sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O processo de Olli Rehn, segundo Kafka


Segundo Olli Rehn serão os mercados que aferirão o nosso sucesso ou insucesso. Ou seja, o sucesso de Portugal, não será medido pelo clube a que pertence, mas sim aos "mercados", essa entidade invisível, líquida e não identificável. Se isto é a Europa, para que é que desejamos pertencer a ela?
Fernando Sobral

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Encarando toda a atividade humana como um negócio (incluindo a própria cultura), os agentes do capitalismo financeiro adquiriram um poder imenso, que lhes abriu a porta para poderem influenciar a política global e as políticas de cada país, em particular. Os políticos, quando chegam ao poder, e sem que tenham um mandato claro dos eleitores, nesse sentido, rapidamente iniciam a aplicação de políticas económicas (umas até encomendadas) do agrado do mundo da finança, da indígena e da internacional, torpedeando assim qualquer processo democrático.  Através das bolsas e dos bancos, o capital organizou um gigantesco processo operacional, que veio mercantilizar financeiramente a maior parte das atividades económicas das sociedades. Tudo se joga nas bolsas, que, através da procura e da oferta, às quais se junta a especulação, fixam, a cada momento, o valor dos produtos. Com este processo, a própria moeda de cada país ganha a distorcida dimensão de mercadoria, em desfavor das suas funções matriciais, a de meio de troca e a de meio de pagamento.
A própria dívida soberana dos países não escapou a este processo, que está a ser constantemente envenenado com manobras especulativas, destinadas a encontrar taxas de juro hiper-valorizadas, que permitam uma maior encaixe financeiro. E, com esta acelerada financeirização da economia, a dívida transformou-se gradualmente num instrumento de poder e de chantagem. Portugal que o diga.