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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Presunção e água benta, cada um toma a que quer…



Presunção e água benta, cada um toma a que quer…

“Ainda não aprenderam a ler-me: tentam abrir a porta com a chave que trazem no bolso, pequenina, estreita. E surpreende-me que não vejam que basta empurrar a maçaneta com um dedo”.
António Lobo Antunes

In Revista Visão - O vivo e puro amor de que sou feito.
[Citado por Marina Costa]
***«»***

Fora dos holofotes da fama, que granjeou como grande romancista, António Lobo Antunes não é assim tão magnânimo como pretende fazer crer, com a belíssima metáfora da chave, da maçaneta e da porta. Diz, quem o conhece pessoalmente, que é um homem azedo e pedante e que gosta de ver o mundo a seus pés.

No entanto, esta afirmação não ofusca nem obnubila o seu génio, como escritor, bem evidente, principalmente, nos seus primeiros romances.

Ele nunca perdoou o facto de ter sido preterido na atribuição do Prémio Nobel da Literatura, em relação a Saramago, e não compreendeu que o Memorial do Convento é uma obra de dimensão universal, que se impôs pela sua densa textura e pela sua grandiosa temática. Nesta obra, Saramago falou com as centenárias pedras do convento de Mafra e com as suas sombras, reconstruindo a história desse tempo opaco, de uma religiosidade fanática e cruel, que não salvava as almas, antes as queimava no patíbulo, onde ardia o fogo purificador da fogueira inquisitorial.
Alexandre de Castro
2018 08 30

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

"Gato escondido com o rabo de fora"



"Gato escondido com o rabo de fora"


Foi este provérbio, "Gato escondido com o rabo de fora", que me veio à mente, quando acabei de ler o discurso de propaganda do Costa. Lançou para a populaça, que o ouvia, uma série de números das estatísticas oficiais, para demonstrar que o seu governo, nos vários índices económicos e sociais, apresentava melhores resultados do que os obtidos pelo governo da troika, do Passos Coelho, o que é uma indesmentível verdade. Mas, por outro lado, fugiu a uma qualquer comparação com a situação existente anteriormente, no tempo do governo de Sócrates (que ele, pela primeira vez, atacou em público, embora recorrendo ao humor) e que, excluindo a derrapagem financeira (dívida pública e défice orçamental) era melhor do que a situação actual, principalmente em relação ao nível de vida dos portugueses e em relação ao Serviço Nacional de Saúde, cuja sustentabilidade está a começar a ficar em causa. E, em parte, o mesmo se pode dizer, em relação a outros sectores de actividade, como é o caso da ferrovia.

Assim, tenho de considerar que Costa proferiu um discurso populista e eleiçoeiro, ao pretende esconder o que não lhe é favorável e deixando, no entanto, o rabo de fora, ao não falar naquilo que vai mal. Não falou, por exemplo, no plano de privatização progressiva de sectores importantes do Serviço Nacional de Saúde, no qual Maria de Belém já está trabalhar, seguindo uma linha liberalizante que, quando o próximo governo do PS entrar em funções, na próxima legislatura, irá alinhar e entroncar com a proposta de Rui Rio, que segue a mesma linha e a mesma orientação.

Nunca como agora, nos últimos anos, foi tão necessária a força e a determinação do Partido Comunista, para contrariar na mesa das negociações, no Parlamento e na rua a política de direita do PS, sempre muito bem alinhada com as superiores recomendações (eu até diria, ordens) da comissão europeia, que é o braço direito da czarina de Berlim (o outro braço é o de Macron, que, agora, vai começar a trabalhar no Plano de Segurança Europeia).

Alexandre de Castro  
2018 08 27

The Kid,Charlie Chaplin fight scene one of the funniest scenes in kid

One Of The Funniest Comedy Sketches Of All Time

sábado, 25 de agosto de 2018

PS e PSD querem destruir o Serviço Nacional de Saúde


APONTAMENTO

Só os néscios é que não vêem ou não querem ver que, para garantir o equilíbrio orçamental e para reduzir a dívida, o PS e o PSD estão apostados, cumprindo secretas recomendações de Bruxelas e de Berlim (agora transmitidas, via Centeno), em reduzir a despesa no Estado Social (Saúde e Educação), pondo assim em causa a sustentabilidade de duas instituições de uma "autêntica e verdadeira natureza democrática", uma vez que elas tratam de igual maneira todos os cidadãos.
Se esta política de contenção (um novo tipo de austeridade) continuar, no futuro próximo, e ao nível da Saúde, iremos assistir a um súbito aumento da taxa de mortalidade, principalmente entre os idosos, por uma manifesta insuficiência de capacidade de resposta dos serviços de Saúde, devido à falta de meios humanos e físicos. Actualmente, esta realidade já se instalou em muitos hospitais, em que os doentes graves não são vistos atempadamente, numa primeira consulta.
No próximo ano vão ocorre duas eleições. É com o nosso voto consciente que devemos rejeitar os partidos que querem destruir o Estado Social.

Alexandre de Castro

2018 08 25

terça-feira, 21 de agosto de 2018

FNAM denuncia documento sobre Saúde do PSD.



Comissão Executiva da FNAM
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

O documento para a política de Saúde do Conselho Estratégico Nacional do PSD é uma escandalosa assumpção da destruição do SNS


A divulgação, ontem, de uma notícia em alguns orgãos de comunicação sobre a elaboração de um documento relativo à política da saúde para o nosso país a nível do PSD, implica as seguintes apreciações da parte da FNAM:

1- Apesar das notícias não divulgarem o conteúdo desse documento, a referência a alguns dos seus princípios enquadradores revelam que estamos perante uma clara linha de orientação partidária visando a destruição do SNS e o desencadeamento de um processo privatizador em benefício de empresas privadas que já subsistem à custa dos dinheiros públicos.

2- Esses princípios enquadradores não podem suscitar qualquer dúvida sobre os reais objectivos desse documento porque são uma cópia dos mesmos “expedientes” lançados em diversos países para destruir os serviços públicos de saúde e proceder à sua integral privatização.

3- O facto de o grupo de trabalho partidário que elaborou esse documento ser coordenado por um ex- ministro da saúde, Luís Filipe Pereira, que sempre se destacou por ter um assumido ódio visceral ao SNS mostra bem os objectivos subjacentes a essa iniciativa.

4- O facto de nesse grupo de trabalho estarem elementos que são assalariados de um grupo económico privado com negócios na área da saúde e que usufrui de dinheiros públicos, constitui uma intolerável promiscuidade entre interesses públicos e privados quando alguns intervenientes políticos tanto têm pregado a moralidade da vida política.

5- A FNAM, que está obrigada por disposições estatutárias e do seu programa de acção a defender intransigentemente o SNS e as carreiras médicas, terá uma atitude interventiva de enorme empenhamento na contestação e denúncia destas políticas que visam a privatização da saúde e a destruição do SNS. A assumpção desta posição político-partidária vai introduzir um novo factor de discussão nas próximas eleições nacionais que as tornarão num “plebiscito “ à manutenção do SNS.

Lisboa, 21/8/2018

A Comissão Executiva da FNAM
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

domingo, 10 de junho de 2018

Uma viagem sombria com retorno




Uma viagem sombria com retorno

Subitamente, vi-me cercado por um grande exército, de figuras anatomicamente estranhas, cujo comandante me ordenou, com uma altiva rispidez, para eu carregar às costas um pesado saco, cheio de pedras, e, de seguida, entrar num túnel, cujo fim não estava à vista. Visto dali, o túnel era escuro como breu, como são todos os túneis, a não ser os que são iluminados por luz artificial. Mas logo que franqueei a sua grande bocarra, verifiquei que o seu interior tinha uma claridade intensamente vermelha, que me agredia os olhos.

O saco tinha o peso do mundo e as pontas finas das pedras, senti-as como se fossem agulhas, a espetarem-se nas minhas costas, provocando-me dores alucinantes.

O comandante daquele numeroso exército, de figuras estranhas, talvez já habituado a coordenar aquela tarefa, antecipou-se aos meus queixumes, e disse-me que eu iria habituar-me àquelas dores e que deixaria de as sentir, quando atravessasse o Grande Lago, com o saco de pedras às costas. Até encontrar o Grande Lago, teria de suportar aquelas dores, concluiu, com a sua voz dura e agreste.

Mas eu não percebia porque estava neste lugar inóspito e insípido, e também não sabia como tinha chegado até ali. E, o mais grave, é que também já não me recordava de onde viera e não consegui perceber quem era eu, afinal, o que era um sinal evidente de que, por qualquer motivo, perdera a memória e a noção do espaço e do tempo. Por mais que tentasse desenterrar a memória, nenhum dos seus fragmentos, resultantes da sua desintegração, eu consegui encontrar. Estava completamente perdido, naquele mundo, agora mais intensamente vermelho e que, também agora, me parecia circular, e, na minha cabeça, reinava a mais completa confusão.

Cheguei derreado ao Grande Lago e, num impulso violento, larguei o fardo, atirando o saco de pedras para o chão. Para me refrescar, não tive tempo de me atirar à água, que ali, naquele mundo estranho, também era da cor do sangue, pois, subitamente, fui atacado por uma forte convulsão, com o corpo e os braços a tremerem freneticamente, de uma forma descontrolada.


O meu corpo começou a aquecer e percebi que já estava a contrair um grande febrão, que me queimava os neurónios e as entranhas. Gritei, a pedir água. E foi neste momento que vi uma mulher - que, na sua pose e nas suas vestes, se parecia com a mulher de um faraó, do Antigo Egipto - a levantar-se de um trono de ouro, com toda a dignidade imperial, e a começar a descer, com um jarro, apoiado na anca, uma grande escadaria de mármore.

Bebi com uma enorme sofreguidão a água que me era oferecida por aquelas mãos delicadas, e foi quando ela começou a acariciar-me os cabelos revoltos, que eu desmaiei, pensando que tinha morrido.

Acordei para a realidade terrena na cama de um hospital, onde, no limite da negra fronteira, me salvaram a vida, exorcizando o fantasma da morte.

                                                                                                              Alexandre de Castro
2018 06 07

***«»***

O optimismo que exprimi na minha última mensagem, a de 26 de Maio de 2018, no dia seguinte à realização da biópsia à próstata, não passou de uma efémera manifestação de um fogo-fátuo.

Ao princípio da noite, fui acometido por uma forte convulsão, que se manifestou por fortes e incontroláveis tremores do corpo, com os braços a oscilarem a um ritmo veloz e frenético. Fui para a urgência do Hospital de S. José, onde me trataram, para eliminar o tremor, antes de me internarem no Serviço de Urologia, onde permaneci até o dia de ontem.

Tudo isto resultou de uma infecção, ao nível da próstata, provocada por uma bactéria hospitalar, que se infiltrou no meu corpo, durante realização da biópsia. Teria morrido, se me tivesse atrasado, duas ou três horas, a ser submetido a um tratamento com antibióticos específicos, em doses cavalares.

Com a temperatura corporal a ultrapassar a barreira dos 40º C, delirei durante a noite. Não me lembro nada desses momentos, em que perdi a noção do espaço e do tempo. Disseram-me, na manhã seguinte, os três companheiros, com quem compartilhei a mini enfermaria, que, durante a noite, em pleno delírio, falava com imaginários interlocutores e que nomeei, pelo nome os meus sobrinhos-netos, incluindo o que nasceu recentemente, que tem cinco meses, e que leva o meu nome. Disseram-me também que peguei no meu saco, a fim de fugir do hospital.

No dia seguinte, a confusão na minha cabeça era muita e perdi a memória recente. Quando vinha para o corredor, para ir à casa de banho, perdia-me no caminho de regresso (uns três metros de distância, apenas). Numa das vezes, entrei na mini enfermaria, onde se encontravam quatro mulheres, que começaram a gritar e a tocar todas as campainhas de alarme, para chamar os enfermeiros e as enfermeiras.

Tenho a consciência que incomodei muito os meus três companheiros de camarata, pois não os deixei dormir sossegadamente, que era o que eles precisavam, pois estavam a recuperar de intervenções cirúrgicas.

Ao quarto dia de internamento, a temperatura regressou à normalidade, o que era imperioso acontecer, para eu poder ter alta e regressar a casa.

Naqueles pensamentos solitários, sobre o meu estado de saúde, alarmava-me com a terrível hipótese de poder perder a capacidade de escrever. Mas a ausência de lesões cerebrais, assumidas por um TAC, entretanto realizado, tranquilizou-me. E, na verdade, este texto, que estou a escrever, mostra que a minha capacidade de escrita não foi afectada.

                                                                                                              Alexandre de Castro
2018 06 07

quarta-feira, 23 de maio de 2018

A propósito da morte de Júlio Pomar.



A propósito da morte de Júlio Pomar.

Vão morrendo os ícones da cultura portuguesa contemporânea, que a minha geração "aprendeu" a admirar. Morremos um pouco por cada um deles, que nos deixa, e somos invadidos por um indelével sentimento de "perda" e de "orfandade".

E esse sentimento de "perda" aprofunda-se dramaticamente, quando verificamos que se vai formando, à nossa volta, um assustador vazio cultural, pois eu não vislumbro os sucessores que, mesmo em ruptura com o passado, ao nível dos paradigmas (o que é normal acontecer), assegurem a continuidade da cultura herdada.

E esta fractura cultural profunda talvez se explique pelas rápidas mudanças, a todos os níveis, geradas, para o bem e para o mal, no ventre da globalização e sustentadas pela vertigem das novas tecnologias.

Talvez estejamos em presença da maior revolução da Humanidade, que vai impor um novo modelo para o que, actualmente, entendemos por "cultura".

 Alexandre de Castro
2018 05 23

terça-feira, 22 de maio de 2018

António Arnaut: Um homem simples, que deixou uma obra grande...


Foto de Conselho Português para a Paz e Cooperação.


António Arnaut: Um homem simples, 
que deixou uma obra grande...

Deixo aqui, como homenagem, um pequeno texto, que publiquei na minha página do facebook.

"Não fosse a determinação e a coragem de António Arnaut, e, hoje, os portugueses não teriam uma das mais valiosas pérolas de Abril, o Serviço Nacional de Saúde.

Rendo-me à sua verticalidade e honradez, quer como homem, quer como político. Que os actuais militantes do Partido Socialista o tomem como modelo exemplar, para bem de Portugal, aquele Portugal que António Arnaut sonhou e defendeu".

Alexandre de Castro
2018 05 21

sábado, 19 de maio de 2018

Bruno de Carvalho quer ter mais visibilidade pública do que a Rainha de Inglaterra



Bruno de Carvalho quer ter mais visibilidade pública do que a Rainha de Inglaterra


Bruno de Carvalho, que está a ocupar todo o espaço mediático, "masturba-se" intelectualmente, de cada vez que uma figura pública o critica. Atingirá o clímax, quando o Papa ou  Trump ou a Madona falarem dele. Aí, o "Estádio de Alvalade até abana".

O "homem", a quem já só falta o bigodinho e a edição do seu livro, Mein Kampf (A Minha Luta), está a trabalhar a sua imagem de "durão", e tudo fará para que se fale dele, negativamente, para assim poder explorar o estado de graça da "vitimização", junto das massas alienadas sportinguistas, que parece controlar. Quanto mais o perseguirem, mais a aura do homem invencível se agigantará, pensa ele.

Bastaria que a comunicação social, em bloco, boicotasse as suas declarações públicas e não noticiasse as suas iniciativas e os seus movimentos, para que ele optasse, imediatamente, pela sua demissão de Presidente do SPC, já que não poderia entregar-se mais ao seu delirante espectáculo mediático, sendo obrigado a regressar ao estado vegetativo da sua inutilidade primária.

Ele sonha, com outros horizontes, para além do futebol. E Marcelo Rebelo de Sousa que se cuide, pois é muito possível que o tenha à perna, nas próximas eleições, para a Presidência da República. Ele já deu um sinal, como, remotamente, se pode inferir dos remoques enviados para o Palácio de Belém (Ver notícia).

O homem acusa um distúrbio psíquico, que pode detectar-se naquele olhar vago, embaciado e errático, que o caracteriza, o que o poderá enquadrar numa qualquer entidade nosológica da Psiquiatria.

Era importante saber se ele já tem ficha aberta no Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos.

Alexandre de Castro
2018 05 18

O regresso ao Sporting...



O regresso ao Sporting...


Na minha juventude, adoptei o Sporting como o meu clube de eleição. Hoje, estou tão distante do futebol, como estou da Lua. Mas, neste momento, de vergonha para este clube e para o país, quero afirmar, num gesto de inteira solidariedade para com os jogadores e o seu treinador, assim como para com toda a equipa técnica, que volto a ser um fervoroso adepto do Sporting Clube de Portugal.
Excluo, evidentemente, desta minha singela homenagem, o actual presidente do clube, que é, no meu entender, o grande culpado de toda esta inédita confusão.

Alexandre de Castro
2018 05 16

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O regresso dos Bárbaros...

Jogador do Sporting Clube de Portugal ferido no ataque de adeptos, em Alcochete


O regresso dos Bárbaros


Na última terça-feira, uma horda de criminosos, a mando de alguém, irrompeu pelo Centro de Treinos do Sporting Clube de Portugal, em Alcochete, e atacou com uma violência inaudita os jogadores e o treinador daquele clube.

Passado algum tempo, o presidente Bruno de Carvalho chegou às instalações, e, interrogado pelos jornalistas, respondeu, com um grande desplante e com uma frieza arrepiante, e cito de memória, “que era chato a agressão aos jogadores, mas que tínhamos de nos habituar a estes crimes”.

Confesso que fiquei siderado com tanta frieza e com tanta  irresponsabilidade.

Eu julgo que o "homem" (Bruno de Carvalho) alimenta ambições, que vão para além do Sporting e do futebol. Procura passar a ideia subliminar de que é um dirigente duro e que até conseguiria endireitar um país, ou até o mundo, se tivesse um mandato para tal. Profere discursos incendiários, a fim de gerar apoios, entre os mais ignorantes, o que é uma técnica tipicamente fascista.

Mas o que é certo, é que ele está a destruir um clube centenário, que é uma referência nacional, mesmo para os que não gostam da bola, o que é o meu caso.

Soube ontem, através de um amigo, que o pequeno "Hitler Verde" fez parte, enquanto jovem, das hordas ruidosas e, pelos vistos, extremamente perigosas, da Juv Leo, onde, possivelmente, teria selado amizades duradouras, que, agora, parecem ser muitos úteis, para a sua estratégia desestabilizadora e conflituosa.

Hitler, enquanto jovem, foi um pintor falhado e, durante a Primeira Guerra Mundial, serviu, como cabo, o exército austríaco. Ninguém podia adivinhar que, daquela insignificante personagem, de média estatura, iria nascer um monstro...

Alexandre de Castro
2018 05 16

terça-feira, 15 de maio de 2018

Onde estão os Direitos Humanos na Palestina?




Onde estão os Direitos Humanos na Palestina?

Na Palestina, não funciona o argumento dos Direitos Humanos, sempre invocado pelos países ocidentais, para desacreditar os movimentos revolucionários e os países com regimes progressistas, não-alinhados com o sistema imperialista/capitalista. O Sionismo começa a copiar os brutais métodos dos antigos carrascos dos judeus, os nazis alemães. Só faltam os campos de concentração e os fornos crematórios, para exterminar os palestinianos.

Não podemos ficar calados com o regresso da barbárie e a ascensão dos novos "hitleres", com ou sem suástica.

Temos de combater, com os nossos meios, o fascismo sionista e apoiar a luta heróica do povo palestiniano.

VIVA A PALESTINA LIVRE E INDEPENDENTE!...

Alexandre de Castro
2018 05 15

domingo, 13 de maio de 2018

Maio 68...



Maio 68...


Foi o Maio da esperança, em França,
delírio épico de uma revolução romântica
a cantar os hinos de todas as rebeldias,
e a fazer crescer o sonho contra o desencanto.
Inspirou Portugal, na Revolução dos Cravos,
que rompeu as trevas numa manhã de Abril.
Era um mundo velho, decrépito, que morria
Era um mundo novo, de sonhos, que nascia…

Alexandre de Castro

Lisboa, Janeiro de 2018

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Al Berto - Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida




há-de flutuar uma cidade...


há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
 
Al Berto

quarta-feira, 9 de maio de 2018

A falta de médicos no SNS é uma realidade indesmentível




Os três centros de orientação de doentes
urgentes (CODU) estão a funcionar
sem os médicos necessários e não
raras vezes estão a trabalhar com
apenas três, quando deveriam
existir pelo menos seis clínicos.


E nós, por cá, lá vamos cantando e rindo, alimentando aquela vã esperança de que o azar não nos bata à porta... Esta introdução é para os distraídos.

Em situações de emergência médica, um minuto, que seja, pode determinar o destino de uma vida. A nossa, inclusive. Por isso, não podemos deixar-nos embrulhar pelos argumentos "fraudulentos" do governo, nem pela hipocrisia dos partidos da direita, em relação ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), que está a degradar-se, de dia para dia, principalmente no interior do país, onde já se vivem situações dramáticas.

A falta de médicos e de enfermeiros (e foi isto que motivou a actual greve médicos, com uma duração de três dias, e que está a ter um retumbante êxito) é, actualmente, o problema central do nosso sistema de saúde. E sem os meios humanos necessários, nenhum sistema pode ser funcional.

Mas é bom que se perceba por que razão esta situação está a ocorrer, e também por que razão António Costa nunca se pronuncia (ou poucas vezes se pronuncia) sobre o SNS, chutando o ónus dos encargos para o seu ministro da tutela, que, no primeiro dia da greve, em desespero de causa, até afirmou que (pasme-se!), se fosse médico, também teria aderido à greve, afirmação esta que pré-anuncia, a prazo, o fim do seu mandato. Ele irá, certamente, dentro de alguns dias ou semanas, pedir a sua demissão, invocando, como argumento, a falta de condições, para exercer o seu cargo, o que, neste caso, (e só neste caso), o do congelamento da admissão de novos médicos e enfermeiros, é verdadeiro.

A nomeação de um novo ministro da Saúde vai dar a António Costa a oportunidade de tentar travar, por mais uns meses, a contestação dos profissionais da Saúde à sua política em relação ao SNS, ao mesmo tempo que vai alimentando falsas expectativas nos portugueses. 

Não é ainda chegado o momento em que ele possa vir dizer que virou "mais uma página", do livro que anda a ler, um livro que lhe foi aconselhado por Merkel, por Macron e por Junker (tudo boa gente, que só querem a felicidade dos portugueses), e onde consta que Portugal tem um serviço de Saúde acima das suas possibilidades, pelo que, a ter de haver cortes, para equilibrar o défice orçamental, terá de ser neste sistema que eles deverão incidir, recomendação esta que Costa se apressou a sublinhar, (no tal livro que anda a ler), e que Centeno - já com as nádegas bem ajustadas ao assento da cadeira do Presidente do Eurogrupo e talvez já espreitando novas oportunidades de carreira - se prontificou a executar, cativando verbas do Orçamento de Estado em vigor, que já se encontram alocadas ao SNS, e que, assim, ficam em suspenso, dependendo a sua libertação, para execução, do equilíbrio das contas públicas, a meio do segundo semestre do ano. Se o défice, nessa altura, estiver controlado, haverá festa rija, pois, além do êxito financeiro alcançado, haverá um lauto bodo aos pobres, mesmo à beira das eleições legislativas, o que vem mesmo a calhar. Se o défice derrapar, então os hospitais e os centros de saúde têm de se amanhar com os técnicos de saúde, que têm actualmente, e esperar pelo próximo ano. Por sua vez, o dinheiro, que ficou cativo, no actual exercício, será incorporado no abatimento do défice orçamental. Entretanto, quer num caso, como no outro, muitos portugueses vão morrer, por falta de assistência médica atempada, o que será uma situação bem mais grave do que a corrupção de que estão indiciados Sócrates e Pinho, pois uma vida não tem preço no mercado de capitais.

António Costa tem dois problemas graves, que lhe estão a tirar o sono, e ambos com incidência orçamental, e que poderão ter repercussões eleitorais. Um é este, relacionado com o SNS. O outro reporta para os incêndios florestais do próximo Verão, em que um clamor de protestos está a varrer o país, com as várias entidades e instituições ligadas ao sector a pronunciarem-se sobre as graves falhas e carências existentes, ao nível dos meios de ataque aos incêndios, assim como ao nível das estruturas de coordenação. Até parece que é um país inteiro que está a arder.

António Costa, com o caso de José Sócrates e de Manuel Pinho, já perdeu a ambição de conquistar a maioria absoluta, nas próximas eleições legislativas. A canzoada do PSD e do CDS e a imprensa de referência domesticada, que funciona como câmara de ressonância da direita, não vão largar-lhe as canelas, tentando promover o caso ao nível de  uma questão de regime, mas esquecendo os muitos telhados de vidro coleccionados, durante o regabofe do cavaquismo.
 

Se tudo correr mal a António Costa, em relação ao SNS e se os incêndios florestais provocarem outra tragédia, poderá ser o fim da Geringonça e o domínio da direita no aparelho do Estado, o que até agradará aos donos da Europa, que não se coibirão de repetir o jogo das chantagens e das ameaças veladas, antes das próximas eleições. Mas isto, acima de tudo, será uma tragédia para o povo português, pois a direita, além de impor a sua ideologia neoliberal, irá descarregar, sobre os trabalhadores e sobre os reformados, o fel da sua vingança, resultante dos ódios acumulados, durante os últimos quatro anos.

Para que a Geringonça continue a poder viabilizar um outro governo minoritário, do PS, António Costa tem de mudar de agulha e deixar-se de querer fazer joguinhos com o PSD, de Rui Rio, como aconteceu recentemente, ao aceitar discutir com os sociais-democratas um acordo sobre o SNS, quando se sabe que Rui Rio levará debaixo do braço um plano gizado para favorecer a entrada em força dos agentes privados no SNS.

Alexandre de Castro
2018 05 09

terça-feira, 8 de maio de 2018

Como era Portugal antes da Democracia?





Ainda tenho a memória desse tempo sem futuro.
Era o país de Salazar, um campónio doutorado, que odiava o progresso e dele desconfiava, e que, da Cultura, tinha apenas a visão distorcida de um seminarista da província.

Era o país do "Livro Único", onde os portugueses aprendiam a ser "obedientes, pobres, honestos e trabalhadores", e em que se legislava sobre o comprimento das saias das mulheres, que tinham de esconder os joelhos, para evitar os seus perversos efeitos eróticos.

Era o país em que só se deveria "foder", às escuras, embora os portugueses estivessem sempre a ser "fodidos", às claras. (*)

Era o país que até tinha um Portugal dos Pequeninos.

Alexandre de Castro
2018 05 08

(*) Desculpem o calão utilizado, que não é dos meus hábitos, na escrita. Mas, desta vez, tinha de vos escandalizar, tal como, certamente, se escandalizaram com a visualização deste vídeo. E, oxalá, que uma grande crise, que, segundo alguns economistas de renome, vem aí a caminho, não nos ponha novamente a comer, ao pequeno- almoço, caldo de couves e pão com toucinho.

terça-feira, 1 de maio de 2018

O negócio dos corninhos...



O negócio dos corninhos...

Achei muita piada a um texto de opinião de um jornalista, que escreveu: "Afinal, os corninhos de Manuel Pinho eram para todos nós".
Quem deve estar a rebolar-se de riso, é o ex-deputado do PCP, a quem Manuel Pinho dirigiu o insultuoso e obsceno gesto, numa sessão da Assembleia da República.
Mas, a pergunta que se impõe é esta: Quem é o próximo ex-ministro que nos andou a pôr os cornos?

Alexandre de Castro
2018 05 01

domingo, 29 de abril de 2018

Por este andar, ainda virá o dia em que tem de se pagar para trabalhar...


2018 04 29

Simplesmente Mulher...




Simplesmente Mulher...

No Dia Internacional
da Mulher

Até Deus, logo que te viu,
no breve enlevo do paraíso,
te amaldiçoou com o pecado original...
E o Homem, através dos tempos,
impondo o poder que esse Deus lhe deu
nunca te perdoou o encantamento
da bíblica árvore em que se perdeu...

Em nome de Deus, Jeová e Alá,
Moisés, Cristo e Maomé,
cristãos, muçulmanos e judeus,
erguendo aos céus os sagrados livros,
impuseram o silêncio do teu corpo,
riscaram a tua existência, a tua voz...
E a tua vida, separada da tua pujança,
foi apenas uma sombra esquecida...
Benzeram-te com a peçonha
da vergonha
de teres nascido mulher...

E os homens ungiram a tua vagina
para aquecerem a sua volúpia
e dilatarem o teu vigoroso útero,
que pariu a humanidade inteira,
e esquecendo-se, sem remorsos,
da tua dimensão verdadeira...

Eras apenas mãe, esposa ou irmã,
na simples serventia de parideira, vivendo
ao ritmo das mamadas dos teus filhos...
E quando o vento mudava de feição
eras serpente, bruxa e feiticeira,
desgraçada e perdida rameira...
Mulher sem condição...

E tu eras simplesmente Mulher
(e não um objecto qualquer,
escondido na burka, no hábito ou no véu)...
Nem mesmo eras aquela outra Maria
que as asas de um arcanjo cobriu
E que, mesmo chamada virgem, pariu...

Alexandre de Castro

Lisboa, Março de 2005

Registado: IGAC/MC- 5467/2004

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ary dos Santos - As Portas Que Abril Abriu





As Portas Que Abril Abriu

Não posso deixar de emocionar-me até às lágrimas e com um grande nó a atar-me a garganta, ao ouvir a vigorosa voz de Ary dos Santos, a declamar, com força e emoção, o seu grandioso poema, "As Portas Que Abril Abriu", que é o grande poema da Revolução de Abril e, revolução essa, que o povo, com toda a sua criatividade, logo baptizou como a Revolução dos Cravos, tal foi a profusão de cravos que alastrou pelas ruas de Lisboa, como se tratasse de um fenómeno de geração espontânea, e que começaram a engalanar os canos das espingardas e as coberturas dos tanques.

Fica-nos na memória todo o romantismo que esta revolução inspirou à minha geração, que a viveu em profundidade, com muito amor e com muita convicção, alimentando aquela esperança de que, com o derrube do caduco regime fascista, iríamos construir um país novo.

E essa esperança ainda não morreu, nem pode morrer.

[Por motivos de força maior, não poderei estar presente no desfile da avenida, que, por sinal, se chama da Liberdade. Cantem por mim a "Grândola, Vila Morena".

Alexandre de Castro
2018 04 25