sábado, 20 de junho de 2015

Revolução na Revolução _ por Maria Odete Santos [*]



Revolução na Revolução
Depois de um interregno para gozar umas merecidas férias, não é sem um sentimento de remorso que retorno à política. No meio de um mundo tão conturbado é natural que o remorso me assalte. Embora eu tenha a percepção exacta de que o meu contributo é bem pequeno para pôr o mundo às direitas, melhor diria âs esquerdas. De qualquer forma o saber que vou morrer de olhos bem abertos para avaliar as injustiças, é o meu modesto contributo para que o mundo não siga al revés.
Assuntos para tratar não faltam. Desde a Ucrânia e o aparente triunfo do fascismo, até à marcha do Estado Islâmico, de facto apoiado pelos E.U.A. e pelo senhor Erdogan da Turquia muitos temas há para tratar
De modo que me é difícil escolher o assunto a tratar. Ficámos a saber por um comunicado do FMI, que esta associação de mal feitores vai apoiar a Ucrânia aina que o país entre em default (bancarrota) Assim o FMI abandona toda a sua política de austeridade para permitir que a Ucrânia gaste à vara larga. Mas então onde está a moralidade das exigências que o FMI faz ao Povo Grego? E onde está a moralidade das medidas de austeridade que se abateram sobre o Povo Português?
Mas o que verdadeiramente tem marcado estes últimos dias (e eu acabo de ler um comunicado do comando Curdo da Síria de 18 de Junho) o que verdadeiramente tem marcado estes últimos dias tem sido a luta heroica das mulheres curdas contra o Estado Islâmico.
Integradas em unidades de combate apenas de mulheres (YPJ) as mulheres curdas têm tido um papel de liderança na resistência ao Estado Islâmico na região de Kobane no Norte da Síria. Constituem um extraordinário suporte militar à revolução.
“Combatem armadas somente com uma Kalashnikov contra tanques de guerra e morteiros.”
Reconhece-se que as mulheres são muito mais corajosas em batalha, não abandonando nunca a frente, preferindo morrer a acabar nas mãos do inimigo. As mulheres curdas são guerrilheiras que escolheram esse estilo de vida.
Entre as suas reivindicações estão reivindicações verdadeiramente revolucionárias que têm a ver com a igualdade de sexos. De maneira que elas estão a fazer uma revolução na própria revolução que é uma luta pela liberdade.
Acontece que os combatentes terroristas do Estado Islâmico têm um medo terrível destas mulheres, pois estão convencidos de que irão para o interno se forem mortos por estas mulheres!
Regista-se aqui que entre as cidades reconquistadas ao Estado Islâmico, esta organização sofreu a pior derrota, ao perder a cidade de TAL ABYAD na fronteira com a Turquia, cidade que era fundamental para os terroristas como trânsito de armas e combatentes. É claro que não foram só as mulheres curdas a tomar parte na ofensiva. Foi uma acção concertada com as unidades curdas de protecção (YPG)
Existe no Facebook uma página dedicada à YPJ. Convido os leitores a visitarem essa página.
E uma última informação: O secretário-geral do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, Ocalan, encontra-se preso na Turquia, onde foi condenado a prisão perpétua.
Glória às mulheres Curdas que assim lutam pela Liberdade!
[*] Maria Odete Santos
Ex-membro do Comité Central do PCP

Partilhado da página de Carmen Dora Eusebio