade, que não souberam nem quiseram alterar, tal foi o seu envolvimento com os interesses do grande capital, principalmente o capital financeiro. A eles se deve a má gestão dos dinheiros públicos, principalmente os oriundos dos fundos europeus. A eles se deve a actual crise, que vai atirar Portugal para os níveis de desenvolvimento, típicos do Terceiro Mundo. A eles se deve a morte prematura da esperança, que nasceu em Abril. Embora alguns tenham sido reeleitos para um segundo mandato, como primeiros-ministros, e dois deles tenham sido presidentes da República, também em dois mandatos, eles não deixaram saudades no povo português, que agora, lentamente, começa a descobrir o logro em que caiu. Um aumento, em valores reais, do salário mínimo nacional, de apenas 88 euros, entre 1974 e 2010, e um aumento de apenas 38 euros, também em valores reais e durante o mesmo período, das pensões mínimas de invalidez e de velhice, evidencia bem o desprezo que esses governantes votaram aos portugueses mais pobres. Quando o distanciamento temporal for maior, a História irá julgá-los, já que não é possível julgá-los agora em tribunais, enquanto estão vivos, mas não tenho dúvidas que todos eles serão considerados governantes medíocres, oportunistas, carreiristas, amigos das elites económicas, e, alguns, até venais e corruptos. Eles são o expoente máximo da vergonha nacional.