domingo, 2 de outubro de 2011

Notas do meu rodapé: Ontem, o povo saiu à rua para protestar...

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As manifestações políticas e sindicais deixaram de ser românticas. Em face do agravamento das condições de vida dos trabalhadores portugueses e da população em geral, os manifestantes já não descem a avenida, cumprindo um ritual e embrulhando a bandeira no fim da festa. A jornada de protesto deste domingo, promovida pela CGTP-Intersindical, foi uma manifestação de viragem, quer pela sua elevada adesão, quer pela mudança de atitude dos manifestantes, que já estão a sentir na pele os efeitos gravosos das medidas impostas pelo governo de direita e ditadas pelo capitalismo financeiro internacional, através da troika (UE-BCE-FMI). Vi pessoas a chorar. Vi muitas pessoas, cujo rostos já evidenciavam os sinais de profundas carências.
Carvalho da Silva, o secretário geral da CGTP, fez um discurso vigoroso, denunciando com objectividade os meandros obscuros das causas da actual crise e a perversidade das medidas de austeridade, que mais não visam do que diminuir os rendimentos do trabalho. Zurziu no Presidente da República (ver na parte final do primeiro vídeo), pondo a ridículo uma resposta de Cavaco Silva a uma jornalista, em que ele, de uma forma desastrada e infantil, mais parecendo um mau aluno que não trouxe a lição estudada, afirmou que o crescimento económico regressaria em 2013, porque era isso que estava escrito no memorando de entendimento da troika.
Mas Carvalho da Silva foi, com as suas palavras, altamente mobilizador para os trabalhadores em geral e para os jovens em particular, convidando estes a construir o seu futuro, envolvendo-se na luta geral de protesto, através da sua integração nas organizações sociais, políticas e sindicais.
Ao Partido Socialista deixou o recado de que não poderia fazer mais o jogo duplo habitual, apregoando na oposição aquilo que não fez quando foi governo.
A última semana de Outubro irá ser determinante para a continuação sequencial do protesto contra o governo do PSD/CDS. Será uma semana de greves e de mais manifestações. 
Os rios fazem-se através dos seus muito afluentes. Também o caudal do descontentamento irá engrossar com a chegada de mais portugueses descontentes e desesperados.