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sexta-feira, 14 de março de 2014

Ucrânia: À Europa, Saiu o Tiro Pela Culatra

 

Putine passou de bestial a besta em menos de 24 horas. De grande estrela organizadora dos Jogos Olímpicos de Sotchi, autêntica medalha de ouro da modalidade de contra-terrorismo, capa de variadíssimas publicações ocidentais durante quinze dias, Putine passou a ser o urso que ameaça devorar o mundo. Há, claro, em tudo isto (como diria Mark Twain a propósito das notícias sobre a sua morte), algum exagero e também alguma má-fé e muita ignorância.

As razões geopolíticas do afrontamento na “terra da fronteira” (significado literal de Ucrânia) são conhecidas de todos os que se interessam (mesmo pouco que seja) pela geopolítica. Mario Draghi confessou, a propósito, há uns dias, que a geopolítica era algo que estava para lá do alcance de “um pobre banqueiro central”… Mas esqueceu-se de referir (ou não sabia) que nenhum banqueiro central (pobre ou não…) está para além do alcance da geopolítica.

George Friedman, para só citar um nome conhecido dos leitores do “IE”, há anos que vinha a antecipar, em público, os actuais acontecimentos da Ucrânia (e outros da Europa e da Rússia) e, ao longo de 2013, lançou vários alertas sobre o problema. Portanto, esta crise, como todas as crises, era antecipável e a prova é que houve quem a antecipasse, como o nosso referido amigo George Friedman.
Não há, portanto, aqui nenhuma surpresa (Friedman explicou há um ano como a reacção de Putine só poderia ser a que agora… foi!) e se algum dirigente político ocidental se diz surpreendido, então, só está a comprovar que não tem competência para o cargo que ocupa. Mas isso também já se sabia…

Que a Crimeia queira ser russa também não é um facto que possa surpreender, tendo em conta a história dos últimos séculos e a conjuntura estratégica das últimas décadas. Nem é, de resto, caso raro e muito menos único. Assim, de repente, para não falar da defunta Checoslováquia, nem da falecida Jugoslávia e outros Kosovos, bastará lembrar a velha guerra da Irlanda e, mais recente, a Escócia a querer separar-se do Reino Unido, a Flandres que quer sair da Bélgica, a Valónia que admite integrar-se na França, a Lombardia que não quer ser italiana e, mais perto de nós, o País Basco e a Catalunha que gritam não ser Espanha e pretendem viver a sua própria vida. E a Alemanha deverá olhar também um pouco para aquilo que é… O estado politicamente mais arcaico e frágil da Europa, permanentemente ameaçado de uma implosão que só a ocupação militar americana mantinha fora da agenda e que agora só o sucesso económico disfarça, a Alemanha ter em qualquer altura a sua Crimeia na…Baviera.

A Crimeia não é, portanto surpresa alguma, nem sequer uma história rara. Que as chancelarias da União Europeia sucumbam a um fatal cocktail de arrogância e ignorância, polvilhado de preguiça, é outra história, que tão pouco é rara mas, sim, muito comum. Que, tendo sucumbido a esse cocktail fatal, as chancelarias europeias sejam surpreendidas, pelo normal evoluir das dinâmicas que desencadeiam, tão pouco tem nada de surpreendente. Que estejam agora a ser assediadas pelos banqueiros que, levianamente e com muito desprezo pela geopolítica, se “expuseram” na Rússia mas sobretudo na Ucrânia (onde a exposição ascende a dezenas de milhares de milhões…) também não surpreende. Aliás, seria o contrário que surpreenderia. Tal como surpreenderia que a União Europeia não mobilize já umas dezenas de milhares de milhões (do
dinheiro dos contribuintes, claro) para correr “ajudar” (a fundo perdido) a Ucrânia a pagar aos bancos europeus, para que estes não percam os seus fundos. O dinheiro, aliás, nem avistará terras da Ucrânia, passará directamente dos bolsos dos contribuintes para os cofres dos bancos. Claro, tudo isto precisa de um discurso justificativo e até apologético. A guerra económica dos bancos pela recuperação dos seus fundos precisa de uma boa guerra de informação… E ela aí está que já transformou em ouro devorador a medalha olímpica do contra-terrorismo de Sotchi. Até os editoriais de um “Economist”, outrora tão lúcido, cheiram a propaganda barata…

A questão estratégica, porém, é outra. A Rússia é o jovem Estado que sucedeu à União Soviética (embora tenha perdido territórios e populações). Como jovem Estado está a iniciar o seu percurso e tem escolhas estratégicas a fazer. Escolhas que ditarão o seu futuro imediato e a longo prazo. Por exemplo, dizer que a Rússia deve escolher a democracia à ocidental é uma frase feita e totalmente
vazia. Oca. A Rússia, para escolher e construir a democracia à ocidental, precisa de ter um horizonte de integração no mundo euro-atlântico. De sentir e ver que essa integração não só é possível como é a melhor aposta em termos de desenvolvimento e segurança do jovem Estado russo. Ora, a “crise” da Ucrânia constitui-se em trauma para a Rússia que percepciona este conflito como a vontade da Alemanha, enquadrada por outros europeus e apoiada por Washington, de desestabilizar as fronteiras russas, instalar-se aí e obter o controlo do Mar Negro, barrando a Moscovo a sua única via de acesso ao Mediterrâneo. Bem ou mal, a Rússia percepciona a Ucrânia como um Estado-tampão essencial à sua defesa. Isso é um facto. Um facto real e estratégico que, sendo tal, não pode ser ignorado, como o foi pelas chancelarias europeias. Moscovo considera que, dada a sua geografia e a sua história, a transformação
da Ucrânia num Estado sob influência de Berlim (com ou sem apoio de Washington) é uma gravíssima ameaça à sua segurança nacional e, como tal, não pode ser tolerável e, muito menos, tolerado. A reacção de Putine só podia, portanto, ter a natureza que teve…

A sua recentíssima declaração de que pretende uma “solução diplomática”, mais do que apaziguadora pode ser muito preocupante e tem várias leituras possíveis mas concordantes e mesmo complementares.

Primeiro, Putine sente que já está montado um sistema suficiente de forças na Crimeia e que, resolvido esse problema de terreno, é agora tempo de começar a “conversar”;

Segundo, Putine não acredita em “soluções diplomáticas” mas as forças no terreno, tanto na Crimeia como em todo o leste da Ucrânia, são já suficientes para aguentar embates com as milícias e as tropas deste governo anti-russo de Kiev;

Terceiro, não havendo soluções diplomáticas (e, obviamente, quanto menos elas forem possíveis mais ele chamará por elas…), Putine aceita uma “guerra prolongada” na Ucrânia (à imagem da ex-Jugoslávia), em que não empenhará tropas mas municiará abundantemente as milícias pró-russas, pelo menos enquanto não  houver intervenções estrangeiras;
Quarto, uma tal guerra civil na Ucrânia, uma estratégia de caos, desestabilizará não só a Ucrânia mas toda a região, será um imenso sarilho para a União Europeia, prejudicará gravemente os interesses americanos no Irão, Síria, Iraque, Afeganistão e outros, tornará o Mediterrâneo oriental uma autêntica zona de guerra, será uma bela vacina para outros Estados ex-soviéticos que apresentem veleidades anti russas e, last but not least, isto afastará, por décadas, Moscovo do mundo euro-atlântico colocando-o numa posição de radical desconfiança estratégica de todo o Ocidente e, particularmente, de Berlim;
Quinto, esta “estratégia caos” choca de frente com os interesses europeus de um próspero mercado de 45 milhões de consumidores ucranianos mas não belisca o interesse russo de ter na Ucrânia um Estado-tampão, que pode perfeitamente ser o campo de ruínas resultante de uma arrasadora guerra civil.

A Bruxelas, na Ucrânia, já está visto que lhe saiu o tiro pela culatra… Os estragos que isso provocará é o que ainda iremos ver. Como tudo isto pode ser visto, enquadrado e explorado no quadro da estratégia nacional portuguesa é algo a que só quem souber o que essa estratégia nacional poderá dar alguma resposta…
Inteligência Económica
10/03/2014

Amabilidade de Diamantino  Silva

sábado, 8 de março de 2014

Opinião: Quem são os nazis no governo ucraniano? - por Thierry Meyssan


As potências ocidentais reconheceram de imediato o governo ucraniano, instaurado como resultado de um golpe de Estado. Esse governo inclui vários membros de organizações aberta, e explicitamente, nazistas. Entre esses indivíduos, há três líderes que se distinguiram produzindo imagens que mostravam agressões e torturas falsas, para convencer à opinião pública da crueldade do presidente, democraticamente eleito, Viktor Yanukovich. Sem disfarçar, o secretário adjunto do Conselho de Segurança Nacional de Ucrânia reconhece que tem relações com al-Qaida.
Thierry Meyssan
REDE VOLTAIRE (Ver aqui)

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Com a cumplicidade ativa dos EUA, da Alemanha e da França (quem diria?), já amplamente demonstrada, pela primeira vez, na Europa, surge na Ucrânia um governo formado por membros de organizações fascistas, que se reclamam herdeiras dos ideais da nazismo.
Os objetivos dos países ocidentais, que reconheceram imediatamente um governo não eleito, que derrubou um governo eleito democraticamente, dirigem-se contra a Rússia, tentando assim impedir o seu acesso ao Mediterrâneo. O governo da Rússia, com o apoio unânime do seu Parlamento, fez o que tinha a fazer, e fez bem. Marcou claramente a sua posição.
AC

quinta-feira, 6 de março de 2014

Notas do meu rodapé:A charlatanice à solta


Belmiro de Azevedo "Salários só aumentam quando português fizer uma coisa igual"

O presidente do Conselho de Administração da Sonae, Belmiro de Azevedo, afirmou hoje que os salários em Portugal só podem aumentar quando os trabalhadores tiverem a mesma produtividade que, por exemplo, os alemães.
"Os salários só podem aumentar - e oxalá que isso aconteça -- quando, de facto, um trabalhador português fizer uma coisa igual, parecida, com um trabalhador alemão ou inglês, seja o que for", afirmou Belmiro de Azevedo, à margem da cerimónia de entrega dos diplomas dos finalistas do MBA Executivo da Porto Business School.
Notícias ao Minuto (ver texto completo da notícia)


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A charlatanice à solta

Pasmo de espanto como é que na seleta reunião da entrega dos diplomas aos finalistas do MBA Executivo da Porto Business School, pejada de economistas, ninguém tivesse corrigido a aleivosia do patrão da Sonae, sobre a sua errada definição de produtividde, que ele, por motivos ideológicos e de classe, focaliza exclusivamente no factor de produção, o trabalho, ignorando um outro factor, o investimento, que é é a grande alavanca do aumento da produtividade. Belmiro de Azevedo, ou já está senil, ou é ignorante ou, então, é um charlatão. Se está senil, não deveria ter sido convidado para uma reunião, que, em princípio, deveria caracterizar-se pelo rigor da linguagem económica. A segunda hipótese, a da crassa ignorância, também deveria ter ditado a sua exclusão. A terceira hipótese, a da charlatanice, remete-me para a dúvida se os dirigentes e responsáveis daquele MBA Executivo não passam também de uns grandes charlatães (ou charlatões, se preferirem).
A produtividade de uma economia mede-se pela razão do PIB em relação ao número de trabalhadores ativos, multiplicado pelo número total de horas de trabalho (PIB / nº de trabalhadores x nº de horas trabalhadas). Como se trata de uma fração, com numerador e denominador, qualquer pessoa percebe que a produtividade é tanto maior, quanto maior for a riqueza produzida e quanto menor for o número de horas trabalhadas. Num determinado ano, a produtividade em relação ao ano anterior aumentará se um mesmo número de trabalhadores, trabalhando o mesmo número de horas, produzir mais e (ou) melhores produtos e serviços (mais riqueza). Mas essa capacidade de aumentar riqueza depende quase exclusivamente de um dos factores da composição do PIB, o investimento (em novas tecnologias, que encurtem o tempo de trabalho para fabricar cada unidade dos produtos, na formação profissional dos trabalhadores, aumentando as suas capacidades produtivas, e na melhoria da gestão e do marketing). Também se poderia aumentar a produtividade, aumentando os horários de trabalho ou os ritmos de trabalho, que é o que está a acontecer em Portugal, atualmente. Mas tudo isto depende do empresário e não dos trabalhadores, que cumprem (não têm outro remédio) os horários e os ritmos de trabalho que lhes são impostos. Ora a produtividade tem sido, desde sempre, o calcanhar de Aquiles da economia portuguesa, e isto porque os empresários não arriscam em investimentos focalizados na inovação, que aumentem a produtividade e, consequentemente, a competitividade.
Neste sentido, pode dizer-se que os nossos empresários foram e são parasitas, pois só pensam em aumentar a produtividade à custa do aumento dos tempos de trabalho e aumentar a produtividade à custa da desvalorização salarial (menores custos de trabalho). Apesar de ser o homem mais rico de Portugal, Belmiro de Azevedo é um deles, pois só aposta em negócios de pouco risco e de pouco valor acrescentado (devido à baixa produtividade), mas que lhe proporciona elevados lucros, devido aos baixos salários.

Paulo Morais: Deputados acusados de corrupção...

Amabilidade de Joaquim Pereira da Silva
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Isto já não vai lá, através dos votos. Cada vez mais defendo a solução radical.

terça-feira, 4 de março de 2014

O caminho para a 3ª Guerra Mundial


Amabilidade de João Fráguas

A propósito deste tema, remeto o leitor para o meu apontamento em Notas do meu rodapé de 19 de Janeiro de 2013, que a seguir transcrevo: 

As causas remotas da crise financeira internacional

Qualquer acontecimento (na vida, na política, na economia e em tudo) tem causas e consequências. E a atual crise económica e financeira internacional também teve causas, as próximas (mais conhecidas) e as remotas (pouco divulgadas e pensadas), embora os corifeus do sistema tentem apresentá-la como se de um fatalismo se tratasse, imprevisível e inevitável, sem culpados e sem tratantes. E o excesso de liquidez, ocorrido a partir dos finais dos anos setenta, é uma das causas remotas da crise. Aquele aumento de liquidez resultou de vários fatores: da enorme acumulação de capitais nos bancos dos EUA, proporcionada pela remessa de avultados lucros proporcionados pela deslocalização das indústrias para a Ásia; da então recente formação dos off shore financeiros, em diversas partes do mundo, a fim de captar poupanças dos países menos desenvolvidos; da decisão unilateral da desvinculação do dólar do padrão ouro, para poder valorizar especulativamente aquela moeda; e, também, pelo facto dos pagamentos do petróleo a nível internacional começarem a ser feitos em dólares, por imposição dos EUA (houve, nesse sentido, uma negociação do governo dos EUA com a Arábia Saudita e com outros países árabes do Golfo).
Neste novo quadro, concebido pelos arquitetos do neoliberalismo, os EUA, cujo Tesouro saiu depauperado da guerra do Vietname, reforçaram a liderança económica e financeira a nível planetário, liderança essa que agora está a ser seriamente ameaçada pela ascensão meteórica e sustentada da fulgurante economia chinesa.
Para rentabilizar rapidamente o dinheiro, e uma vez que a economia, já amputada pelo efeito da deslocalização, não podia absorvê-lo na forma de créditos às empresas, os bancos americanos conceberam então a máquina financeira de multiplicar o dinheiro: o subprime. Iniciou-se um processo gigantesco de crédito fácil e de risco, às famílias, para a compra de casa própria. Os respetivos títulos, sem que os operadores se questionassem sobre o seu valor real, entraram no jogo da roleta da Bolsa de Valores, dando origem à economia de casino. Parecia que o mundo nunca iria acabar, pois todos ganhavam dinheiro a rodos, com destaque para os bancos e os seus acionistas, que trataram de colocar os seus dividendos em lugares seguros, não fosse o céu desabar. E tinha que desabar, pois toda aquela sumptuosa riqueza era falsa, uma vez que não tinha sustentabilidade na economia real.
E o que se seguiu, já é conhecido. Falência em cadeia do sistema financeiro americano, que foi salvo pelos impostos dos cidadãos, num processo injusto e escandaloso da socialização dos prejuízos. Os acionistas dos bancos, os verdadeiros donos do mundo, ganharam mais uma vez.
Como esta crise era estrutural e não conjuntural, e como a globalização aumentou a interdependência das economias mundiais, a Europa não poderia passar incólume ao seu efeito sistémico, principalmente os países periféricos, onde o subprime foi incrementado. No entanto, existe uma diferença entre o que aconteceu nos EUA e na Europa. Por um lado, a liquidez dos bancos europeus não atingiu o nível dos seus congéneres norte-americanos, que muito beneficiaram com a internacionalização do dólar. Por outro lado, a economia europeia começou a viver um processo económico autofágico, a viver para si própria (e este é o seu verdadeiro problema). Basta dizer que a Alemanha só exporta para o exterior do espaço europeu trinta por cento do total das suas exportações. Por outro lado, na Europa, a Alemanha e a França exportaram o subprime para os países periféricos, promovendo o endividamento agressivo desses países. Tal como aqui denunciámos (ver esta hiperligação), a Alemanha, num processo inédito de engenharia financeira, e violando o Tratado de Maastricht, emitiu uma quantidade enorme de dinheiro (marcos, depois convertidos em euros), que escondeu em depósitos bancários, tendo-o utilizado, posteriormente, para forçar subtilmente o endividamento de Portugal, Espanha e Grécia (a Itália defronta-se, principalmente, com o problema da dívida interna), países que agora se encontram submetidos, por imposição da Alemanha e de alguns países ricos da UE, a uma dura, penosa e asfixiante austeridade, cujo obejetivo declarado será a promoção da redução dos seus défices orçamentais, num horizonte temporal muito curto.

Adenda: Recebi do meu sobrinho, João de Castro Mota, a seguinte observação, que acrescento aqui:
"Deixe-me só acrescentar um elemento à sua análise: para além da criação das offshores, da queda do padrão ouro, e de todos os factores que menciona, tomei conhecimento de outro elemento no excelente livro http://www.webofdebt.com/. A reserva federal americana tem andado a suportar as bolsas de valores nos EUA. De todas as vezes que parece que vai haver um "crash" na bolsa de valores, isso nunca acontece (seriamente). Por exemplo, não aconteceu com os atentados de Londres ou das torres gémeas. Nessas alturas, a Reserva Federal cria dinheiro e envia-o para fora do país (de modo a parecer um investidor exterior) e compra acções nas bolsas, de modo a parecer que a confiança está em alta". 
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Ver também aqui

domingo, 23 de fevereiro de 2014

PSD/Congresso: PS sem pressa de anunciar candidato europeu - João Proença


O membro do secretariado nacional do PS João Proença disse hoje que os socialistas não têm pressa em anunciar o seu cabeça de lista às eleições europeias de 25 de maio, rejeitando o repto social-democrata da véspera.
«O PS rapidamente [irá anunciar]. Compete ao secretário-geral anunciar o candidato às eleições. O PS não tem pressa. Há cinco anos, foi anunciado em março. Será anunciado de acordo com o 'timing' do PS, não de acordo com o 'timing' do PSD, nem da Comunicação Social», disse o socialista.

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Na falta de melhores argumentos, que espicaçassem os ânimos das desmoralizadas hostes laranja, o PSD transferiu a prioridade do anúncio dos cabeças de lista às eleições europeias para o campo da competição desportiva, como se a questão de ver quem chegava primeiro à meta fosse na realidade importante, num país assolado por uma devastadora crise e que ainda não conseguiu descortinar as melhorias que as lideranças do poder anunciam aos quatro ventos. Trata-se de um perverso discurso político, ornamentado de banalidades, que tem por objetivo esconder o lamaçal em que vivem os portugueses. E António José Seguro foi no jogo. Apresentou Francisco Assis com espalhafato, tentando fazer crer que está a fazer uma oposição coerente ao PSD. Não está!... Francisco Assis tem tomado posições públicas a favor de um entendimento do PS com o PSD, para a reforma do Estado e para o período pós-troika. É um bom padrinho para o casamento de dois partidos que defendem os mesmos objetivos.

Praxes – por Luís Menezes


Se há algo que demonstra a degradação em que tem caído a nossa sociedade é a proliferação de praxes académicas, a pretexto de uma tradição que não tem qualquer cabimento, especialmente em universidades que surgiram no século xx. Na verdade, as praxes académicas, pretendendo ser rituais iniciáticos, são efectivamente exercícios de sadismo e de humilhação, que nunca deveriam ter lugar num Estado de direito. Invocando uma tradição académica inexistente, praticam-se a coberto das praxes verdadeiras violações dos direitos humanos, por vezes com consequências trágicas para os estudantes envolvidos.
O que mais choca nas praxes é a total complacência das autoridades académicas e dos responsáveis políticos, que têm transigido com essas práticas em lugar de as reprimir severamente. Não é aceitável que os claustros universitários, em lugar de serem destinados ao ensino e à investigação, sejam utilizados como coliseus onde se praticam verdadeiros massacres de estudantes. E muito menos é aceitável que as universidades, em lugar de acautelarem a segurança física dos seus alunos, aceitem pacificamente que os mesmos sejam submetidos a práticas de risco para a saúde e a própria vida.
Em 1727, D. João V determinou que "todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos". Sigam o exemplo do Magnânimo e decretem desde já medida semelhante. Vão ver como estes abusos acabam num instante.
Luís Menezes
Professor da Faculdade de Direito de Lisboa

Almada Negreiros não Zip Zip (1969)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

BOA SORTE, FERNANDO TORDO - por Amadeu Homem


Fernando Tordo, aos 65 anos e com uma pensão de duzentos e poucos euros, abandonou Portugal e foi fixar-se no Recife, em terras brasileiras. O filho, o escritor João Tordo, deu a conhecer uma carta sobre a partida do seu pai. É um texto de contido protesto, da qual nem sequer ressuma ódio contra aqueles que, publicamente, servindo-se - segundo parece - do Facebook do cantor, o mandaram ir para Cuba ou para a Coreia do Norte, ou limpar retretes. O escritor João Tordo admirou-se com o ódio de algumas opiniões. Eu não. O serviço a uma crença - e sobretudo a fidelidade a crenças políticas - suscita as mais entranhadas resistências, sobretudo por parte daqueles que se sentem ameaçados, nas suas prerrogativas, privilégios ou património, pelas ideologias opostas. Ora, Fernando Tordo serviu Abril, batendo-se na barricada onde também estiveram Ary dos Santos, José Afonso, Luís Cilia, Manuel Alegre e tantos mais. Quem não gostou ou gosta de Abril não lhe perdoou ou perdoa este seu querer. Depois, há que ver que a crise económica está a transformar Portugal num covil de lacraus. O português sempre foi caracterialmente invejoso. E agora é-o mais do que nunca. Com a destruição progressiva da classe média e com o alastramento da miséria, sobem de tom as increpações, as interpelações, os brados odientos dos que acham - por que há quem ache !!! - que se este ou aquele se estão a afundar, então é "direito democrático" a exigência de que se afundem todos. Ou de que se afundem pelo menos os que tiverem opiniões diferentes. 
Numa palavra : Estou a caminhar para velho. Já nada me surpreende. Boa sorte para o Fernando Tordo.
Amadeu Homem
Professor Catedrático de História da Universidade de Coimbra

Humor: 25 de Abril de 2014

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Mais parece um funeral!...

Agradecimento


Agradeço a Domingos António a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amigo/seguidor.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O milagre económico da parelha Coelho/Portas

Da página de Ana Paula Horta
A Dívida Pública do Estado já representa cerca de 130% do PIB, quando em 2011 representava 108%.

Portugal deve preparar-se «desde já» para saída do euro, disse João Ferreira na apresentação da sua candidatura como "cabeça de lista" pela CDU ao Parlamento Europeu



O cabeça de lista da Coligação Democrática Unitária (CDU) ao Parlamento Europeu, João Ferreira, pediu a «eleição de mais deputados» e defendeu que Portugal deve, «desde já», começar a preparar-se para um eventual abandono da moeda única.
«O futuro do país é inviável dentro do euro. Não devíamos ter entrado, mas também sabemos que a saída, hoje, não nos leva ao ponto de partida e muito menos ao ponto em que estaríamos se não tivéssemos entrado. Daí a importância da adoção de medidas que preparem o país, desde já, face a qualquer reconfiguração da zona euro», afirmou, na cerimónia de lançamento da candidatura, em Lisboa.
O atual eurodeputado referiu que a «preparação deve ser feita não apenas em face de possíveis desenvolvimentos na crise da União Europeia, mas também em nome de uma saída de Portugal do euro por decisão e interesse próprios».
TVI24 (vídeo e texto completo)


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A saída de Portugal do euro não é assumida por nenhum postulado ideológico. É uma necessidade premente, imposta pela racionalidade da ciência económica, que postula que o valor da moeda de um país deve estar em consonância com os objetivos da respetiva política económica. No atual contexto da crise, Portugal necessita de uma moeda que promova acentuadamente as exportações e diminua as importações, desiderato que o euro não facilita. Por outro lado, já se percebeu que a moeda única se transformou numa arma de dominação e de chantagem, tal como a dívida soberana.

Financial Times O "herói-surpresa" chamado Portugal


A recuperação portuguesa não passa despercebida e o Financial Times voltou a colocar os esforços ‘lusos’ nas bocas do mundo. Num artigo onde descreve o país como o “herói-surpresa da retoma na Zona Euro”, este jornal destaca o importante papel das exportações e do turismo na luta contra a crise.
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Nós já sabemos como se organizam as campanhas mediáticas de intoxicação da opinião pública. A história já é velha, mas ainda há muita gente a ser seduzida e enganada. 
O Finantial Times, sob a capa de uma falsa independência, é o jornal que reflete a ótica dos agentes do capitalismo financeiro. E, em ano de eleições para o Parlamento Europeu, é importante apresentar casos de sucesso económico, na Europa, resultantes da aplicação da cartilha neoliberal, embora os autores da cabala tenham de recorrer à descontextualização dos indicadores económicos e omitir outros, por conveniência de serviço. 
Sobre o fracasso do Memorando da troika, aplicado a Portugal, nem uma palavra. E a verdade é que todos objetivos macro económicos previstos [défice orçamental, dívida, desemprego e saldo líquido da procura externa (exportações menos importações)] não foram alcançados. Também não há nenhuma referência ao empobrecimento irreversível do povo português, nem à fome endémica, que está a atingir a população mais pobre.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

PSD, PS e CDS são iguais nos "tachos"

Patrícia Silva - investigadora da Universidade de Aveiro

Um estudo de uma investigadora da Universidade de Aveiro não podia ser mais claro: as nomeações para a Administração Pública respondem a interesses partidários, estejam o PSD, o PS ou o CDS-PP no Governo.
Não há diferenças entre os partidos do arco do Governo no que diz respeito aos chamados "tachos", as nomeações para a Administração Pública (AP) com base em interesses e pressões partidários.
"PSD, CDS e PS são duas faces da mesma moeda", resume Patrícia Silva, investigadora da Universidade de Aveiro (UA), que analisou uma amostra de 11 mil nomeações para a Administração Pública realizadas entre 1995 e 2009, período que abarca dois governos PS (António Guterres e José Sócrates) e um do PSD/CDS (Durão Barroso/Santana Lopes).
A autora do trabalho de doutoramento "Novos dilemas, velhas soluções? Patronagem e Governos Partidários" concluiu que as nomeações para a cúpula da AP em Portugal são influenciadas por interesses partidários para recompensar serviços prestados ao partido do poder.
Jornal de Notícias

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Estão explicadas as fidelidades caninas!...

DÍVIDA PÚBLICA - A MAIOR FRAUDE DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE!

Amabilidade de João Fráguas
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Já seria um grande avanço, se o Estado recuperasse o poder da emissão de moeda, que emprestaria a juro baixo aos bancos comerciais, com a condição de estes não ultrapassarem, nos empréstimos às empresas e às famílias, o valor das suas reservas (as de capitais próprios e as referentes aos capitais resultantes dos empréstimos, efetuados pelo Estado), para que, através desta via, não se constituíssem emissores de moeda.
Mas eu continuo a defender que os bancos, na sua atividade creditícia e de depositários das poupanças, deveriam ser nacionalizados, para que os lucros revertessem para o Estado, o que iria permitir, por exemplo, baixar os impostos e dinamizar mais a economia.

Agradecimento


Agradeço à Natividade a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O processo de Olli Rehn, segundo Kafka


Segundo Olli Rehn serão os mercados que aferirão o nosso sucesso ou insucesso. Ou seja, o sucesso de Portugal, não será medido pelo clube a que pertence, mas sim aos "mercados", essa entidade invisível, líquida e não identificável. Se isto é a Europa, para que é que desejamos pertencer a ela?
Fernando Sobral

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Encarando toda a atividade humana como um negócio (incluindo a própria cultura), os agentes do capitalismo financeiro adquiriram um poder imenso, que lhes abriu a porta para poderem influenciar a política global e as políticas de cada país, em particular. Os políticos, quando chegam ao poder, e sem que tenham um mandato claro dos eleitores, nesse sentido, rapidamente iniciam a aplicação de políticas económicas (umas até encomendadas) do agrado do mundo da finança, da indígena e da internacional, torpedeando assim qualquer processo democrático.  Através das bolsas e dos bancos, o capital organizou um gigantesco processo operacional, que veio mercantilizar financeiramente a maior parte das atividades económicas das sociedades. Tudo se joga nas bolsas, que, através da procura e da oferta, às quais se junta a especulação, fixam, a cada momento, o valor dos produtos. Com este processo, a própria moeda de cada país ganha a distorcida dimensão de mercadoria, em desfavor das suas funções matriciais, a de meio de troca e a de meio de pagamento.
A própria dívida soberana dos países não escapou a este processo, que está a ser constantemente envenenado com manobras especulativas, destinadas a encontrar taxas de juro hiper-valorizadas, que permitam uma maior encaixe financeiro. E, com esta acelerada financeirização da economia, a dívida transformou-se gradualmente num instrumento de poder e de chantagem. Portugal que o diga.  

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O Assalto aos Reformados

Amabilidade de Campos de Sousa

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Julgo que este texto, enviado pelo meu amigo e colega, Campos de Sousa, será, na parte citada, da autoria de Bagão Félix, que foi, respetivamente, em dois governos diferentes, ministro das Finanças e ministro do Trabalho e da Segurança Social. Embora de direita, Bagão Félix tem sido um severo crítico da ofensiva deste governo contra os indefesos reformados e pensionistas, insurgindo-se com muita determinação contra os sucessivos cortes a que estão a ser sujeitos os seus rendimentos.
Eis o seu apelo:

CAMARADAS DE ARMAS DOS TRÊS RAMOS DAS FORÇAS ARMADAS.
COMBATENTES:

Independente, católico praticante que já foi Ministro do Trabalho e da Segurança Social e também Ministro das Finanças escreveu: " A ideologia punitiva sobre os mais velhos prossegue entre um muro de indiferença, um biombo de manipulação, uma ausência de reflexão coletiva e uma tecnocracia gélida!". É, de facto, o que está a acontecer. Para quem nos governa, neste momento, os mais velhos são algo a abater ou lixo que convém não tratar e enterrar quanto mais depressa melhor! percebem, não percebem? Nunca fomos controláveis muito menos manipulados, mais a mais, depois de termos passado nas nossas vidas por tudo o que passámos. Por isso, considero que é chegada a hora de nos manifestarmos sem complexos ou medos. O tratamento que nos tem sido dado ao longos dos últimos anos é deplorável, de uma insensibilidade mais que desumana e, por isso, vamos com todo o civismo que nos é reconhecido dizer, através do nosso silêncio, basta! basta! basta! Contamos com todos os ex-combatentes para travarmos o rumo que isto está a levar. Organizem autocarros e compareçam. Exigimos que nos respeitem.

Camarada de Armas.
Eu, Tu, todos que estivemos na guerra
Está na hora do passa palavra 
Movimenta todos os teus conhecidos para esta Manifestação Nacional Em Lisboa:

Um grupo de ex-combatentes reunidos nos dias 14 e 31 de Janeiro p.p., deliberou convidar para uma marcha silenciosa todos os ex-combatentes para o dia 01.03.2014, pelas 15hoo, do Marquês de Pombal até ao Rossio, para manifestar o seu mais profundo descontentamento pelas políticas injustas e indignas de cortes brutais nas reformas dos portugueses e que tem vindo a atingir muitos cidadãos empurrando-os para uma situação de pobreza e miséria ultrapassando todos os limites e todas as linhas vermelhas que possam ser admissíveis e nunca vistas em Portugal. 
Esta marcha de indignação dos ex-combatentes realizar-se-á em silêncio e, apenas e só, de boina na cabeça.
Não serão admitidos cartazes, slogans ou quaisquer provocações.
Será realizada na independência total de quaisquer partidos políticos ou sindicatos.
O nosso silêncio será a resposta a dar a estas políticas injustas e indignas de pessoa humana.
O nosso silêncio terá um maior significado e impacto na opinião pública.
O nosso civismo de que nunca abdicámos será um exemplo para todos.
Solicitamos, pois, a todos os ex-combatentes que se organizem e participem nesta manifestação.
Bem hajam!

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Praxes: "Nós pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos"


Há 12 anos, Maria Macedo passava por uma dor semelhante àquela que os pais dos seis estudantes que morreram na praia do Meco estarão a sentir. O seu filho, Diogo, de 22 anos, perdeu a vida depois de uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão. Ao Diário de Notícias esta mãe, que continua de luto, diz não ter ainda desistido de encontrar os culpados para tão trágico desfecho.
 “É um reviver de um filme que passa todos os dias pela minha cabeça”. Assim descreve Maria Macedo, em entrevista ao Diário de Notícias, a forma como tem acompanhado a tragédia do Meco. Afinal, há 12 anos passava sensivelmente pela mesma devastadora experiência dos pais dos seis alunos que morreram no passado mês de dezembro. O seu filho Diogo, de 22 anos, perdeu a vida após uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão.
Naquele dia de outubro, de 2001, Diogo até já estava de pijama, em casa, quando recebeu um telefonema que lhe traçaria o destino. Acabou por sair. “Só vou à tuna resolver a minha vida”, justificou, então, aos pais. Estas viriam a ser as últimas palavras que lhes haveria de dirigir.
Maria Macedo conta ao Diário de Notícias que também naquela altura se ergueu um muro de silêncio sobre o sucedido.
Aos pais dos estudantes que morreram no Meco, que considera ser ainda muito cedo para terem acordado face à realidade que os circunda e circundará daqui para a frente, esta mãe deixa o conselho: “Lutem para que se faça justiça. Responsabilizem a faculdade”. Porém, reconhece, “não será fácil. Até porque vê-se que a faculdade está a cozinhar com os alunos. O mesmo que me fizeram a mim. Exatamente igual”.
E, desabafa: “Nós, pais, pagámos o passaporte para a morte dos nossos filhos. Nós andamos anos a pagar o passaporte para a morte dos nossos filhos. Eles [instituições de ensino superior] só veem números, não veem a parte humana”.
Para Maria, que assegura, nunca desistirá de descobrir a verdade, não há duvidas. As praxes são “um crime público”, havendo, contudo, “uma falta de vontade política para resolver isto. Porque há muitos interesses”.


***«»***
Não estou a ver no poder político nem nas autoridades universitárias qualquer vontade em mudar seja o que for no que diz respeito às praxes académicas. A atitude dúbia de Nuno Crato e a recusa de Passos Coelho em legislar sobre aquela matéria são indicadores esclarecedores. Adensa-se a suspeita que, por detrás daquelas organizações cabalísticas, outros interesses e poderes andam escondidos, e que têm a ver com organizações secretas poderosas, vinculadas a ideologias políticas pouco recomendáveis num regime democrático. 
A clarificação desta suspeita poderá a vir ser dada pela Justiça. Esperemos que o Ministério Público não ceda à subterrânea influência daqueles poderes e daqueles interesses.

Praxes: "Nós pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos"


Há 12 anos, Maria Macedo passava por uma dor semelhante àquela que os pais dos seis estudantes que morreram na praia do Meco estarão a sentir. O seu filho, Diogo, de 22 anos, perdeu a vida depois de uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão. Ao Diário de Notícias esta mãe, que continua de luto, diz não ter ainda desistido de encontrar os culpados para tão trágico desfecho.
 “É um reviver de um filme que passa todos os dias pela minha cabeça”. Assim descreve Maria Macedo, em entrevista ao Diário de Notícias, a forma como tem acompanhado a tragédia do Meco. Afinal, há 12 anos passava sensivelmente pela mesma devastadora experiência dos pais dos seis alunos que morreram no passado mês de dezembro. O seu filho Diogo, de 22 anos, perdeu a vida após uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão.
Naquele dia de outubro, de 2001, Diogo até já estava de pijama, em casa, quando recebeu um telefonema que lhe traçaria o destino. Acabou por sair. “Só vou à tuna resolver a minha vida”, justificou, então, aos pais. Estas viriam a ser as últimas palavras que lhes haveria de dirigir.
Maria Macedo conta ao Diário de Notícias que também naquela altura se ergueu um muro de silêncio sobre o sucedido.
Aos pais dos estudantes que morreram no Meco, que considera ser ainda muito cedo para terem acordado face à realidade que os circunda e circundará daqui para a frente, esta mãe deixa o conselho: “Lutem para que se faça justiça. Responsabilizem a faculdade”. Porém, reconhece, “não será fácil. Até porque vê-se que a faculdade está a cozinhar com os alunos. O mesmo que me fizeram a mim. Exatamente igual”.
E, desabafa: “Nós, pais, pagámos o passaporte para a morte dos nossos filhos. Nós andamos anos a pagar o passaporte para a morte dos nossos filhos. Eles [instituições de ensino superior] só veem números, não veem a parte humana”.
Para Maria, que assegura, nunca desistirá de descobrir a verdade, não há duvidas. As praxes são “um crime público”, havendo, contudo, “uma falta de vontade política para resolver isto. Porque há muitos interesses”.


***«»***
Não estou a ver no poder político nem nas autoridades universitárias qualquer vontade em mudar seja o que for no que diz respeito às praxes académicas. A atitude dúbia de Nuno Crato e a recusa de Passos Coelho em legislar sobre aquela matéria são indicadores esclarecedores. Adensa-se a suspeita que, por detrás daquelas organizações cabalísticas, outros interesses e poderes andam escondidos, e que têm a ver com organizações secretas poderosas, vinculadas a ideologias políticas pouco recomendáveis num regime democrático. 
A clarificação desta suspeita poderá a vir ser dada pela Justiça. Esperemos que o Ministério Público não ceda à subterrânea influência daqueles poderes e daqueles interesses.

Agradecimento


Agradeço à Olga Costa a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Só a mudança de paradigma (pela via revolucionária) poderá derrotar o capitalismo financeiro


O economista João Rodrigues, num artigo no blogue Ladrões de Bicicletas, escreveu o seguinte: "Vamos assumir que a prazo não há nada como “o gradual entranhamento das ideias”, de que falava Keynes. Só espero que isto não seja no longo prazo, porque aí estamos mesmo mais do que derrotados"...

Eu julgo que a "guerra" começa a ficar perdida, já que os agentes do capitalismo financeiro internacional, sediados nos bancos, conseguiram desenvolver uma estratégia de ocultação das suas próprias culpas na ocorrência da crise iniciada em 2008, o que foi fácil, pois os aparelhos políticos dos países ocidentais (os partidos conservadores e os partidos da social democracia) já se encontravam devidamente domesticados para lhes dar a respectiva sequência, através da aplicação das políticas de austeridade sobre as classes médias e as classes trabalhadoras (resguardando, da sua incidência, os rendimentos do capital).
Apanhados ideologicamente desprevenidos, os cidadãos que mais penalizados foram por essas políticas austeritárias não tiveram tempo de perceber o que estava em causa. E a principal causa reside na financeirização acelerada e extrema da economia real, nos últimos trinta anos, possibilitada pela globalização desenfreada e pela deslocalização dos meios de produção para os países de mão de obra barata, processo este que permitiu aumentar a liquidez dos grandes bancos e dar início, em grande escala, e por uma questão de rentabilidade, ao engenhoso esquema da especulação financeira e imobiliária e à sibilina imposição da dívida aos Estados e às famílias. É necessário que o cidadão comum perceba que os bancos necessitam de uma economia assente na dívida para sobreviver e aumentar os seus lucros e mais-valias. Conquistado este patamar, o seu poder sobre a política dos Estados e sobre os comportamentos dos cidadãos tende a consolidar-se. É o que está a acontecer.
Para Portugal e para os outros países do sul da Europa, um outro problema se agiganta: a moeda única, que foi a grande ratoeira armada pelo capitalismo europeu e pela sua maior potência, a Alemanha, aos países menos desenvolvidos. Poucos perceberam que, para os países europeus menos desenvolvidos, a perda do poder cambial e monetário e, posteriormente, do poder orçamental seria um perfeito suicídio, que deixava cada Estado manietado, para poder gerir, de forma independente, o seu próprio quadro macroeconómico. E até, a este nível, o capitalismo financeiro encontrou fiéis aliados na classe média, pois, todos aqueles cidadãos, mesmo os de esquerda, que possuem depósitos bancários acima de cinquenta mil euros, rejeitam a hipótese da saída do euro, que é uma condição estruturante para poder ultrapassar a crise do país.
A outra condição (e ninguém fala nisto), é a nacionalização dos bancos, o verdadeiro instrumento de poder do capitalismo financeiro. Na perspectiva de uma economia orientada para o bem comum, nenhum argumento invalida a evidência das vantagens de ser o Estado a gerir a actividade do crédito às empresas e às famílias.
Mas estes dois desideratos (a saída do euro e a nacionalização da banca) não poderão ser conseguidos no actual modelo político de ditaduras democráticas (ou de democracias travestidas). Só um amplo e generalizado processo revolucionário, que mude o paradigma, tal como a burguesa Revolução Francesa mudou o paradigma feudal, conseguirá restituir aos povos a liberdade e a equidade, bem como o desenvolvimento de economias saudáveis, baseadas na produção de bens e de serviços, que visem satisfazer as necessidades das populações,  e não na actividade especulativa do dinheiro, que apenas favorece as grandes fortunas.
***«»***
Em 18 de Janeiro de 2017, repesquei este texto, publicando-o no Facebook, com a seguinte nota introdutória:
“Repesco este texto, de Fevereiro de 2014, que me parece ter toda a actualidade, embora, aparentemente, a maioria da multidão silenciosa pense que já estamos a começar a andar num mar de rosas. Nenhum problema estrutural da crise europeia foi resolvido, e se a pressão de Bruxelas e de Berlim abrandou (reparem que se calaram todos) é porque os dirigentes políticos europeus estão em pânico, devido à incerteza dos resultados das eleições, que irão ocorrer este ano, e que poderão constituir o rastilho de uma qualquer mudança radical”.