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domingo, 15 de junho de 2014

“Acusações de Kruschev contra Stálin são falsas”, afirma o historiador Grover Furr


A Verdade entrevistou Grover Furr, professor da Universidade de Montclair, no Estado de Nova Jersey, EUA, e autor do livroAntistalinskaia Podlost (“A infâmia antistalinista”), lançado recentemente em Moscou, na Rússia. Grover Furr é ph.D. em literatura comparada (medieval) pela Universidade de Princeton, e, desde 1970, ensina na Universidade de Montclair, sendo responsável pelos cursos de Guerra do Vietnã e Literatura de Protesto Social, entre outros. Suas principais áreas de pesquisa são o marxismo, a história da URSS e do movimento comunista internacional e os movimentos políticos e sociais. Nesta entrevista, o professor Grover fala de sua pesquisa e afirma que “60 de 61 acusações que  o primeiro-ministro Nikita Kruschev fez contra Stálin são comprovadamente falsas”.

A Verdade – Recentemente, um grande número de livros tem sido publicado atacando a pessoa e a obra de Josef Stálin. Como o senhor explica a intensificação desse antistalinismo nos EUA e no mundo?

Grover Furr – Desde o fim da década de 1920, Stálin tem sido o maior alvo do anticomunismo ideológico e acadêmico. Leon Trótsky atacava Stálin para justificar sua própria incapacidade de ganhar as massas trabalhadoras da União Soviética [URSS]. A verdadeira causa da derrota de Trótsky é que sua interpretação do marxismo – um tipo de determinismo econômico extremado – predizia que a revolução estava fadada ao fracasso a não ser que fosse seguida por outras revoluções nos países industrialmente avançados. Mas a liderança do Partido preferiu o plano de Stálin para primeiro construir o socialismo em um só país. As ideias de Trótsky tiveram (e ainda têm) uma grande influência sobre todos aqueles declaradamente capitalistas e anticomunistas. Os historiadores trotskistas são muito bem acolhidos pelos historiadores capitalistas. Pierre Broué e Vadim Rogovin, os mais proeminentes historiadores trotskistas das últimas décadas, já foram louvados e ainda são frequentemente citados por historiadores abertamente reacionários. Muitos na liderança do Partido em 1930 combateram Stálin quando este lutava por democracia interna no Partido e, especialmente, por eleições democráticas para os sovietes. As grandes conspirações da década de 1930 revelaram a existência de uma ampla corrente de oposição às políticas associadas a Stálin. Essas conspirações de fato existiam: os oposicionistas realmente estavam tentando derrubar o partido soviético e assassinar a liderança do governo, ou tomar o poder liderando uma revolta na retaguarda, em colaboração com os alemães e os japoneses. Nikolai Ezhov, líder da NKVD (o Comissariado do Povo para Assuntos Internos), tinha sua própria conspiração direitista, incluindo colaboração com o Eixo. Visando aos seus próprios fins; ele executou centenas de milhares de cidadãos soviéticos completamente inocentes para minar a confiança e a lealdade ao governo soviético. Quando Stálin morreu, Kruschev e muitos líderes do Partido viram que poderiam jogar a culpa por essas grandes repressões em cima de Stálin. Eles também inventaram muitas outras mentiras escancaradas sobre Stálin, Lavrentii Béria e pessoas próximas aos dois. Quando, bem mais tarde (1985), [Mikhail] Gorbachev assumiu o poder, ele também percebeu que as suas “reformas” capitalistas – o distanciamento do socialismo em direção a relações capitalistas de mercado– poderiam ser justificadas se sua campanha anticomunista fosse descrita como uma tentativa de “corrigir os crimes de Stálin”. Essas mentiras e histórias de horror permanecem como a principal forma de propaganda anticomunista, hoje, no mundo. A tendência é que elas se intensifiquem, pois os capitalistas estão diminuindo os salários e retirando benefícios sociais dos trabalhadores, caminhando em direção a um exacerbado nacionalismo, ao racismo e à guerra.

A Verdade – O que o levou a se interessar pela história da URSS?

Grover Furr – Quando estava na faculdade, de 1965 a 1969, eu fazia protestos contra a guerra dos EUA no Vietnã. Um dia, alguém me disse que os comunistas vietnamitas não poderiam ser “caras legais” porque eram todos “stalinistas”, e “Stálin tinha matado milhões de pessoas inocentes”. Isso ficou na minha cabeça. Foi provavelmente por isso que, no início da década de 1970, li a primeira edição do livro O grande terror, de Robert Conquest. Fiquei impressionado quando o li! Mas eu já tinha um certo domínio do russo e podia ler neste idioma, pois já vinha estudando literatura russa desde o ensino médio. Então examinei o livro de Robert Conquest com muito cuidado. Aparentemente ninguém ainda havia feito isso! Descobri, então. que Conquest fora desonesto no uso de suas fontes. Suas notas de rodapé não davam suporte a nenhuma de suas conclusões “anti-Stálin”. Ele basicamente fez uso de qualquer fonte que fosse hostil a Stálin, independentemente de se era confiável ou não. Decidi, então, escrever alguma coisa sobre o “grande terror”. Demorou um longo tempo, mas finalmente foi publicado em 1988. Durante este tempo estudei as pesquisas que estavam sendo feitas por novos historiadores da URSS, entre os quais Arch Getty, Robert Thurston e vários outros.

A Verdade – Seu livro Antistalinskaia Podlost (“A infâmia anti-stalinista”) foi recentemente publicado em Moscou. Conte um pouco sobre ele.

Grover Furr – Há aproximadamente uma década fiquei sabendo da grande quantidade de documentos que estavam sendo revelados dos antigos arquivos secretos soviéticos, e comecei a estudá-los. Li em algum lugar que uma ou duas das declarações de Kruschev em sua famosa “fala secreta”, de 1956, foram identificadas como falsas do início ao fim. Daí, pensei que poderia fazer algumas pesquisas e escrever um artigo apontando alguns outros erros de seu pronunciamento da “sessão secreta”. Nunca esperei descobrir que tudo o que Kruschev disse – 60 de 61 acusações que ele fez contra Stálin e Béria – eram comprovadamente falsas (não pude encontrar nada que comprovasse a 61ª)! Percebi que este fato mudava tudo, uma vez que praticamente toda a “história” anticomunista desde 1956 se baseia ou em Kruschev ou em escritores de sua época. Verifiquei que a história soviética do período de Stálin que todos aprendemos era completamente falsa. Não apenas “um erro aqui e outro ali”, mas fundamentalmente uma fraude gigantesca, a maior fraude histórica do século! E meus agradecimentos ao colega de Moscou Vladimir L. Bobrov, que foi o primeiro a me mostrar esses documentos, me deu inestimáveis conselhos, várias vezes, e fez um excelente trabalho de tradução de todo o livro. Sem o dedicado trabalho de Vladimir, nada disso teria acontecido.

A Verdade – Em suas pesquisas o senhor teve acesso direto a arquivos soviéticos abertos recentemente.  O que esses documentos revelam sobre os “milhões de mortos” sob o socialismo, especificamente no período de Stálin?

Grover Furr – Considerando que pessoas morrem a todo instante, eu suponho que você esteja falando de mortes “excedentes”. A Rússia e a Ucrânia sempre experimentaram fomes a cada três, quatro anos. A fome de 1932-33 ocorreu durante a coletivização. Sem dúvida, que um número maior de pessoas morreu do que teria morrido naturalmente. No entanto, muito mais pessoas iriam morrer em sucessivas fomes – a cada três, quatro anos, indefinidamente, no futuro – se não fosse feita a coletivização. A coletivização significou que a fome de 1932-33 foi a última, com exceção da grave fome de 1946-1947, que foi muito pior, mas isso devido à guerra. E, como mencionei anteriormente, Nikolai Ezhov deliberadamente matou milhares de pessoas inocentes. É interessante considerar o que poderia ter sucedido se a URSS não houvesse coletivizado a agricultura e não tivesse acelerado seu programa de industrialização, e se as conspirações da oposição nos anos 1930 não tivessem sido esmagadas. Se a URSS não tivesse feito a coletivização, os nazistas e os japoneses a teriam conquistado. Se o governo de Stálin não houvesse contido as conspirações direitistas, trotskistas, nacionalistas e militares, os japoneses e os alemães teriam conquistado o país. Em qualquer um desses casos, as vítimas entre os cidadãos soviéticos teriam sido muito, muito mais numerosas do que os 28 milhões mortos na guerra. Os nazistas teriam matado muito mais  eslavos ou  judeus do que mataram. Com os recursos, e talvez até mesmo com os exércitos da URSS do seu lado, os nazistas teriam sido muito, muito mais fortes contra a Inglaterra, a França e os EUA. Com os recursos soviéticos e o petróleo de Sakhalin, os japoneses teriam matado muito, muito mais americanos do que fizeram. O fato é que a URSS sob Stálin salvou o mundo do fascismo não apenas uma vez, durante a guerra, mas três vezes: pela coletivização; pelo desbaratamento das oposições direitista-trotskista-militares e também na guerra. Quantos milhões isso dá?

A Verdade – Alguns autores vêm tentando encontrar semelhanças entre Stálin e Hitler, e alguns até chegam a afirmar que o suposto “stalinismo” foi “pior” que o nazismo. Existia realmente alguma ligação entre Stálin e Hitler? 

Grover Furr – Os anticomunistas e os pró-capitalistas não discutem a luta de classes e a exploração. De fato, eles ou fingem que essas coisas não existem ou que não são importantes. Mas a luta de classes causada pela exploração é o motor da história. Então omitir isso significa falsificar a história. Hitler era um capitalista, um anticomunista autoritário de um tipo que é comum em vários países capitalistas. Stálin liderou o Partido Bolchevique e a URSS quando os comunistas em todo o mundo estavam lutando contra todo tipo de exploração capitalista. Sempre que dizemos “pior”, devemos sempre nos perguntar: “Pior para quem?” A URSS e o movimento comunista durante o período de Stálin foram definitivamente “piores que o nazismo”, para os capitalistas. Essa é a razão de os capitalistas odiarem tanto Stálin e o comunismo. O movimento comunista durante o período de Lênin e Stálin, e ainda por um bom tempo depois, foi a maior força de libertação humana da história. E novamente devemos nos perguntar: “Libertação de quem? Libertação do quê?” A resposta é: libertação da classe trabalhadora de todo o mundo, da exploração capitalista, da miséria e das guerras.

A Verdade – Um dos ataques mais frequentes a Stálin é que ele seria responsável pela fome na Ucrânia, em 1932-1933, também chamada de Holodomor. Esta versão da história corresponde ao que realmente ocorreu?

Grover Furr – O “Holodomor” é um mito. Nunca aconteceu. Esse mito foi inventado por ucranianos nacionalistas pró-fascistas, junto com os nazistas. Douglas Tottle comprovou isso em seu livro Fraud, Famine and Fascism(1988). Arch Getty, um dos melhores historiadores burgueses (isso é, não marxistas, não comunistas), também tem um bom artigo sobre isso. Até o próprio Robert Conquest deixou de defender sua antiga versão de que os soviéticos deliberadamente causaram a fome na Ucrânia. Nenhuma sombra de prova que poderia confirmar essa visão jamais veio à luz. O mito do “Holodomor” persiste porque ele é o “mito fundacional” do nacionalismo direitista ucraniano. Os nacionalistas ucranianos que invadiram a URSS juntamente com os nazistas mataram milhões de pessoas, incluindo muitos ucranianos. Sua única “desculpa” é propagandear a mentira de que eles “lutaram pela liberdade” contra os comunistas soviéticos, que eram “piores”.

A Verdade – Deixe uma mensagem para os trabalhadores brasileiros.

Grover Furr – Lutem pelo comunismo! Todo o poder à classe trabalhadora de todo o mundo!

***«»***
A linguagem da Propaganda, por vezes, é mais eficaz do que a força dos tanques e dos canhões.
A imagem de um Estaline, sanguinário e sem escrúpulos, foi meticulosamente trabalhada e difundida pelas centrais do imperialismo americano.
E são essas mesmas centrais que, agora, estão a operar mediaticamente na questão ucraniana, limpando a cara dos fascistas que tomaram o poder em Kiev, através da encenação de uma eleição por braço no ar, na Praça da Independência.

Agradecimento


Agradeço ao Manuel Araújo a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

sábado, 14 de junho de 2014

Comunicado da FNAM: Em defesa dos interesses dos médicos, da carreira médica e do SNS


A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) na sequência das decisões tomadas pelo seu Conselho Nacional, do diálogo desenvolvido com as restantes organizações médicas e da ausência de quaisquer resultados da reunião efectuada com a equipa ministerial a 6/6/2014, tomou a decisão de desencadear o processo reivindicativo que irá conduzir à realização de uma greve nacional dos médicos.
As questões fundamentais que determinam a convocação da greve são as seguintes:

No último ano tem-se assistido a uma nova ofensiva anti-médico e anti-SNS por parte desta equipa ministerial, criando uma situação que globalmente assume uma gravidade ainda maior do que aquela que determinou a realização da maior greve médica há 2 anos atrás.
Esta ofensiva assenta nos seguintes factos concretos:

Publicação de uma portaria sobre uma suposta categorização dos serviços e estabelecimentos hospitalares que estabelece a eliminação de serviços e de especialidades hospitalares, o encerramento de 27 maternidades e de vários hospitais.

Elaboração de um projecto disfarçado de condutas éticas que visa amordaçar as denúncias de todos os profissionais de saúde e aplicar-lhes processos disciplinares e criminais.

Paralisação integral da actividade da Comissões Paritárias dos ACT.

Paralisação integral da Comissão Tripartida, a quem estão atribuídas legalmente funções de acompanhamento da aplicação do acordo.

Boicote sucessivo aos calendários e cronogramas da avaliação do desempenho, acompanhado de uma campanha de múltiplos órgãos de gestão de estabelecimentos de saúde que afirmam que esta avaliação existe por pressão das organizações sindicais.
A desonestidade política dessa campanha atinge níveis degradantes quando todos sabemos que essa avaliação é uma imposição da legislação geral da Administração Pública e que tem como único objectivo possibilitar a progressão nas posições remuneratórias em cada categoria.

                    f) Bloqueio organizado na quase totalidade dos hospitais à negociação dos respectivos regulamentos internos no que se refere à organização do trabalho médico.

                    g) Ilegalidades em múltiplos Centros de Saúde impondo o aumento das listas de utentes aos médicos que não aderiram ao novo regime de trabalho das 40h.

                    h) Ilegalidades nos recentes concursos de progressão na carreira médica ao tentarem impor o horário das 40 horas a quem não solicitou a respectiva adesão.

                    i) Arbitrariedades e ilegalidades na aplicação da legislação laboral relativa aos regimes de folgas e descansos compensatórios e às formulas de pagamento das horas extraordinárias.

                    j) Ilegalidades na abertura do procedimento de recrutamentos de médicos de família, criando atrasos inadmissíveis na colocação dos recém especialistas em medicina geral e familiar.

                     l) Não realização do concurso aberto para os jovens especialistas até Maio de 2014, conforme compromisso assumido com as organizações sindicais médicas na reunião da Comissão Tripartida de 4 de Abril de 2014.

                     m) Aplicação ilegal a cerca de 300 médicos nos Centros de Saúde, com a categoria de clínicos gerais, do regime das 40 horas, sem qualquer acréscimo salarial e em clara violação do seu estatuto laboral adquirido por via do DL nº 73/90.

                      n) Implementação de programas informáticos (exº PEM) que têm tornado o trabalho médico num caos infernal.

                     o) Indicadores absurdos através de uma contratualização imposta a nível dos ACES, UCSP e das USF.

                     p) Perseguições a dirigentes sindicais e despedimento de uma dirigente sindical da FNAM no Hospital de Leiria que se mantiveram impunes apesar de insistentes denúncias públicas e de solicitações de intervenção do ministro, que desde há largos meses até hoje não quis dar qualquer resposta objectiva como se comprometeu.

                    q) Impedimentos diversos à criação de novas USF modelo A e criação de sucessivos obstáculos à passagem ao modelo B.

                    r) Encomenda, a um grupo de trabalho, de um relatório sobre integração dos cuidados de saúde que visa a destruição da medicina geral e familiar e dos próprios Cuidados de Saúde Primários, além de assumir proporções escandalosas ao propor a criação de mais 7500 lugares para as clientelas partidárias ao abrigo de supostos “gestores dos doentes crónicos”.
 Outro aspecto que não pode ser escamoteado é que nesse grupo de trabalho existem elementos que são funcionários de grupos económicos privados com vultuosos negócios na área da saúde.

                    s) Elaboração de um projecto de revisão do Internato Médico com claros objectivos de destruir a formação médica de qualidade e de criar um amplo universo de médicos indiferenciados sob o pretexto não demonstrado de fortes limitações na capacidade formativa dos serviços.

                     t) Degradação progressiva da formação médica e ausência de qualquer política de investimento do Ministério da Saúde nesta área tão delicada.

                    u) Publicação recente (23/5), sem qualquer negociação com as organizações médicas, de uma nova portaria que viola os conteúdos funcionais das especialidades de medicina geral e familiar, da medicina do trabalho e da saúde pública estabelecidos nos Acordos Colectivos de Trabalho.

                   v) Boicote à contratação colectiva e ao próprio direito de negociação sindical com a publicação de portarias e despachos contendo matérias que exigiam essa negociação e que, por isso, deviam estar inseridos em decretos-lei e em clausulado dos acordos colectivos de trabalho.
                    
                  
Devido à acumulação sucessiva de graves problemas resultantes das ilegalidades cometidas pelas instancias ministeriais e pelas administrações por si nomeadas para os serviços públicos de saúde, realizou-se a 30/4/2014 uma reunião das duas organizações sindicais médicas com o Ministro da Saúde, após múltiplas solicitações durante 5 meses.
Nessa reunião, o Ministro da Saúde não assumiu nenhum compromisso de solução dos diversos problemas suscitados, demonstrando qual a essência da sua postura política efectiva.

Entretanto, colocam-se graves problemas com projectos ministeriais que visam esvaziar as competências legais da Ordem dos Médicos a nível ético, deontológico, técnico e científico, de que a recusa ministerial em negociar um diploma do Acto Médico é o exemplo mais escandaloso.
Sendo matérias de negociação que não cabem às organizações sindicais é forçoso sublinhar que têm delicadas implicações no desempenho, globalmente considerado, da profissão médica.

O Ministério da Saúde é o exclusivo responsável pela preocupante deterioração da situação actual, numa escalada de medidas que impõem uma imediata e enérgica resposta da generalidade dos médicos.

O Ministro da Saúde, confrontado com a agudização dos diversos problemas na reunião de 30/4/2014, não só não tomou qualquer medida de resolução como ainda tomou a iniciativa de publicar mais portarias e despachos à revelia da contratação colectiva e da negociação sindical.
Na reunião efectuada no dia 6/6/2014, voltámos a ouvir as mesmas argumentações indefinidas, remetendo tudo para um futuro sem qualquer data.
Mais uma vez, ali na reunião, não assumiu qualquer compromisso concreto e temporalmente definido.
A emissão posterior de um comunicado do Ministério da Saúde a falar de violações de acordos por decidirmos avançar para a greve constitui um exemplo elucidativo e preocupante de desorientação e de cinismo político.
Quem tem estado sistematicamente a violar as matérias constantes do acordo assinado há cerca de 2 anos tem sido o Ministro da Saúde e os seus nomeados nas várias instâncias ministeriais.
Os factos são muitos e graves e facilmente demonstram esta situação perversa.

       6- A política governamental de desmantelamento progressivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e de negação do direito à saúde para um número crescente de cidadãos exige atitudes enérgicas e de firme oposição.
Chegámos a um nível de deterioração global da situação neste delicado sector da vida nacional que não permite outras saídas senão na base conflitual, situação conflitual essa que procurámos evitar a todo o custo, mas que a equipa ministerial tudo fez para tornar inevitável através de sucessivas medidas de provocação política.
As questões suscitadas e que determinam o actual conflito mostram que a resolução dos problemas que atingem os médicos está intimamente ligada à salvaguarda do direito à saúde da generalidade dos cidadãos.
E nesse sentido também dirigimos um apelo aos cidadãos para mostrarem a sua posição solidária com esta luta, tal como aconteceu há 2 anos com a anterior greve nacional dos médicos.

Porto, 9/ 6/ 2014

                                                                   A Comissão Executiva da FNAM

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Prémio atribuído a Soares dos Santos gera indignação


Frei Bento Domingues, o catedrático José Mattoso e o musicólogo Rui Vieira Nery são algumas das mais de 30 pessoas que manifestaram "indignação" pela atribuição do prémio 'Fé e Liberdade' a Alexandre Soares dos Santos, ex-presidente do grupo Jerónimo Martins.
Em documento enviado à reitoria da Universidade Católica Portuguesa (UCP), os subscritores referem que foi com "grande perplexidade, tristeza e indignação" que tiveram conhecimento de que o Instituto de Estudos Políticos da UCP deliberou atribuir o prémio 'Fé e Liberdade' a Elíseo Alexandre Soares dos Santos, designado "um dos homens mais ricos de Portugal".
Enfatizam que esta denúncia não é movida por "qualquer ressentimento contra a pessoa" em causa, mas pelo "dever" de, em consciência, tornar audível a voz dos cristãos que não querem - não podem - silenciar" a sua indignação.
***«***

Alexandre Soares dos Santos sempre foi muito bom em contas de mercearia... Não lhe reconhecia, contudo, este seu talento de também ser bom nos negócios da Fé. Mas, em negócios da Fé, a Universidade Católica é que sabe, pois é por lá que existem peritos que têm a faculdade (o dom...) de descobrir quando é que Deus deixa de escrever direito por linhas tortas. 
Ámen...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Interior perde sete mil serviços e quase 200 mil pessoas


Desde 2000 que cerca de sete mil serviços públicos foram encerrados no interior do país. Ou seja, há um grande fosso entre o interior e o litoral que acaba por afastar os jovens, conta o Jornal de Notícias.
Cerca de sete mil serviços públicos encerrados no interior do país desde 2000, Desde escolas, unidades de saúde, postos da GNR ou Correios, junta-se também os tribunais e as repartições das Finanças.
“Quando o Estado retira escolas, tribunais ou as Finanças, é a própria legitimidade do Estado que também desaparece”, explica Giovanni Allegretti, especialista em Planeamento Territorial, acrescentando que “ninguém fica onde não existe nada”.
De 1974 a 2013, o interior já perder 197 mil habitantes.

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Fechar uma escola, um posto médico ou um tribunal no interior do país não é lutar contra a crise. É prolongá-la irreversivelmente para o futuro. O Estado, que tem a responsabilidade de promover a coesão social e garantir a coesão territorial, está a abandonar à sua sorte milhares de pessoas do interior do país, provocando assim a progressiva desertificação de vastas regiões, que, desta forma, deixarão de contribuir para a riqueza nacional. Daqui por uma dezna de anos, aquelas zonas serão terras de ninguém.

"Governo Rua" e "Presidente incompetente. Deixe o seu palácio para melhor gente".


Sindicatos protestaram na Guarda quando Cavaco discursava
Cerca de três centenas de manifestantes protestaram hoje, na Guarda, no momento em que o Presidente da República discursava na cerimónia militar do dia 10 de Junho e se sentiu mal.
"O protesto foi para pedir a demissão do Governo, tendo em conta o ataque às funções do Estado, encerramento das escolas e contra a destruição do Serviço Nacional de Saúde", disse à agência Lusa Honorato Robalo, dirigente sindical da CGTP.
Honorato Robalo explicou que o protesto foi realizado no momento do discurso de Cavaco Silva, alegando que "o Presidente da República devia destituir" o atual Governo "uma vez que houve oito momentos em que as decisões do Governo foram consideradas inconstitucionais".

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Não é apenas a reincidência dos sucessivos e continuados atentados contra a Constituição, que justifica a imediata demissão deste governo. As duas derrotas eleitorais, sofridas nas autárquicas e nas europeias, demonstram que o governo perdeu a sua base social de apoio. E o Presidente da República está a ser conivente com esta situação escandalosa, ao ignorar os sentimentos dos portugueses, já expressos nas urnas.

Agradecimento


É uma honra receber no Alpendre da Lua, como amigo/seguidor, Citoyen du Monde.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Governo grego remodelado após derrota nas eleições europeias


O primeiro-ministro conservador grego Antonis Samaras remodelou hoje o seu governo de coligação, com a pasta das Finanças a ser atribuída ao professor e economista Gikas Hardouvelis, informou um porta-voz do executivo.
A decisão surge a meio do mandato de quatro anos da atual coligação, liderada pela Nova Democracia (ND) de Samaras e que também integra o Partido Socialista Pan-Helénico (Pasok), do vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia Evangelos Venizelos, que reforça o seu peso no executivo.
Nas eleições europeias de maio, e pela primeira vez, a ND foi derrotada pelo partido da esquerda radical Syriza, que obteve mais três por cento de votos e exigiu de imediato legislativas antecipadas.

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Na Grécia, tal como em Portugal, na Espanha e na França, o poder político perdeu a base social de apoio, não retirando, todavia, desta clara evidência, as respetivas conclusões, que seriam, naturalmente, a demissão do governo e a convocação de eleições legislativas. Perante a hecatombe das eleições europeias, os governos destes quatro países, invocando formalismos falaciosos, que lhes justifiquem a legitimidade governativa, não se demitem, dando assim continuidade à sua servil fidelidade ao diretório de Berlim/Bruxelas, com quem firmaram compromissos, que um dia, para o espanto das gentes, virão à à luz do dia. 
Mas não é apenas através da perspetiva política que a realidade deve ser avaliada. O que se passa na Grécia, onde está a ser aplicada uma política criminosa de terrorismo financeiro, que está a provocar fraturas sociais gravíssimas, que os órgãos de comunicação social omitem, é a prova provada de que a intenção inicial proclamada não é salvar a Grécia, mas sim salvar o capitalismo financeiro europeu, salvando o euro e os bancos. Os índices macroeconómicos da Grécia são aterradores. Desde a intervenção da troika, o país já perdeu vinte e cinco por cento da sua riqueza e a dívida soberana já atinge um valor astronómico (176% do PIB). Nos arrabaldes das grandes cidades e nas cidades do interior, as populações vivem num cenário dantesto de miséria e de degradação, com a fome a vitimar crianças e idosos, e onde os serviços de saúde entraram em rutura.
É para a Grécia e não para a Irlanda, que Portugal deverá olhar, pois é no que está a acontecer naquele país que poderemos antecipar o cenário do que está reservado para o povo português.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Até os cegos vêem que a crise está a chegar ao fim...


Seis em cada dez portugueses querem Costa já à frente do PS


A menos de ano e meio da previsível data para as eleições legislativas, o clima interno no PS está a ‘ferro e fogo’, com Seguro e Costa na corrida pela liderança. Mas, segundo dados do barómetro jornal i/Pitagórica de junho, seis em cada dez inquiridos (60,5%) defende que o autarca de Lisboa é o “melhor líder” para o PS, contra apenas 18,2% que aposta na manutenção de Seguro.
***«»***
Qual é a diferença entre Seguro e Costa? Ambos são europeístas convictos, embora Costa diga que não é um europeísta ingénuo, o que Seguro também não será, certamente. 
Ambos querem um PS forte, o que para mim é apenas uma miragem, pelo menos até ao fim desta década. Ambos pretendem fazer crer aos portugueses que o diretório Berlim/Bruxelas está a ajudar Portugal, uma patranha do tamanho do monte Evareste, que só terá equivalente se começarmos a dizer que Cristiano Ronaldo é o maior português de sempre, desde Afonso Henriques. 
Ambos dizem que querem dar força aos partidos europeus da sua família política, para melhor defender os interesses de Portugal, quando, o que se verifica, é o alinhamento da maioria desses partidos com a doutrina Merkel/Schäuble. 
Para terminar, ainda falta dizer que ambos usam óculos com lentes progressivas, o que lhes dá a possibilidade de, simultâneamente, verem bem, ao longe e ao perto, e que, também, ambos têm cabelo encaracolado.
Só há uma diferença entre eles, que não é significativa. Um tem a pele clara, outro tem a pele um pouco mais escura.

Ah!... Já me esquecia. Ambos têm o nome próprio de António...

domingo, 8 de junho de 2014

Corrente humana de 123 km pela independência basca


Uma corrente humana para reivindicar o direito
dos bascos a decidirem o destino da sua
região juntou hoje 100 mil pessoas,
ao longo de 123 quilómetros,
entre Durango,na Biscaia, 
e Pamplona,no norte 
de Espanha.

A Espanha está sobre o vulcão dos movimentos republicanos e dos movimentos separatistas, e que, a qualquer momento, poderá entrar em erupção, espalhando a sua  lava por todo o lado. As ondas de choque abalariam o edifício europeu do euro, se a Espanha se desagregasse. Na Europa, nada ficaria na mesma, porque a História dos seus povos, ninguém a poderá apagar. Napoleão e Hitler fracassaram, pelas armas, nos seus respetivos projetos de unificação da Europa. Não será a czarina de Berlim que a dominará com o rolo compressor do império do euro e com a asfixia da política da austeridade e do empobrecimento.
Em Espanha já se percebeu que a União Europeia não é um espaço de solidariedade, mas sim um instrumento de rapina. E será esta convicção que irá motivar as futuras lutas, em Espanha.

A Espanha mexe e avança: Vaga republicana em 40 cidades espanholas


O movimento republicano exige que "o Governo do
Partido Popular, o PSOE e as restantes forças
 políticas que apoiam a próxima lei orgânica
da abdicação" percebam que os 90%
de votos favoráveis no Parlamento
 "não representam 90% dos cidadãos".

Não se trata de querer abrir as feridas, ainda não completamente saradas, deixadas pelo franquismo e pela Guerra Civil. O gigantesco movimento da onda republicana, que mobiliza principalmente a juventude, aparece como reflexo dos anteriores movimentos de protesto em relação às políticas de austeridade tomadas pelo governo de direita e telecomandadas pelo diretório europeu de Bruxelas e Berlim. O PSOE, com a sua capitulação e com a sua conversão ao neoliberalismo socialista, deixou de ser aquela ténue referência republicana, que ainda marcava o seu ideário político, levando à fuga de muitos dos seus simpatizantes, que se incorporaram neste grande e vigoroso movimento popular, que alastra por toda a Espanha e que começa a sonhar com a 3ª República.

sábado, 7 de junho de 2014

Quais são os três problemas da economia nacional? Reinhard Felke e Sven Eide


Dois especialistas na área económica e financeira, em análise à situação portuguesa, apontam os três principais problemas que têm impedido que o país cresça mais.
Num artigo hoje publicado [04 Junho] na revista Intereconomics, Reinhard Felke, economista da Comissão Europeia, e Sven Eide, membro do Ministério das Finanças alemão, analisam em detalhe a situação portuguesa e apontam os três maiores problemas da economia nacional.
Considerando que o processo de ajustamento económico do país está a ser conduzido “pelo crescimento das exportações”, os especialistas acreditam que ainda existem questões estruturais que devem ser melhoradas.
Primeiro, apontam o baixo grau da tecnologia como o responsável pelo fraco crescimento do sector exportador. Neste âmbito, as pequenas empresas “são um obstáculo quando é preciso entrar em mercados externos e promover a inovação".
Segue-se as baixas qualificações da população ativa, que se acredita serem responsáveis “por cerca de um terço da diferença de produtividade entre Portugal e os países mais desenvolvidos da OCDE".
Por fim, estão os elevados custos de financiamento que são "um impedimento significativo ao investimento e à expansão por parte das exportadoras".
Os dois especialistas salientam que os custos médios de financiamento em Portugal (juros de 4,5%) são cerca de um ponto percentual mais elevados do que os praticados em Espanha e na Irlanda, e nota que no caso de financiamentos mais baixos (menos de um milhão de euros) os juros chegam aos 6% para novos empréstimos.

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Destes três problemas estruturais, que o estudo identifica - baixo grau de tecnologia, baixas qualificações da população ativa e elevados custos de financiamento – os dois primeiros não são de agora. Vêm de longe. E isso explica o baixo nível de crescimento da produtividade da economia nacional. Nos ciclos de ouro de crescimento económico, que decorreram entre 1950 e 1974 e entre 1980 e 1990, o PIB da economia portuguesa, embora mais baixo do que o da média dos países da OCDE, cresceu ao mesmo ritmo do verificado nesses países. Contudo, o mesmo não ocorreu com a taxa de produtividade, que crescia mais lentamente, afastando-se progressivamente da média do crescimento das taxas de produtividade daqueles países, do qual resultou, pelo efeito cumulativo considerado, e ao fim desses trinta anos de crescimento económico, uma maior fragilidade da economia portuguesa, perante condicionantes externas adversas. Antes da revolução de Abril, a economia baseava-se numa política salarial restritiva, no protecionismo aduaneiro perante o exterior e numa tímida evolução do valor acrescentado. 
A produtividade foi sempre o calcanhar de Aquiles da economia portuguesa, que não conseguiu, através da inovação tecnológica, da formação profissional e da melhoria da gestão e da organização empresariais, dotar os trabalhadores portugueses de meios e de instrumentos de produção, que promovessem um maior valor acrescentado ao seu trabalho. Nesses dois períodos referidos, o crescimento económico, com base nas exportações, deveu-se essencialmente a fatores externos de conjuntura. No primeiro período pesou a reconstrução da Europa ocidental no pós-guerra, e, no segundo, a abertura das fronteiras aduaneiras às exportações para os países da União Europeia, então designada Comissão Económica Europeia (CEE). Por sua vez, naquele primeiro período referido, pelo menos um fator interno, de âmbito estrutural, e talvez o mais importante, remava contra a maré. Isto é: não favorecia um aumento significativo de produtividade. Referimos-nos à Lei de Condicionamento Industrial, do tempo de Salazar, que era altamente protecionista, quer limitando a importação de produtos, que no país já se fabricavam, quer impedindo o investimento estrangeiro em setores produtivos para exportação, que viessem fazer concorrência às unidades fabris nacionais, já instaladas. Com esta política, Salazar protegia os grupos económicos de meia dúzia de famílias da alta burguesia, que eram o sustentáculo do regime, sendo a inversa também verdadeira, com o regime a ser o sustentáculo daqueles grupos económicos, que ainda beneficiavam, além da repressão violente sobre os trabalhadores, da prática continuada de uma política de baixos salários.
Esta política de baixos salários teve efeitos perversos e muito negativos, que se mantiveram, embora de maneira diferente, depois da revolução de Abril. Sem concorrência e com salários controlados, os lucros estavam à partida garantidos, sem grande esforço e sem rasgos de imaginação. Podemos dizer que Salazar fez empresários preguiçosos. Para quê gastar dinheiro na inovação e na formação profissional de elevado grau, se o negócio, tal como estava organizado, era altamente rentável? Apenas se gastava algum dinheiro para apetrechar as forças policiais de meios eficazes para utilizar na repressão às greves reivindicativas por melhores salários, que foram muitas. Por herança genética, esta cultura empresarial transitou para as gerações seguintes de empresários, e ainda hoje se mantém em vastos setores, tendendo a aprofundar-se na crise atual, com a exploração laboral a entrar em roda livre.
Também o outro fator estrutural – baixas qualificações da população ativa – que o estudo daqueles dois investigadores assinala, e bem, e que também explica a baixa produtividade (e por arrasto a capacidade competitiva, centrada na qualidade e na inovação), tem antecedentes causais bem identificados, e que estão ligados ao caráter errático dos modelos educativos e às políticas centralistas do Ministério da Educação. E, aqui, os problemas são muitos, e que ameaçam perpetuar-se, o que aconselha ao seu tratamento isolado, numa outra ocasião. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Portugal entre os que menos apostam em tecnologias


A Suécia foi em 2012 o país europeu que destinou maior percentagem do orçamento para Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), 15% do total, enquanto Portugal destinou 1,5%, a segunda menor dotação a nível europeu.
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Portugal já perdeu a primeira fase da globalização, com o encerramento de várias empresas estrangeiras, que migraram para os países de Leste, e não beneficiando da fixação de novas indústrias, vindas dos países mais ricos. Agora, com este baixo nível de investimento na investigação e no desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação, Portugal acabará por perder a segunda fase do desenvolvimento daquele gigantesco processo económico e social, que está a marcar o nosso tempo, tal como a Revolução Industrial, baseada sucessivamente no carvão, na electricidade e no petróleo, marcou os últimos três séculos da História.
As Tecnologias de Informação e Comunicação são o futuro da economia e do desenvolvimento, e Portugal começa a ficar atrasado neste domínio. Basta ver quanto é obsoleto e anacrónico o Portal do Cidadão, do Ministério das Finanças, que se constipa constantemente, sempre que os contribuintes espirram. 
No passado, se Portugal não tivesse, em devido tempo (sec. XIX), lançado as bases da sua industrialização, construindo o caminho de ferro, a ligar todo o território nacional, hoje não poderia estar classificado como um país desenvolvido, e seria seguramente mais pobre do que realmente é. Não acompanhar no tempo próprio os processos das grandes mudanças dos paradigmas, é ser condenado ao subdesenvolvimento. E poderá ser este o destino trágico de Portugal, se não houver coragem para romper com a chantagem internacional a que está a ser sujeito, e que lhe limita a  capacidade de promover o desenvolvimento futuro. Com o país a trabalhar para uma dívida sempre a crescer e que nunca poderá ser paga e com a natalidade a diminuir, devido à emigração dos jovens e à crise económica, cujo fim não está à vista, Portugal, a partir da próxima década será um país de sonâmbulos, a vaguear por dentro da miséria. 

terça-feira, 3 de junho de 2014

O Tribunal Constitucional ou a história do médico e do coxo...


Novo resgate volta a assombrar Portugal...
Mais um chumbo, mais um buraco. A mais recente decisão do Tribunal Constitucional (TC) voltou a assombrar as economias estatais e a iminência de um segundo resgate volta a ser falada. O alerta foi dado pelo Financial Times que, num artigo dedicado a Portugal, fala dos “riscos de um novo empréstimo” e da necessidade de Portugal aplicar uma nova taxa nos subsídios de férias e Natal.
O buraco afundou mais 800 milhões de euros e a proximidade de um novo resgate ganha força. Esta é a convicção do Financial Times que destaca a persistência dos “riscos de um novo empréstimo de resgate” após mais uma nega do Tribunal Constitucional (TC).
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O governo já encontrou um pretexto para alijar a sua responsabilidade na inevitabilidade de um novo resgate da dívida pública, que já se previa, que já vem a caminho, e que é o resultado do enorme fracasso da sua política de empobrecimento do país: o Tribunal Constitucional.
O que o governo e os comentadores a seu soldo andam a dizer, através de uma suja campanha mediática, em que criticam os juízes do Tribunal Constitucional, por não terem passado um "certificado de garantia" aos cortes nos vencimentos do funcionários públicos, previstos no OE para 2015, é o mesmo que pedir a um médico um certificado de aptidão física, para um coxo praticar atletismo. O médico, por óbvias razões deontológicas, recusa o pedido, e o coxo desata a insultá-lo e acusa-o de ele não estar a promover o desporto nacional. Evidentemente que, através de um raciocínio lógico, conclui-se que o problema não está no médico, mas sim no coxo.
Para o Tribunal Constitucional, a única instância que tem poderes para emitir juízos definitivos sobre a constitucionalidade das leis ordinárias, aqueles cortes violam o espírito e a letra da Constituição. Portanto, para o governo, o problema a considerar deveria ser a Constituição e não o Tribunal Constitucional. Mas no momento atual, o governo e os seus apoiantes não têm força para alterar a Constituição, porque "nós" não deixamos. A força e a razão começa a estar do nosso lado, e o governo, mais tarde ou mais cedo, a bem ou a mal, tem de reconhecer que já não tem uma base social de apoio para se manter em funções. Assim como o Presidente da República.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Cabra transportada em bicicleta!...

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Isto não tem nada de especial!... A andar de bicicleta assim, eu já vi uma vaca em Berlim, um carneiro em Paris e um coelho em Lisboa...

Turismo e restauração criam 25.000 postos de trabalho


O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse hoje que o turismo e a restauração criaram 25.000 postos de trabalho no último ano, ajudando à queda do desemprego, que ainda está "em níveis preocupantes".
"O turismo e a restauração criaram, por si só, em termos líquidos, 25.000 postos de trabalho no último ano", disse hoje o ministro, em Lisboa, no lançamento da Nova Estratégia de Comunicação Digital do Turismo em Portugal, e ao relembrar alguns dados recorde que o setor atingiu em 2013.
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O ministro esqueceu-se de dizer que a maioria do emprego criado pelo turismo é sazonal e muito mal pago. Também se esqueceu de dizer que o crescimento significativo deste setor também se deveu, em parte, ao atrofiamento dos mercados no Egito e na África magrebina, mercados estes que, a todo o momento, poderão ressuscitar.
É de saudar o comportamento da nossa indústria turística, que já abandonou as práticas artesanais da sua promoção e melhorou muito a forma da gestão desta atividade, nos seus diversos domínios, tornando-a mais profissional.
Mas a prudência aconselha muitas cautelas nas projeções futuras, pois o turismo é uma das atividades do setor das exportações mais vulnerável aos fatores não controláveis. De um momento para o outro pode morrer a galinha de ovos de ouro das nossas exportações, que, para serem sustentáveis, têm de basear-se em produtos e serviços de um maior valor acrescentado.

Schäuble fala em nova ajuda à Grécia


O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, colocou sobre a mesa a hipótese de um terceiro plano de ajuda à Grécia, de valor inferior a 10 mil milhões de euros, numa entrevista à revista alemã 'Focus'.
"É possível que a Grécia precise novamente de ajuda, de um montante limitado", afirmou o ministro conservador. "Será um valor claramente muito mais baixo que nos dois primeiros programas, provavelmente um valor de um só algarismo", isto é, menos de 10 mil milhões, precisou Schäuble.
Os dois planos de assistência anteriores foram do montante de 240 mil milhões de euros. A questão de um novo plano de ajuda não era falada nos últimos meses, depois de ter sido um dos temas da campanha para as legislativas alemãs. Os gregos preferiam discutir uma reestruturação da dívida, mas isso não agrada aos credores de Atenas, entre os quais os bancos alemães.

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A Grécia vai para um terceiro resgate, o que vai elevar o total da sua dívida às instituições da troika para os 250 mil milhões de euros e, a seguir, Portugal irá inevitavelmente para um segundo resgate, o que prova o total falhanço do plano de austeridade, concebido pela Alemanha e aplicado pelas instituições da troika aos países europeus com dívidas públicas elevadas.
Antes das eleições para o parlamento europeu, os dirigentes políticos e os comentadores engajados com o sistema desdobraram-se em eufóricas declarações sobre a recuperação financeira e económica da Grécia, e, para Portugal, até se inventou aquela alegoria da saída limpa, à irlandesa, que era exibida nos media em doses diárias, e onde não faltava, tal como nas telenovelas, o recurso ao suspense sobre o dia seguinte.
Tudo isto, como está a ver-se, não passa de uma farsa, para encobrir os reais propósitos de obrigar, pela força de doses crescentes de austeridade, os países do sul da Europa a pagarem a crise financeira dos grandes bancos dos países ricos, principalmente os da Alemanha, que em 2010 estiveram à beira da falência.

domingo, 1 de junho de 2014

Notas do meu rodapé: Na política, a aritmética não é tudo...


Só a má-fé ou os abstrusos interesses partidários poderão desvirtuar a única leitura possível dos resultados das últimas eleições para o parlamento europeu, que, inequivocamente, demonstraram que a atual estrutura do poder político, em Portugal, se encontra desajustada em relação à realidade sociológica do país. Os eleitores chumbaram (e de que maneira!...) a coligação governamental e enviaram um recado esclarecedor ao PS de A. J. Seguro, negando-lhe a possibilidade de vir a ser uma alternativa credível, no caso de manter a orientação política atual. O PS ganhou as eleições, mas apenas pela lógica da aritmética, cuja legitimidade não se discute. No entanto, saiu derrotado politicamente, porque não foi o seu minguado resultado eleitoral a ditar a hecatombe do PSD/CDS. Se estas eleições tivessem sido umas eleições legislativas, eu pergunto com quem o PS iria aliar-se, para formar um governo sustentável? Com o PSD?
Eu sei, ou, pelo menos, presumo, que A. J. Seguro já contentar-se-á em apenas vir a obter mais um voto do que o PSD nas próximas eleições legislativas, em 2015, o que lhe daria a oportunidade de ser primeiro-ministro, o seu sonho egocêntrico, carinhosamente acalentado, fazendo assim renascer o bloco central de interesses, ao aliar-se com aquele partido de direita, solução que até agradaria aos mercados, à Merkel e às instituições da troika, mas que não agradará certamente aos militantes e eleitores do PS, que, a esta hora, já andam atarefados a retirar-lhe o tapete. Daí, o seu apego obsessivo ao cargo de secretário-geral do PS. Daí, a sua teimosia em considerar que o PS teve uma grande vitória nas últimas eleições, o que não é verdade, de todo, porque, na política, a aritmética não é tudo...