sábado, 6 de julho de 2013

"Não vou prometer tudo a todos", avisa Seguro


António José Seguro deixou dois avisos aos membros da comissão política nacional, no final da reunião de quinta-feira à noite: que não promete "tudo a todos" e que pode voltar a chamá-los em breve, ainda em Julho. "Não dependemos de nós próprios. Se alguém pensa que vou prometer tudo a todos, desenganem-se. A situação do país é de enorme gravidade", afirmou o secretário-geral do PS. Uma declaração que remete para a necessidade de não haver ilusões quanto à necessidade de cumprir o programa de ajustamento, com os exigidos cortes de despesa e reforma do Estado, ainda que possam vir a ser mitigados.

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António José Seguro começa a jogar à defesa, o que permite perceber melhor, caso ele venha a ser primeiro-ministro, o sentido da sua política, que, eventualmente, apenas se diferenciará da de Passos Coelho nos inócuos e insignificantes pormenores. Ao não desvincular-se do programa ditatorial da troika, ele terá, forçosamente, de aplicar mais receitas de austeridade, mantendo as que já estão em vigor, o que irá comprometer o crescimento da economia, desmontando-se assim o argumento principal, embora inconsequente, do seu discurso panfletário contra o atual executivo.
Ele sabe, tal como o sabem os dirigentes das instituições europeias, que esta política de austeridade, tal como está desenhada, é inimiga do crescimento, e que apenas se destina a gerar poupanças, de forma acelerada e segura, para pagar a colossal dívida dos bancos comerciais portugueses aos seus congéneres alemães e espanhóis, através de uma oculta triangulação que tem o seu vértice no BCE. Por isso, ele começa a dizer que não pode prometer tudo a todos, o que é verdade, sendo também verdade que já prometeu tudo a alguns - aos grandes acionistas dos bancos e dos grandes grupos económicos, que, mais uma vez, vão beneficiar das maravilhas desta alternância democrática. E foi porque ele sabe tudo isto, e sabe-o muito bem, que o seleto grupo de Bilderberg o aprovou no exame de admissão para primeiro-ministro de Portugal, tendo por padrinho, Pinto de Balsemão, e como compagnon de route, o inefável Paulo Portas. Todos bons rapazes!