terça-feira, 15 de outubro de 2013

A orgia dos cortes no Orçamento de Estado


Medina Carreira "Estes cortes não vão ser suficientes"
O antigo ministro das Finanças, Medina Carreira, deixou ontem um alerta na antena da TVI24: os cortes anunciados pelo Executivo de Pedro Passos Coelho, nomeadamente aqueles que constam do Orçamento do Estado para 2014, não serão, ainda, suficientes para equilibrar as contas do País e cumprir as metas do défice.
“Estes cortes não vão ser suficientes”. O vaticínio foi feito ontem à noite pelo antigo responsável pela pasta das Finanças, Medina Carreira, que falava no espaço ‘Olhos nos Olhos’ da TVI24.
Na véspera de o Executivo de Pedro Passos Coelho fazer chegar ao Parlamento o Orçamento do Estado para 2014, que contempla controversas medidas como os cortes nas pensões de sobrevivência acima dos dois mil euros, ou as reduções salariais na Função Pública que podem atingir os 12%, o ex-governante, advertiu, então, para o facto de que este pacote de austeridade não será o bastante para que o País equilibre as suas contas e cumpra os limites do défice.
No entender de Medina Carreira, parte do problema reside no facto de os Governos de deixarem amedrontar por aquilo que apelida de “partido do Estado”, ou seja, "toda a gente que é doente, coxa, reformada (...)".
"Não há dinheiro em caixa", assinalou o comentador, reportando-se pois à necessidade de se reduzir na despesa da máquina pública.
E concretizou o antigo ministro, “a grande dificuldade que o Governo está a sentir é a confrontação com o partido do Estado”.

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Este homem diz a verdade, mas sustenta-se na mentira. Diz a verdade ao afirmar que os cortes anunciados pelo governo são insuficientes para equilibrar as contas. Sustenta a mentira, ao preconizar, implicitamente, uma espiral de maiores cortes orçamentais, que nos conduziria tendencialmente ao Estado zero. É isto que Medina Carreira propõe: Um Estado zero para substituir o Estado Social, que ele designou, prosaicamente, por Partido do Estado.
Medina Carreira também disse a verdade, quando referiu a existência de um Partido do Estado, mas sustentou a mentira quando disse que esse partido era formado pelos "doentes", pelos "coxos" e pelos "reformados".
Esse Partido de Estado existe, na realidade, mas é formado pelos grupos de interesses (banqueiros, empresários, etc.), que gravitam à volta do Estado, para dele receberem, por vezes através da corrupção, benesses, regalias, leis favoráveis e subsídios.