quarta-feira, 23 de maio de 2018

A propósito da morte de Júlio Pomar.



A propósito da morte de Júlio Pomar.

Vão morrendo os ícones da cultura portuguesa contemporânea, que a minha geração "aprendeu" a admirar. Morremos um pouco por cada um deles, que nos deixa, e somos invadidos por um indelével sentimento de "perda" e de "orfandade".

E esse sentimento de "perda" aprofunda-se dramaticamente, quando verificamos que se vai formando, à nossa volta, um assustador vazio cultural, pois eu não vislumbro os sucessores que, mesmo em ruptura com o passado, ao nível dos paradigmas (o que é normal acontecer), assegurem a continuidade da cultura herdada.

E esta fractura cultural profunda talvez se explique pelas rápidas mudanças, a todos os níveis, geradas, para o bem e para o mal, no ventre da globalização e sustentadas pela vertigem das novas tecnologias.

Talvez estejamos em presença da maior revolução da Humanidade, que vai impor um novo modelo para o que, actualmente, entendemos por "cultura".

Alexandre de Castro
2018 05 23