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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mais qualquer coisa

Anabela Fino
«Há medidas que nos tocam nas telhas da casa, no automóvel ou nas férias, mas estas entram-nos na casa e na cozinha. Entram-nos no estômago, na saúde». As palavras do bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, não podiam ser mais singelas e no entanto, ou precisamente por isso, exprimem de modo ímpar a tragédia que ameaça submergir o País caso se concretizem as medidas constantes no Orçamento do Estado para 2012.
Ouvir alguém como D. Manuel Martins – que sempre soube dar voz aos que não têm voz – dizer que as medidas anunciadas por Passos Coelho foram «um tiro no peito» e que «este tipo de democracia não serve, é uma farsa de democracia», devia ser motivo de reflexão para todos os católicos, tenham ou não responsabilidades governativas. Porque aquilo a que se assistiu esta semana foi não só ao anúncio do mais brutal ataque às condições de vida dos portugueses e à democracia – até Cavaco Silva reconhece que estão a ser postos em causa direitos constitucionais –, mas também ao maior embuste alguma vez desencadeado pelo regime dito democrático. Já é um logro colossal dizer que «não há alternativa», mas é ainda intrujice maior pretender convencer os trabalhadores e o povo português de que este é o Cabo das Tormentas que temos de atravessar para chegar ao Cabo da Boa Esperança. As explicações do ministro das Finanças não deixam margem para dúvidas: os cortes nos subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores da Administração Pública e das empresas públicas, dos pensionistas e dos reformados, que atingem um total de 2 milhões e 600 mil pessoas, são a forma mais rápida de o Governo reduzir despesas do Estado. Mas não dão, de forma alguma, qualquer garantia de protecção do emprego. Pelo contrário, no horizonte perfila-se o espectro de dezenas de milhares de despedimentos, que o Governo tenta escamotear sob a capa da reforma do Estado.
O mesmo se pode dizer relativamente aos trabalhadores do sector privado para quem o Executivo «propõe» um aumento da carga horária de trabalho de 2,5 horas por semana. São mais de três milhões de pessoas que de uma penada vão sofrer um corte salarial de 6,25 por cento, sendo que a medida pode provocar a eliminação de mais 250 mil postos de trabalho. Em que é que isto contribuiu para as contas públicas? Em nada. O resultado vai para os accionistas e patrões, que por esta via podem arrecadar, num ano, mais de sete mil milhões de euros.
Não terá sido por acaso que no dia seguinte ao anúncio das medidas os juros da dívida soberana portuguesa subiram em todos os prazos. Como não terá sido por acidente que o bem informado presidente do ISEG, João Duque, disse que 2013 «vai ser isto e mais alguma coisa em cima».
Ao contrário de D. Manuel Martins, esta gente fala de números, não de pessoas. Nada sabem da comida que falta na mesa, do remédio que não se pode comprar, da casa expropriada pela banca, do desespero de não ter trabalho, da dignidade roubada. São bestas ao serviço do capitalismo. Por isso mesmo é que toda a coragem é necessária e toda a resistência é legítima. Esse é o «mais qualquer coisa» que temos para dar.
Anabela Fino
In ODiario.info

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Angela Merkel oferece urso de peluche a Sarkozy


A chanceler alemã Angela Merkel ofereceu hoje ao presidente francês um urso de peluche pelo nascimento da filha Giulia na quarta-feira passada.
Diário de Notícias
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Não foi um! Foram dois, os ursos de peluche que Angela Merkel mandou comprar numa loja de chineses, em Bruxelas. Um para a Giulia e o outro para o próprio Sarkozy.
http://www.dn.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=2076760

Descubra as diferenças...

Se não conseguiu encontrar as diferenças, está de parabéns. É sinal que é inteligente.

domingo, 23 de outubro de 2011

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Lu Zat, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Deus é amor e o capitalismo é o seu sistema...

Retirado do Rebelión
Só não se sabe em que partido político ele vota, ou se é do Benfica ou do Sporting...

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Angela Flores, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Fábulas para as Nações Jovens: O BURRO E AS DUAS MARGENS - Fernando Pessoa

O BURRO E AS DUAS MARGENS
É costume contar-se às crianças, quando começam a estar em idade de começar a ser estúpidas, uma história a propósito de um burro que chega à margem de um rio e não consegue passar para a outra margem.
O rio não tem ponte, o burro não sabe nadar, não há barca que o transporte. O que faz o burro? Depois de algum tempo de pensar, a criança diz que desiste. E então a pessoa adulta, que lhe pôs a adivinha, diz: O mesmo fez o burro. O que devia dizer era: És como o burro, porque assim é que a graça tem graça, se é que a tem.
Mas a história não se passou assim, e foi o burro mesmo que m'a contou.
O burro chegou à margem do rio, e queria passar para a outra margem. Verificou, efectivamente, e nesse particular a história é verídica como se narra, que (a) não havia ponte, (b) não havia barco, (c) ele, burro, não sabia nadar.
Então o burro pensou: O que faria um homem no meu caso? E, depois de pensar, pensou: Desistia. Pois bem, decidiu: Sou como o homem.
Porque, nesta adivinha, ninguém pensou numa coisa: é que o homem desistia também.

Moralidade:
A política partidária é a arte de dizer a mesma coisa de duas maneiras diferentes. O melhor é dizer em segundo lugar, porque como é o homem que faz a adivinha, adiante vai o burro.

Moralidade:
Cuidado com o avesso.
Cuidado com os tecidos políticos que se podem virar do avesso.
Fernando Pessoa
**
s.d.
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
- 270.
«Fábulas para as Nações Jovens».

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao António E. Pereira, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

Blogues de António E. Pereira:

Portugal deu contributo positivo para plano de recapitalização dos bancos, diz Passos


O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, esclareceu hoje que Portugal “não apresentou reservas” quanto ao plano para a recapitalização dos bancos, tendo até dado um “contributo bastante positivo” para a fórmula acordada em Bruxelas.
PÚBLICO
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Os bons alunos são assim. Fazem sempre o que o professor manda.
http://economia.publico.pt/Noticia/portugal-deu-contributo-positivo-para-plano-de-recapitalizacao-dos-bancos-diz-passos_1517840

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao somanogg, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Quarto Reich: A guerra pode ter já recomeçado

A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes. Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compagon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria diretamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados. As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha - algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho. Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado "O protocolo Budapeste". No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto diretório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o diretório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas - presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia. Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas" - palavras de Giscard d'Estaing, redator do projeto de Constituição europeia. É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.
Filipe Luís
Visão de 5 de Out de 2011
Amabilidade do João Grazina
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A ideia central deste texto coincide com aquilo que aqui tenho afirmado, várias vezes: Está a nascer uma nova forma de fascismo, o fascismo financeiro da Alemanha; Angela Merkel pretende fazer com o rolo compressor do euro o que Hitler não conseguiu com os tanques e os submarinos. Se a guerra é a política por outros meios, agora, a guerra está a fazer-se através da economia.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Cristina Silva, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Ministro recebe subsídio apesar de passar a semana em casa própria na capital

A assessoria de imprensa do Ministério da Administração Interna
afirma que o subsídio é legal (PÚBLICO/Nuno Ferreira Santos/Arquivo)
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, recebe todos os meses cerca de 1400 euros por subsídio de alojamento apesar de ter um apartamento seu na área de Lisboa onde reside durante toda a semana. A assessoria de imprensa do Ministério da Administração Interna (MAI) afirma que o subsídio é legal, uma vez que o governante tem a sua residência permanente em Braga.
PÚBLICO
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Este homem também é um daqueles que vem à televisão dizer que todos têm de fazer sacrifícios...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao João Afonso, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O dinheiro da Segurança Social não é do Estado. É dos pensionistas...


O Presidente da República teme que os sacrifícios pedidos aos pensionistas já ultrapassem o razoável. "Receio que possamos estar no limite dos sacrifícios. Receio que para os pensionistas, por exemplo, já possamos ter ultrapassado o limite", sublinhou Cavaco à margem do Congresso da Ordem dos Economistas.
Diário Económico
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As primeiras vítimas das medidas de austeridade, consignadas nos diversos PEC do governo de José Sócrates, foram os desempregados e os pensionistas da Segurança Social. A selecção destes dois segmentos populacionais não foi feita ao acaso. Trata-se de grupos de cidadãos muito vulneráveis e fragilizados, que já não têm capacidade de resposta. Não têm sindicatos próprios, que defendam os seus interesses específicos, nem podem fazer greves. A própria sociedade considera-os um desperdício. Por isso, exceptuando as posições assumidas pelo Partido Comunista Português e pelos dirigentes da Intersindical, ninguém de prestígio e com força mediática veio a terreiro denunciar a injustiça.
Agora, é o actual governo de Passos Coelho, que através do Orçamento de Estado, vem anunciar mais um esbulho a esses pensionistas, alinhando-os injustamente com o funcionários públicos, na suspensão dos subsídios de férias e de Natal.
No dia em que foi apresentado o orçamento do próximo ano, a vozearia dos meios de comunicação social apenas realçou a incidência dessa medida no funcionalismo público, deixando para segundo plano a situação dos reformados, que, ao contrário dos funcionários do Estado, já tinham sido barbaramente castigados por José Sócrates. Houve até a preocupação de fazer cálculos, para se perceber o impacto destas brutais medidas no seu poder de compra, preocupação que não foi extensiva à situação dos reformados da Segurança Social, cujas pensões não foram actualizadas em 2011, nem o serão nos próximos dois anos.
Mas existe uma outra dimensão do problema, de quem ninguém fala. O dinheiro dos reformados da Segurança Social não vem do Orçamento de Estado, nem dos impostos dos cidadãos. São o produto dos descontos dos trabalhadores e das suas empresas, ao longo das dezenas de anos da sua vida activa, o que retira o direito ao Estado de fazer uma qualquer apropriação ilícita, como é esta. O Estado poderá lançar impostos, sendo-lhe, no entanto, impedido fazê-los incidir sobre um grupo social em particular, a fim de respeitar a equidade fiscal, mas não pode cortar arbitrariamente os valores das pensões e suspender os subsídios aos pensionistas da Segurança Social. O que este governo está a fazer a estes pensionistas, que já se encontram no último ciclo das suas vidas, e, por isso mesmo, muito fragilizados e indefesos, é uma fraude nojenta, um inqualificável roubo e uma iníqua rapina. Este comportamento do governo de Passos Coelho não dignifica o Estado de Direito.

Nota do editor: Um leitor (ver comentários) manifestou, e com razão, o seu desagrado pelo facto deste texto apenas referir o Partido Comunista Português e a Intersindical, como as únicas forças políticas que condenaram as medidas de austeridade consignadas nos diversos PEC do governo socialista de José Sócrates. A fim de dar uma maior visibilidade à reposição da verdade, transcrevo para a página principal o o respectivo comentário da resposta:
"Tem razão o leitor, João Afonso. Por lapso, não referi o Bloco de Esquerda, que, no Parlamento, através das brilhantes intervenções do seu líder, Francisco Louçã, denunciou com firmeza as medidas de austeridade dos vários PEC do governo de José Sócrates. Teria havido, também, protestos de várias associações de cidadãos, mas cuja voz não chegou aos jornais nem às televisões. Peço, pois, desculpas aos leitores por esta lamentável omissão, que não foi intencional. Ao João Afonso, o meu agradecimento pelo seu oportuno reparo".

http://economico.sapo.pt/noticias/e-injusto-reter-subsidios-so-na-funcao-publica-diz-cavaco_129412.html  

"Vou vender um produto muito especial que é Cascais

Lili Caneças, a raínha do jet-set, em Portugal, quer
vender Cascais para pagar a dívida do país.
Fotografia do Diário de Notícias

Para seleccionar um produto português merecedor de destaque Lili Caneças não precisou de procurar muito: encontrou-o à porta de casa. "Vou vender um produto muito especial que é Cascais. Vivo em Cascais há 57 anos e se estivesse no poder acho que vender Cascais era tão fácil. Porque Cascais podia ser feito das pessoas mais interessantes do mundo", salienta.
Diário de Notícias 
***
Inútil, Lili Caneças. Já se vendeu o Martin Moniz e o Intendente aos paquistaneses, e o único resultado que se obteve foi aumentar o número de putas, que não contam para a contabilidade nacional, porque não passam recibo verde.
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2066800

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Bem prega o Frei Tomás! Olha para o que ele diz, não olhes para o que ele faz...

Amabilidade de M. Jorge Neves
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Aqui, nestes apontamentos discursivos, Passos Coelho ainda não sabia que iria ser primeiro-ministro. Se o tivessem avisado, ele teria ficado calado.
Nota: É obrigatório divulgar este vídeo.

Ginecologia com homens

Já não é a primeira vez que a falta de camas na
unidade hospitalar de Almada é denunciada.
Fotografia e legenda do Correio da Manhã
A falta de camas no Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, obriga ao internamento de homens numa área partilhada pelo Serviço de Ginecologia. É um doente que, num agradecimento aos médicos do serviço de Neurocirurgia, por lhes terem salvo a vida, acaba por denunciar a falta de camas. "Agradeço às grandes profissionais do Serviço de Ginecologia que me acolheu na recuperação pós-cirúrgica, uma vez que não havia camas na Neurocirurgia" lê-se num anúncio ontem publicado.
A medida, explica fonte do HGO, prende-se com a necessidade de aproveitar a capacidade de internamento do hospital. O HGO "garante a privacidade dos utentes". "As dificuldades de internamento são comuns a todos os hospitais e as camas não pertencem a um serviço, estão à disposição das necessidades dos hospitais." A mesma fonte acrescenta que aos hospitais é colocado um novo desafio: funcionar com menos camas e em regime de ambulatório. O objectivo é que os doentes sejam reencaminhados para casa no menor tempo possível, uma vez que estar num hospital implica um maior risco de infecção.
Em Fevereiro, o CM já tinha noticiado a presença de três homens no Serviço de Ginecologia do HGO, uma situação que causou estranheza e controvérsia entre os profissionais de saúde.
Ana Carvalho Vacas
Correio da Manhã 
***
Eu até nem me importo, desde que não ponham os homens a parir.

Viagens em executiva para membros do Governo só em voos com mais de quatro horas

Voos em classe turística/económica passam a ser
obrigatórios em viagens até quatro horas
Fotografia: Carlos Lopes/PÚBLICO
Membros do Governo, chefes e adjuntos dos gabinetes ou chefes de missão diplomática deixam de poder viajar em classe executiva em voos até quatro horas, estabelece a proposta de Orçamento do Estado para 2012 que o Governo apresentou esta segunda-feira.
PÚBLICO
***
Com esta medida, apenas são abrangidos os voos entre Lisboa e as Berlengas (uns ilhéu rochoso, do tamanho de uma casca de noz, a 150Km da capital *). Para outros destinos, aquele limite de quatro horas envolve o tempo de viagem de ida e volta. Caso venha a ser contabilizado o tempo da viagem entre o hotel e o aeroporto, também os voos para o Porto ou para Faro ficam de fora daquela medida restritiva. Se isto não chegar, para ultrapassar aquele inoportuno limite das quatro horas, telefona-se para a polícia a informar que há uma bomba a bordo.
* Informação necessária para os leitores brasileiros, que são muitos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Silva das vacas... - por Luís Manuel Cunha

Na realidade, Cavaco Silva, nas tiradas líricas, aqui um
pouco eróticas, supera o Américo Tomaz.
*
Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto:
"A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. A vaca é um animal cercado de pêlos por todos os lados, ao contrário da península que só não é cercada por um. O rabo da vaca não lhe serve para extrair o leite, mas para enxotar as moscas e espalhar a bosta. Na cabeça, a vaca tem dois cornos pequenos e lá dentro tem mioleira, que o meu pai diz que faz muito bem à inteligência e, por não comer mioleira, é que o padre é burro como um tamanco. Diz o meu pai e eu concordo, porque, na doutrina, me obriga a saber umas merdas de que não percebo nada como as bem-aventuranças. A vaca dá leite por fora e carne por dentro, embora agora as vacas já não façam tanta falta, porque foi descoberto o leite em pó. A vaca é um animal triste todo o ano, excepto no dia em que vai ao boi, disse-me o pai do Valdemar "pauzinho", que é dono do boi onde vão todas as vacas da freguesia. Um dia perguntei ao meu pai o que era isso da vaca ir ao boi e levei logo um estalo no focinho. O meu pai também diz que a mulher do regedor é uma vaca e eu também não entendi. Mas, escarmentado, já nem lhe perguntei se ela também ia ao boi."
Foi assim. Escusado será dizer que a D.ª Albertina, pouco dada a brincadeiras criativas, afinfou no pobre do Zeca um enxerto de porrada a sério. Mas acabou definitivamente com a vaca como tema de redacção. Recordei-me desta história da D.ª Albertina e da vaca do Zeca da Maria "gorda", ao ler que Cavaco Silva, presidente da República desta vacaria indígena, em visita oficial ao Açores, saiu-se a certa altura com esta pérola vacum: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Este homem, que se deixou rodear, no governo, pelo que viria a ser a maior corja de gatunos que Portugal politicamente produziu; este homem, inculto e ignorante, cuja cabeça é comparada metaforicamente ao sexo dos anjos; este político manhoso que sentiu necessidade de afirmar publicamente que tem de nascer duas vezes quem seja mais honesto que ele; este "cagarola" que foi humilhado por João Jardim e ficou calado; este homem que, desgraçadamente, foi eleito presidente da República de Portugal, no momento em que a miséria e a fome grassam pelo país, em que o desemprego se torna incontrolável, em que os pobres são miseravelmente espoliados a cada dia que passa, este homem, dizia, não tem mais nada para nos mostrar senão o fascínio pelo "sorriso das vacas", satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Satisfeitíssimas, as vacas?! Logo agora, em tempos de inseminação artificial, em que as desgraçadas já nem sequer dispõem da felicidade de "ir ao boi", ao menos uma vez cada ano!
Noticiava há dias o Expresso que, há mais ou menos um ano e aquando de uma visita a uma exploração agrícola no âmbito do Roteiro da Juventude, Cavaco se confessou "surpreendidíssimo por ver que as vacas, umas atrás das outras, se encostavam ao robô e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante seis ou sete minutos, realizava a ordenha"! Como se fosse possível alguma vaca poder sentir-se deliciada ao passar seis ou sete minutos com um robô a espremer-lhe as tetas!! Não sei se o fascínio de Cavaco por vacas terá ou não uma explicação freudiana. É possível. Porque este homem deve julgar-se o capataz de uma imensa vacaria, metáfora de um país chamado Portugal, onde há meia-dúzia de "vacas sagradas", essas sim com direito a atendimento personalizado pelo "boi", enquanto as outras são inexoravelmente "ordenhadas"! Sugadas sem piedade, até que das tetas não escorra mais nada e delas não reste senão peles penduradas, mirradas e sem proveito.
A este "Américo Tomás do século XXI" chamou um dia João Jardim, o "sr. Silva". Depreciativamente, conforme entendimento generalizado. Creio que não. Porque este homem deveria ser simplesmente "o Silva". O Silva das vacas. Presidente da República de Portugal. Desgraçadamente.

Luís Manuel Cunha
in «Jornal de Barcelos», 5 de Outubro, 2011
Amabilidade do Diamantino Silva

Nota do editor: Ou é um recalcamento freudiano, o que afecta, de forma pronunciada, o pensamento obsessivo de Cavaco Silva, ou, então, ele está a tentar ensinar aos políticos, como se devem ordenhar as tetas do Orçamento de Estado.

domingo, 16 de outubro de 2011

Empresa da CP encomenda 13 carros de luxo para chefes

A EMEF, com resultados negativos de 2,2 milhões de euros e um passivo de 71,7 milhões de euros em 2010, gasta 237 120 euros em veículos para directores.
O "Correio da Manhã" escreve que numa altura de cortes dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas, a EMEF - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, cujo único accionista é a CP, vai gastar 237.120 euros na aquisição de 13 carros topo de gama para directores.
A EMEF apresentou um resultado líquido negativo de 2,2 milhões de euros no seu Relatório e Contas no que respeita a 2010. O mesmo documento refere que a empresa tem um passivo de 71,7 milhões de euros. O accionista único da EMEF, a CP, registou resultados líquidos negativos no ano passado de 195,197 milhões de euros. No total acumulado, a CP tem um prejuízo de cerca de 5,55 mil milhões de euros.
Diário de Notícias
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É o delírio febril do fim de um ciclo e a prova de que o Estado já não controla as empresas públicas, verdadeiras ilhotas soberanas, que se governam a si próprias e que caminham em roda livre. Cai por terra o argumento, exaustivamente utilizado, de que a austeridade é para todos. E são precisamente aqueles, que não estão a ser afectados por essas medidas, que, nas televisões e na imprensa, afirmam ser necessário fazer sacrifícios. Não eles, claro!

Portugal é um país cada vez mais pobre e desigual...

Fotografia do Diário de Notícias
Desde 1974 salário mínimo aumentou apenas 88 euros
O salário mínimo nacional teve um acréscimo de apenas 88 euros desde 1974, enquanto que as pensões mínimas de velhice e invalidez aumentaram apenas 38 euros nos últimos 36 anos, segundo dados da Pordata.
A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala segunda-feira, a Pordata divulgou alguns dados estatísticos relativamente à situação económica e social do país.
Comparando a evolução do salário mínimo e das pensões mínimas de invalidez e velhice desde 1974 até 2010, e descontando o efeito da inflação, constata-se que hoje em dia os beneficiários desses apoios sociais auferem apenas mais 88 euros e 38 euros respetivamente.
Nesse mesmo ano (2010), correspondia a 15 por cento da população portuguesa o número de pensionistas de invalidez e velhice da Segurança Social com pensões inferiores ao salário mínimo, o que significa que perto de um milhão e meios de pessoas estavam nessa situação.
Além disso, existia mais de meio milhão de pessoas a receber o Rendimento Social de inserção, dos quais quase metade (47%) com menos de 25 anos.
A Pordata revela ainda que em 2009 (últimos dados disponíveis) Portugal era o quarto país da União Europeia (UE) com maiores desigualdades de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres, sendo que o rendimento dos mais ricos era 6 vezes superior ao dos mais pobres (a média europeia era de cinco).
Diário de Notícias
***
Estes números deviam fazer corar de vergonha todos os primeiros-ministros dos governos constitucionais, desde Mário Soares a José Sócrates, e passando por Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, e, agora, Passos Coelho. Todos eles deveriam ser confrontados com esta amarga realidade, que não souberam nem quiseram alterar, tal foi o seu envolvimento com os interesses do grande capital, principalmente o capital financeiro. A eles se deve a má gestão dos dinheiros públicos, principalmente os oriundos dos fundos europeus. A eles se deve a actual crise, que vai atirar Portugal para os níveis de desenvolvimento, típicos do Terceiro Mundo. A eles se deve a morte prematura da esperança, que nasceu em Abril. Embora alguns tenham sido reeleitos para um segundo mandato, como primeiros-ministros, e dois deles tenham sido presidentes da República, também em dois mandatos, eles não deixaram saudades no povo português, que agora, lentamente, começa a descobrir o logro em que caiu. Um aumento, em valores reais, do salário mínimo nacional, de apenas 88 euros, entre 1974 e 2010, e um aumento de apenas 38 euros, também em valores reais e durante o mesmo período, das pensões mínimas de invalidez e de velhice, evidencia bem o desprezo que esses governantes votaram aos portugueses mais pobres. Quando o distanciamento temporal for maior, a História irá julgá-los, já que não é possível julgá-los agora em tribunais, enquanto estão vivos, mas não tenho dúvidas que todos eles serão considerados governantes medíocres, oportunistas, carreiristas, amigos das elites económicas, e, alguns, até venais e corruptos. Eles são o expoente máximo da vergonha nacional. 

sábado, 15 de outubro de 2011

Contra a destruição do Estado Social e dos direitos constituci​onais: COMUNICADO da COMISSÃO EXECUTIVA da FNAM

Contra a destruição do Estado Social e dos direitos constitucionais
Face às medidas que têm vindo a ser divulgadas pela comunicação social relativas ao conteúdo da Lei do Orçamento de Estado 2012 e às declarações públicas do Primeiro-Ministro em torno desta matéria, a FNAM vem transmitir as seguintes posições:

1- É claro que existe uma grave crise económica e financeira no plano nacional e internacional que exige medidas inadiáveis.
Mas é imperioso sublinhar que entidades que contribuíram para o inequívoco agravamento desta situação de crise estrutural em virtude de colossais buracos financeiros e de práticas de gestão danosa continuem impunes e sem qualquer responsabilização efectiva.
Só aqueles que vivem do seu trabalho e que pagam os seus impostos estão a ser vítimas de um processo violento de liquidação das suas condições de vida mais elementares e dos seus direitos sociais e laborais que significam um profundo retrocesso social e civilizacional de muitas e muitas décadas.

2- As medidas que estão a ser tomadas pelo Governo excedem largamente as imposições da chamada Troika.
Aquilo que começa a tornar-se cada vez mais claro é que a crise está a servir de pretexto ao Governo para proceder à liquidação dos direitos sociais e laborais e tornar o nosso país um exemplo dramático de escravização do trabalho.
A pobreza alarga-se, de forma assustadora, a sectores sociais nunca antes atingidos por ela e ameaça criar rupturas sociais de consequências imprevisíveis.

3- A nível específico da Saúde, o anúncio de medidas como a abolição dos limites legais do número de horas extraordinárias efectuadas nos serviços de urgência constitui uma enorme irresponsabilidade e uma atitude de claro desprezo pelo valor da vida humana.
Está hoje sobejamente demonstrado por múltiplos estudos científicos internacionais que o excesso de horas de trabalho a nível dos médicos é directamente proporcional ao aumento do número de erros que podem custar a perda de vidas humanas.
Simultaneamente, esses limites do número de horas estão salvaguardados em sede de contratação colectiva, o que torna insusceptível a sua eliminação unilateral por parte de qualquer governo.
A medida igualmente anunciada de proceder ao pagamento dessas horas extraordinárias por metade do seu valor actual representa uma afronta à penosidade deste tipo de trabalho.
O recurso às horas extraordinárias tem sido um imperativo incontornável para garantir o funcionamento de serviços tão sensíveis para as populações como são os serviços de urgência, devido à carência de efectivos médicos.
Não existem quaisquer dúvidas que sem o recurso a estas horas a maioria das urgências hospitalares já teria encerrado.
Acresce referir que as modalidades de pagamento deste tipo de trabalho também estão consagradas a nível da contratação colectiva.

4- Proceder à liquidação dos subsídios de férias e de Natal para todos os trabalhadores do sector público irá representar um brutal agravamento do poder de compra de várias centenas de milhares de portugueses e respectivas famílias, numa medida que não contribuirá, pelo contrário, para a tão necessária retoma da economia.
Com o poder de compra altamente debilitado não há qualquer possibilidade de proceder à recuperação da economia e à superação da crise em que nos encontramos.
Estamos, pois, numa situação em que o cenário em desenvolvimento pelo Governo é de proceder à liquidação dos serviços públicos em geral, com particular prioridade em relação aos de índole social mais marcada como é o caso da saúde.
Neste contexto de extrema gravidade política e social, onde a prática governamental revela uma profunda aversão às políticas sociais e uma perspectiva que roça já o terrorismo social, a FNAM reafirma a sua firme determinação em desenvolver todas as iniciativas legais e reivindicativas para combater as medidas governamentais e assegurar a defesa intransigente dos legítimos direitos laborais dos médicos e do direito constitucional à saúde corporizado pelo Serviço Nacional de Saúde.

Lisboa, 14/10/2011

A Comissão Executiva da FNAM
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Comentário: Todos o governos, desde o do segundo mandato de Cavaco Silva, como primeiro-ministro, dificultaram, por opções economicistas, o acesso de médicos ao Serviço Nacional de Saúde, com o argumento, nunca assumido, de que quantos mais médicos entrassem para o sistema, maior seria a despesa a suportar pelo Orçamento de Estado, não só através da rubrica dos salários, mas também pelo aumento de gastos induzido pela prescrição de medicamentos e de meios auxiliares de diagnóstico. Com esta política nociva, ao nível dos hospitais e dos centros de saúde, começou a criar-se um hiato geracional, prejudicial para a eficiência dos serviços, além de, por outro lado, ter sido interrompido o ciclo contínuo  da transmissão de saberes e de experiências institucionais para os médicos mais novos. Em alternativa, e numa visão de curto prazo, os governos optaram pelo recurso ao trabalho extraordinário nos serviços de urgência, e, mais recentemente, para colmatar falhas nos serviços de internamento, deitaram mão ao aluguer de médicos às empresas de trabalho temporário, com um preço/hora mais elevado, e  que normalmente revelavam grandes dificuldades de integração no contexto e nas dinâmicas das equipas, onde eram colocados. Ao nível económico, os resultados foram desastrosos. Gastou-se mais dinheiro e prejudicou-se a qualidade dos serviços prestados. É que sem ovos não se fazem omoletes.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eu já estou a olear a guilhotina e não me importo de ir chamar o Robespierre

JSD quer “responsabilizar criminalmente” Sócrates pela situação do país
O líder da Juventude Social Democrata, Duarte Marques, defende que “é tempo de responsabilizar criminalmente quem levou o país a esta situação”, entendendo que “José Sócrates e os restantes membros do seu Governo devem ser julgados”.
PÚBLICO
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Não são só José Sócrates e os membros do seu governo que deverão responder criminalmente. O rol de arguidos deve estender-se a todo o Bloco Central. E os políticos do PSD, como pretende este jotinha, que descobriu que, em Portugal, a melhor profissão do mundo é ser político, não podem ficar de fora. A começar pelo inefável Cavaco Silva, que desbaratou os fundos da CEE, e que privatizou, a preço de saldo, empresas do Estado, que, depois, os capitalistas portugueses, que as adjudicaram, se apressaram a vender a capitalistas estrangeiros, por um preço muito mais elevado. Ou aquele ministro das Obras Públicas do PSD, de um dos governos cavaquistas, que, no contracto de concessão da construção e exploração da ponte Vasco da Gama, assinou sigilosamente uma ruinosa cláusula para o Estado Português, que prevê a concessão automática, sem concurso público,  de todas as travessias do Tejo, entre Vila Franca de Xira e Belém, que venham a ser planeadas. Esse ministro é hoje significativamente presidente da Lusoponte, seguindo o mesmo trajecto do seu antecessor do governo socialista, Jorge Coelho, que ocupa agora, não por acaso, idêntica função na Mota Engil, a empresa que mais empreitadas da construção civil arrematou, de obras lançadas pelo Estado. E isto, para não falar dos deputados dos dois partidos, que, sendo advogados, influenciaram a alteração de projectos de lei, para beneficiarem os seus poderosos clientes, ligados ao grande capital.
E se José Sócrates ainda terá de prestar esclarecimentos sobre o caso Freeport e sobre a Fundação para as Comunicações Móveis, também Durão Barroso e Paulo Portas não poderão escudar-se em qualquer imunidade legal para não esclarecerem cabalmente o caso dos submarinos.
Eu já estou a olear a guilhotina e não me importo de ir chamar o Robespierre. 

A lógica do rebanho nos partidos...


Pelo PSD, o líder da bancada Luís Montenegro manifestou a solidariedade de todo os 108 deputados do grupo parlamentar às “medidas corajosas”. E lembrou algumas das preocupações sociais da proposta do Orçamento do Estado como a manutenção da taxa reduzida do IVA em bens essenciais e o não agravamento da fiscalidade das IPSS, ao contrário do que estava previsto no memorando da troika.
PÚBLICO
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Os deputados do grupo parlamentar, do partido que ocupa o poder, acabam sempre por ficar amputados de uma qualquer capacidade crítica. Funcionam na lógica animalesca do rebanho, obedecendo à vara do pastor que ocupa o lugar de chefe de turno do palácio de S. Bento. É deprimente ouvi-los perorar, naquela jogo canhestro de tentarem dar uma imagem actuante e vigilante de si próprios. Este Luís Montenegro, à falta de melhores argumentos, acabou por dizer, por outras palavras, o seguinte: "Os portugueses não irão morrer enforcados, como para aí malevolamente se dizia, mas irão morrer fuzilados, o que é menos penoso". É um desperdício para a economia nacional, o que este homem está a ganhar como deputado.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Publicidad​e da LG num muro de Berlim...


Amabilidade do José Camelo

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao João Gonçalves, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

Trecho - Documentário "Let's make money" - Ex-assassino econômico John Perkins


Amabilidade do Campos de Sousa
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Trata-se de uma repetição, pois este vídeo já foi publicado neste blogue. Mas resolvi reditá-lo, devido à sua oportunidade nos tempos actuais, em que as pessoas já começam a compreender melhor os perversos mecanismos do imperialismo americano, sustentado pelo grande capital financeiro internacional. Por dedução, também se fica a compreender o que se passou recentemente na Líbia. Tal como Hussein Sadam, do Iraque, Kafadi também desafiou os EUA, aceitando euros e outras moedas em troca das vendas do petróleo líbio. Para irritar mais os imperialistas, Kadafi adoptou o padrão ouro para a moeda do seu país, o que constituia um mau exemplo para outros países. Falhados os objectivo do "assassino económico" e com o fracasso dos "chacais", o seu destino ficou traçado. Desta vez coube à França fazer o papel sujo, assumindo o comando militar da invasão da Líbia, depois de se ter encenado a revolta popular, enviando para a zona, onde Kadafi não era bem tolerado, militares do Katar, que se fizeram passar por rebeldes líbios. Foi a estreia da França neste tipo de intervenções, o que nunca teria sido posssível acontecer, durante a vigência dos mandatos dos anteriores presidentes da república francesa, que faziam gala em mostrar ao mundo que a França não era um capacho dos EUA. 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Eu preferia que estivesse aqui o Sócrates...

Vídeo sugerido pelo amigo M. Jorge Neves
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O puto até tem razão. Tinham-lhe dito que o circo era de primeira categoria.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Carlos Ferraria, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao scribe scribe, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

domingo, 9 de outubro de 2011

Jardim: transporte de eleitores para votar é "normal"




O presidente do PSD-M, Alberto João Jardim, desvalorizou a polémica e considerou "normal" a disponibilização de transporte para que os eleitores madeirenses possam exercer o seu direito de voto.
Diário de Notícias
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Para Alberto João Jardm é normal ocultar as dívidas da Região da Madeira. Também é normal transportar eleitores em carrinhas até às mesas de voto, à custa do erário culto. Ele, contudo, é que não é normal!

À falta de humanos, avançam os cães...

Uma mulher reza ao lado do seu cão. No dia de S. Francisco de Assis,
padroeiro dos animais no Brasil, os crentes levam-nos à igreja
para serem abençoados (Nacho Doce / REUTERS)
A irracionalidade da Fé não ofende a irracionalidade dos cães. Não sei, no entanto, se este será o entendimento das Sociedades Protectoras dos Animais, que poderão vir a contestar estas conversões à força.
Imagem retirada do blogue papa açordas

sábado, 8 de outubro de 2011

A verdade acerca da economia - Robert B Reich

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Tenho aqui afirmado recorrentemente que o objectivo das teorias neoliberais consiste em dar cobertura às iniquidades do sistema financeiro internacional, que tem promovido silenciosamente a tranferência da riqueza dos países pobres para os países ricos, e, em cada país, a transferência dos rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital. O economista Robert B Reich não me deixou em mentira.

Recado de Maria da Conceição Tavares para os jovens economistas

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O discurso que irrita os neoliberais, que não querem ouvir falar da economia do bem-estar das sociedades modernas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Processo contra antigos gestores do BCP foi anulado

O juiz António da Hora decidiu que as provas contra os antigos gestores do banco privado são nulas e não podem ser usadas em processos de contra-ordenação. Deste modo o processo foi anulado.
O processo de contra-ordenação do Banco de Portugal contra seis antigos gestores do BCP é nulo, decidiu o juiz António da Hora.
"O processo sofre uma mal-formação genética", justificou o juiz na audiência que decorreu hoje.
Há duas semanas, o juiz que está a julgar o recurso contra as penas aplicadas pelo BdP aos ex-administradores do BCP decidiu apreciar a questão da nulidade da prova, argumento invocado por alguns arguidos há vários anos.
Os representantes da defesa estavam convencidos que António da Hora ia considerar a prova nula por se tratar de documentação obtida através do crime de violação de segredo bancário, o que, alegavam, teria de resultar na anulação deste processo.
Jornal de Negócios
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Não há hipótese! Não há qualquer hipótese de condenar judicialmente os aristocratas do regime. Há sempre uma manhosice na lei, que lhes é favorável. Os projectos dos códigos e os projectos de outras leis mais complexas são elaborados, normalmente, nos grandes gabinetes de advocacia, e que, posteriormente, os governos enviam para a Assembleia da República, para aprovação. Com uma intencionalidade premeditada, os advogados desses gabinetes não se esquecem de criar alçapões ardilosos, que, no futuro, irão servir para isentar arguidos poderosos e influentes. Políticos, banqueiros, accionistas das grandes empresas e figuras gradas do regime acabam, assim, por fugir às malhas da justiça, que, por diferenciação negativa, não é igual para todos. E já não pode haver esperança que o iníquo sistema político e judicial se regenere. É urgente mudá-lo por outros processos. 

"Indignados" de Nova Iorque levam protesto a Washington

“Parem a máquina. Criem um Mundo Novo”, é o apelo que corre na Internet,
O movimento de protesto em Nova Iorque contra as desigualdades económicas e a ganância dos especuladores financeiros ganhou novo fôlego na quarta-feira, com a entrada em cena dos sindicatos, que também marcharam na zona do coração financeiro da América.
Como um número cada vez maior de pessoas na rua, o movimento Occupy Wall Street também ganhou o apoio de estudantes em várias universidades espalhadas pelo país que abandonaram as aulas em sinal de solidariedade para com os protestos de Nova Iorque.
E agora o movimento prepara-se para levar a sua luta até Washington. Com o objectivo de combater “a máquina corporativa”, os organizadores prometem um concerto ao meio-dia e um comício da Freedom Plaza, junto à Pennsylvania Avenue, a poucos quarteirões da Casa Branca.
“Parem a máquina. Criem um Mundo Novo”, é o apelo que corre desde ontem na Internet, pedindo aos manifestantes para aparecerem com sacos-cama no local da protesto para,"DE FORMA NÃO VIOLENTA, resistir à máquina corporativa ocupando a Freedom Plaza para exigir que os recursos da América sejam investidos nas necessidades humanas e na protecção ambiental em vez da guerra e a da exploração”.
Em Nova Iorque, milhares de pessoas marcharam da Foley Square até ao Zuccotti Park, a sede dos protestos onde dezenas de manifestantes estão acampados desde o dia 17 de Setembro e onde se concentram diariamente cada vez mais “indignados”.
“A classe média está a carregar com o fardo, mas os mais ricos do nosso país não estão”, disse ao jornal Washington Post, Sterling W. Roberson, vice-presidente da Federação de sindicatos de professores.
“O mundo está virado do avesso. Estamos aqui para lutar pelas nossas famílias e pelos nossos filhos”, explicou à Reuters, Michael Mulgrew, outro dirigente da Federação de sindicatos de professores.
PÚBLICO
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Estas manifestações de protesto em Nova Iorque podem ser o inicio de um gigantesco movimento, que poderá vir a abalar a América, nos tempos mais próximos. Foi assim que começaram, na década de sessenta do século passado, os protestos dos movimentos anti-segregacionistas dos afro-americanos e os dos movimentos contra a guerra do Vietname, cuja força e determinação conseguiram mudar a sociedade americana. Os Estados Unidos não são a Grécia nem o apático Portugal. Ali, os movimentos de protesto ganham dinâmicas sociais impetuosas, com uma enorme ressonância internacional, o que obriga o poder político a recuar. Por prudência, e pondo em prática o calculismo eleitoralista, o presidente Obama, na sua reacção aos protestos, veio tentar colar-se, hipocritamente, aos objectivos do movimento Occupy Wall Street, quando afirmou que  “as manifestações reflectem a frustração do povo”, como se ele estivesse isento de culpas em relação ao agravamento das condições económicas da classe média. 
Ao contrário do que aconteceu aos recentes movimentos de protesto, em Portugal e Espanha, o Occupy Wall Street procedeu a uma identificação correcta do poder a contestar, o capitalismo financeiro, e não apenas o poder político, que, como fez Obama, vai tentar passar a imagem de que não é uma correia de transmissão dos interesses desse mesmo capitalismo financeiro, que já actua a uma escala planetária. Foi essa identificação correcta do alvo a contestar que faltou ao movimento da Geração à Rasca e aos indignados das Portas do Sol da cidade de Madrid. 
Sou levado a acreditar que o que está a ocorrer em Nova Iorque possa vir a ter repercussões na Europa, nomeadamente em Portugal, que necessita de um forte estremeção para poder ser capaz de combater a política assassina do governo do PSD/CDS, que se submeteu servilmente aos interesses do capitalismo financeiro europeu. 

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Carlos Tavares, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Grécia: Degrau em degrau até ao fracasso final...

Atenas falha metas de défice para 2011 e 2012
O Governo grego confirmou hoje (seguna feira), após uma reunião extraordinária, que não vai cumprir as metas do défice para 2011 e 2012 fixadas pela Comissão Europeia, pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu.
Diário de Notícias- 2 de Outubro de 2011
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Zona euro deve perdoar derrapagem orçamental deste ano na Grécia
Os países da zona euro procuraram nesta segunda feira desdramatizar a derrapagem das contas públicas deste ano na Grécia, confirmando implicitamente o pagamento da tranche de 8 mil milhões de euros da ajuda externa em curso dentro de duas semanas e negando qualquer cenário de incumprimento da dívida (default).
PÚBLICO- 3 de Outubro de 2012
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Estas duas notícias, do início da semana, demonstram duas coisas:
Em primeiro lugar a falta de fiabilidade das previsões dos iluminados funcionários da troika, quanto à evolução dos indicadores macroeconómicos da Grécia, apesar da determinação do governo grego em querer impor sucessivamente, e sem qualquer êxito, as draconianas medidas de austeridade. Nem o défice orçamental vai atingir os valores previstos para 2011 e para 2012, nem a economia grega vai deixar de se degradar para além dos limites da sua própria sustentabilidade.
Em segundo lugar, também ficou demonstrado que a a ortodoxia neoliberal dos dirigentes europeus não é tão rígida, quanto parecia ser. Perante a realidade dos factos, recuaram nas suas iniciais exigências, embora não queiram, por enquanto, admitir o fracasso das suas políticas em relação aos países em dificuldades económicas e financeiras, o que demonstra que teria sido possível aos respectivos governos destes países, se, na realidade, fossem governos patrióticos, empenhados na defesa intransigente dos interesses dos seus cidadãos, ter negociado programas de reajustamento financeiro menos severos e com uma maior racionalidade económica. Mas não foi isso que aconteceu. Os governos da Grécia e de Portugal assinaram de cruz os memorandos com a troika, sem pestanejar. Colocaram-se de joelhos, numa atitude obediente e servil, e passaram a considerar o memorando da troika como a sua verdadeira bíblia.  

Discursos e impressões... ("Ditosa Pátria donde brotam tão ilustres filhos") ...

«Comemora-se em todo o país uma promulgação do despacho número Cem da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriores promulgados....»
Presidente da República Portuguesa, Américo Thomaz.
- in revista Opção, ano II, n.º30
«Hoje reparei no sorriso das vacas, que estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto. Fiquei surpreendidíssimo por ver que as vacas avançavam, uma atrás das outras…»
Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva.
- in jornais e rádios
Amabilidade do João Fráguas

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Portugal invertido...

Amabilidade de Francisco Aragão, autor da imagem.
Não precisei de ouvir o vigoroso discurso de Carvalho da Silva, no final da grande manifestação dos trabalhadores portugueses, no passado dia 1 de Outubro. Esta imagem, obtida nesse próprio dia, na praça dos Restauradores, esclareceu-me. É uma verdadeira caricatura do meu país.
Os meus agradecimentos ao Francisco Aragão.

domingo, 2 de outubro de 2011

Notas do meu rodapé: Ontem, o povo saiu à rua para protestar...

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As manifestações políticas e sindicais deixaram de ser românticas. Em face do agravamento das condições de vida dos trabalhadores portugueses e da população em geral, os manifestantes já não descem a avenida, cumprindo um ritual e embrulhando a bandeira no fim da festa. A jornada de protesto deste domingo, promovida pela CGTP-Intersindical, foi uma manifestação de viragem, quer pela sua elevada adesão, quer pela mudança de atitude dos manifestantes, que já estão a sentir na pele os efeitos gravosos das medidas impostas pelo governo de direita e ditadas pelo capitalismo financeiro internacional, através da troika (UE-BCE-FMI). Vi pessoas a chorar. Vi muitas pessoas, cujo rostos já evidenciavam os sinais de profundas carências.
Carvalho da Silva, o secretário geral da CGTP, fez um discurso vigoroso, denunciando com objectividade os meandros obscuros das causas da actual crise e a perversidade das medidas de austeridade, que mais não visam do que diminuir os rendimentos do trabalho. Zurziu no Presidente da República (ver na parte final do primeiro vídeo), pondo a ridículo uma resposta de Cavaco Silva a uma jornalista, em que ele, de uma forma desastrada e infantil, mais parecendo um mau aluno que não trouxe a lição estudada, afirmou que o crescimento económico regressaria em 2013, porque era isso que estava escrito no memorando de entendimento da troika.
Mas Carvalho da Silva foi, com as suas palavras, altamente mobilizador para os trabalhadores em geral e para os jovens em particular, convidando estes a construir o seu futuro, envolvendo-se na luta geral de protesto, através da sua integração nas organizações sociais, políticas e sindicais.
Ao Partido Socialista deixou o recado de que não poderia fazer mais o jogo duplo habitual, apregoando na oposição aquilo que não fez quando foi governo.
A última semana de Outubro irá ser determinante para a continuação sequencial do protesto contra o governo do PSD/CDS. Será uma semana de greves e de mais manifestações. 
Os rios fazem-se através dos seus muito afluentes. Também o caudal do descontentamento irá engrossar com a chegada de mais portugueses descontentes e desesperados. 

O sistema educativo integra, mas integra mal...

Amabilidade do João Fráguas
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É certamente um caso extremo, que constitui uma excepção. Mas temos de admitir que a escola falhou. Salva-se uma pequena elite de bons alunos, proveniente da classe média alta. A maioria dos alunos não conseguiu alcançar os objectivos desejados, principalmente em duas disciplinas fundamentais, a Matemática e a Língua Portuguesa. E, em relação a esta última, basta passear os olhos pelo Facebook. Só se ouvem grunhidos, e tropeça-se constantemente em caracteres e rabiscos, que mais parecem hieróglifos.  Em cada palavra, a sua minhoca. Além dos erros ortográficos, das conjugações verbais mal formuladas e da pobreza de vocabulário, a maioria das pessoas não consegue exprimir por escrito um pensamento mais complexo. Um desastre! 

sábado, 1 de outubro de 2011

O Infante D. Henrique vai passar a jogar a extremo-esquerdo na Selecção Nacional


Cavaco Silva promoveu a cavaleiros  os futebolistas da Selecão Nacional

PENALTI
Com grande solenidade e divulgação pública, foi dado conhecimento da atribuição de vários graus da Ordem do Infante D. Henrique aos componentes de uma equipa de futebol, que no recente campeonato do mundo de uma categoria sub-20 alcançou o 2.º lugar.
Comendadores e Cavaleiros estiveram em S. Bento para receberem das mãos do Presidente da República a respectiva condecoração, e o país, indiferente como vai sendo hábito nestas e noutras questões, terá entendido tal atribuição como justa, salvo algumas reacções discordantes de cidadãos ofendidos.
Não é o meu caso. Cidadão atento e sempre aberto a todas as lições que os grandes senhores desta “Pátria minha Amada” me queiram dar, tenho estado alerta a este “contexto” das cerimónias envolvendo condecorações, particularmente quando partem da presidência da República.
Foi assim com o Dr. Jorge Sampaio, que na ânsia de não deixar ninguém descontente (esqueceu-se de mim!) terminou o seu consulado impondo às mãos cheias as mais diversas ordens e desordens, contemplando, quando já esgotada a lista telefónica nacional, algumas das figuras que não tinham sequer telefone conhecido. Foi assim com a Maria do Ó, com o Januário cauteleiro, a Xica da esquina, a Noémia, florista do Martin Moniz, a Micas do intendente, o Manel engajador, o Duarte, poeta desertor, e tantos outros e outras cujos nomes encheram dez páginas de papel A4.
Passou esse reinado de D. Jorge, “o Sentimental” e eis que sobe ao trono D. Aníbal “o Continuador”.
Entendeu S.Exª premiar os jovens futebolistas com o grau de cavaleiro, ainda que a jogarem com os pés ficaria melhor o grau de infante. Efectivos, suplentes, massagistas, médicos e farmacêuticos, dirigentes, cabeleireiros, cozinheiros, maqueiros e roupeiros, todos foram agraciados, porque em meia dúzia de jogos a equipa conseguiu a fantástica proeza de chegar à final e aí perder sem apelo nem agravo.
Tentando minorar o profundo desgosto e sempre atento aos problemas sociais dos cidadãos, nada melhor do que abrir os salões de Belém para uma apoteótica recepção a quem tanto fez pela pátria, arriscando a vida e o menisco, na defesa das fronteiras da grande área, durante tão longas pelejas contra inimigos com outras capacidades, outro armamento, outro orçamento, outras fontes de recrutamento e outro PIB.
Um pequeno senão: havia que verificar se os contemplados saberiam quem fora o Infante D. Henrique, não se desse a circunstância de algum curioso jornalista, após a cerimónia, lhes colocar alguma pergunta inconveniente.
Todos satisfeitos com as respostas que aqui se deixam transcritas para complemento desta pequena crónica: o primeiro, coçando a cabeça meio pintada de amarelo, respondeu que “dada a semelhança de apelidos estava tentado a dizer que era filho de Afonso Henriques”; outro, mais avançado na escola, embora ainda não tivesse dado a matéria, porque beneficiando do estatuto de alta competição estava desobrigado de assistir às aulas, respondeu que fora um antigo ponta de lança que jogou no “Ponta de Sagres Futebol Clube”; outro mais, ainda incomodado com a recente tatuagem gravada à volta do umbigo, com a inscrição “Amo-te Adélia”, respondeu que estava na dúvida “entre ser neto do Carmona ou primo de Gilberto Madail”.
Mais estimulantes foram as palavras de D. Aníbal, salientando que se a sorte tivesse sorrido a tão briosos cavaleiros e se tivessem alcançado o almejado triunfo final, a condecoração teria sido o Grande Colar da Torre e Espada, e isto, porque para os que tombam mesmo em defesa da pátria, a recompensa, e a título póstumo, que lhes estará reservada, passará a ser a Medalha de Mérito Desportivo.
José Pires de Lima
Oficial da Reserva Naval
Fonte: A Voz da Abita (na Reforma)
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Uma peça de humor brilhante, que merece ser divulgada, tal é a sua força devastadora, ao explorar o ridículo da caricata decisão de atribuir diversos graus das Ordem do Infante D. Henrique a jogadores de futebol, cujo o único mérito que lhes é reconhecido é o de terem conseguido a proeza de fazer migrar os seus neurónios para os pés.