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terça-feira, 12 de março de 2013

As guerras são sempre antecedidas por grandes crises...


Europa salvou os bancos mas arrisca-se a perder uma geração, diz Martin Schulz
Os países da UE são “campeões do mundo” a fazer cortes, mas não a pensar medidas para o crescimento, diz o presidente do Parlamento Europeu.
A Europa gastou milhões de euros para resgatar os bancos, mas, com a crise e os actuais níveis de desemprego, em particular entre os jovens, arrisca-se a perder uma geração, considera o presidente do Parlamento Europeu.
Em entrevista à Reuters, o alemão Martin Schulz identifica a perda de confiança dos cidadãos na capacidade de a União Europeia resolver os seus problemas como “uma das principais ameaças” da própria UE. “E se a nova geração perde confiança, penso que é a UE que está verdadeiramente em perigo”, diz.

Juncker alerta para "os demónios da guerra" na Europa
O ex-líder do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, admite que a atual crise europeia pode provocar uma nova guerra.
O primeiro-ministro luxemburguês não poupou nas palavras: "Quem acredita que a eterna questão da guerra e paz na Europa não pode voltar a ocorrer, está completamente errado. Os demónios não desapareceram, estão apenas a dormir, como foi demonstrado pela guerra na Bósnia e no Kosovo", afirmou em entrevista publicada este domingo na revista alemã Der Spiegel.
Um alerta reforçado pela forma como a União Europeia, e especialmente a Alemanha, está a lidar com a crise grega: "A forma como alguns políticos alemães se têm referido à Grécia, um país severamente atingido pela crise, deixou feridas profundas na sociedade grega. Da mesma forma, assustou-me ver manifestantes em Atenas receber a chanceler alemã, Angela Merkel, envergando uniformes nazis".

***«»***
A guerra já começou. Não com tanques e com canhões, mas com a dívida e com os euros. É uma guerra financeira. Admitir que a UE é um espaço de solidariedade foi (é e continuará a ser) um grande equívoco. É unicamente um espaço de negócio. O Conselho Europeu não é mais do que um conselho de administração de uma grande multinacional, que se chama Eurolândia. E nas suas reuniões só se ouve falar de mercados, orçamentos, dívida soberana e juros. Nas suas reuniões periódicas, semeadas de fraternais abraços e de efusivos beijinhos à chanceler Angela Merkel, as decisões milagrosas, amplamente festejadas, só têm validade até ao dia seguinte. A crua realidade encarrega-se rapidamente de as desmentir e de as tornar obsoletas, exceto aquelas que reforçam as políticas de austeridade dos países periféricos.
A Alemanha de Merkel está a fazer com o euro o que a Alemanha de Hitler não conseguiu fazer com a Wehrmacht. E é nos períodos críticos que os nacionalismos se reacendem. A Alemanha é odiada pelos povos europeus da periferia. Falta uma liderança carismática para atear o rastilho da revolta. Julgo que na íntima consciência de cada um de nós ainda não se desvaneceu a metáfora das "bastilhas" e das "guilhotinas". 
Torna-se hoje evidente que o projeto da UE fracassou irremediavelmente. A Europa esgotou o seu potencial e é um continente envelhecido e anémico, que não vai ultrapassar esta crise, que é, antes de tudo, uma crise económica. Os agentes do capitalismo europeu, principalmente o financeiro, procuram salvar-se, maximizando os rendimentos das mais valias, através da imposição da austeridade aos países mais fragilizados, a fim de apanharem o carrossel  dos países emergentes, onde irão investir. Os povos vão sendo condenados à pobreza.
Mas a História não é uma linha reta. Dá muitas curvas, algumas delas inesperadas, a provocarem sobressaltos e calafrios. No final da década de noventa, do século passado, eu senti que estava a viver o fim de uma época histórica e o início de uma outra, que se apresentava ainda como uma nebulosa, muito difusa. Hoje, sinto que nos aproximamos do ponto de rutura, que impulsionará grandes mudanças. Só não sei qual será o seu sentido.

domingo, 10 de março de 2013

A voz incómoda da "Geração à Rasca", através da atriz Joana Manuel...

Amabilidade de Jorge Magalhães Ribeiro
*
A denúncia demolidora de um sistema iníquo que nos humilha e explora!...

Portugueses rejeitam cortes na Saúde, Educação e SS

Os portugueses acham que o Governo se prepara para cortar na Saúde, Educação, Segurança Social e Defesa, mas por eles os cortes de quatro mil milhões de euros seriam feitos nas parcerias público privadas (PPP), juros da dívida e Defesa. Mais: Saúde, Educação e Segurança social são as áreas onde menos se deve cortar, de acordo com o barómetro de fevereiro de 2013 do CESOP/UCP, para o DN, JN, Antena 1 e RTP.
O apoio aos cortes nestas três funções sociais do Estado - que o Governo elegeu como prioritárias na redução de despesa a apresentar à troika na sétima avaliação, que decorre atualmente - é ínfimo entre os inquiridos do barómetro. Apenas 1% dos portugueses na Educação e Saúde, e 5% na Segurança Social, gostariam de cortar aí se a decisão fosse deles. E para 10% também já se atingiu o limite, ao recusarem que haja mais cortes (há 2% que pensa que o Governo acabará por não fazer cortes).
***«»***
Se há alguma coisa em que os portugueses têm uma opinião unânime, é a ideia de que o Estado Social deve ser preservado a todo o custo e não ser objeto das políticas de austeridade, planeadas pelo atual governo.
Na memória de muitos portugueses, principalmente na dos mais idosos, ainda persiste a imagem do que eram as políticas sociais antes do 25 de Abril. Os serviços médicos das célebres caixas de previdência eram um arremedo da prática da medicina, em que o médico nem sequer olhava para a cara do doente, como se dizia à época, ironicamente. As Misericórdias, ainda com uma estrutura e mentalidade medievais, encaravam os cuidados de saúde numa perspetiva assistencial e caritativa. Os serviços de Educação encontravam-se reduzidos a um minimalismo aviltrante, com a analfabetismo a rondar os oitenta por cento da população e o ensino secundário e universitário reservado apenas à classe média alta. As escolas comerciais e industriais eram reservadas para os alunos de famílias com menores recursos financeiros. Grande parte da população, principalmente a do mundo rural, estava afastada do sistema de reformas. E será este o quadro que se perfila no horizonte, se o governo conseguir impor um corte permanente de quatro mil milhões de euros nos três pilares do Estado Social, institucionalizado depois da revolução de Abril, e que teria consequências desastrosas, não só no bem estar da maioria da população, mas também nos graves reflexos no desenvolvimento do país. Portugal poderia vir a viver sem défice orçamental e com a Dívida Pública controlada, mas, com toda a certeza, cairia irremediavelmente para o patamar do subdesenvolvimento, da miséria estrutural e da agudização das desigualdades sociais. 
Se o povo português não conseguir inverter o curso desta gravosa política de austeridade, de resultados incertos e duvidosos, Portugal virá a ser, a partir da próxima década, um país do Terceiro Mundo à beira mar plantado. 

sábado, 9 de março de 2013

O retrato da austeridade anunciada


Começou o ano do enorme aumento de impostos. Os portugueses vão pagar mais IRS, vão receber menos e gastar mais dinheiro com as despesas do dia-a-dia. A Rádio Renascença elaborou um guia para o ajudar a fazer contas à crise.

SERVIÇOS E CONSUMO
Electricidade: +2,8%
Gás: +2,5%
Rendas: +3,4% (contratos posteriores a 1990)
Portagens: +2,03%
Tabaco: +1,3%
Bebidas alcoólicas: +1,3% (e +7,5% nas bebidas espirituosas)
Telecomunicações: +3% (Fevereiro)
Transportes: +0,9%
Taxas moderadoras: +0,9%


IMPOSTOS
IRS:
Escalões passam de 8 para 5.
Sobretaxa de 3,5% de IRS.
Rendimentos acima de 80 mil euros por ano pagam taxa solidária de 2,5%.
Rendimentos acima de 250 mil euros anuais pagam taxa solidária de 5%.
No final, os portugueses assistem a um enorme aumento de impostos.
Rendimentos de capital (juros, dividendos, mais-valias bolsistas): taxa liberatória sobe para 28%
Tributação património: imóveis acima de um milhão pagam mais 1% de imposto de selo
Jogos Santa Casa: prémios acima de cinco mil euros pagam 20% do valor em causa
IVA: devolução 5% do valor das facturas pedidas. Limite máximo de devolução é de 250 euros. São consideradas facturas de alojamento, restauração, cabeleireiros, institutos de beleza e oficinas.

Menos deduções:
Escalão de rendimento colectável
Limite:
Até 7000 € sem limite
De mais de 7 000 € até 20 000? 1 250
De mais de 20 000 € até 40 000? 1 000
De mais de 40 000 € até 80 000? 500?
Mais de 80 000 € "0"

Estes limites são aumentados em 10% por cada dependente.
Despesas com saúde, educação, habitação, lares e pensões de alimentos pagas são consideradas deduções à colecta.

Crédito à habitação: tecto máximo de 296 euros
Dedução de rendas: tecto máximo 502 euros

PENSIONISTAS
Acima de 1.350 e até 1.800 euros: corte de 3,5%
Acima 3.750 euros: corte de 10%
Acima 5.030 euros: corte de 10% + contribuição extraordinária de solidariedade (15% sobre o montante que exceda 5.030, mas que não ultrapasse 7.545; e 40% sobre o montante que ultrapasse 7.545 euros).

NOVOS REFORMADOS
Penalização de 4,78%
Alternativa é trabalhar mais tempo

65 anos de idade e 40 de descontos: mais 5 meses
65 anos de idade e 35 a 39 anos de descontos: mais 8 meses
65 anos de idade e 25 a 34 anos descontos: mais 10 meses
65 anos de idade e 15 a 24 anos descontos: mais 15 meses

FUNÇÃO PÚBLICA
Subsídio doença: baixas até 3 dias sem pagamento;
redução 10% na remuneração base diária para baixas a partir do 4.º dia e até ao 30.º dia.
Idade reforma: 65 anos; polícias e militares - 60 anos
Salários: manutenção das reduções entre 3,5% e 10% para salários superiores a 1.500 euros

SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL DO PÚBLICO
Subsídio Natal é reposto e mantém-se suspensão do de férias;
Pensionistas e reformados recebem subsídio de Natal e 10% do subsídio de férias;
Suspensão subsídio de férias nos moldes de 2012: não se aplica abaixo dos 600 euros; progressivamente entre os 600 e 1100; na totalidade acima dos 1100.

SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL DO PRIVADO
Diluição de metade dos subsídios de férias e Natal por 12 meses.Restantes 50% serão pagos até 15 de Dezembro (Natal) e antes do início das férias. A medida é temporária e deverá vigorar entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2013.

SUBSÍDIOS - GERAL
Subsídio de desemprego passa a pagar 6% para Segurança Social
Subsídio de doença passa a pagar 5% para Segurança Social
Subsídio por morte dos aposentados: máximo 1.257 euros

IRC
Empresas com lucros acima de 1,5 milhões: 25% + 3% (taxa adicional)
Empresas com lucros acima de 7,5 milhões: 25% + 5% (taxa adicional)

PREVISÕES DO GOVERNO PARA A ECONOMIA EM 2013
PIB: -1%
Défice: 5%
Consumo privado: -2,2%
Consumo público: -3,5%
Investimento público: - 4,2%
Exportações: - 3,6%
Importações: - 1,4%
Inflação: 0,9%
Taxa de desemprego: 16,4%

REFUNDAÇÃO DO ESTADO
Corte de quatro mil milhões na despesa.
Segundo o primeiro-ministro, o Governo vai ter de mexer nas pensões, nas despesas de saúde, nas despesas de educação.
A poupança será feita, diz Pedro Passos Coelho, pelas rubricas financeiras mais pesadas.
Redução 2% funcionários públicos até 2014: cerca de 40 mil.

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento a Vania Correa, pela sua decisão de se inscrever como amiga/seguidora deste blogue.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Poema: Ontem e hoje, mãe - por maria azenha

Voz da autora
Ontem e hoje, Mãe!

Mãe, 
ainda que na Árvore da Vida habites,
sinto a ausência dos teus beijos.
O nosso amor é como um vaso de leite derramando branco
nas nuvens.
As células do nosso corpo,
pequeníssimas estrelas,
comungam todas da mesma revolução.
Mãe,
a comunhão é um estado de autoconhecimento.
e a matéria veste-se para o Inconsciente:
primeiro, sono.
depois, sonho.
por fim,
rendição.

Tu és Deus, e eu também.
Quando te chamo, avanças
quatro,
cinco,
seis mil anos.
Quando entramos em sintonia com os astros
sentimos a alegria do comunismo
das árvores em tuas mãos.

A Vida é um hiper-estado de consciências.
Os crimes são anti-humanos.
As formigas, radiogaláxias que estabelecem comunicações
através das suas pequenas antenas.
Os poetas fazem parte desta sociedade de partículas.

Mãe,
as últimas ondas de luz do universo
transformaram-se em humildes campos terrestres.

Mãe,
não consigo dividir-me por zero.
Tudo está em expansão, quero dizer:
cada vez mais próximo dum ponto central.
Cada centro do espaço
é um novo projecto.
E a luz, a harpa de Thales,
que um dia disse: " Tudo está cheio de Deus".

Eu digo, deus ou deuses
porque as nossas almas são partículas enraizadas nos céus.
Sabes como os asteróides representam a mesma dança – são eles isotrópicos.
Cantam a Incriação.
E eu entro no câmbio,
- colho as sementes do espaço que não mais
existem no zero.

Ontem,
tornei-me photograficamente um quantum.

Alguém disse: " Vieste do Improvável e vais para o Improvável".
Movimentamo-nos em campos de energia. Dançamos.
Deles brota a sagrada estrela da Harmonia.

Mãe,
dizem os índios:
"Se temos um coração bom quando dançamos,
então, chove."
maria azenha

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento a alejandro allikinne, pela sua decisão de se inscrever como amigo/seguidor deste blogue.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Poema A SOLIDARIEDADE DO UNIVERSO - por Alexandra Kraft (heterónimo de Maria Azenha)


A SOLIDARIEDADE DO UNIVERSO

Escrevo a tua história bem sei num terraço de moléculas
sobre o teu corpo resistindo mal a grandes temperaturas
a efémera bioquímica da vida
os hieróglifos da antiga ciência
a solidariedade das suas pedras
a espantosa interconexão de tudo quanto existe
o universo compõe-se de algum modo
de sóis extintos e de supernovas do teu sagrado sexo
que vibra

o teu corpo procura a verdade
a verdade da Grande Matéria entre aminoácidos
e o meio ambiente uma verdade atómica
como se a evolução fosse guiada por Alguém
e procurasse um pequeno caminho na Terra
escrevo a tua história bem sei
entre minúsculos átomos de carbono e versos
vozes da matéria alguns sóis
o ferro do teu sangue continua regressando
ao coração do mundo
as distâncias dos objectos vão aumentando
daqui a biliões de anos onde estarão estes versos?
insisto que existe uma infinidade de mundos
e a gravidade não é senão a curvatura do universo
este mundo é uma estrela a Terra
(nem toda a luz a vemos)
Caminhamos para a grande névoa

Alexandra Kraft (heterónimo de maria azenha)

In CONCERTO PARA O FIM DO FUTURO – 1999

***«»***

Na resposta de agradecimento à amabilidade de Maria Azenha, que me enviou este poema, acrescentei a seguinte nota:
“A linguagem das ciências exatas e experimentais também constitui um valioso recurso para o edifício metafórico da Poesia. E nem a Maria Azenha, vinda da área das Matemáticas, poderia resistir à invocação dos fenómenos e das realidades da Física, da Astronomia e da Bioquímica, para escrever um belo poema de amor. Os versos acabam por se confundir com a matéria (na incandescência dos corpos), na sua transmutação através do tempo “sideral” (cuja contabilidade nos escapa), e seguir a “curvatura do universo” e da luz cósmica. E o instante sublime do amor, que incendeia os corpos e cega a alma, projeta-se assim, nessa “grande névoa”, nessa incomensurável infinitude temporal e espacial daquele primeiro instante em que a energia, explodindo, libertou a luz e os átomos.
Aqui também encontrei a tal empolgante “densidade poética”, que já tinha identificado anteriormente, noutros poemas de Maria Azenha.
 Parabéns, Maria Azenha. Nos seus poemas, em cada esquina de cada verso aparece sempre uma metáfora surpreendente e desconcertante. Ao ler a sua poesia experimentam-se sensações gratificantes e compensadoras. Mas é também um exercício difícil, pois não basta ler os seus versos. É necessário soletrá-los.

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço!...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Superar os limites!...


Raparigas fantásticas, famosas na época. Um vídeo de 1944, foi recuperado, digitalizado e colorido. Nesta clássica coreografia do filme “Broadway Rhythm”, as assim chamadas The Ross Sisters, Aggie, Maggie e Elmira, cantam e movimentam-se de uma forma que não parece ser humanamente possível. Nos primeiros 45 segundos elas cantam. Mas o que vem a seguir é impressionante.
Texto e vídeo, da página de Jorge Manuel Magalhães Ribeiro.
***«»***
Umas bonecas de borracha não seriam tão maleáveis e flexíveis!... 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Pintura: - "Memórias Outonais" - por Dália Faceira

"Memórias Outonais"

Esta pintura é aquela onde a pintora Dália Faceira (Dacha) revela, com elevada sensibilidade, a sua enorme capacidade em trabalhar pictoricamente a água, o que é difícil. É uma pintura que honra qualquer Galeria de Arte.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Música: Vem, além de toda a solidão - Madredeus


Vem, além de toda a solidão - Madredeus

Vem,
além de toda a solidão
perdi a luz do teu viver
perdi o horizonte

Está bem
prossegue lá até quereres
mas vem depois iluminar
um coração que sofre

Pertenço-te
até ao fim do mar
sou como tu
da mesma luz
do mesmo amar

Por isso vem
porque me quero
consolar
Se não está bem
deixa-te andar a navegar

Letra e música de Pedro Ayres Magalhães
Voz: Teresa Salgueiro

A questão do Relvas é do Relvas, mas não é do Relvas... - por Carlos Matos Gomes


A questão do Relvas. A questão do Relvas é do Relvas, mas não é do Relvas. O Relvas é como os calos. A culpa dos calos é dos pés, mas é também dos sapatos e de quem os calça. Quero eu dizer: a culpa é do Relvas, porque o Relvas é uma erva daninha (nasceu assim, é da sua natureza). Dá caganeira, comichão, visões, dores. O Relvas, tendo esta essência malsã, não serve para fazer chá. A culpa dos males causados pelo Relvas é do Relvas, neste sentido. Mas é também de quem faz chá com o Relvas. Isto é, quem convida o Relvas para ir falar a um clube de pensadores, nem as pensa! Quem convida o Relvas para ir falar a uma universidade a sério, nem as pensa. Isto é, a culpa dos vómitos no clube de pensadores e no ISCTE, é dos pensadores que não pensam o que os portugueses pensam do Relvas e dos comunicadores que não percebem a imagem que os portugueses têm do Relvas.
Carlos Matos Gomes
Escritor

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Canto General - Los Libertadores - Pablo Neruda e Mikis Theodorakis

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Vídeo 2
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Vídeo 3
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Vídeo 4


Canto General - Los Libertadores

Pablo Neruda
Mikis Theodorakis
Maria Farandouri (*)

Munich - Olympia Halle - 1981 (*)

Aquí viene el árbol, el árbol
de la tormenta, el árbol del pueblo.
De la tierra suben sus héroes
como las hojas por la savia,
y el viento estrella los follajes
de muchedumbre rumorosa,
hasta que cae la semilla
del pan otra vez a la tierra.

Aquí viene el árbol, el árbol
nutrido por muertos desnudos,
muertos azotados y heridos,
muertos de rostros imposibles,
empalados sobre una lanza,
desmenuzados en la hoguera,
decapitados por el hacha,
descuartizados a caballo,
crucificados en la iglesia.

Aquí viene el árbol, el árbol
cuyas raíces están vivas,
sacó salitre del martirio,
sus raíces comieron sangre,
y extrajo lágrimas del suelo:
las elevó por sus ramajes,
las repartió en su arquitectura.
Fueron flores invisibles,
a veces, flores enterradas,
otras veces iluminaron
sus pétalos como planetas.

Y el hombre recogió en las ramas
las corolas endurecidas,
las entregó de mano en mano
como magnolias o granadas
y de pronto, abrieron la tierra,
crecieron hasta las estrellas.

Éste es el árbol de los libres.
El árbol tierra, el árbol nube.
El árbol pan, el árbol flecha,
el árbol puño, el árbol fuego.
La ahoga el agua tormentosa
de nuestra época nocturna,
pero su mástil balancea
el ruedo de su poderio.

Otras veces, de nuevo caen
las ramas rotas por la cólera,
y una ceniza amenazante
cubre su antigua majestad:
así pasó desde otros tiempos,
así salió de la agonía,
hasta que una mano secreta,
unos brazos innumerables,
el pueblo, guardó los fragmentos,
escondió troncos invariables,
y sus labios eran las hojas
del inmenso árbol repartido,
deseminado en todas partes,
caminando por sus raíces.
Éste es el árbol, el árbol
del pueblo, de todos los pueblos
de la libertad, de la lucha.

Asómate a su cabellera:
toca sus rayos renovados:
hunde la mano en las usinas
donde su fruto pulpitante
propaga su luz cada día.
Levanta esta tierra en tus manos,
participa de este esplendor,
toma tu pan y tu manzana,
tu corazón y tu caballo
y monta guardia en la frontera,
en el límite de sus hojas.

Defiende el fin de sus corolas,
comparte las noches hostiles,
vigila el ciclo de la aurora,
respira la altura estrellada,
sosteniendo el árbol, el árbol
que crece en medio de la tierra.
***«»***
Um canto à terra, às árvores, aos povos, à luta e à liberdade. A Poesia e a Música levadas ao limite do sublime por dois criadores geniais - Pablo Neruda e Mikis Theodorakis.
As três versões, aqui apresentadas, com diferenças nos arranjos musicais e vocais, acentuando cada uma delas a predominância de uma ou de outra daquelas duas dimensões, evidenciam a beleza rítmica da grande moldura musical com que o famoso compositor grego enquadrou o poema de Pablo Neruda. Compondo, para a peça ser cantada na língua de Cervantes, Mikis Theodorakis foi ao ponto de assimilar, ao recorte musical clássico, elementos da música popular do universo castelhano, uma combinação polifónica que se revelou positiva. Esta composição musical é verdadeiramente empolgante! Eu aconselhava o leitor a não perder a audição do segundo vídeo, que tem a versão que dá mais expressão ao elemento coral. Além de empolgante, é exaltante.
AC
(*) Referente ao terceiro vídeo.

Poema: num sapato de Dante - por Maria Azenha

Leda atomica- Salvador Dali
PRELÚDIO

num sapato de Dante
( a Rui V.A.)

Deram as onze badaladas.
deram as onze

no meu quarto.
e espero por ti, Líli,toda a noite
para que me venhas ver.
mas, ai!,
todos os ponteiros dos relógios voaram pela sala!
todos os livros das estantes caíram como um grito!
o meu coração soltou-se aos bocados
para de ti me esconder...

ai,Líli,
vem depressa,
queimei-me com versos
quando por ti esperava!

olha
como todos os crisântemos carbonizaram
pelas árvores, fora, a arder!...
ouves, Líli?  sentes?…
vê  os séculos distantes quando passam
por mim!
repara como os nossos  beijos vão em cavalgada,
cambaleando como um Baco,
numa gotinha incendiada
da chuva!...

clamarei por ti
mais uma vez,
até que um verso meu se solte pela janela fora!...

ai,Líli!
todo o meu corpo pegou fogo
ao riso abalado de Van Gogh!
as minhas orelhas fugiram
através da minha carne fogosa!
soltou-se-me um braço!,
uma perna minha foi parar à Malásia !

e deram doze badaladas.
deram mais doze badaladas no meu quarto.
e, Líli ,ainda não veio!

ah! como um brutamontes
arrancarei todas as fechaduras à dentada!
tomarei todos os livros de assalto
das estantes!,
entre nuvens sonharei versos gigantes!...

ouves, Líli?
sentes?

olha como apunhalei a Terra
só com um verso de Nietzche !

todos os loucos e enfermos dos hospícios
me vieram ver!
todos os mendigos me trouxeram uma trincheira
de beijos,
para de ti me esconder!

ah!, não me ralo,
tenho comigo a orelha cortada
de Van Gogh ,
e o ouro todo que corre agora
pelas vossas salas!...
sou o maior dos amantes,
a teu lado, a arder...

mostrarei então a Deus todos os meus versos feitos,
que não trocarei por nada !
e quando tu vieres, disfarçada de Goethe,
porei o meu monóculo bem aberto
numa garrafa ébria de gin!
tocarei para ti, Líli, a flauta dos milagres
com Deus em todo o meu quarto
a arder...

o meu coração viaja agora pela europa fora!

que inferno,Líli!
o meu choro copioso
caiu na última lágrima de Dante,
derramada às seis em ponto!
peguei fogo às janelas!
ardo pelas chaminés fora
pelas paredes da casa incendiadas em Kant!

ai,Líli,
não tenho para onde fugir!
o meu corpo
mudou-se todo para o teto,
voa para cima, num sapato de Dante!

e rubra,
como um diamante, soltarei então o meu último grito
pela Via-Láctea dentro,
dentro de ti,
com um verso a arder...

ai,Líli , brilharei como um rubi para sempre
no último dos amantes...
brilharei eternamente
quando
passar
por
ti!

maria azenha

  Obs. (1)-Líli  (ou Lília)- representa a Poesia , figura feminina, por excelência.

 ***«»***
PREFÁCIO BREVE PARA UM LIVRO DE POESIA
QUE OS LIVROS DE POESIA NÃO DEVERIAM TER PREFÁCIO

Com Maria Azenha a palavra transforma-se em algoritmo, numa fórmula possível para o encantamento do ínfimo. Captura do excedente. É uma matemática feita de objetos fractais, roturas para com a normalidade. Um testemunho sobre o que vagueia sem limite ou função. Um voo rasante nos abismos dos céus. A palavra «mudou-se para o teto», como o corpo, «num sapato de Dante». Na companhia de Líli (ou Lília), figura que representa a poesia, a emancipação do futuro. Guia que nos leva, a salvo, para além do purgatório dos dias. Líli ou Lídia, em Fernando Pessoa. Beatriz, em Dante. Mensageira portadora de um destino maior que o remorso de existir.
Assim é a poesia.
Viagem íntima sobre a condição humana.
Como na poesia de Dante, a viagem realizada é contada de forma rigorosa, embora transbordante de imagens, poema narrativo com detalhes visuais. A obra em três andamentos não segue, no entanto, um caminho de perfetibilidade. Vagueia com os objetos e os sentidos sem rumo certo. Fórmula onde o resultado se mantém indecifrável.
A poesia de Maria Azenha é um algoritmo onde as incógnitas conspiram, e tornam-se cúmplices do silêncio e do infinito. Equação de difícil resolução, diria. Assim como a fraternidade perdida na grande cidade. «A boca de neve das bonecas grita com vestidos de lagartas mortas, encostadas à parede das palavras». (Que gritam agora? Pergunta a autora). O infinito faz muito ruído. E enquanto na rua os cães dormem com os seus mendigos, «alguns verbos desalojados acionam granadas». É, assim, a poesia. A violência e o amor que as palavras melhor sabem reproduzir.
Avisa a autora que o poema também é feito de palavras por inventar, servindo-se das coisas do mundo: solidão, noite, folhas, lâminas. Facas, lábios. Aranhas. O cansaço que se esconde nas dobras de todas as alvoradas. Trocando as voltas às palavras de Maria Azenha: O poema é um louco que queima os pensamentos. O que é um poema? O poema é uma criança que atravessa a rua
«com uma flor de cinzas na boca».

João Lutas Craveiro
Sociólogo e Investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil – LNEC
Docente da Universidade Nova de Lisboa - UNL

***«»***
Na resposta de agradecimento à amável oferta de Maria Azenha, de dois livros de poesia de sua autoria,  "Num sapato de Dante" e "A Sombra da Romã", escrevi à "poeta" o seguinte:
"... imediatamente, fui ler o primeiro poema, "num sapato de Dante", um título surpreendente. Quero dizer-lhe, e utilizando uma expressão da linguagem comum, que, após a sua leitura, "fiquei agarrado à cadeira". Depois, percorri transversalmente as páginas dos dois livros, detendo-me num ou noutro poema, e, lendo-os aligeiradamente, descobri metáforas "desconcertantes". Se me pedissem uma palavra, apenas, para caracterizar a sua poesia, eu avançaria com a palavra "densidade". Uma enorme "densidade poética", que obriga o leitor a parar em cada verso, para lhe abarcar todo o seu sentido. E é isso que vou fazer nos próximos dias: ler lentamente os seus lindos poemas, para descobrir a tal "matemática feita de objetos fractais."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Apenas um terço dos britânicos quer continuar na União Europeia


Uma sondagem publicada nesta segunda-feira pelo Financial Times indica que apenas um em cada três britânicos votaria “sim” no referendo prometido por David Cameron sobre se o Reino Unido quer continuar como membro da União Europeia (UE). A sondagem, desenvolvida pela Harris Interactive a pedido do jornal britânico, mostra que 50% dos 2114 inquiridos votariam “não” à continuidade no espaço europeu e que apenas 33% se mostra favorável ao espaço comunitário. Os restantes 17% afirma que não votaria no referendo.
PÚBLICO
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A História fala mais alto. Os britânicos perceberam que é impossível construir uma qualquer unidade política num continente constituído por uma amálgama de nacionalidades, que, nem sequer, ao longo dos séculos,  conseguiu construir uma língua comum. O nacionalismo faz parte da matriz fundadora dos estados europeus, que se afirma sempre, quando esses estados estão em perigo ou perdem a sua independência política. Carlos Magno, Napoleão e Hitler falharam na sua ambição de, pela força, unir politicamente a Europa.
Se é verdade que o projeto da unidade europeia nasceu do impulso para pretender anular as ambições hegemónicas das três principais potências europeias, tentado evitar mais guerras, também é certo que, na mente dos seus fundadores, havia a ideia oculta de construir uma barreira segura ao avanço do comunismo, que no pós-guerra seduzia grande parte do operariado industrial da Europa Ocidental e o universo da intelectualidade. E esta realidade assustava os agentes do capital, que quase fizeram do anti comunismo a doutrina oficial do projeto. Hoje, afastado o perigo comunista, a doutrina oficial passou a ser o neoliberalismo.
Se o espaço europeu, inicialmente, ao anular as barreiras alfandegárias entre os estados, permitiu alavancar o crescimento económico e favoreceu o desenvolvimento mitigado dos países mais pobres, a realidade depressa veio demonstrar que o tal mercado único passou a ser um mercado autofágico, que se devorava a si próprio, e sem a capacidade para  assegurar a ambicionada liderança mundial. A Europa já não consegue crescer economicamente. Este é que é o verdadeiro problema. A Alemanha só já canaliza trinta por cento das suas exportações para o espaço extra-europeu. A China, que importava da Alemanha a maquinaria industrial para as suas fábricas, não só caminha, neste domínio, para a sua auto suficiência, como também já se constituiu num concorrente de respeito da Alemanha no espaço europeu e mundial.
Havia a esperança de que a unificação do mercado económico e financeiro poderia conduzir à unidade política. Pura ilusão! A unidade económica e monetária apenas está a servir os interesses do grande capital, que se aglomera e se concerta nos principais centros financeiros, beneficiando assim os países mais ricos, que, entretanto, também se esgadanham silenciosamente entre si, para tentarem alcançar a posição dominante. A Alemanha, a França e Grã-Bretanha olham-se entre si com diplomática desconfiança. Ao longo dos últimos anos, a Grã-Bretanha percebeu que não poderia competir com o famoso eixo franco-alemão, o que a obriga a atrelar-se ao seu velho aliado de sempre, os Estados Unidos. A sua saída da UE tem lógica.
Com o alastramento da atual crise, que se explica também pela anemia da economia, e que afetará, mais tarde ou mais cedo, todas as economias da Europa, os antigos e atuais nacionalismos vão ressuscitar, em reação à tentativa dos países mais ricos quererem dominar os países pobres, através da deriva federativa, que começa a ser desenhada nos gabinetes de Bruxelas, sem qualquer controlo democrático.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Miguel Relvas foge aos protestos no ISCTE

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Mal Miguel Relvas entrou na sala onde decorria a conferência "Como vai ser o jornalismo nos próximos 20 anos", promovida pela TVI, um grupo de estudantes que estava sentado a meio da plateia levantou-se e começou a entoar palavras de ordem.
O ministro subiu ao palco para falar, mas o coro de protestos não baixou o tom. Miguel Relvas esperou alguns segundos e tentou dar início à palestra. Os estudantes intensificaram o protesto, empunhando cartazes do movimento "Que se lixe a troika! O povo é quem mais ordena", impedindo que o ministro com a tutela da comunicação social e da juventude proferisse uma palavra.
O diretor de informação da TVI, José Alberto Carvalho, tentou apaziguar os ânimos, pedindo aos estudantes que ouvissem o que o ministro tinha para dizer. Mas não conseguiu.
Foi, então que Rosa Cullell, administradora-delegada da Media Capital, subiu ao palco com a intenção de acalmar os estudantes. Esforço também em vão.
Os seguranças do ministro decidiram, então, que era altura de o ministro deixar o local. Uma missão que se afigurou complicada. E à saída do anfiteatro do ISCTE procuraram, entre muitos empurrões a quem ali se encontrava, uma saída.
Diário de Notícias
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Foi humilhante! Não me lembro de nenhum ministro dos governos após o 25 de Abril ter sido enxovalhado em público e impedido de falar, como foi Miguel Relvas, tal é a aversão que a sua permanência no governo está a provocar, transversalmente, em todos os setores da sociedade portuguesa. De nada vale vir dizer que se tratou de um pequeno grupo, não representativo. Existe a consciência plena de aquele grupo manifestou o sentir da maioria dos portugueses, que já consideram a criatura uma perfeita aberração. É, sem dúvida, a caricatura de um governo esquizofrénico e demoniacamente perigoso.

Carta de Seguro sem aviso de receção...


António José Seguro enviou uma carta aos membros da troika a pedir que, na próxima avaliação, seja tida em conta a situação real do país e não apenas o que está escrito no memorando.
O secretário-geral do PS diz aos presidentes do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que “infelizmente a situação económica e social agravou-se fortemente”. 
PÚBLICO
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 Trata-se de uma carta para consumo interno, já com um olho posto nas eleições autárquicas, que se avizinham. Em resposta a António José Seguro, a troika vai responder que a situação em Portugal, tomando como referência a Grécia, não está assim tão má, como se diz, embora para lá caminhe. Por outro lado, Passos Coelho irá, certamente, chamar-lhe queixinhas.
É do conhecimento geral que, no mundo animal, de nada vale à presa pedir clemência ao predador, pois apenas lhe restam duas alternativas: ou consegue libertar-se, através da astúcia e da luta, ou será inapelavelmente devorada. E António José Seguro já deveria saber que, neste caso, a UE é uma voraz predadora, que não se compadece com o sofrimento das suas vítimas. E António José Seguro também já deveria saber que a União Europeia não é um espaço de solidariedade, mas um espaço de negócio, puro e duro. António José Seguro deveria estudar melhor o processo da Islândia, que não andou a pedir com o chapéu na mão, o que seria uma estratégia inútil, antes exigiu, ou seja, lutou, quando foi transformada em presa, tendo conseguido libertar-se.
Soube-se hoje que um quarto das crianças portuguesas já passam fome. Também já se sabe que os idosos pobres já nem sequer vão ao médico do centro de saúde, porque não têm dinheiro para os medicamentos e para as taxas moderadoras, o que é um escândalo nacional, que não vai comover os agiotas e os políticos sem escrúpulos, os indígenas e os de fora, nem os destinatários da carta do dirigente socialista português. António José Seguro, se não compreender que a atual situação do país exige a denúncia do memorando de entendimento com a troika, arrisca-se a ser considerado uma versão moderada de Passos Coelho. Não basta fazer discursos agressivos contra o governo, se, ao mesmo tempo, não se apresentar a verdadeira e a única alternativa para ultrapassar a crise. A História Económica ensina-nos (ver o caso da Argentina, na última década do século passado, e o caso português na crise financeira de 1891-93) que os credores só recuam e só se dispõem a renegociar as dívidas, quando os devedores falam grosso, ou seja, quando ameaçam suspender o respetivo pagamento.Ver notícia

domingo, 17 de fevereiro de 2013

FMI: dívida da Grécia “não é viável” sem mais ajuda da União Europeia - PÚBLICO


A Grécia vai precisar de mais ajuda dos seus parceiros europeus para conseguir controlar o enorme peso da sua dívida em 2016, disse nesta sexta-feira o responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), Poul Thomsen.
Poul Thomsen, que lidera a missão do FMI na Grécia, afirmou que existe um buraco nas projecções preliminares para 2015-2016 que pode chegar aos 9500 milhões de euros.
A dívida grega “não é viável” sem transferências directas por parte da União Europeia, que se comprometeu nesse sentido, em Dezembro, frisou Thomsen.
PÚBLICO
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Foi necessário sujeitar o povo grego à humilhante "escravidão" da mais infame austeridade, para se chegar à triste conclusão de que não é através do empobrecimento forçado, que se consegue o desenvolvimento. E os economistas do FMI e os políticos europeus sabiam disso. Só que era urgente salvar os bancos dos países ricos, os mesmos que forçaram o endividamento dos países da periferia, com dinheiro virtual, oriundo da especulação bolsista, e que agora pretendem equilibrar os seus balanços, com o dinheiro da economia real, oriundo dos rendimentos do trabalho. E este é o lado injusto da dívida, que os governos fantoches de Portugal, da Grécia, da Itália e da Grécia não querem admitir.
http://www.publico.pt/economia/noticia/fmi-divida-da-grecia-nao-e-viavel-sem-mais-ajuda-da-uniao-europeia-1581231

Grande prémio World Press Photo para um cortejo fúnebre que não se esquece


O sueco Paul Hansen ganhou o importante prémio de fotojornalismo com um funeral de crianças em Gaza. Na lista de premiados deste ano há um português, Daniel Rodrigues. Santiago Lyon, presidente do júri desta 56.ª edição dos prestigiados prémios de fotojornalismo e director de fotografia da agência Associated Press (AP), diz que este trabalho de Hansen para o diário sueco Dagens Nyheter “é simplesmente uma colecção forte de expressões”, que o tamanho dos corpos das crianças acentua. É, garante, “uma imagem incrível” que mostra, como tantas outras nas mais de cem mil que foram a concurso, que o fotojornalismo continua a ser um instrumento poderoso para contar uma história.
“Estas situações são muito complexas", disse Hansen, que vai receber dez mil euros da fundação World Press Photo. “É difícil exprimir as emoções, traduzir o que está a acontecer. A luz é dura e há muita gente.” À AP explicou por que razão escolheu o beco para fotografar: “A luz fazia ricochete nas paredes e por isso pensei que ali se poderia olhar para tudo isto como uma procissão… Temos a profundidade da imagem e a luz que se move.” O português Daniel Rodrigues, 25 anos, também optou pelo preto e branco e venceu na categoria Vida Quotidiana com uma fotografia de crianças a jogarem futebol num campo em Dulombi que servira de aquartelamento militar quando a Guiné-Bissau era uma colónia portuguesa.
PÚBLICO 
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Na fotografia e, concretamente, no fotojornalismo, três parâmetros são necessários, para que a fotografia possa dialogar com o observador: O tema, o contexto do cenário e a própria técnica fotográfica. E esta fotografia de Paul Hansen incorporou até ao limite aqueles conteúdos da hermenêutica fotográfica, acrescentando-lhe ainda um outro elemento estruturante, o contraste fisionómico, entre a serenidade dos rostos das crianças mortas e a crispação e desespero dos rostos dos adultos, que choram de dor, de raiva e de impotência. O tema não podia ser melhor para a fotografia: a morte de crianças inocentes por uma guerra injusta entre Golias e David. O contexto do cenário, explicou-o o próprio Hansen, ao referir-se à profundidade do campo e aos reflexos da luz, que transmitiram densidade humana ao cortejo. Fosse a fotografia tirada em campo aberto e com grande luminosidade, e ela não teria o mesmo impacto. Quanto à técnica, escapam-nos as respetivas metodologias utilizadas pelo grande fotógrafo.
Quanto ao nosso compatriota, Daniel Rodrigues, que felicitamos, é necessário que se diga que ele está desempregado, o que nos leva a perguntar que país é este que parece ter por regra desperdiçar os talentos e promover os medíocres e os ignorantes.
http://www.publico.pt/cultura/noticia/fotografia-de-duas-criancas-mortas-na-faixa-de-gaza-vence-world-press-photo-1584578#/0

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Maria Costa, pela sua decisão de se inscrever como amiga/seguidora deste blogue.

Poema: Inexplicavelmente - por maria azenha


Inexplicavelmente

A criança ergue o olhar à altura dos passos
de alguém que viaja.
Sentada no solo rente ao céu do chão
está viva por uma palavra misteriosa.
Ali, pregada em terra, olha para que a sigam
ou a ceguem,
com uma rosa na mão.

Inexplicavelmente tornou-se uma deusa
na bíblia dos náufragos.

maria azenha

Discurso da líder da Juventude Internacional Socialista torna-se viral

(Discurso completo) Beatriz Talegón: Revolución desde un hotel de 5 estrellas  

Beatriz Talegón, de la Unión Internacional de Juventudes Socialistas, pone los puntos sobre las íes a líderes socialistas de todo el mundo acusándoles de ser los responsables de la grave situación actual, mientras estaban reunidos en un hotel de cinco estrellas en Cascais para celebrar el encuentro del Consejo de la Internacional Socialista
"Me sorprende mucho cómo pretendemos remover la revolución desde un hotel de cinco estrellas en Cascais, llegando en coches de lujo. Me pregunto de verdad si nosotros podemos darle a los ciudadanos una respuesta cuando vosotros, líderes políticos, les decís que los entendéis, que sufrís porque somos socialistas. ¿De verdad sentimos ese dolor aquí dentro?, ¿de verdad podemos entender lo que estamos pidiendo al mundo desde un hotel de cinco estrellas?"
"Desgraciadamente, no hemos sido los socialistas del mundo los que hemos animado a la gente a salir a la calle ni a movilizarse, y lo que debería dolernos es que ellos están pidiendo democracia, están pidiendo libertad, están pidiendo fraternidad, están pidiendo una educación pública, una sanidad pública y nosotros no estamos ahí".
"Vosotros, líderes, mal llamados líderes porque sois los responsables de lo que está pasando".
"Luego os llenaréis la boca en vuestros discursos hablando del desempleo juvenil, de que os preocupan mucho los jóvenes: no os preocupamos en absoluto porque nos tenéis aquí y ni siquiera venís a preguntarnos cuál es nuestro punto de vista".
"Tenemos mucho que decir porque a la gente le interesa saber qué piensan los jóvenes, porque somos nosotros los que estamos pagando las consecuencias de vuestra acción o de vuestra falta de acción".
Vital Aza (You Tube)
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Beatriz Talegón alega que "a esquerda" passou a estar ao serviço das elites, "dança com o capitalismo" e é "burocrática".
Um vídeo com a intervenção da secretária-geral da União Internacional de Jovens Socialistas durante a reunião da Internacional Socialista (IS) em Cascais, na semana passada, onde tece duras críticas aos líderes socialistas, tornou-se viral em Espanha, está a ser muito partilhado em Portugal e, via redes sociais, a chegar à América Latina.
Na intervenção em Cascais, referiu-se ao que considera ser a crescente distância entre os dirigentes e as forças socialistas e a geração mais jovem, criticando a contradição entre o luxo da própria reunião e o elevado desemprego ou a contestação nas ruas de Espanha. Exigindo que as contas da IS não sejam um “mistério”, recusou que os militantes jovens só sirvam para “aplaudir” e acusou os dirigentes de serem em parte “os responsáveis pelo que está a acontecer” e de não lhes preocupar “em absoluto” a situação.
“O que nos deveria doer é que eles estão a pedir democracia... e nós não estamos aí”, afirmou a jovem de 29 anos, referindo-se à falta de apoio das lideranças para os jovens que protestam nas ruas. “Não nos querem escutar”, disse, considerando que “a esquerda está agora ao serviço das elites, dança com o capitalismo, é burocrática”. “Tem perdido completamente o norte, a ideologia, a conexão com as bases. E isso é algo que a esquerda não se pode permitir.”
À propagação do vídeo de Cascais, os cibernautas da esquerda não afecta ao PSOE está a responder com a carta aberta que Julián Jiménez, um antigo dirigente local da Juventude Socialista espanhola, dirigiu a Beatriz Talegón nesta terça-feira. O professor de 29 anos acusa a antiga companheira no Partido Socialista espanhol – que abandonou em 2009, em desacordo com o rumo político do Executivo de José Luis Zapatero – de estar apenas a autopromover-se.
Num longo texto, Jiménez lembra que, quando em 2009 se apresentou publicamente com um discurso de teor idêntico ao de Talegón, foi criticado dentro do PSOE, incluindo pela própria Beatriz, que depois o terá acusado de “deslealdade” após a dissidência. “Ao ouvir-te hoje, querida Beatriz, não pude deixar de me lembrar daqueles comentários que deixaste na minha rede social quando tomei aquela decisão”, escreve. “Aqueles em que falavas de lealdade, de que ser socialista era defender a política do PSOE quer gostes ou não, de que criticar o que agora criticas tu era deslealdade.”
“Queria acreditar em ti, cara ex-companheira, mas não posso fazê-lo. Creio recordar que trabalhavas então em Bruxelas, para o partido a nível europeu. Por que não foste rebelde naquele momento? Quem conhece o podre funcionamento do PSOE sabe que um rebelde nunca chega a um cargo de tanta responsabilidade como o de dirigente da União Internacional de Jovens Socialistas”, atira Jiménez, enumerando depois um conjunto de críticas aos últimos anos do governo socialista e os entendimentos com o PP de Rajoy.
O jovem activista diz acreditar “sinceramente” que o discurso de Talegón é “mera pose” dirigida aos “incautos de boa-fé”, para que vejam nele “um ar fresco que, honestamente, não existe no PSOE”.
PÚBLICO
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Ontem, fiquei agarrado à cadeira, ao ler um empolgante e grandioso poema. Hoje, fiquei novamente agarrado, ao ouvir as cáusticas acusações da jovem dirigente da União Internacional das Juventudes Socialistas, Beatriz Talégon, na reunião da  Internacional Socialista (IS), em Cascais, que, de uma maneira clara e objetiva, desmascarou a hipocrisia dos partidos socialistas, acusando-os de fazerem o jogo do capitalismo. Comecei a desamarrar-me da cadeira, quando comecei a ler a Carta Aberta do dissidente do PSOE,  Julián Jiménez, que acusava Beatriz Talegon de oportunismo. 
Não sei qual dos dois tem razão, já que, neste momento, isso pouco interessa. Interessa-me sim, dando razão a Beatriz Talégon, a denúncia do posicionamento dos partidos socialistas na atual crise financeira da Europa e, particularmente, da dos países periféricos. A sua ação em pouco se diferencia da ação dos partidos da direita. Incidem nos mesmos erros e utilizam a mesma metodologia. Na oposição, prometem o céu e, quando no governo, abrem as portas do inferno. O percurso dos partidos socialistas da Espanha, da França e, principalmente, os da Grécia e de Portugal, é um rosário de cedências à ditadura do capitalismo financeiro e à chantagem das várias instituições da UE, a sua maior expressão política. Não podem dizer que não tiveram culpas na eclosão da atual crise, assim como, por outro lado, ainda não ofereceram aos cidadãos uma alternativa credível para dela sair. Na Grécia e em Portugal, associaram-se aos partidos da direita, para permitirem que os seus países fossem tutelados pela troika, quando, na realidade, havia outras alternativas que não comprometeriam o desenvolvimento económico nem ameaçariam o Estado Social.
Mas, por outro lado, também não posso deixar de dar razão a Julián.Talégon, a acreditar no factos que ele apresenta, e que não foram desmentidos por ninguém, em Espanha. O que não falta aos partidos socialistas é a existência, no seu seio, de aventureiros e oportunistas, que se servem da política para, exclusivamente, se servirem a si próprios. 
Os partidos socialistas europeus têm um problema importante para resolver: a sua identidade socialista. E é uma contradição de termos erguer a palavra socialismo, ao mesmo tempo que, na prática, se adotam as práticas do neoliberalismo.Socialismo e neoliberalismo são como a água e o azeite. São realidades imiscíveis.  

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Vox Pop - A ignorância dos nossos universitários

Sugestão de Diamantino Silva e de Joaquim Pereira da Silva
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Esta amostra poderá não ser estatisticamente significativa. Poderá até ter havido a intenção malévola de selecionar os exemplos mais negativos. Mas é, sem dúvida, exemplarmente elucidativa! Comprova, pelo menos, o elevado grau de iliteracia de muitos jovens universitários portugueses. Alguns até poderão vir a ser brilhantes, nas áreas específicas dos seus conhecimentos, mas serão sempre ignorantes na compreensão e na apreensão do mundo que os rodeia. Falta-lhes a visão dialética, a cultura geral e a capacidade de pensamento crítico. E isto é preocupante, porque sem elites esclarecidas, nenhum país progride.
Lembro-me que, no início da década oitenta, do século passado, um jornal deu-se ao trabalho de fazer, em entrevista, um pequeno teste de Língua Portuguesa aos alunos do 1º ano da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Um autêntico desastre, que provocou algum escândalo, na época. E eu fiquei em pânico, porque fico sempre em pânico, quando vejo pobreza à minha volta.

Agradecimento


 É sempre com grande alegria que recebo um(a) "poeta" neste espaço.  Agradeço à Sandra Subtil a sua inscrição como amiga/seguidora do Alpendre da Lua.