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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Favelas: os pontos negros dos mapas das cidades...

Clicar na imagem para a aumentar









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Não sei se estas fotografias, enviadas pelo Pedro Frias, seguidor deste bogue, se referem à favela das Celebridades, da Chumbada, da Maré, da Rocinha, de Acari, ou de uma outra qualquer, das muita que existem no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro e em S. Paulo. Só sei que são as bolsas de miséria, que o desenvolvimento do Brasil ainda não apagou do mapa. Elas existem, na sua brutalidade chocante, e a mim parecem-me todas iguais, a confirmar nivelamentos sociais. E de tal maneira são iguais que todas elas cabem na definição operacional das Nações Unidas: um território onde se verifica acesso insuficiente à água potável, ao saneamento básico e a outras infraestruturas, além de se caracterizar pela má qualidade da habitação, superlotação populacional, estruturas residenciais inseguras e pelo baixo nível socioeconómico dos seus residentes.
É também a rota do crime e do tráfego da droga, alternativa que fica para quem nunca poderá encontrar um trabalho minimamente digno, mesmo que precário e mal pago. É o mundo obscuro da violência entranhada, que nunca poderá ser eliminado com rusgas policiais.
Apesar dos níveis de pobreza no Brasil terem diminuído nos últimos anos, as profundas desigualdades mantêm-se, assim como a população das favelas aumenta, devido a uma taxa de natalidade descontrolada.
Segundo Pedro Frias, as favelas ameaçam a reputação dos Jogos Olímpicos, que se realizam em 2016. E, para já, a resposta das autoridades apenas se circunscreve ao nível policial.
Em próximos posts, serão publicadas as restantes fotografias.

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Dora Ferreira, pela sua decisão de se inscrever como seguidora deste blogue.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O carbono irá dar origem a mais um mercado virtual e especulativo?


Mitos e realidades*

Por Luis - Almada

O enfoque colocado no problema das alterações climáticas em termos inacessíveis à análise objectiva e à compreensão das massas é um artifício que pretende desviar as atenções e confundir as questões fundamentais do presente e do futuro da sociedade humana, é pois também um ardil ideológico. Não podendo negar as influências antropogénicas sobre o ambiente (...) e sobre certos processos que actuam e conformam o clima planetário, nem tão pouco podendo ignorar a progressiva exaustão dos combustíveis fósseis (...), importaria avaliar objectivamente as situações de risco e os factores de constrangimento. E em conformidade orientar o esforço de investigação científica e desenvolvimento tecnológico e de investimento material para a respectiva resolução ou minoração. Porém a «racionalidade» que nos tem sido proposta e imposta é a da regulação pelo mercado, sob a superintendência política das instituições intergovernamentais ou internacionais e sob a pressão de interesses económicos que visam objectivos próprios; nesse espaço actuam as corporações empresariais (...), suas associações, diversas tipologias de ONG's, e em última instância os próprios governos.

* Comentário de um leitor, publicado no PÚBLICO.

As impressões digitais de Deus!.. (com vídeo legendado em português)


Leonardo Pisano (Fibonacci)


Enviado pelo meu amigo José Camelo

Este vídeo tentou demonstrar-me matematicamente a existência de Deus, socorrendo-se do diagrama de Fibonacci, e das múltiplas espirais existentes na natureza e no longínquo universo, como se fossem marcas indeléveis do dedo indicador divino, que assim foi deixando espalhado por todo o lado as suas impressões digitais. Continuo a não acreditar. Preciso de uma prova concreta. Só acreditarei, quando Deus me mostrar o cartão de cidadão ou a carta de condução.

Nota: O vídeo contém erros de palmatória e algumas imprecisões históricas. Leonardo Pisano nasceu em Pisa em 1170 e morreu em 1250, contrariando assim a informação que reporta a sua vida a 1200 a.c. Por outro lado, nunca o insigne matemático, que deu a conhecer aos europeus a numeração hindu, adoptada pelos árabes, se aventurou pelos caminhos pios, nem se entregou a devaneios místicos. Também os seus conhecimentos matemáticos nunca serviram de base para a sustentação de teses teológicas. Aliás, é de supor que, em matéria religiosa, Fibonacci fosse bastante liberal, já que conviveu intensamente com o mundo muçulmano, ao acompanhar frequentemente o seu pai nas suas viagens comerciais ao norte de África. Foi aí que ele conheceu a numeração arábica, que hoje utilizamos, logo reconhecendo-lhe enormes vantagens em relação à secular numeração romana, utilizada até então. Posteriormente estudou álgebra com matemáticos árabes. É considerado o maior matemático da Idade Média.

As impressões digitais de Deus!...

Leonardo Pisano (Fibonacci)
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Este vídeo tentou demonstrar-me matematicamente a existência de Deus, socorrendo-se do diagrama de Fibonacci, e das múltiplas espirais existentes na natureza e no longínquo universo, como se fossem marcas indeléveis do dedo indicador divino, que assim foi deixando espalhado por todo o lado as suas impressões digitais. Continuo a não acreditar. Preciso de uma prova concreta. Só acreditarei, quando Deus me mostrar o cartão de cidadão ou a carta de condução.


Nota: O vídeo contém erros de palmatória e algumas imprecisões históricas. Leonardo Pisano nasceu em Pisa em 1170 e morreu em 1250, contrariando assim a informação que reporta a sua vida a 1200 a.c. Por outro lado, nunca o insigne matemático, que deu a conhecer aos europeus a numeração hindu, adoptada pelos árabes, se aventurou pelos caminhos pios, nem se entregou a devaneios místicos. Também os seus conhecimentos matemáticos nunca serviram de base para a sustentação de teses teológicas. Aliás, é de supor que, em matéria religiosa, Fibonacci fosse bastante liberal, já que conviveu intensamente com o mundo muçulmano, ao acompanhar frequentemente o seu pai nas suas viagens comerciais ao norte de África. Foi aí que ele conheceu a numeração arábica, que hoje utilizamos, logo reconhecendo-lhe enormes vantagens em relação à secular numeração romana, utilizada até então. Posteriormente estudou álgebra com matemáticos árabes. É considerado o maior matemático da Idade Média.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Perguntas embaraçosas!...


Inquérito
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Como classificaria esta década?
1 - Década da Crise
2 - Década dos Países Emergentes
3 - Década da Internet e da Tecnologia
4 - Década da Ecologia
5 - Década do Terrorismo



Confesso que tenho dificuldade em responder a este inquérito do jornal Público, já que qualquer uma das opções colocadas me parece mais apropriada do que as outras. Poder-se-ia dizer que, nesta década, vários factores confluíram para marcarem um momento histórico, único e decisivo. Daí a complexidade do tempo presente e a extrema dificuldade em encontrar o melhor caminho a seguir.
No entanto, a leitura correcta do contexto actual só poderá ser feita no futuro, quando o distanciamento temporal permitir identificar qual ou quais daqueles factores irão prevalecer no processo histórico.
Uma coisa é certa. As linhas de força da grande mudança já estão no terreno. Para o bem e para o mal!
http://publico.clix.pt/

Dia Mundial contra a Corrupção


Nove em cada 10 portugueses consideram
a corrupção um grande problema do país
e a maioria aponta a classe política como aquela
em que o fenómeno estará mais enraizado,
de acordo com um inquérito divulgado
hoje pela Comissão Europeia.
Público


O Alpendre da lua constituiu-se numa trincheira permanente da denúncia vigorosa do crime de corrupção, materializando assim, em várias das suas intervenções, a percepção dos portugueses em relação a este fenómeno, registada pelo estudo do Eurobarómetro, e que a Comissão Europeia divulgou hoje.
As iniciativas de tomar as medidas eficazes, que previnam e punam exemplarmente este flagelo, não podem ser adiadas por mais tempo, embora se saiba que, ao nível do poder político e económico, existem poderosas forças, empenhadas em as obstaculizar, recorrendo a um manobrismo pacavóvio e ao discurso falacioso.
Espera-se que este alerta seja ouvido e entendido pelo poder político e judicial, a quem se exige uma postura de rigor e de intransigência na elaboração e na aplicação das leis anti-corrupção.

Cartaz da Cimeira de Copenhaga!...


Com este cartaz, os responsáveis da Cimeira de Copenhaga esperam sensibilizar o presidente dos Estados Unidos, no sentido de o envolver num acordo global sobre o Clima. Na realidade, as imagens simples são as mais eficazes. E as ceroulas e as cuecas sabem exprimir bem as suas nobres funções anti-poluição.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Protocolo de Quioto

Mapa do Protocolo de Quioto em 2009. ; Legenda : :* Verde : Países que ratificaram o protocolo. :* Amarelo : Países que ratificaram, mas ainda não cumpriram o protocolo. :* Vermelho : Países que não ratificaram o protocolo. :* Cinzento : Países que não assumiram nenhuma posição no protocolo

O Protocolo de Quioto foi o culminar de um longo percurso, iniciado em 1991, no Rio de Janeiro, discutido e acordado em 1997, e tendo entrado em vigor em 2005, após a ratificação da Rússia, em 2004, ter possibilitado atingir a respectiva condição necessária, que estabelecia a sua ratificação por 55 por cento de países, responsáveis por 55 por cento das emissões de gases com efeito de estufa, considerados responsáveis pelo aquecimento global, devido a causas antropogénicas. Isentando trinta e oito países em vias de desenvolvimento de qualquer obrigatoriedade, o novo tratado internacional impôs metas de emissão de gases com efeito de estufa aos países desenvolvidos, com o objectivo de obter globalmente, entre 2008 e 2012, uma redução de 5,2 por cento em relação a 1990.

Os Estados Unidos, o segundo maior poluidor do planeta, a seguir à China, não ratificaram o tratado, com o argumento dos prejuízos para a sua economia, que tal redução implicava, e, também, porque não aceitavam o princípio de que o aquecimento global tivesse como principal causa os factores antropogénicos. Esta posição egoísta e radical da maior potência do mundo, então governada pelos neo-conservadores e pelos neo-liberais, colocou em risco todo o trabalho realizado.
Obama apresentou-se mais cooperante com a comunidade internacional, mas são conhecidas as fortes reservas que qualquer concessão neste domínio desencadeará no Congresso, mesmo entre alguns congressistas democratas.

Desde 1995 a debater as questões climáticas...


Não existe unanimidade sobre as questões climáticas, quer entre os cientistas, quer entre os governos dos diferentes países. As causas antropogénicas imediatas do aumento dos gases com efeito de estufa são postas em dúvida por muitos climatologistas, que não se revêm nas conclusões dos trabalhos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU e das cimeiras realizadas sob os seus auspícios.
Os interesses políticos dos países mais industializados constituem um obstáculo à viabilização de um acordo global sobre a redução das emissões de CO2.
Para agravar mais a situação, começou a ser denunciado o sistema dos créditos de carbono (Redução Certificada de Emissões), que permite aos países mais ricos continuar a poluir, comprando os créditos atribuídos aos países mais pobres, abrindo-se assim, eventualmente, uma frente especulativa, com a consequente privatização do mercado de carbono.

A cimeira de Copenhaga, actualmente a decorrer, é a 15ª cimeira organizada pelas Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. A primeira teve lugar em Berlim em 1995, três anos depois da conferência do Rio de Janeiro – que ficou conhecida por Cimeira da Terra - onde 154 países assinaram o United Nations Framework Convention on Climate Change, que entrou em vigor a 21 de Março de 1994.

Desde aí, os países têm-se reunido anualmente (Conferences of the Parties (COP)) para analisar as alterações climáticas e negociar os termos do Protocolo Internacional, que veio a ser acordado em Quioto. Este ano tem lugar a COP crucial. O desejo do governo dinamarquês é que seja alcançado um acordo global ambicioso com todos os países do mundo. O acordo que vai ser alcançado em Copenhaga irá, eventualmente substituir o Protocolo de Quioto, que entrou em vigor em 2008 e que vigorará até 2012.


Desde 1995 a debater as alterações climáticas


COP1, Berlim 1995

Na primavera de 1995, teve lugar a primeira Conferences of the Parties – COP em Berlim. Esta cimeira ficou marcada pela incerteza relativamente aos meios que cada país dispunha para combater as emissões de gases com efeito de estufa. Foi assinado o "Mandato de Berlim" que definia um período de dois anos de análise e avaliação.


COP2, Genebra 1996

Na segunda conferência, foram analisados os resultados do segundo relatório do IPCC, divulgado ainda em 1995. Os países membros chegaram à conclusão que não era possível definir soluções uniformes para todos. Assim, cada país teria a liberdade de definir as suas próprias soluções.


COP3, Quioto 1997

Nesta conferência, foi adoptado, após intensas negociações, o Protocolo de Quioto. O protocolo introduziu, pela primeira vez, limites às emissões de gases com efeito de estufa em 37 países industrializados entre 2008 e 2012. Seguiram-se vários anos de negociações e incertezas relativamente à possibilidade de não haver países suficientes para rectificar o tratado. Mas a 16 de Fevereiro de 2005, o Protocolo de Quioto ficou concluído, apesar de vários países do UNFCCC não o terem rectificado.


COP4, Buenos Aires 1998

Neste ano ficou claro que existiam muitas dúvidas relativamente ao Protocolo de Quioto. Foi assim definido um período de dois anos para esclarecer e desenvolver instrumentos para implementar o Protocolo de Quioto.


COP5, Bona 1999

Esta conferência foi dominada pela discussão de aspectos técnicos relacionados com o Protocolo de Quioto.


COP6, Haia 2000

Esta conferência ficou marcada pelas discussões em torno de uma proposta apresentada pelos Estados Unidos, que pretendia que a agricultura e as florestas fossem consideradas dissipadores de carbono. A reunião terminou quando os países europeus se recusaram a assinar uma proposta de compromisso. As negociações foram retomadas em Bona seis meses mais tarde.


COP6 (segunda parte) Bona 2001

Em Bona as expectativas não eram muito elevadas. Entretanto, o novo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, rejeitou o Protocolo de Quioto e o país passou a participar nas negociações do protocolo apenas como observador. Apesar das expectativas serem muito baixas, os países conseguiram chegar a acordo em diversas questões, entre elas, as sanções a aplicar aos países que não cumprissem os limites de emissões.


COP7 Marraquexe 2001

No final de 2001, o COP voltou a reunir-se. As negociações relativamente ao Protocolo de Quioto estavam quase terminadas. Os resultados alcançados neste encontro ficaram reunidos no documento "Acordos de Marraquexe".


COP8 Deli 2002

Nesta conferência, a União Europeia tentou, sem sucesso, que fosse assinada uma declaração a exigir mais acção por parte dos países do UNFCCC.COP9 Milão 2003Esta reunião voltou a centrar-se nos aspectos técnicos do Protocolo de Quioto.COP10 Buenos Aires 2004Na capital da Argentina, falou-se pela primeira vez nos pós-Quioto. Mas as questões técnicas voltaram a dominar o encontro.


COP9 Milão 2003
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Esta reunião voltou a centrar-se nos aspectos técnicos do Protocolo de Quioto.
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COP10 Buenos Aires 2004
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Na capital da Argentina, falou-se pela primeira vez nos pós-Quioto. Mas as questões técnicas voltaram a dominar o encontro.
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COP11/CMP1 Montreal 2005

2005 marca a conclusão do Protocolo de Quioto. A partir daqui, a reunião anual do COP seria acompanha pelo encontro das partes que assinaram o Protocolo do Quioto (CMP ou COP/MOP). Os países que ratificaram o UNFCCC mas não aceitaram o Protocolo de Quioto, participam no CMP apenas como observadores. A duas reuniões centraram-se no pós-Protocolo de Quioto. COP12/CMP2 Nairobi 2006Foram debatidas as últimas questões técnicas relacionadas com o Protocolo de Quioto. Os trabalhos voltaram a centrar-se num novo acordo para o período pós-Quioto.


COP12/CMP2 Nairobi 2006
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Foram debatidas as últimas questões técnicas relacionadas com o Protocolo de Quioto. Os trabalhos voltaram a centrar-se num novo acordo para o período pós-Quioto.
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COP13/CMP3 Bali 2007

Em Bali foram dados passos decisivos para um novo acordo para substituir o Protocolo de Quioto. O grupo analisou o mais recente relatório do IPCC, que concluía que os sinais de aquecimento global eram inequívocos. Foi formulado um texto comum onde se apelava a uma acção mais rápida e adoptado o Plano de Acção de Bali. Este plano definia as linhas gerais que agora vão ser discutidas em Copenhaga.


COP14/CMP4 Poznan 2008

No ano passado, a reunião teve lugar na cidade polaca de Poznan. Continuaram as negociações em torno da cimeira de Copenhaga. Foi ainda debatido o Fundo de Adaptação, que visa apoiar medidas concretas de adaptação às alterações climáticas nos países em desenvolvimento.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um editorial histórico a marcar o momento histórico da Cimeira de Copenhaga sobre as alterações climáticas...


Hoje, 56 jornais em 44 países dão o passo
inédito de falar a uma só voz através de um
editorial comum [sobre Copenhaga].
Fazemo-lo porque a Humanidade enfrenta
uma terrível emergência.
PÚBLICO


Se não nos juntarmos para tomar uma acção decisiva, as alterações climáticas irão devastar o nosso planeta, e juntamente com ele a nossa prosperidade e a nossa segurança. Desde há uma geração que os perigos têm vindo a tornar-se evidentes. Agora, os factos já começaram a falar por si próprios: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes desde que existem registos, a camada de gelo árctico está a derreter-se, e os elevados preços do petróleo e dos alimentos no ano passado permitiram-nos ter uma antevisão de futuras catástrofes. Nas publicações científicas, a questão já não é se a culpa é dos seres humanos, mas sim quão pouco tempo ainda nos sobra para conseguirmos limitar os danos.Mas, mesmo assim, até agora a resposta a nível mundial tem sido frouxa e sem grande convicção.As alterações climáticas estão a ocorrer desde há séculos, têm consequências que durarão para sempre, e as nossas perspectivas de as limitarmos serão determinadas nas próximas duas semanas. Exortamos os representantes dos 192 países reunidos em Copenhaga a não hesitarem, a não caírem em disputas, a não se acusarem mutuamente, mas sim a resgatarem uma oportunidade do maior fracasso político das últimas décadas. Não deverá ser uma luta entre os países ricos e os países pobres, ou entre o Oriente e o Ocidente. O clima afecta-nos a todos, e deve ser solucionado por todos. A ciência é complexa mas os factos são claros. O mundo precisa de dar passos em direcção a limitar o aumento de temperatura a apenas dois graus centígrados, um objectivo que exigirá que as emissões de gases a nível global alcancem o seu máximo e comecem a diminuir durante os próximos cinco a dez anos. Um aumento superior, na casa dos três ou quatro graus centígrados – a subida mais pequena que podemos realisticamente esperar se ficarmos pela inacção –, secaria os continentes, transformando terra arável em desertos. Metade de todas as espécies animais extinguir-se-ia, muitos milhões de pessoas ficariam desalojadas, nações inteiras afundar-se-iam no mar. A polémica sobre os e-mails de investigadores britânicos, sugerindo que eles terão tentado suprimir dados incómodos, tem agitado o ambiente mas não causou mossa na pilha de provas em que estas previsões se baseiam. Poucos acreditam que Copenhaga ainda consiga produzir um acordo completamente definido – progressos efectivos em direcção a um tal acordo apenas se poderiam iniciar com a chegada do Presidente Barack Obama à Casa Branca e a inversão de anos de obstrução por parte dos Estados Unidos. Mesmo hoje, o mundo vê-se à mercê da política interna norte-americana, pois o Presidente não se pode comprometer com as acções necessárias até o Congresso fazer o mesmo. Mas os políticos presentes em Copenhaga podem, e devem, chegar a um acordo sobre os elementos essenciais de uma solução justa e eficaz e, ainda mais importante, um calendário claro para a transformar num tratado. O encontro das Nações Unidas sobre alterações climáticas do próximo mês de Junho em Bona (Alemanha) deverá ser a data-limite. Segundo um dos negociadores: “Podemos ir a prolongamento, mas não nos podemos dar ao luxo de uma repetição do jogo.”No centro do acordo deverá constar um arranjo entre os países ricos e os países em desenvolvimento, determinando como serão divididos os encargos da luta contra as alterações climáticas – e como iremos partilhar um recurso novo e precioso: os milhões de milhões de toneladas de gases de carbono que podemos emitir antes que o mercúrio dos termómetros alcance níveis perigosos. As nações ricas gostam de fazer notar a verdade aritmética de que não poderá haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem medidas mais radicais do que têm feito até agora. Mas os países ricos são responsáveis pela maioria dos gases de carbono acumulados na atmosfera – três quartos de todo o dióxido de carbono emitido desde 1850. São eles que agora devem dar o exemplo, e cada país desenvolvido deve comprometer-se com cortes maiores, que dentro de uma década reduzirão as suas emissões para substancialmente menos que o seu nível de 1990.Os países em desenvolvimento podem argumentar que não foram eles que criaram a maior parte do problema, e também que as regiões mais pobres do globo serão as mais duramente atingidas. Mas vão cada vez mais contribuir para o aquecimento, e por isso devem comprometer-se com as suas próprias medidas significativas e quantificáveis. Apesar de ambos não terem chegado tão longe quanto alguns esperavam, os recentes compromissos de objectivos de emissões de gases dos maiores poluidores do mundo – os Estados Unidos e a China – constituíram passos importantes na direcção certa.A justiça social exige que os países industrializados ponham a mão mais fundo nos seus bolsos e garantam verbas para ajudar os países mais pobres a adaptarem-se às mudanças climáticas, e tecnologias limpas que lhes permitam crescer a nível económico sem com isso aumentarem as suas emissões. A arquitectura de um futuro tratado deve também ser definida – com um rigoroso acompanhamento multilateral, compensações justas pela protecção de florestas, e uma aceitável taxa de “emissões exportadas”, de modo que o peso possa ser partilhado mais equitativamente entre os que produzem produtos poluentes e os que os consomem. E a equidade requer também que a carga colocada sobre determinados países desenvolvidos tenha em conta a sua capacidade para a suportar: por exemplo, novos membros da União Europeia, muitas vezes mais pobres do que a “Velha Europa”, não devem sofrer mais do que os seus parceiros mais ricos. A transformação será dispendiosa, mas muito menos do que a conta que se pagou para salvar o sistema financeiro internacional – e ainda muito mais barata do que as consequências de não fazer nada. Muitos de nós, particularmente nos países desenvolvidos, teremos que alterar os nossos estilos de vida. A época dos voos de avião que custam menos do que a viagem de táxi para o aeroporto está a chegar ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos que pagar mais pela nossa energia, e usar menos dessa mesma energia.Mas a mudança para uma sociedade com reduzidas emissões de gases de carbono alberga a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já reconheceram que aceitar as transformações pode trazer crescimento, empregos e melhor qualidade de vida. Os fluxos de capitais contam a sua própria história: em 2008, pela primeira vez foi investido mais dinheiro em formas de energia renováveis do que para produzir electricidade de combustíveis fósseis.Abandonar o nosso “vício de carbono” dentro de poucas décadas irá exigir um feito de engenharia e inovação que iguale qualquer outro da nossa História. Mas se a viagem de um homem à Lua ou a cisão do átomo nasceram do conflito e da competição, a “corrida do carbono” que se aproxima deverá ser norteada por um esforço de colaboração, de forma a alcançarmos a salvação colectiva.Superar as mudanças climáticas exigirá o triunfo do optimismo sobre o pessimismo, da visão a longo prazo sobre as vistas curtas, daquilo a que Abraham Lincoln chamou “os melhores anjos da nossa natureza”.É dentro desse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram sob este editorial. Se nós, com tão diferentes perspectivas nacionais e políticas, conseguimos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente os nossos líderes também o conseguirão.Os políticos em Copenhaga têm o poder de moldar a opinião da História sobre esta geração: uma geração que encontrou um desafio e esteve à altura dele, ou uma geração tão estúpida que viu a calamidade a chegar, mas não fez nada para a evitar. Imploramos-lhes que façam a escolha certa.O PÚBLICO foi desafiado pelo jornal diário britânico The Guardian a participar neste projecto global. A ideia original de um editorial comum foi sugerida por várias pessoas envolvidas nas questões climáticas e tornada um projecto real por The Guardian. Foi com agrado que, ao longo dos dias, vimos o número de participantes crescer para 56 jornais de 44 países de todos os continentes. Aderimos por acreditarmos na urgência desta mensagem. LISTA DE JORNAIS: “Süddeutsche Zeitung” - Alemanha,“Gazeta Wyborcza” – Polónia,“Der Standard” - Áustria,“Delo” - Eslovénia,“Vecer” – Eslovénia,“Dagbladet Information” - Dinamarca,“Politiken” - Dinamarca,“Dagbladet” - Noruega,“The Guardian” – Reino Unido,“Le Monde” - França,“Liberation” - França,“La Reppublica” - Itália,“El Pais” - Espanha,“De Volkskrant” – Holanda,“Kathimerini” - Grécia,“Público” - Portugal,“Hurriyet” - Turquia,“Novaya Gazeta” - Rússia,“Irish Times” - Irlanda,“Le Temps” - Suíça, “Economic Observer” - China,“Southern Metropolitan” - China,“CommonWealth Magazine” - Taiwan,“Joongang Ilbo” - Coreia do Sul,“Tuoitre” - Vietname,“Brunei Times” - Brunei,“Jakarta Globe” - Indonésia,“Cambodia Daily” – Camboja,“The Hindu” - Índia,“The Daily Star” - Bangladesh,“The News” - Paquistão,“The Daily Times” - Paquistão,“Gulf News” - Dubai,“An Nahar” – Líbano,“Gulf Times” - Qatar,“Maariv” - Israel,“The Star” – Quénia,“Daily Monitor” - Uganda,“The New Vision” - Uganda,“Zimbabwe Independent” – Zimbabwe,“The New Times” - Ruanda,“The Citizen” - Tanzânia,“Al Shorouk” - Egipto,“Botswana Guardian” – Botswana,“Mail & Guardian” - África do Sul, “Business Day” - África do Sul, “Cape Argus” - África do Sul,“Toronto Star” - Canadá,“Miami Herald” – Estados Unidos,“El Nuevo Herald” – Estados Unidos, “Jamaica Observer” – Jamaica, “La Brujula Semanal” - Nicarágua,“El Universal” - México, “Zero Hora” - Brasil, “Diário Catarinense” - Brasil, “Diario Clarin” - Argentina

Este mendigo iria longe, se fosse para a política. Talvez conseguisse corrigir o défice orçamental!...

Enviado pelo João Fráguas, seguidor deste blogue

Notas do meu rodapé: A verdadeira crise só agora é que vai começar!...



28 mil milhões
de euros foi quanto
a dívida pública
portuguesa aumentou
entre 2008 e 2009.
O valor dava para pagar
cinco aeroportos de Alcochete.
***
A dívida pública de cada país, por força da aplicação do Pacto de Estabilidade e Crescimento, não pode ultrapassar 60 por cento do PIB. Actualmente, a dívida do Estado português já ascende a mais de cem por cento de toda a riqueza nacional produzida durante um ano, o que revela bem o descontrolo financeiro em que o país está a mergulhar. Se a este desequilíbrio, acrescentarmos a obrigatoriedade de reduzir o défice orçamental para os três por cento do PIB, agigantam-se dramaticamente perante nós os enormes sacrifícios que vão ser impostos à população portuguesa, que não tem culpa nenhuma dos desmandos do criminoso capitalismo mundial, nem da incompetência dos vários governos do PS e do PSD, que falharam redondamente na escolha acertada de uma estratégia global para promover um desenvolvimento sustentado e realista, que não expusesse tanto a economia portuguesa aos riscos das crises cíclicas da economia mundial.
É bom que não tenhamos ilusões. Vai faltar dinheiro para tudo. A Saúde e a Educação vão sofrer cortes substanciais, os impostos terão que aumentar, e os rendimento das famílias vão diminuir drasticamente. Historicamente, teremos de recuar até ao período do final da segunda década do século passado, 1917 a 1921, marcado pela crise derivada pelo primeiro conflito bélico mundial, para encontrar uma situação semelhante àquela que se aproxima.

Um elefante habilidoso. Só lhe falta falar!...


Enviado pelo João Fráguas, seguidor deste blogue

domingo, 6 de dezembro de 2009

Declaração...


"... No mesmo dia, 25 de Maio de 2009, que o Ministério Público garante que Armando Vara recebeu dez mil euros das mãos do empresário Manuel Godinho, este também entregou a mesma quantia a um indivíduo em Setúbal. Contactos mostram que Godinho apenas pediu à secretária dez mil euros. A dúvida está instalada: para quem foi o dinheiro?"

***

DECLARAÇÃO
Declaro por minha honra que, apesar de o meu aniversário ocorrer (todos os anos) a 25 de Maio, não fui eu que recebi os 10 mil euros que o empresário Manuel Godinho entregou a alguém, para, eventualmente, consumar um acto de corrupção, e que, nesse mencionado dia, eu não passei pela cidade de Setúbal.
Assinado: Alexandre de Castro

Corrupção no Brasil: Informação sobre o post anterior.


Dos três vídeos referidos na notícia do DN, inserta no post anterior, apenas tinha conseguido identificar dois, na primeira pesquisa efectuada no Youtube. O terceiro, só agora é incluído, completando-se assim a tríade referida.

Tal como em Portugal, também no Brasil, a corrupção de políticos é endémica. Só que no Brasil, os corrompidos agradecem a dávida a Deus, rezando!...

Escândalo de corrupção abala Brasília
por SUSANA SALVADOR


Um dos vídeos mostra o governador de Brasília, José Roberto Arruda, a receber uma grande quantidade de dinheiro. Noutro, o presidente da câmara da capital brasileira guarda o suborno nos bolsos das calças, mas também nas meias. Num terceiro, dos muitos que foram divulgados pela imprensa, os aliados do governador são filmados a rezar depois de receberem mais um pagamento.
O último escândalo de corrupção que abala o Brasil está centrado em Brasília. O governador Arruda, do Partido Democrata (oposição), é acusado de ter pago a sua campanha de 2006 com subornos. Além disso, seria um dos líderes de um esquema de pagamento de "propina", como lhe chamam os brasileiros, a deputados aliados. O caso está a chocar Brasília e o Parlamento estadual foi invadido por um grupo de estudantes que exigem a demissão do governador.
Tudo filmado graças a Durval Barbosa, o antigo secretário de Relações Institucionais de Arruda, que aceitou ajudar a polícia em troca de uma futura redução da pena. Sob Barbosa, que não só colocou câmaras ocultas como usou microfones, recaem mais de 30 acusações. O governador, que reclama inocência e diz que declarou o dinheiro todo (que serviria para comprar prendas para os pobres), acusa o antigo secretário de o querer destruir. Barbosa já trabalhava com o anterior governador.
O escândalo veio a público no dia 27 de Novembro, com o desenrolar da operação Caixa de Pandora. Foram cumpridos 29 mandatos de buscas e apreendidos milhares de reais e dólares. O secretário foi despedido no próprio dia. O caso foi ganhando mais dimensão com a divulgação dos vídeos que provam os casos de suborno. O dinheiro vinha das empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal (Brasília).
"O caso é deplorável para a classe política", afirmou o Presidente Lula da Silva. Segundo os analistas políticos, citados pela BBC, o caso que está a ser conhecido como "O mensalão de Brasília" - numa referência ao outro escândalo de corrupção que abalou o primeiro mandato de Lula - deixa em xeque o Partido Democrata. A direcção do partido, que espera designar o candidato a vice-presidente na equipa encabeçada pelo Partido da Social Democracia Brasileira em 2010, está a analisar uma eventual expulsão de Arruda.
Entretanto, no Parlamento estadual, deram entrada vários pedidos de impeachment (afastamento) do governador. Resta saber se terão resultado. Centenas de pessoas, na sua maioria estudantes que invadiram o Parlamento na quarta-feira, continuam a ocupar o espaço, dizendo que só saem depois de Arruda ser expulso.


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Arruda Flagrado Em Vídeo Recebendo Propina (LEGENDADO)


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Leonardo Prudente - Presidente da Câmara do DF guardando dinheiro na meia.


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Dinheiro na meia - A oração da corrupção...


sábado, 5 de dezembro de 2009

Lima de Carvalho, principal arguido do processo da Universidade Independente desbroncou tudo. Espero que outros arguidos façam o mesmo!

Arguido da UnI diz que desvio
de dinheiro serviu para
financiar campanhas.
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o arguido denunciou que 90 mil
euros serviram para financiar
a campanha do ex-bastonário
da Ordem dos Advogados
Rogério Alves, uma campanha
da Associação Sindical dos Juízes
através da então mulher do também
arguido Rui Verde, e para pagar
viagens a deputados da Assembleia
da República a Inglaterra
para aprenderem inglês.
***
Das verbas supostamente desviadas
da UnI, revelou também que
150 mil euros serviram para
financiar uma campanha eleitoral
do PSD em Santarém, por
intermédio do então vice-reitor
Rui Verde, sem pormenores.
***
Todos, no PSD, desconhecem de
onde veio o dinheiro sujo!...
***
Vasco Cunha, líder da distrital do
PSD/Santarém, que foi director da
campanha distrital para as legislativas
há quatro anos, afirma desconhecer
de onde vêm os donativos particulares
que são feitos para financiar as
campanhas do PSD.
***
Também o presidente da Câmara
Municipal de Santarém, o
independente Francisco Moita
Flores, nega ter conhecimento
de qualquer desvio de verbas,
afirmando também que não quis
saber de onde veio o dinheiro que
o PSD nacional enviou para
financiar as contas de campanha
dos dois actos eleitorais em que participou.
***
Extractos do Público
***
Eu não vos dizia que o PSD também não está nada interessado em combater a corrupção?!
Eu não vos dizia que, para combater a corrupção, seria necessário proibir o financiamento dos partidos pelas empresas?!

Em Portugal, a política já não é a arte do possível, mas a da construção de artefactos! PS, PSD e CDS não estão interessados em combater a corrupção!


A constituição de uma comissão parlamentar eventual para a corrupção, proposta inicialmente pelo PSD, e aproveitada, com sentido de oportunidade, pelo Partido Socialista, perante a ofensiva do PCP e do Bloco de Esquerda, na última sessão plenária da Assembleia da República, não é mais do uma manobra para esvaziar o conteúdo das propostas daqueles dois partidos da esquerda parlamentar, que, além de um combate eficaz contra a corrupção, também pretendem criminalizar o enriquecimento ilícito, coisa de que o PS nem sequer quer ouvir falar, sabe-se lá por que razão, mas que, certamente, será pela mesma razão com que olha, com enternecedora simpatia, para a inócua proposta do CDS, que se limita a propor, para combater este flagelo, o alargamento da obrigatoriedade de apresentação de declarações patrimoniais a gestores públicos e autarcas, nos mesmos moldes das que deputados e membros do executivo já são obrigados a apresentar, pelos vistos sem qualquer utilidade e eficácia, uma vez que, segundo afirmou o Procurador Geral da República, não existem meios técnicos e humanos para as analisar e conferir, afirmação esta que não comoveu o governo, a quem talvez convenha que as coisas fiquem como estão, continuando assim a facilitar-se a viciação, adulteração e, até, a omissão dos respectivos valores patrimoniais. Até o primeiro ministro, José Sócrates, já se deu ao luxo de esquecer-se de declarar os rendimentos auferidos num determinado ano, e que a perversa e ingrata comunicação social, mais tarde, gentilmente, lhe recordou.
Fora dos holofotes da opinião pública, aquela comissão acabará por isolar o PCP e o BE, cozinhando um lei inútil e inofensiva, talvez confusa e ambígua, como já aconteceu no passado com outras leis penais, muitas delas albardadas ao gosto dos zelosos donos.
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/05-12-2009/uma-comissao-para-ganhar-tempo-18356267.htm

Seremos menos livres se a liberdade dos outros estiver ameaçada...




Para Antonio Tabucchi


As democracias livres precisam de indivíduos livres. De indivíduos indisciplinados, corajosos, criativos. Que ousem, que provoquem, que desassosseguem. É assim para os escritores cuja liberdade de ‘pluma’ é indissociável da própria ideia de democracia. De Voltaire e Vítor Hugo a Camus e Sartre, passando por Zola e Mauriac, a França e as suas liberdades sabem aquilo que devem ao livre exercício do seu direito de ver e de dever de alertar para a opacidade, das mentiras e das imposturas dos poderes. E a Europa Democrática, desde que foi construída, não parou de se confrontar com esta liberdade dos escritores contra abusos de poder e razões estatais.E não é que em Itália, essa liberdade foi agora posta em causa através de um ataque desmedido dirigido a Antonio Tabucchi? O presidente do senado italiano, Renato Schifani, pediu-lhe em tribunal a soma exorbitante de 1350 mil euros devido a um artigo publicado no «Unità» – jornal que, no entanto, não é perseguido. O crime de Tabucchi foi interpelado Schifani, personagem central do poder berlusconiano, sobre o seu passado, as suas relações negociais e andanças duvidosas – questões sobre as quais se recusa a comentar. Interrogar o itinerário, a carreira e a biografia de um alto responsável público faz parte das necessidades e das legítimas curiosidades da vida democrática.Dada a escolha particular deste alvo – um escritor que não renuncia a exercer a sua liberdade – e pela soma reclamada – um montante astronómico para um caso de imprensa –, o objectivo é intimidar uma consciência crítica e, com isto, calar várias vozes. Das recentes perseguições contra a imprensa opositora a este processo dirigido a um escritor europeu, não podemos ficar indiferentes e passivos perante tal ofensa do poder italiano contra a liberdade de julgar, criticar e interpelar. É por isso que manifestamos a nossa solidariedade com Antonio Tabucchi e apelamos para que mais se juntem, assinando massivamente esta petição.

Assine aqui:
.

Chamem novamente o Jorge Coelho para pôr o Paulo Portas na ordem!...



Na anterior legislatura, José Sócrates usou e abusou de uma manobra táctica, que até deu resultados. Em cada sessão do debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro ministro sacava do bolso uma ou duas medidas populares, daquelas que ninguém podia contestar, e obrigava a oposição a abandonar a sua própria agenda de perguntas e de intervenções e a envolver-se ingenuamente no terreno que convinha ao governo. A maioria absoluta, na rectaguarda, servia de respaldo tranquilizador. Agora já não é assim. Pela primeira vez, José Sócrates teve de submeter-se a contragosto à agenda da oposição, que o cercou com o caso das escutas da Face Oculta e procurou amarrá-lo às desastradas referências do seu ministro, Vieira da Silva, sobre a existência de um maquievélico plano de espionagem política ao governo.
Traído pela insegurança, a retórica de José Sócrates perdeu o rasgo e o brilho e o seu discurso não sobreviveu às contradições em que ele próprio anda enredado, ao ponto de ter perdido a compostura, quando comparou Paulo Portas a uma criança.
Acabou-se o mito da sua invencibilidade nas lides parlamentares, e, a partir daqui, ser-lhe-à muito difícil recuperar dos efeitos desastrosos desta derrota.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A crise ainda não bateu no fundo!...



"Segundo o INE, face a Outubro do ano anterior, as vendas na indústria com destino ao mercado nacional registaram uma diminuição de 8,1% e o volume de negócios na indústria com destino ao mercado externo diminuiu 13,5% em termos homólogos.O emprego na indústria registou uma variação homóloga de menos 6,2%, sendo que todos os Grandes Agrupamentos Industriais apresentaram variações homólogas negativas".
Jornal de Negócios

Comentário: Com este preocupante cenário não se percebe lá muito bem como é que o governo pretende corrigir o gigantesco défice orçamental, prevendo sustentar o aumento das receitas, exclusivamente, numa presumível retoma da economia.
O que estes números dramáticos revelam é que o consumo interno e as exportações, dois dos factores para a formação do PIB, estão em acelerada queda, e que, ao contrário do que o governo tem vindo a dizer, a crise ainda não bateu no fundo. Os números do desemprego assim o demonstram.

Andam a mentir-nos!...


Durante meses a fio, o governo, pela voz autorizada do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, garantiu que o governo ainda não gastara um tostão com a nacionalização do BPN. Sabe-se agora que a Caixa Geral de Depósitos, um banco do Estado, já injectou 3,5 mil milhões de euros naquela instituição bancária, para lhe garantir liquidez.
Estamos em presença de mais uma mentira, a somar a tantas outras, que descredibilizam a acção governativa e os governantes. As subtilezas de linguagem e os truques de retórica, com que se procura esconder a verdade e sustentar a mentira, acabam sempre por ser confrontadas com a realidade. E, neste caso, a realidade amarga é sabermos que aqueles 3,5 mil milhões de euros, injectados no BPN, com o objectivo de, através de uma irresponsável nacionalização, salvar as responsabilidades dos respectivos accionistas, irão ser pagos pelos contribuintes.
E é totalmente falaciosa e desonesta a afirmação do primeiro ministro, quando tenta desesperadamente justificar aquela operação financeira com a bondade do argumento da defesa dos depósitos dos clientes, o que é verdade, já que, a grande fatia do valor daqueles activos pertence às empresas accionistas do próprio BPN, um pequeno pormenor elucidativo que o primeiro ministro se esqueceu de acrescentar e que ainda ninguém denunciou publicamente.

Cuidado com as imitações: o espumante pode estar falsificado...


Os machos latinos bem podem inspirar-se nesta imagem, para exibirem os seus prodígios...

Afinal, iam à procura de esperma!...

MAIS PORTUGUESAS SOLTEIRAS VÃO A ESPANHA ENGRAVIDAR


Este título do Diário de Notícias, do dia 1 de Dezembro, assustou-me. Por uns momentos pensei que, neste país, tinham acabado os machos latinos ou que, o que seria mais grave, iríamos novamente perder a independência, precisamente no dia da Independência Nacional. Afinal, iam à procura de esperma!...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A corrupção começa no financiamento dos partidos pelas empresas...


Em 14 de Novembro afirmava-se no Alpendre da Lua:
Por várias vezes já aqui se escreveu que Portugal não pode ser governado por um primeiro ministro, sob suspeita permanente. A credibilidade da política exige a elevação moral dos governantes...

Em 2 de Dezembro, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, afirmava:
Não é bom para o país ter um primeiro-ministro sob suspeita".

Um processo semelhante ocorreu com a posição assumida aqui, no Alpendre da Lua, em relação à necessidade de trazer para o discurso político o caso das escutas que envolveram Armando Vara e José Sócrates, autonomizando-o do respectivo processo judicial. Dias depois, Manuela Ferreira defendeu a mesma ideia na Assembleia da República.
É caso para dizer que Manuela Ferreira Leite anda a ler o Alpendre da Lua.
No entanto, julgo que irá deixar de o ler, quando se aperceber que o Alpendre da Lua, por antecipação, está a lançar a ideia de que o combate à corrupção dos políticos, embora se enalteça a bondade dos projectos do PCP e do BE sobre essa matéria, só será eficaz quando se proibir o financiamento dos partidos por entidades empresariais, e a sua contabilidade for controlada pelo Tribunal de Contas, sob uma outra abordagem, que incluiria o procedimento da análise do realismo e veracidade das receitas e das despesas, para poder detectar-se "o enriquecimento ilícito partidário".
A este nível, o PSD tem o mesmo comportamento promíscuo do PS. Ambos se encontram envolvidos numa complexa rede de interesses e conivências com os grupos económicos, recebendo das empresas avultadas doações em dinheiro, algumas delas não contabilizadas em nenhumas das respectivas contabilidades. Os sacos azuis não são um exclusivo da Câmara Municipal de Felgueiras!

Técnica porcina para aumentar a profundidade da penetração!...

FMI: Os pobres que paguem a crise!...


O Fundo Monetário Internacional, um dos vigilantes mais acutilantes do capitalismo mundial, prognosticou para Portugal um cenário pouco animador. O crescimento económico do próximo ano será insignificante e, nos anos seguintes, a economia portuguesa continuará a divergir em relação à zona euro, continuando, simultaneamente, a verificar-se um aumento do desemprego.
E para tentar inverter a longo prazo esta situação, aquela instituição apresenta a seguinte receita: redução do défice orçamental, através da diminuição da massa salarial da função pública, maior eficiência das empresas, leis do trabalho mais flexíveis, e uma maior poupança das famílias. Para completar a receita, dir-se-ia que ao FMI faltou apenas referir a necessidade dos bancos e das grandes empresas obterem um aumento dos seus lucros, que é, ao fim e ao cabo, a grande finalidade do funcionamento deste gigantesco sistema económico e financeiro.
Os pobres que paguem a crise!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ignorado em Portugal, Saramago é notícia em Espanha...



O El Pais, o jornal com maior tiragem em Espanha, noticiou, na sua edição de ontem, com chamada para a primeira página, acompanhada de fotografia, a visita que José Saramago efectuou, no aeroporto de Lanzarote, a Aminatou Haidar, uma activista saharaui, que está a cumprir uma greve da fome, em protesto contra as autoridades marroquinas, por quererem impedir o seu regresso ao Saará Ocidental, um território, cuja população pretende obter a independência do reino de Marrocos.
O El País dá um particular destaque à posição do escritor português sobre esta luta do povo sahraui, luta esta ignorada pela comunidade internacional.

***
Este texto poderia muito bem ser o esboço de uma notícia, a publicar por um qualquer diário português. Mas não! Em Portugal nada foi publicado sobre o assunto, continuando a cultivar-se uma discriminação ignóbil em relação ao grande escritor. Por mesquinha inveja, por vergonhoso despeito, por preconceito ideológico e, até, por crassa ignorância, Saramago é ignorado pela comunicação social e por alguns portugueses, principalmente aqueles que, devido à sua manifesta iliteracia, não conseguem ler os seus livros.

http://www.elpais.com/static/misc/portada20091202.pdf

Notas do meu rodapé: Uma cimeira anódina!...




O Alpendre da Lua foi das primeiras vozes no país a denunciar a responsabilidade da administração dos Estados Unidos no desencadeamento do golpe militar nas Honduras, que os respectivos serviços secretos inspiraram e secretamente apoiaram, aproveitado o descontentamento dos sectores mais conservadores daquele país latino-americano em relação à evidente aproximação do presidente, democraticamente eleito, Manuel Zelaya, a Hugo Chávez, e isto, num momento, em que, por pudor, ainda prevalecia uma certa relutância em manchar a auréola pacifista do novo presidente americano, Barack Obama.
Antes de um qualquer órgão de informação ter referido essa intromissão nos assuntos internos das Honduras, escrevia-se aqui no dia 5 de Julho (o golpe militar ocorrera a 28 de Junho): "É impensável que os generais hondurenhos sejam ingénuos, ao ponto de desencadearem um golpe contra um presidente eleito democraticamente, sem terem a sua rectaguarda garantida por uma potência exterior. Também a diplomacia católica nunca se engana, e o apoio explícito dos bispos hondurenhos aos revoltosos levanta suspeitas sobre a existência de um decisivo apoio externo ao golpe militar. Caso contrário, os bispos ter-se-iam remetido ao silêncio". A 8 de Julho, acrescentava-se: "De um momento para o outro, como tendo percebido a verdadeira posição dos Estados Unidos em relação ao golpe, os países ocidentais deixaram de fazer protestos, situação que não se verifica quando se trata de denunciar os governos desalinhados com a sua política e que passam por situações semelhantes".
Curiosamente, esta tese, a da intromissão dos Estados Unidos, que já é universalmente admitida, não foi abordada na XIX Cimeira Ibero-Americana, apesar da situação actual nas Honduras ter ocupado o lugar central nas dicussões entre as 22 delegações presentes. O mais que se conseguiu, e isso deve-se à firme intransigência do presidente brasileiro, Lula da Silva, foi a inequívoca condenação do golpe de Estado, que, no entanto, a nível diplomático, não terá qualquer efeito prático, já que ficou por adoptar uma posição comum sobre as eleições hondurenhas, que se realizaram no último domingo, e que deram a vitória ao candidato conservador, e às quais não foi permitido que o presidente Manuel Zelaya se candidatasse.
Um bloco de países, da órbita da influência dos Estados Unidos, e onde se destaca a Colômbia, agora constituída em ameaça à Venuzuela, tentaram o golpe sub-reptício de branquearem o golpe, querendo proceder à legitimação das eleições hondurenhas, com o argumento da sua elevada participação popular. Pretendiam construir uma legalidade sobre uma ilegalidade, coisa nunca vista nos complexos meandros da dialéctica da política internacional dos países ocidentais, que, algumas vezes, promovem democracias ditatoriais (Egipto) e condenam democracias populares (Venezuela). A ser adoptado este manhoso sofisma, também teria de se admitir a invalidação de um qualquer acto eleitoral com pouca participação dos cidadãos, situação que seria muito crítica para a UE, que se debate com a crónica e sempre elevada abstenção nas eleições para o parlamento europeu.
Para desmontar a hipocrisia desta manobra, apareceu Lula da Silva, que, segundo afirmou, veio a esta conferência apenas pela simpatia que tinha pelo povo português e por Cavaco Silva e José Sócrates. Ele teve a capacidade suficiente de recentrar a discussão no patamar da ilegalidade da deposição do presidente Manuel Zelaya, avisando, ao mesmo tempo, quanto era perigoso permitir, num continente, onde as democracias ainda são muito frágeis, a legitimação "indirecta" de um golpe de Estado. E Lula da Silva não falou para dentro. Ele pretendeu que as suas palavras chegassem a Washington. Foi o melhor que se conseguiu nesta cimeira, que alguém já classificou de anódina.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A evolução do Alpendre da Lua

Clicar para aumentar a imagemNúmero de visitas mensais entre Junho e Novembro de 2009





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Número diário de visitas no mês de Novembro de 2009

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Em acumulado, entre 15 de Junho e 30 de Novembro, o Alpendre da Lua recebeu um total de 5.593 visitas, com uma média diária de 49 visitas, sendo de 3,02 minutos a duração média de cada uma, resultados estes considerados satisfatórios.
No entanto, considerando o crescimento verificado em Novembro, em relação ao mês anterior, começa a desenhar-se, embora muito tenuamente, uma tendência de plafonamento, que, naturalmente, se considera indesejável, já que isso representará a incapacidade de recrutar novos leitores, embora se tenha conseguido a fidelização dos actuais, o que é extremamente gratificante. O gráfico das visitas diárias de Novembro demonstra bem o grau de fidelização e a tal tendência ténue de plafonamento, que só o mês de Janeiro do próximo ano poderá esclarecer, uma vez que o mês de Dezembro, tal como o mês de Agosto, são meses atípicos.
A presença de leitores do Brasil continua a ser uma agradável surpresa, oscilando a sua participação diária entre os vinte e os trinta e quatro por cento.
Uma vez que o Alpendre da Lua não se auto-promove, através de uma qualquer rede bloguista, será impossível recrutar novos leitores sem a colaboração dos actuais, a quem se sugere a sua divulgação pelos seus contactos. É uma forma de fortalecer este modesto espaço de opinião, em que se transformou o Alpendre da Lua.
O editor
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O Porky Pig, criação do animador Friz Freleng, pertence ao meu museu de antiguidades, àquelas descobertas das peças mais valiosas de arqueologia da minha infância. Por isso venero as suas imagens com muita emoção. As fantasias lúdicas daquelas sedutoras distorções do real, apenas proporcionadas pela flexibilidade inerente à narrativa da banda desenhada, enquadravam o universo mágico da minha imaginação, o que não impede, actualmente, o exercício de uma análise crítica aos fundamentos ideológicos e culturais, que as determinaram.
Os Estados Unidos, logo que conquistaram a liderança mundial, necessitaram de legitimar e de expandir os valores fundamentais e os paradigmas da sua filosofia política e da sua força económica e militar. O cinema e, particularmente, a banda desenhada, foram habilmente aproveitados para veicular o expansionismo do novo imperialismo, ridicularizando potenciais inimigos, estigmatizando todos aqueles, países ou indivíduos, que lhe poderiam fazer frente. Uma gigantesca máquina de propaganda e de alienação promoveu uma colonização cultural sem precedentes, glorificando o modelo político e social americano e justificando todas as guerras de pilhagem que se seguiram.
Mas o Porky Pig, que ganhou no nosso imaginário a dimensão do real, não tem culpa nenhuma.