segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Universidades Privadas: No primeiro assalto ao Estado Social, os privados perderam…


Universidades Privadas: No primeiro assalto ao Estado Social, os privados perderam…

Quatro universidades privadas vão fechar portas no próximo ano por falta de alunos e de verbas, uma de forma compulsiva e outras três de forma voluntária, avançou ao jornal i fonte oficial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, sem identificar as instituições em causa.                                                     
OBSERVADOR
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A criação de universidades privadas, nos finais do século passado, foi o primeiro assalto do grande capital ao edifício do Estado Social. O objectivo era essencialmente comercial, mas também levava à ilharga o lastro político e ideológico. Beneficiaram da falta de oferta do ensino superior público, que não conseguia responder à forte procura das famílias portuguesas que, na altura, queriam ver os filhos "doutores", alimentado aquela vã esperança de que um canudo na mão abriria todas as portas para emprego certo e bem remunerado. As "fábricas" de produzir doutores em série pôs-se em marcha acelerada, enquanto as vacas eram gordas. Depressa se percebeu que aquilo não era para levar a sério. Dessas fábricas, de características artesanais, começaram a sair analfabetos funcionais. Mas eram doutores, carago!

Entretanto, o Estado, e eu ainda não sei por que razão, uma vez que o capital e os governos andavam de mãos dadas, passeando aquela amizade neoliberalizante, começou a investir em força no ensino superior público, que se modernizou e actualizou, criando uma miríade de cursos superiores, alguns completamente desajustados à realidade científica e ao mercado de trabalho. Se não fosse a crise a travar aquela criatividade inventiva, hoje até teríamos calistas e manicures, com licenciatura e mestrado.

Agora, uma vez conhecida a fraude das universidades privadas, e, devido à crise, elas estão insolventes. Só me admira que ainda não tenha aparecido uma voz piedosa a pedir que o Estado avance, para apagar o incêndio, injectando dinheiro naquelas instituições falidas. É que, candidatos a calistas e a manicures não faltam no mercado.
Alexandre de Castro