quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Grécia: Degrau em degrau até ao fracasso final...

Atenas falha metas de défice para 2011 e 2012
O Governo grego confirmou hoje (seguna feira), após uma reunião extraordinária, que não vai cumprir as metas do défice para 2011 e 2012 fixadas pela Comissão Europeia, pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu.
Diário de Notícias- 2 de Outubro de 2011
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Zona euro deve perdoar derrapagem orçamental deste ano na Grécia
Os países da zona euro procuraram nesta segunda feira desdramatizar a derrapagem das contas públicas deste ano na Grécia, confirmando implicitamente o pagamento da tranche de 8 mil milhões de euros da ajuda externa em curso dentro de duas semanas e negando qualquer cenário de incumprimento da dívida (default).
PÚBLICO- 3 de Outubro de 2012
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Estas duas notícias, do início da semana, demonstram duas coisas:
Em primeiro lugar a falta de fiabilidade das previsões dos iluminados funcionários da troika, quanto à evolução dos indicadores macroeconómicos da Grécia, apesar da determinação do governo grego em querer impor sucessivamente, e sem qualquer êxito, as draconianas medidas de austeridade. Nem o défice orçamental vai atingir os valores previstos para 2011 e para 2012, nem a economia grega vai deixar de se degradar para além dos limites da sua própria sustentabilidade.
Em segundo lugar, também ficou demonstrado que a a ortodoxia neoliberal dos dirigentes europeus não é tão rígida, quanto parecia ser. Perante a realidade dos factos, recuaram nas suas iniciais exigências, embora não queiram, por enquanto, admitir o fracasso das suas políticas em relação aos países em dificuldades económicas e financeiras, o que demonstra que teria sido possível aos respectivos governos destes países, se, na realidade, fossem governos patrióticos, empenhados na defesa intransigente dos interesses dos seus cidadãos, ter negociado programas de reajustamento financeiro menos severos e com uma maior racionalidade económica. Mas não foi isso que aconteceu. Os governos da Grécia e de Portugal assinaram de cruz os memorandos com a troika, sem pestanejar. Colocaram-se de joelhos, numa atitude obediente e servil, e passaram a considerar o memorando da troika como a sua verdadeira bíblia.  

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