sábado, 14 de janeiro de 2017

A equação do aumento do crédito ao consumo poderá não ser boa para o país


No nosso suplemento dedicado à economia real fique a saber isto: o crédito ao consumo está, de novo, a bater recordes - e já atingiu um novo máximo desde a saída da Troika. É uma boa notícia? Depende da perspetiva, mas uma coisa é certa: quando há booms no consumo é porque estamos a ver aumentar as esperanças num futuro melhor.
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A equação do aumento do crédito ao consumo poderá não ser boa para o país

O aumento do crédito ao consumo seria uma notícia satisfatória (não boa, e já se explica porquê), se esse crédito fosse dirigido essencialmente para o consumo interno, ou seja, para a compra de bens e serviços nacionais. Se, pelo contrário, esse crédito se dirige, predominantemente, para a compra de bens finais, estrangeiros, então será uma má notícia, a não ser que o sector produtivo nacional compense o desequilíbrio provocado com o respectivo aumento das exportações, aumento este que está a ser cada vez mais difícil, devido à conjuntura internacional e ao elevado nível de competição dos mercados exportadores. Já a importação de bens intermédios (por exemplo, equipamentos) não seria tão gravosa, pois o desequilíbrio provocado balança comercial, seria compensado nos anos seguintes, com o aumento da produção. Para ser mais directo: o consumo de bens finais, comprados no estrangeiro, constituem-se num constrangimento para o aumento do PIB, já que as importações não entram no seu cálculo, como é evidente.

Mas ainda há um outro motivo, para que a notícia referida nunca possa ser considerada boa. E esse motivo é o endividamento das famílias, que já poderá
estar a ser excessivo, em relação ao nível dos rendimentos auferidos, e que, no futuro, poderá provocar muitos amargos de boca, tal como no passado recente.

A memória das pessoas é curta, e, desgraçadamente, vive-se uma gigantesca onda consumista, atiçada por doses maciças de publicidade.

Claro que, tudo o que se disse aqui, não agradará aos banqueiros, que são os únicos que, nesta perversa cadeia, ganham com o negócio.

Alexandre de Castro