sábado, 25 de fevereiro de 2012

Notas do meu rodapé: A falsidade do paradigma neoliberal

O dinheiro à grande e à portuguesa [Inteiro]

Vídeo retirado do blogue Democracia Participativa
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Um filme incontornável, extremamente didático e apoiado numa argumentação coesa e insofismável. Compreender a composição do dinheiro, que, da sua original função utilitária, como medida de valor e como meio de troca, se transformou numa perversa mercadoria virtual, a sustentar um poder fático totalitário, é essencial para perceber a atual desordem financeira, provocada pela dívida, e a natureza fascista do capitalismo financeiro internacional, que tem como objetivo único, a nível planetário, promover a transferência da riqueza dos países pobres ou menos ricos para os centros financeiros dos países mais ricos, e, em cada país, através de governos cúmplices e servis, transferir os rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital.
Do texto do filme, destaco aquela parte que se refere à natureza do atual paradigma da ordem financeira mundial, que, devido, ao seu exorbitante poder, acaba por ser determinante na formatação do modelo político e económico:
"Eis o poder de alguns paradigmas: O pior efeito de alguns paradigmas é quando um modelo de um comportamento, aparentemente inquestionável nos limita a maneira de pensar e de viver. E de todos os paradigmas que hoje nos formatam o quotidiano, o que está associado ao dinheiro é talvez aquele que mais nos molda e, ao mesmo tempo, aquele que mais nos torna alienados".
E, na realidade, o homem contemporâneo, que se julgava livre, como a democracia exige, transformou-se num escravo, como qualquer totalitarismo impõe. Vive-se um tempo de pensamento único, que até permitiu o atrevimento de alguém proclamar "o fim da História", como se, para além deste pensamento, todas as ideias não concordantes não passassem de afloramentos estéreis de alguns mentecaptos. O paradigma posto em prática a partir do último quartel do século passado transformou-se numa nova religião, endeusando o mercado, o lucro especulativo, o consumo desmedido e o dinheiro. Todas as máquinas de propaganda, que os novos meios técnicos proporcionam, quer direta ou indiretamente, quer objetivamente ou subliminarmente, quer através de uma informação distorcida ou das mensagens veiculadas pelo entretenimento alienante, trabalharam para esse fim, tentando transformar o cidadão num agente passivo, que apenas reagisse pavloviamente aos estímulos, constantemente produzidos.
Mas como o paradigma está errado, o sistema começa a abrir brechas, que os seus engenheiros não conseguem reparar. O sistema está no fim, mas na sua lenta agonia vai arrastar milhões de pessoas para  tragédia. Como ensina a História, dos escombros nascerá uma Nova Ordem. Esperamos que mais justa.
AC

11 comentários:

Maria José Meireles disse...

Lindo!...

olimpio pinto disse...

Não sei se é "neoliberal", ou etc. e tal... mas julgo ser "fatal"...
Poderá ser o assintótico paradigma humanóide da Desgraça.

Graza disse...

Tem razão, grande vídeo, com um inicio fantástico.

Abraço

João Mota disse...

Este é o primeiro documentário da série Aurora, do movimento Zeitgeist Portugal. O que os membros deste movimento advogam é a aplicação do método científico à organização social. De facto, quem hoje nos governa baseia as suas decisões em meras opiniões.

O paradigma do actual sistema de ensino é o de aceitar e decorar factos debitados pelos professores; chegados a adultos, apenas muda o conteúdo e o professor (os media). É por esta razão que certos dogmas, como o de que o dinheiro e os juros são necessários, ou de que os mercados financeiros são iguais aos mercados de produtos, estão fortemente enraizados na sociedade. Por exemplo, economia é vista por muitos como uma ciência. Na verdade, apesar de usar matemática e conceitos científicos, tal como a astrologia, não é uma ciência porque não se regenera e não analisa as suas assumpções. Tem sido ao longo dos tempos apenas um instrumento das classes dominantes para manterem o seu poder, tal como a religião foi usada pelo poder clerical em séculos passados. Dada a situação do mundo actual, por exemplo, a massificação da pobreza e a exploração não sustentável de recursos, é mais do que necessário mudar de rumo.

Quase todas as áreas onde se usou a ciência livremente, sem interferência de opiniões e de lóbis poderosos, tiveram progressos consideráveis. Deixemos então ver o que esta nos pode trazer se aplicada ao bem social.

olimpio pinto disse...

Já não há ideologia
Nem tão pouco teoria
Ainda menos filosofia
- Resta apenas "metodologia"
Emprenhada de entropia
De Justiça bem vazia
- É a tal de "economia"
Meu primaço bem o dizia!

olimpio pinto disse...

Dinheiro, é importantíssimo! Grave, porém, é o problema virtuamaterial! Uma sociedade que transforma um mero instrumento de troca num produto, e inventa o juro, nada realmente produz, e é como um mercado de escravos onde só se vende papel ao som cíclico de música fúnebre.

Sónia M. disse...

Excelente vídeo!
...e de dívidas vive o homem!

Graza disse...

Alexandre:
A propósito ainda deste vídeo, disse no meu blogue que: “(…)Talvez tarde demais, as pessoas começam a descobrir que a democracia formal é a capa que oculta a ditadura do capitalismo financeiro, que é quem verdadeiramente manda.(…)
Logo, um conflito insanável, porque combater a ditadura do capitalismo financeiro, passa por combater a democracia formal? Ou antes, reformular a democracia formal? E como se reformula uma democracia sem se “ferirem” as regras da democracia?
Talvez as democracias formais em uso apresentem já sinais de grave doença porque, se um dos primados da democracia é a salvaguarda das liberdades individuais, ela não está a garantir o pleno dessas liberdades. Isto, porque quando falamos de liberdade, a que primeiro ocorre é a liberdade política, mas as sociedades que estão hoje subjugadas pela ditadura do capitalismo financeiro, são-no privadas de outras liberdades, ou seja, muitos dos seus direitos são condicionados pela sujeição a essa ditadura e por essa via as intervenções cívicas são refreados.

E nem de propósito, Santiago Camacho, autor de "A Troika e os 40 Ladrões" defende a refundação do capitalismo, com novas regras e mesmo uma nova doutrina ideológica e diz que "se nada mudar, a Europa ameaça tornar-se uma potência periférica"

Alexandre de Castro disse...

Grazina:
Não existe nenhum conflito entre a democracia e o capitalismo. Historicamente, a democracia foi o regime instaurado pela burguesia. E como todos os regimes (o da aristocracia feudal, o da ditadura e o do comunissmo), a democracia também tem a sua vertente formal, que se reflete no corpo institucional e legislativo, dando corpo e substância ao corpo doutrinal.
O que eu pretendi dizer é que o capitalismo financeiro está progressivamente a esvaziar o conceito de democracia, subvertendo-a através de vários mecanismos, para que o seu poder não seja posto em causa. Daqueles mecanismos, ressalta a organização dos partidos. Através de instituições, aparentemente neutras, (A Trilataral e o Grupo de Bildeberg) o capitalismo financeiro consegui padronizar a organização partidária de todos os países ocidentais, criando as condições para que apenas dois partidos, aparentemente antagónicos ideologicamente, mas programaticamente iguais, venham a ocupar o poder. Desde a promoção mediática, quer através de ajudas financeiras das institutos e das fundções dos partdos irmãos dos países mais ricos, tudo serve para dar a ilusão ao eleitor de que está a escolher as únicas alternativas possíveis. Num sistema assim, com esta formatação, os partidos, que vivem da militância e dos contributos dos seus ativistas e amigos, têm muita dificuldade em adquirir relevo mediático.
Mas, o capitalismo não hesita em abdicar da democracia e do seu formalismo, quando percebe que poderá perder o controlo do poder. O nazismo alemão e o fascismo italiano foram produtos do capitalismo, que estava alarmado com o avanço das ideias marxistas.
Pergunto: Que democracia é esta, a da Europa Ocidental, que pretende colocar na Grécia um comissário da Comissão Europeia (a recibos verdes?). Que democracia é esta, a de Portugal, em que os dois partidos, que sempre governaram o país, depois do 25 de Abril, assinam um memorando com a troika, que viola a Constituição, no que respeita à sua soberania, neste caso a orçamental.
De nada vale combater a democracia formal, pois o que é necessário combater é o capitalismo financeiro, abolindo-o, nacionalizando os bancos, o que só se poderá fazer revolucionariamente. E eleitoralmente, nunca se fizeram revoluções, nem se mudou de paradigma.

Graza disse...

Obrigado pelo extenso esclarecimento, Alexandre. Valorizou o que escreveu antes.
Um abraço.

Maria José Meireles disse...

http://www.youtube.com/watch?v=Gm4l-vIaQ1I&feature=player_embedded