domingo, 20 de outubro de 2013

Estado Social: UMA QUESTÃO DE CLASSE


UMA QUESTÃO DE CLASSE

Saúde e a Educação são áreas com demasiado potencial lucrativo para ficar fora do alcance do mercado. O Grupo Mello Saúde, um dos principais beneficiários da privatização dos serviços de saúde, definiu o sector como “o negócio do século XXI”. Assim, o Governo Passos Coelho continua e concretiza o vetusto sonho da direita portuguesa: a destruição do SNS e a privatização da prestação de serviços de saúde.
Tanto a Saúde como a Educação são sectores sob um garrote orçamental desde há muito tempo, com as transferências do Estado a minguar de ano para ano, o que contribuiu para o endividamento do SNS, a degradação dos serviços que ele presta, bem como a deterioração do ensino público.
Este OE não é nenhuma originalidade. O Ensino Básico e Secundário vai sofrer cortes na ordem dos 8%, o Ensino Superior 4% e a Saúde 3,8%. Estamos a falar de sectores que funcionam com inúmeras anomalias mesmo com os níveis de financiamento actuais. Como em todo o sector público, o grosso deste sub-financiamento vai incidir sobre a redução de pessoal e cortes nos salários. Não é apenas o futuro dos profissionais do sector que é posto em cheque, mas da esmagadora maioria da população que depende destes serviços para aceder a tratamentos médicos ou a uma formação profissional de qualidade.
Mas será que toda a gente perde com esta investida governamental sobre a Saúde e a Educação? Claro que não. Também aqui, o Governo imprime um toque da sua classe.
Os proprietários de estabelecimentos de ensino privado são dos poucos que não se podem queixar deste OE, visto que as transferências orçamentais para este negócio vão subir. Por outro lado, os gastos com as PPP’s, grande parte dos quais tendo lugar precisamente no âmbito da Saúde, vão duplicar no próximo ano. Portanto, com a destruição da Saúde e Educação Públicas, ganham os mesmos de sempre: a banca e os grupos económicos parasitas, que vivem à custa da teta do Estado.
Tiago Silva
In Sentidos Distintos


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Encontrei este texto na página de Teresa Almeida. Deixei-lhe o seguinte comentário, que reproduzo aqui:

“Comece a jogar no euromilhões, porque está a acertar em tudo. 
Na realidade, está em marcha o processo do desmantelamento do SNS e da educação pública para ir entregando aos privados a parte mais lucrativa, pela via referida no texto de Tiago Silva, a do aumento da concessão de subsídios governamentais. Trata-se de um processo silencioso de privatizações dos setores mais rentáveis dos dois pilares do Estado Social.
O desmantelamento da Segurança Social, para entregar o negócio às seguradoras, virá a seguir. Fez muito bem em divulgar esta magna questão no espaço público da internet, onde muita gente aind anda entretida a discutir o sexo dos anjos.
Como disse anteriormente, a seguir virá o desmantelamento da Segurança Social, um negócio altamente rentável para entregar às seguradoras, completando-se assim a destruição do Estado Social, cuja importância é fundamental, não só pelos serviços que presta à população, mas também pelo efeito calibrador da distribuição da riqueza, atenuando assim as desigualdades sociais. Não consigo imaginar este país sem Estado Social. Se isso vier a acontecer, Portugal regressará aos níveis de pobreza dos anos 30/40 do século passado. 
E esta ofensiva contra o Estado Social não se concentra apenas nos países que estão a ser sujeitos à escravatura da troika. Ela vai prolongar-se por toda a Europa. Na França, pela mão do Partido Socialista (quem diria?!), o plano vai começar a ser implementado. O capitalismo financeiro internacional pretende nivelar tudo pelo pensamento único da cartilha doutrinária do neoliberalismo”.

2 comentários:

José Gonçalves Cravinho disse...

São as Companhias de Seguro isto é, os Banqueiros que lideram a Bolsa de Valores na qual figura a estátua de Mercúrio o Deus do Comércio e dos Ladrões,quem DITA as Normas Político-Sociais do Governo que por seu lado tem a bênção da Igreja Católica Romana que domina em grande parte a Educação e com suas Misericórdias,a Saúde.

Alexandre de Castro disse...

José Cravinho:
Tem toda a razão. Há uma relação promíscua entre os centros de decisão do capitalismo financeiro, os governos ocidentais e a Santa Sé (O quinto maior financeiro do mundo). São os três pilares do imperialismo ocidental, embora tentem ocultar da opinião pública esta relação umbilical.