quarta-feira, 11 de abril de 2012

“O lugar onde se nasce nunca devia morrer”



“A MAC é vida, jamais poderá ser destruída” e “Não tirem à cidade esta maternidade”. Estes foram alguns dos slogans entoados pelas cerca de mil pessoas que protestaram contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa.
Depois de muitas palmas e até das “ondas” que se costumam ver em estádios de futebol, as pessoas concentraram-se à porta da maternidade, onde, já com a ajuda dos Homens da Luta vestidos de mulher e “grávidos”, entoaram vários slogans contra a intenção do Ministério da Saúde. Paulo Macedo deve ter ficado com as orelhas a arder: “Senhor ministro conhece a MAC?” ou “Macedo escuta a MAC está em luta” foram dois dos gritos de ordem.
PÚBLICO
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Eu estive lá. A emoção correu por aqueles cordões humanos, que cercaram o magnífico edifício da Maternidade Alfredo da Costa (MAC). Mais de mil pessoas uniram-se na mesma onda de protesto contra a decisão do governo de encerrar a mais sofisticada maternidade do país, aquela que reune uma maior especialização nas áreas da Ginecologia e da Obstetricia e que está apetrechada com os mais modernos equipamentos. É esta maternidade que o Ministério da Saúde quer encerrar, dispersando as suas equipas pelos novos hospitais, que esão a ser construídos na periferia de Lisboa, em regime de parcerias público-privadas. E a esta decisão do Ministério da Saúde, não é estranha a influência dos poderosos lobies da saúde, titulares daquelas parcerias, que querem transferir todos aqueles equipamentos para as novas unidades hospitalares e benefiar da alta especialização dos profissionais da MAC, reduzindo assim os seus encargos de investimento, que lhe irão aumentar os lucros. Na perspetiva empresarial, os serviços hospitalares de Obstetrícia são os mais rentáveis no ponto de vista económico, já que apresentam uma elevada rotatividade na ocupação de camas e um tempo médio de internamento por utente muito curto. 
Por outro lado, uma empresa e, principalmente, um hospital não são apenas a soma das partes. São algo mais, e que tem a ver com a cultura institucional, que se vai construindo ao longo do tempo, e que se reflete na formação dos profissionais, quer pela transmissão dos saberes inter-geracionais, quer pelos sinergias entre as diferentes sub-especialidades. Com o encerramento da MAC, vai perder-se todo esse espólio imaterial, que demorou dezenas de anos a construir. 
Não é displicente abordar o lado emocional desta medida irracional. A maioria dos lisboetas nasceu na MAC, e isso explica a sua grande adesão aos protestos contra o seu encerramento. Enquanto falava com uma manifestante, que nasceu na MAC, e onde também vieram a nascer os seus filhos e os seus netos, e desfiando, cada um de nós, de parte a parte, os argumentos críticos contra esta aberração, que vai prejudicar o Serviço Nacional de Saúde, um manifestante, que ouvira a conversa, interrompeu-nos, para, com emoção, afirmar: "Eu nasci nesta maternidade, Ela também é minha!.
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