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quinta-feira, 28 de março de 2013

Poema: Ultimatum - por maria azenha

Salvador Dali - Premonição da Guerra Civil , 1936
(100 x 99 cm - Philadelphia Museum of Art)
Considerada a obra mais agressiva pintada em todos os tempos.

Ultimatum

No céu como um lustre
Está toda a Terra acesa.
Ei-los por ordem:
Camões,
Aquilinos,
Pascoaes,
Pessoa,
E no fim de tudo,
A minha cabeça ardendo
Por cima de um vaso do século,
Ensanguentando as ruas.

É Portugal inteiro ardendo!

Chegaram a este ponto
Com a testa esplêndida do Inferno.
Chegaram os canhões e as liras
Pelas bocas das Tribunas;
Acomodaram-se os fiéis
Ajoelhados na República:
- Cadáveres
Sobre cadáveres,
Cantando em ondas de veludo
A Tribuna Romana,
Que forraram de Hitler.

Está toda a Europa presente
Nas trincheiras das mesquitas.
E hoje resplandece
Esta viúva calva da Terra
Nas catedrais de Hiroxima,
Que rodam na mais terrível hipérbole
Pelos séculos sem fundo;

E as areias das encostas
Troam ao longe,
Como trovões em carne de espuma.

Tensos, os habitantes da América,
Fizeram nascer uma bomba em Lisboa.
Tremem de gelo no peito dos jovens,
Amotinados pelos exércitos da Europa.

Hoje celebram-se as bodas de sangue
Num podium!
E Portugal
Treme de repente
Nos seios de Ilíada!

Descem granadas pelas páginas do Saara, e
De novo as ninfas do Tejo
São degoladas em nossos dias.
E num pesadelo mais negro
É a pintura de Botto e d’ Almada
Que ilumina todos os sons mesclados
Na feiura do Século!

- A eles todos! A eles!
Gritam os desempregados do mundo
Com plumas!
E enchendo o samovar de gemidos humanos,
Sobem para o Céu
Num grito verdadeiro no dia do Ungido!
E os tiros dos anjos ouvem-se blindados
Com nuvens no rosto mais calmo de Buda!
- Eh! Vocês! Eh !!!,
De rostos amedrontados nos esqueletos caídos!
Isto foi para o que vim em carne viva,
Para que vos possa contar tudo sem esconder uma única prega!

E viro a outra página do Livro
Amarrotado à chuva.
É o mais belo incêndio dos anos.
E num comboio amordaçado,
Os cabelos dos mortos
São agora fios da China!
E sob o manto dos risos, Portugal ergue-se ridículo
De um batalhão de palmeiras!

A isto!
A isto!
Em verso, não!
É melhor cuidar dos vivos
Antes que o seu coração inflame de sida!
E na confusão dos aplausos,
A minha língua atravessa um verdadeiro deserto!
Curvo-me ante o peso terrível das blasfémias do século
Como um Anjo caído nas mãos da República!

O Universo inteiro sofre agora um tormento gelado
Que lança os primeiros gemidos
Nos olhos ardentes dos templos da India!
Escorro degolado pelos canais de Veneza
Ardendo no sangue da Europa
Numa pálpebra caseira

E o meu rosto desfigurado nos anjos,
Retém o meu nome vazado
Num dia de trabalho
Num oceano incontável.
Confesso:  Eu  sou o culpado!
Sou Eu o mais maldito dos fiéis verdadeiros
Que se feriu na Batalha dos Lázaros!
E agora como um cão esganado
Não sei a que vítima atirarei o meu próximo golpe.

Mas, Séculos! Perdão!
Ajoelhar- me-ei  ao pé de Vós se for necessário!
Abandonarei a escória dos Anos!
Eu própria arrancarei ao vivo

As drogas e as armas da pele da Europa
Como um continente fedorento de lepra!
E se for necessário,
Humilhar-me-ei
Diante da avalanche dos Séculos!
Tomarei todas as lágrimas
Num oceano blindado,
Para que nasçam Homens
Mais livres
Que o próprio século!
E no corpo de Gólgota
Cravarei uma faca no rosto de Líli
Nos seus lábios ofendidos pelas feridas de Mussolini.
E dos túmulos do mundo,
Levantarei os oceanos escondidos
No rugido das Fábricas!

Um só não ficará deitado!

Trarei às costas todo o ouro Diógenes
Das entranhas da Grécia,
Por um cortejo ardendo sonoro.
E como um harpejo apaixonado
Num coração de carnes fogosas,
Entregar-me-ei
Como uma mulher de incêndios nos lábios,
A todas as montanhas do Tibete às Áfricas!

Glória!
Glória!
Glória aos céus nas alturas
Pelo que trouxe pelo vaso dos séculos!
Sou o mais luminoso ponto que gela em Nápoles!
E a minha amante perfumada
É agora uma Rosa africana
Que viaja aos pés dos humildes!

E todos os corações fungosos
Numa capital da europa
Correm atrás dela através de cada violino
Por onde passa em azul…

Olhai!, como ao pé de cada árvore
Crescem os séculos! E de todos os portos
Saem navios, braço-dado pelos continentes fora!

Todos!, para a Festa que eu proclamo!

Gente!, esse momento há-de vir
Com as mais poderosas canções sonoras
No leque da História!
E Eu, o mais humilde do seus filhos,
Tocarei os sinos
Ao pé da minha amante…

maria azenha

1989, Hora Imediata (Hora Extrema), Átrio - pág. 8 a 12,


Nota: Tal como Salvador Dali se antecipou, com a sua genial pintura, à Guerra Civil de Espanha, também Maria Azenha, neste poema, deixou uma marca indelével e premonitória do inferno que Portugal está a viver atualmente, numa orgia dantesca da “celebração das bodas de sangue”, ao mesmo tempo que nos descreve a decadência de um mundo inquieto, que deixa “descer” as granadas pelas “páginas do Saraa”. É o retrato não só do fim de um século, um século de descomunais horrores, mas também do fim do paradigma nascido na Acrópole e no mar Egeu, e que já não ilumina a humanidade.
No entanto, a poeta deixa aberta a nesga de uma porta, uma pequena coluna de luz para perscrutar o futuro e para se poder ouvir na claridade das manhãs o som dos sinos e as “poderosas canções sonoras”, abrindo-se assim, mais uma vez, o “leque da História”.
Estamos em presença de um poema, que não pode ser esquecido!...
AC

terça-feira, 26 de março de 2013

“É óbvio que uma moção de censura serve para derrubar o Governo”


Depois de a imprensa ter noticiado que António José Seguro enviou uma carta aos membros da troika em que deixa clara a intenção de derrubar o Governo e de renegociar o memorando, fonte do PS confirmou ao PÚBLICO o teor da missiva, que deverá ser divulgada ainda nesta terça-feira.
“É óbvio que uma moção de censura serve para derrubar o Governo”, disse fonte do partido, explicando que a carta tem uma primeira parte em que “é feito o enquadramento político da moção de censura e em que são explicadas as suas razões”.
A missiva enviada à troika pelo secretário-geral do PS tem uma segunda parte em que se escreve que o partido “honrará todos os compromissos do Estado, mas que pretende renegociar o memorando” subjacente ao programa de ajustamento económico em curso no país desde o pedido de ajuda externa, em Maio de 2011.
“É uma carta dura”, confirmou fonte do partido, explicando que “em princípio deverá ser divulgada hoje [terça-feira]”.
***«»***
António José Seguro gosta de escrever cartas à troika! Diz o porta-voz do PS que esta última se trata de uma carta "dura", embora eu diga que é mais uma carta de amor. 
Percebeu-se a intenção de António José Seguro. Pretendeu pedir, a quem na realidade governa Portugal, a devida e respeitosa autorização para derrubar o governo de Passos Coelho. E se a troika disser não, mesmo que de forma subliminar? Talvez seja a oportunidade soberana para a Hitler de saias lhe tirar o tapete, a fim de abrir caminho ao regresso apoteótico de José Sócrates, que sabe enganar melhor os portugueses.

Adenda: Anunciar uma moção de censura ao governo e, ao mesmo tempo, prestar vassalagem às instituições europeias é um tiro de pólvora seca. O tiro apenas faz barulho. E António José Seguro já demonstrou que apenas sabe caçar pardais com uma espingarda de chumbo. A António José Seguro falta-lhe a visão estratégica para perceber que o problema do governo está a montante. O verdadeiro nó górdio é o memorando da troika, que tem de ser firmemente denunciado.

Noam Chomsky explica o que está em causa em Portugal e na Europa...

*
Noam Chomsky é professor emérito do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e destacou-se, durante a segunda metade do século passado, pelos seus trabalhos na área da Linguística, desenvolvendo uma teoria baseada na abordagem das propriedades da Matemática, aplicadas às linguagens formais. É um militante político de esquerda e a suas análises sobre a crise endémica do sistema capitalista caracterizam-se pelo rigor dialético que as enforma.

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao André, pela sua decisão de se inscrever como amigo/seguidor deste blogue.

sábado, 23 de março de 2013

Notas do meu rodapé: No Chipre, a subserviência canina à ditadura do Eurogrupo voltou a vencer.


Chipre aprova medidas para satisfazer troika
O Parlamento de Chipre aprovou a imposição de restrições aos movimentos de capitais, a criação de um fundo de solidariedade e a reestruturação do banco Laiki numa tentativa de cumprir as exigências feitas pela troika ao país. A votação sobre a imposição de uma taxa próxima de 15% sobre os depósitos superiores a 100 mil euros foi deixada para este sábado, informava o canal público de televisão cipriota.
… Entre as medidas está a possibilidade de converter depósitos à ordem em depósitos a prazo, a imposição de restrições ao uso de cartões de crédito e débito e a criação de limites aos levantamentos. (ver aqui)
... Uma das medidas do “plano B”, que permitirá o apoio da troika através de um empréstimo de 10 mil milhões de euros, poderá passar por uma taxa de 25% sobre os depósitos acima dos 100 mil euros. (ver aqui)
PÚBLICO
***«»***

A partir de agora, qualquer cidadão da União Europeia ficou a saber que, de um momento para o outro, o seu governo poderá vir a saquear, a seu belo prazer, as suas poupanças.
À tentativa fracassada de fazer um saque aos depósitos bancários, segue-se o seu sequestro, que é uma forma mais elaborada desse mesmo saque. Não tenhamos dúvidas: os pequenos aforradores cipriotas não perdem agora o seu dinheiro, mas irão perdê-lo amanhã, pois está escrito nos astros que a situação, com estas aberrantes medidas, vai obrigar o governo do Chipre a somar medidas restritivas sobre medidas restritivas, até ao desastre final. Tal como aconteceu na Grécia e tal como está a acontecer em Portugal, com as medidas de austeridade que se traduziram no aumento brutal dos impostos e no saque direto aos salários dos trabalhadores, aos subsídios dos desempregados e às pensões dos reformados.
A máquina trituradora da União Europeia prossegue com a sua ação devastadora e predadora, negando a ideia da sua matriz, que pretendia ser, dizia-se hipocritamente, um espaço de solidariedade, quando não é mais do que um espaço de negócio, cada vez mais obsceno e escabroso.
As hienas e os chacais voltaram a atacar. O capitalismo triunfante arreganha a dentuça e mostra o esplendor da sua vilania.

A Europa é dominada pela Alemanha

**
O eurodeputado britânico Nigel Farage, co-presidente do grupo dos eurocéticos do Parlamento Europeu, apesar de ser um político controverso no seu país (ele lidera o UKIP, um partido anti-europeu e anti-imigrantes, que está a subir nas intenções de voto), não deixa de ter razão nas duras críticas que faz às políticas da União Europeia. E, neste ponto, aproxima-se das posições dos partidos de esquerda, que também consideram que o projeto da União Europeia é um fracasso, e que, neste momento, apenas serve para defender os interesses da toda poderosa Alemanha. A base da sua argumentação fundamenta-se sempre na falta de legitimidade dos dirigentes da Comissão Europeia, que não se submeteram a nenhum sufrágio para ocupar os seus cargos. Durão Barroso tem sido uma vítima do humor cáustico de Nigel Farage, assim como o Herman van Rompuy, o presidente do Conselho Europeu, a quem ele chamou "esfregona", o que foi considerado um insulto. A frase "Você tem o carisma de uma esfregona húmida e a aparência de um funcionário bancário" foi verdadeiramente assassina e demolidora, já que punha em causa a subserviente ligação política de Rompuy com a senhora Merkel.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Citação: A premonição de Thomas Jefferson, 3º Presidente dos EUA...


Imagens enviadas por João Fráguas
É por isso que eu tenho vindo a dizer que nos encontramos no meio de uma guerra financeira de dimensão continental, desencadeada pela Alemanha, através das instituições comunitárias, que controla totalmente. Merkel está a fazer com o euro e a dívida soberana dos países periféricos aquilo que Hitler não conseguiu fazer com os tanques e com os canhões. Ainda tenho esperança que os povos europeus, depois de correrem com os seus respetivos governantes, meros acólitos de Merkel, inflijam uma estrondosa derrota à arrogante Alemanha.

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Maria Alice Ribeiro, pela sua decisão de se inscrever como amiga/seguidora deste blogue.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Poema: Vi a eternidade - por maria azenha

  @ Beverly Mayer  - Imagem selecionada pela autora.

Vi a eternidade

Vi a eternidade em teus lábios desenhando pombas
e descíamos degraus de água através de facas em flor
a tarde era azul e havia um punhal de luz
cravado na sombra de um muro
abandonado pelas palavras

vi ainda círculos de chuva depositando trevas
em máquinas de inocência e ervas húmidas

e pousavam em teus cabelos de sangue
fendidos pela solidão do vento e por relâmpagos

às vezes ouço o sino triste das aves
em âncoras de ouvidos e árvores de dolência
e sei que é o grito das acácias em amargas sílabas
descalças

maria azenha
2013- 03- 09

Nota: Eu julgo que já encontrei, a propósito de outros poemas, a expressão apropriada para classificar a poesia de Maria Azenha, e que, aqui, em "Vi a eternidade", atinge o esplendor do sublime: densidade poética. 
Maria Azenha inventa novas formas de lirismo, com as palavras, num criativo jogo metafórico, a submergirem o leitor num mundo de novas sensações.

Poema: PARA NEPTUNO - por Alexandra Kraft (heterónimo de Maria Azenha)

*

PARA NEPTUNO

traçamos hoje quadrados de nada
um cortejo de alfabetos uma queda
um grito de Kafka para os átomos
um poema de Kraft no espaço
um futuro sob a forma de impulsos
um território musicado ao máximo

Alexandra Kraft
Heterónimo de Maria Azenha

quarta-feira, 20 de março de 2013

Humor: Deus já não pode atender mais pedidos...

Agradecimento



O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Rose, pela sua decisão de se inscrever como amiga/seguidora deste blogue.

Notas do meu rodapé: A culpa não pode morrer solteira...


O PS enreda-se na sua condição de subscritor do memorando, dizendo tudo e o seu contrário, incapaz de assumir claramente, sem hesitações nem ambiguidades, a ruptura com este rumo e a urgência da demissão deste Governo.
Margarida Coelho
Membro da Comissão Política do Comité Central do PCP
PÚBLICO (ver aqui)
***«»***
E o problema já não é apenas o governo do PSD/CDS, que insiste em levar por diante a destruição da economia do país, conforme os desejos da Hitler de saias, que não se comove com o sofrimento a que gregos e portugueses estão ser sujeitos, com as danosas políticas de austeridade. O problema também é do Partido Socialista, cúmplice e solidário com o Memorando da Traição, e que, agora, na oposição, não consegue descartar. António José Seguro limita-se a vociferar protestos, de estilo panfletário, falando farisaicamente ao coração dos portugueses, mas sem se comprometer com projetos concretos, ao mesmo tempo que os engana, fazendo-os acreditar que é possível inverter a situação no quadro de entendimento com a troika.
O Partido Socialista tem tantas responsabilidades quanto o PSD, na calamitosa situação do país. Foram estes dois partidos que, em traiçoeira alternância,  exerceram o poder durante os trinta e seis anos de governos constitucionais. Foram estes dois partidos que aceitaram sem pestanejar as condições da troika, num ato de submissão vergonhoso, e ignorando os avisos de gente honrada e sabedora, que afirmava ser a receita preconizada contrária aos interesses nacionais, e que não iria garantir a resolução da crise. 

Um Poema ao Acaso: Os grous - Fiama Hasse Pais Brandão


Os grous?

As viagens separam-nos do passado.
Se apenas viajássemos como grous,
sem reconhecer as nações debaixo da quilha do nosso esterno,
se não trocássemos os idiomas e as unhas
com os habitantes das novas geografias,
seríamos nós. Porque o idioma
é fechado e insondável em cada criatura,
porque cada nação é o berço de uma língua
e os meus poemas noutra língua não são meus.
Quando viajamos no mundo não sabemos quem fomos.

Fiama Hasse Pais Brandão
(1938 - 2007)
in "Cenas Vivas", 2000

***«»***
Este poema deve ser "estudado", para se lhe descobrir a originalidade da ideia central e a forma criativa como é exposta. À primeira vista, e numa leitura desatenta, poderá parecer um poema vulgar. Não é! É um poema de antologia.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Marcelo: Vítor Gaspar perdeu credibilidade, “parece um astrólogo”


O ministro das Finanças, “o bom aluno” de Bruxelas, pode ter conseguido melhorar a imagem externa de Portugal e a credibilidade do país junto dos mercados, mas acabou por “chumbar o ano”. Vítor Gaspar “chumbou porque não estudou economia portuguesa”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, neste domingo, no habitual espaço de comentário na TVI.
“Parece um astrólogo, não parece um ministro das Finanças. Perdeu larguissimamente a credibilidade”, sublinhou o antigo presidente do PSD, para quem o “fracasso” no défice do ano anterior – que ficou muito acima do previsto pelo Governo – foi o pior dos números apresentados na sequência da sétima avaliação da troika.
***«»***
Na realidade, Vitor Gaspar parece um astrólogo, que não sabe ler os sinais dos astros. Mas Marcelo Rebelo de Sousa é, certamente, um cartomante, pois a sua opinião varia com a posição das cartas no baralho. Marcelo Rebelo de Sousa foi um dos que endeusaram o ministro das Finanças, mas agora, como é um bom cartomante, consegue ler sempre a carta certa. Sai sempre por cima, por mais asneiras que diga. É um artista! 

Opinião: A ICAR está obsoleta - por Carlos Esperaça*

O alfaiate enganou-se nas medidas...

A ICAR está obsoleta
A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), incapaz de inovar, para manter fiel a clientela, regressou aos velhos truques numa sociedade alfabetizada. Os milagres, o aparecimento da Virgem (a obsessão pela virgindade é esquizofrénica) a uns pobres de espírito a quem transmite recados do divino filho, visitas do Cristo, ele próprio, a uns inocentes a quem faz pedidos patetas e um ror de prodígios capaz de adormecer crianças e imbecilizar adultos, são os truques em que reincide para manter a clientela e alargar a base de apoio. 
Nem lhe ocorre encomendar hóstias com sabores às pastelarias diocesanas, perfumar a água benta com aromas testados à saída da missa pela pituitária dos devotos, temperar a água com que batiza as crianças, evitando o choro e o resfriado, ou inovar a música e ir além do cantochão. Até os chocalhos que anunciam a viagem da hóstia, rente ao sacrário, estão desafinados e distorcem o som com o verdete acumulado.
O passado pouco recomendável de papas, bispos e padres não ajuda à propagação da fé e à frequência do culto. O livro de referência - a Bíblia - tão arcaico e cruel, tão cheio de incoerências e maldições, não prestigia Deus nem facilita a vida ao clero. 
Que resta, pois, à ICAR, perdido o medo do inferno, desinteressados homens e mulheres do destino da alma, incapaz de conter o consumo de carne de porco à sexta-feira, sem clientes para a compra de bulas e com o dízimo caído em desuso? 
Cada vez se encontra em maiores dificuldades para introduzir no código penal o pecado como crime. Não consegue para os pecados veniais uma simples coima nem para os mortais uma pena de prisão. A blasfémia é ignorada em juízo, o divórcio é facilitado e o adultério deixou de interessar ao Estado. Apenas o aborto consegue ainda, em países de forte poder clerical, devassar a vida íntima das mulheres e submetê-las ao vexame de um julgamento e ao opróbrio da prisão. Até a apostasia, uma abominação para os pios doutores da ICAR, é uma prática com popularidade crescente e um direito inalienável.
Assim, resta à ICAR vociferar contra o preservativo, atirar-se à pílula como S. Tiago aos mouros e execrar a investigação em células estaminais. Já poucos lhe ligam quando apostrofa a eutanásia, afronta a proibição do ensino da religião nas escolas do Estado ou injuria os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Os últimos padres vão enegrecer ao fumo das velas, abandonados pelos crentes, impedidos de ter uma companheira que lhes alivie a solidão, enquanto os bispos e o papa satisfazem o narcisismo com a riqueza e o colorido dos paramentos. Acabam por descrer da virtude da Igreja, da bondade do seu Deus e a renunciar à salvação da alma.
Resta-lhe a festa do novo Papa, onde os crentes veem virtudes e os hereges procuram nódoas do passado.
Carlos Esperança
Presidente da Direção da Associação Ateísta Portuguesa

quinta-feira, 14 de março de 2013

Líbia: Cemitério militar britânico vandalizado por um grupo de muçulmanos fanáticos

Amabilidade de Joaquim Pereira da Silva e de Olímpio A. Pinto
*
O Islão foi uma âncora da resistência dos povos árabes contra o colonialismo britânico e francês e agora é a rampa de lançamento de uma ofensiva de vingança cega contra os países ocidentais, cujos governos, para salvaguardarem o acesso ao petróleo do solo árabe, pactuam vergonhosamente com o fundamentalismo islâmico. 

Poema: EM RAMOS DE CINZAS E VENTO - por maria azenha

Imagem selecionada pela autora

EM RAMOS DE CINZAS E VENTO

entraram no meu sonho ramos de cinzas e vento
em pequenas canções de infantes e vagabundos 

toda a noite os martelos da lua choveram 
males para o centro do quadrado em que ardemos 

há um vulto de criança com uma gazela ao peito
que se perdeu em nós entre flores e fendas 

e quis alumiá-los com a luz da água da noite
na sombra lilás de um rei que foi morto

meus olhos vêem um círculo azul de tristeza incandescente
um enforcado no silêncio com uma colher de azeite 
na boca 

maria azenha
2013-03-09


Nota: Este poema suscitou-me o seguinte comentário: Fiquei novamente "agarrado à cadeira"! Um poema escrito através da subversão das palavras (ou do seu significado literal)! Um poema que toca o intangível Sublime! "Os martelos da lua" choveram todos na minha cabeça e a primeira ideia que emergiu da leitura do poema foi a ideia do Absurdo (Kafka, Sartre, Camus)...

Trás-os-Montes: A Província esquecida e abandonada pelo poder central...


Pela primeira vez encerraram mais empresas do que abriram
Em 2012 e pela primeira vez em Vila Real, o número de empresas dissolvidas foi superior às constituídas ao longo do ano, com 99 negócios a abrir contra os 119 que fecharam portas, segundo a Associação Empresarial.
"Atingimos um ponto de viragem, que nos dá uma ideia de que as pessoas perderam a esperança e a força na criação de novas empresas", afirmou hoje à agência Lusa Luís Tão, presidente da Nervir - Associação Empresarial.
Em 2012, o saldo foi negativo pela primeira vez em Vila Real. No ano passado, foram criadas 99 empresas, mas fecharam 119, a maior parte das quais da área dos serviços como restaurantes, cafés, sapatarias ou lojas de roupa.
*
Menos nascimentos no distrito de Bragança
Já nos primeiros dois meses deste ano nasceram, apenas, 76 bebés no distrito de Bragança.O director clínico da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, Domingos Fernandes, acredita que esta tendência pode estar a relacionada com a crise.“Há algum decréscimo no que diz respeito ao ano passado.
Tivemos 550 nascimentos, o que representou algum decréscimo em relação ao período homólogo de 2011. Temos uma população que está cada vez mais envelhecida e isso repercute-se numa redução da natalidade. 
Não nos podemos esquecer também que estamos a atravessar um período de crise que está associado a uma redução da natalidade só por si”, justifica Domingos Fernandes. Das 550 crianças que nasceram no ano passado 42 por cento foram cesarianas.
Um número superior à média nacional, que a ULS do Nordeste está a tentar baixar de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde.“De 2011 para 2012 houve uma redução de cerca de 3 por cento, mas mais importante do que isso é que nos primeiros dois meses deste ano vamos com 37 por cento, o que significa uma redução de cinco pontos percentuais em relação ao ano passado, o que significa que estamos com uma tendência decrescente do número de cesarianas nesta ULS”, sustenta o director clínico.
Domingos Fernandes justifica esta percentagem de partos por cesariana com o facto de existir apenas uma maternidade para um distrito tão extenso.
“Penso que o que está na génese deste número terá um pouco a ver com o nosso distrito muito disperso, com apenas uma maternidade para cerca de 40 por cento da região Norte”, realça Domingos Fernandes. 
A crise a contribuir para a diminuição do número de nascimentos no distrito de Bragança.

***«»***

A avalanche emigratória dos anos sessenta do século passado desvitalizou Trás-os-Montes, a província mais pobre do país. A interioridade e o isolamento ditaram-lhe o atraso estrutural, o que limitou o seu desenvolvimento económico. Quando chegaram as auto estradas do progresso, já não havia população ativa suficiente para agarrar as alavancas do desenvolvimento e desbravar o futuro. Com o mundo rural a sobreviver com uma população idosa e pobre, a taxa de natalidade tem vindo a decrescer progressivamente, desde há mais de quarenta anos. Existem aldeias que festejam com foguetes o nascimento de uma criança, tal é a raridade deste fenómeno biológico. A atual crise e as políticas recessivas acabarão por completar a desertificação desse mundo rural, indispensável à coesão do tecido social e económico do território. Daqui por vinte ou trinta anos, a província onde eu nasci, será um cemitério de ruínas de aldeias desertas e terá apenas uma dúzia de centros urbanos, alicerçados no setor terciário, cercados por um imenso matagal, entregue aos lobos e aos javalis. Talvez Trás-os Montes venha a ser uma enorme coutada para a caça grossa.

terça-feira, 12 de março de 2013

As guerras são sempre antecedidas por grandes crises...


Europa salvou os bancos mas arrisca-se a perder uma geração, diz Martin Schulz
Os países da UE são “campeões do mundo” a fazer cortes, mas não a pensar medidas para o crescimento, diz o presidente do Parlamento Europeu.
A Europa gastou milhões de euros para resgatar os bancos, mas, com a crise e os actuais níveis de desemprego, em particular entre os jovens, arrisca-se a perder uma geração, considera o presidente do Parlamento Europeu.
Em entrevista à Reuters, o alemão Martin Schulz identifica a perda de confiança dos cidadãos na capacidade de a União Europeia resolver os seus problemas como “uma das principais ameaças” da própria UE. “E se a nova geração perde confiança, penso que é a UE que está verdadeiramente em perigo”, diz.

Juncker alerta para "os demónios da guerra" na Europa
O ex-líder do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, admite que a atual crise europeia pode provocar uma nova guerra.
O primeiro-ministro luxemburguês não poupou nas palavras: "Quem acredita que a eterna questão da guerra e paz na Europa não pode voltar a ocorrer, está completamente errado. Os demónios não desapareceram, estão apenas a dormir, como foi demonstrado pela guerra na Bósnia e no Kosovo", afirmou em entrevista publicada este domingo na revista alemã Der Spiegel.
Um alerta reforçado pela forma como a União Europeia, e especialmente a Alemanha, está a lidar com a crise grega: "A forma como alguns políticos alemães se têm referido à Grécia, um país severamente atingido pela crise, deixou feridas profundas na sociedade grega. Da mesma forma, assustou-me ver manifestantes em Atenas receber a chanceler alemã, Angela Merkel, envergando uniformes nazis".

***«»***
A guerra já começou. Não com tanques e com canhões, mas com a dívida e com os euros. É uma guerra financeira. Admitir que a UE é um espaço de solidariedade foi (é e continuará a ser) um grande equívoco. É unicamente um espaço de negócio. O Conselho Europeu não é mais do que um conselho de administração de uma grande multinacional, que se chama Eurolândia. E nas suas reuniões só se ouve falar de mercados, orçamentos, dívida soberana e juros. Nas suas reuniões periódicas, semeadas de fraternais abraços e de efusivos beijinhos à chanceler Angela Merkel, as decisões milagrosas, amplamente festejadas, só têm validade até ao dia seguinte. A crua realidade encarrega-se rapidamente de as desmentir e de as tornar obsoletas, exceto aquelas que reforçam as políticas de austeridade dos países periféricos.
A Alemanha de Merkel está a fazer com o euro o que a Alemanha de Hitler não conseguiu fazer com a Wehrmacht. E é nos períodos críticos que os nacionalismos se reacendem. A Alemanha é odiada pelos povos europeus da periferia. Falta uma liderança carismática para atear o rastilho da revolta. Julgo que na íntima consciência de cada um de nós ainda não se desvaneceu a metáfora das "bastilhas" e das "guilhotinas". 
Torna-se hoje evidente que o projeto da UE fracassou irremediavelmente. A Europa esgotou o seu potencial e é um continente envelhecido e anémico, que não vai ultrapassar esta crise, que é, antes de tudo, uma crise económica. Os agentes do capitalismo europeu, principalmente o financeiro, procuram salvar-se, maximizando os rendimentos das mais valias, através da imposição da austeridade aos países mais fragilizados, a fim de apanharem o carrossel  dos países emergentes, onde irão investir. Os povos vão sendo condenados à pobreza.
Mas a História não é uma linha reta. Dá muitas curvas, algumas delas inesperadas, a provocarem sobressaltos e calafrios. No final da década de noventa, do século passado, eu senti que estava a viver o fim de uma época histórica e o início de uma outra, que se apresentava ainda como uma nebulosa, muito difusa. Hoje, sinto que nos aproximamos do ponto de rutura, que impulsionará grandes mudanças. Só não sei qual será o seu sentido.

domingo, 10 de março de 2013

A voz incómoda da "Geração à Rasca", através da atriz Joana Manuel...

Amabilidade de Jorge Magalhães Ribeiro
*
A denúncia demolidora de um sistema iníquo que nos humilha e explora!...

Portugueses rejeitam cortes na Saúde, Educação e SS

Os portugueses acham que o Governo se prepara para cortar na Saúde, Educação, Segurança Social e Defesa, mas por eles os cortes de quatro mil milhões de euros seriam feitos nas parcerias público privadas (PPP), juros da dívida e Defesa. Mais: Saúde, Educação e Segurança social são as áreas onde menos se deve cortar, de acordo com o barómetro de fevereiro de 2013 do CESOP/UCP, para o DN, JN, Antena 1 e RTP.
O apoio aos cortes nestas três funções sociais do Estado - que o Governo elegeu como prioritárias na redução de despesa a apresentar à troika na sétima avaliação, que decorre atualmente - é ínfimo entre os inquiridos do barómetro. Apenas 1% dos portugueses na Educação e Saúde, e 5% na Segurança Social, gostariam de cortar aí se a decisão fosse deles. E para 10% também já se atingiu o limite, ao recusarem que haja mais cortes (há 2% que pensa que o Governo acabará por não fazer cortes).
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Se há alguma coisa em que os portugueses têm uma opinião unânime, é a ideia de que o Estado Social deve ser preservado a todo o custo e não ser objeto das políticas de austeridade, planeadas pelo atual governo.
Na memória de muitos portugueses, principalmente na dos mais idosos, ainda persiste a imagem do que eram as políticas sociais antes do 25 de Abril. Os serviços médicos das célebres caixas de previdência eram um arremedo da prática da medicina, em que o médico nem sequer olhava para a cara do doente, como se dizia à época, ironicamente. As Misericórdias, ainda com uma estrutura e mentalidade medievais, encaravam os cuidados de saúde numa perspetiva assistencial e caritativa. Os serviços de Educação encontravam-se reduzidos a um minimalismo aviltrante, com a analfabetismo a rondar os oitenta por cento da população e o ensino secundário e universitário reservado apenas à classe média alta. As escolas comerciais e industriais eram reservadas para os alunos de famílias com menores recursos financeiros. Grande parte da população, principalmente a do mundo rural, estava afastada do sistema de reformas. E será este o quadro que se perfila no horizonte, se o governo conseguir impor um corte permanente de quatro mil milhões de euros nos três pilares do Estado Social, institucionalizado depois da revolução de Abril, e que teria consequências desastrosas, não só no bem estar da maioria da população, mas também nos graves reflexos no desenvolvimento do país. Portugal poderia vir a viver sem défice orçamental e com a Dívida Pública controlada, mas, com toda a certeza, cairia irremediavelmente para o patamar do subdesenvolvimento, da miséria estrutural e da agudização das desigualdades sociais. 
Se o povo português não conseguir inverter o curso desta gravosa política de austeridade, de resultados incertos e duvidosos, Portugal virá a ser, a partir da próxima década, um país do Terceiro Mundo à beira mar plantado. 

sábado, 9 de março de 2013

O retrato da austeridade anunciada


Começou o ano do enorme aumento de impostos. Os portugueses vão pagar mais IRS, vão receber menos e gastar mais dinheiro com as despesas do dia-a-dia. A Rádio Renascença elaborou um guia para o ajudar a fazer contas à crise.

SERVIÇOS E CONSUMO
Electricidade: +2,8%
Gás: +2,5%
Rendas: +3,4% (contratos posteriores a 1990)
Portagens: +2,03%
Tabaco: +1,3%
Bebidas alcoólicas: +1,3% (e +7,5% nas bebidas espirituosas)
Telecomunicações: +3% (Fevereiro)
Transportes: +0,9%
Taxas moderadoras: +0,9%


IMPOSTOS
IRS:
Escalões passam de 8 para 5.
Sobretaxa de 3,5% de IRS.
Rendimentos acima de 80 mil euros por ano pagam taxa solidária de 2,5%.
Rendimentos acima de 250 mil euros anuais pagam taxa solidária de 5%.
No final, os portugueses assistem a um enorme aumento de impostos.
Rendimentos de capital (juros, dividendos, mais-valias bolsistas): taxa liberatória sobe para 28%
Tributação património: imóveis acima de um milhão pagam mais 1% de imposto de selo
Jogos Santa Casa: prémios acima de cinco mil euros pagam 20% do valor em causa
IVA: devolução 5% do valor das facturas pedidas. Limite máximo de devolução é de 250 euros. São consideradas facturas de alojamento, restauração, cabeleireiros, institutos de beleza e oficinas.

Menos deduções:
Escalão de rendimento colectável
Limite:
Até 7000 € sem limite
De mais de 7 000 € até 20 000? 1 250
De mais de 20 000 € até 40 000? 1 000
De mais de 40 000 € até 80 000? 500?
Mais de 80 000 € "0"

Estes limites são aumentados em 10% por cada dependente.
Despesas com saúde, educação, habitação, lares e pensões de alimentos pagas são consideradas deduções à colecta.

Crédito à habitação: tecto máximo de 296 euros
Dedução de rendas: tecto máximo 502 euros

PENSIONISTAS
Acima de 1.350 e até 1.800 euros: corte de 3,5%
Acima 3.750 euros: corte de 10%
Acima 5.030 euros: corte de 10% + contribuição extraordinária de solidariedade (15% sobre o montante que exceda 5.030, mas que não ultrapasse 7.545; e 40% sobre o montante que ultrapasse 7.545 euros).

NOVOS REFORMADOS
Penalização de 4,78%
Alternativa é trabalhar mais tempo

65 anos de idade e 40 de descontos: mais 5 meses
65 anos de idade e 35 a 39 anos de descontos: mais 8 meses
65 anos de idade e 25 a 34 anos descontos: mais 10 meses
65 anos de idade e 15 a 24 anos descontos: mais 15 meses

FUNÇÃO PÚBLICA
Subsídio doença: baixas até 3 dias sem pagamento;
redução 10% na remuneração base diária para baixas a partir do 4.º dia e até ao 30.º dia.
Idade reforma: 65 anos; polícias e militares - 60 anos
Salários: manutenção das reduções entre 3,5% e 10% para salários superiores a 1.500 euros

SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL DO PÚBLICO
Subsídio Natal é reposto e mantém-se suspensão do de férias;
Pensionistas e reformados recebem subsídio de Natal e 10% do subsídio de férias;
Suspensão subsídio de férias nos moldes de 2012: não se aplica abaixo dos 600 euros; progressivamente entre os 600 e 1100; na totalidade acima dos 1100.

SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL DO PRIVADO
Diluição de metade dos subsídios de férias e Natal por 12 meses.Restantes 50% serão pagos até 15 de Dezembro (Natal) e antes do início das férias. A medida é temporária e deverá vigorar entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2013.

SUBSÍDIOS - GERAL
Subsídio de desemprego passa a pagar 6% para Segurança Social
Subsídio de doença passa a pagar 5% para Segurança Social
Subsídio por morte dos aposentados: máximo 1.257 euros

IRC
Empresas com lucros acima de 1,5 milhões: 25% + 3% (taxa adicional)
Empresas com lucros acima de 7,5 milhões: 25% + 5% (taxa adicional)

PREVISÕES DO GOVERNO PARA A ECONOMIA EM 2013
PIB: -1%
Défice: 5%
Consumo privado: -2,2%
Consumo público: -3,5%
Investimento público: - 4,2%
Exportações: - 3,6%
Importações: - 1,4%
Inflação: 0,9%
Taxa de desemprego: 16,4%

REFUNDAÇÃO DO ESTADO
Corte de quatro mil milhões na despesa.
Segundo o primeiro-ministro, o Governo vai ter de mexer nas pensões, nas despesas de saúde, nas despesas de educação.
A poupança será feita, diz Pedro Passos Coelho, pelas rubricas financeiras mais pesadas.
Redução 2% funcionários públicos até 2014: cerca de 40 mil.

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento a Vania Correa, pela sua decisão de se inscrever como amiga/seguidora deste blogue.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Poema: Ontem e hoje, mãe - por maria azenha

Voz da autora
Ontem e hoje, Mãe!

Mãe, 
ainda que na Árvore da Vida habites,
sinto a ausência dos teus beijos.
O nosso amor é como um vaso de leite derramando branco
nas nuvens.
As células do nosso corpo,
pequeníssimas estrelas,
comungam todas da mesma revolução.
Mãe,
a comunhão é um estado de autoconhecimento.
e a matéria veste-se para o Inconsciente:
primeiro, sono.
depois, sonho.
por fim,
rendição.

Tu és Deus, e eu também.
Quando te chamo, avanças
quatro,
cinco,
seis mil anos.
Quando entramos em sintonia com os astros
sentimos a alegria do comunismo
das árvores em tuas mãos.

A Vida é um hiper-estado de consciências.
Os crimes são anti-humanos.
As formigas, radiogaláxias que estabelecem comunicações
através das suas pequenas antenas.
Os poetas fazem parte desta sociedade de partículas.

Mãe,
as últimas ondas de luz do universo
transformaram-se em humildes campos terrestres.

Mãe,
não consigo dividir-me por zero.
Tudo está em expansão, quero dizer:
cada vez mais próximo dum ponto central.
Cada centro do espaço
é um novo projecto.
E a luz, a harpa de Thales,
que um dia disse: " Tudo está cheio de Deus".

Eu digo, deus ou deuses
porque as nossas almas são partículas enraizadas nos céus.
Sabes como os asteróides representam a mesma dança – são eles isotrópicos.
Cantam a Incriação.
E eu entro no câmbio,
- colho as sementes do espaço que não mais
existem no zero.

Ontem,
tornei-me photograficamente um quantum.

Alguém disse: " Vieste do Improvável e vais para o Improvável".
Movimentamo-nos em campos de energia. Dançamos.
Deles brota a sagrada estrela da Harmonia.

Mãe,
dizem os índios:
"Se temos um coração bom quando dançamos,
então, chove."
maria azenha

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento a alejandro allikinne, pela sua decisão de se inscrever como amigo/seguidor deste blogue.