segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Trocar o certo pelo incerto: a promessa de um hospital em Chelas - por Pilar Vicente


Começaram por vender ao desbarato os terrenos onde estão implantados edifícios históricos que são património arquitetónico ímpar, recheados de azulejaria e outras preciosidades, sem que os cidadãos saibam qual vai ser o seu destino...

Entretanto estes hospitais públicos pagam rendas exorbitantes por edifícios e terrenos que sempre foram nacionais (consta que serão cerca de 6 milhões/ano...) Preparam-se para destruir os Hospitais Civis que reúnem equipas de profissionais de saúde de alta qualidade, com um serviço reconhecido internacionalmente em muitas áreas, sem garantir uma verdadeira alternativa. A qualidade do exercício clínico depende das equipas de saúde, das pessoas. Desmembrar e destruir é fácil. Fazer renascer demora muito mais. Os profissionais dos Hospitais Civis foram sempre o motor da evolução, da inovação; faz parte da cultura dos "Civis" a participação e empenho na resolução de problemas, o espírito de serviço público, o trabalho em equipa. Desdenhar esta herança, é crime! Constatamos a sistemática redução da sua capacidade: desde 2003 o número de camas foi reduzido de 2195 para 1403 para uma população das freguesias referenciadas de 643 183. Do mesmo modo, a redução brutal em pessoal origina mais dificuldades em manter a qualidade de cuidados, tanto mais que estes hospitais são a referência em cuidados especializados para grande parte do sul do País. Diminuir mais o acesso à saúde dos cidadãos é crime!
A população é envelhecida, dependente, empobrecida, que recorre com frequência aos serviços de saúde. Se estes hospitais desaparecerem ficam sem alternativas, pois deslocarem-se para Chelas... só de ambulância e em situações extremas! Esquecer as limitações e dificuldades da população, é crime!
Não é aceitável a destruição dos "Civis" quando faltam na cidade hospitais de retaguarda de cuidados continuados, bem como melhor acesso a cuidados de reabilitação e cuidados domiciliários para os doentes crónicos.
O Hospital de Chelas não é por si só uma alternativa. Os Hospitais Civis devem manter-se!
Pilar Vicente
Médica e dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM)

01 FEV 2014

2 comentários:

Maria Eu disse...

Todo um património desbaratado, quer patrimonial, quer humano!
Lamentável! :(

Beijinhos Marianos! :)

Alexandre de Castro disse...

Trata-se de uma política destinada a entregar aos privados os setores mais rentáveis da Saúde, da Educação e da Segurança Social.