Alexandre de Castro
quarta-feira, 3 de março de 2021
Homenagem
terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
domingo, 14 de fevereiro de 2021
Salvador Dali - O Visionário da Pintura
Salvador Dali, um dos maiores pintores de todos
os tempos, perseguiu, durante todo o seu percurso artístico, a ideia da
transgressão, quer a transgressão temática, desconstruindo as narrativas
mitológicas e as narrativas do mundo real, tal como as interpretamos, quer a
transgressão formal, ao nível do estilo pictórico e ao nível da figuração,
optando por agigantar até ao limite as personagens e todos os elementos físicos
das suas composições. Repare-se, por exemplo, no efeito cinético, conseguido na
pintura "A Tentação de Santo António", em que o cavalo,
desencabrestado, parece querer saltar para fora da tela.
Dali, tal como Picasso, inaugurou um novo
conceito de pintura, que eu designo de surrealismo do fantástico ou, segundo
alguns autores, do surrealismo metafórico. Também poderíamos dizer que Dali
trabalhou na tela a alucinação, a loucura, a excentricidade e o assombro, numa
tentativa de intimidar o espectador, obrigando-o a ser mais activo na
observação e na interpretação da obra, já que, em relação ao passado, olhava-se
para uma pintura, de uma forma mais passiva e tranquila, tal como se se
observasse uma paisagem. Perante uma pintura de Dali, ninguém fica indiferente.
Pela intensidade das cores e pela distorção e gigantismo das formas, e, também,
pelo uso do plano da profundidade, que dá a sensação de não ter fim, Dali
impressiona e cria tensões emocionais nos espectadores. Ele não é o pintor da
estética harmoniosa. Na maioria dos seus trabalhos emerge uma tensão de
violência e uma sensação de desequilíbrio, à beira do abismo.
Alexandre de Castro
sábado, 23 de janeiro de 2021
Há mulheres que escrevem poemas às escuras
na
mão escrevem um nome de um santo.
Sentadas,
ficam à espera que as tempestades
desabem
sobre os homens das suas paixões
normalmente
são mulheres estéreis
que
foram educadas à sombra dos conventos
e que se benzem antes do coito,
assombradas
por medos ancestrais.
Tenho
de as segurar nos abraços fatais
quando
reviram os olhos nas órbitas dilatadas
e
o corpo é uma haste trémula de um arbusto
sacudido
pela passagem do vento.
Não
há um sorriso de encantamento,
naqueles
rostos cerrados, habituados à clausura
apenas
o fantasma do pecado
e a sombra negra do pesadelo nas noites brancas
Alexandre de Castro
domingo, 13 de dezembro de 2020
os deuses
quando escrevo para ti os poemas da redenção
ou quando me liberto da terra
nos momentos de solidão,
quando tu faltas.
É uma oração profana
que nenhum padre, rabino
ou mullah entende.
É uma oração
que não entra na igreja, na mesquita
e na sinagoga,
não foi revelada
nem ensinada,
não tem símbolos nem hinos
nem ortodoxias
nem assume verdades absolutas.
É aquela oração que tu me ensinaste
em murmúrios quentes, segredados,
nos nossos mútuos encantamentos
e para rezar a todos os deuses
por mim e por ti inventados…
sábado, 12 de dezembro de 2020
A ideia, inicialmente, choca um pouco, mas se
pensarmos melhor, iremos encontrar, e embora de forma mitigada, um instrumento
que pode evitar a fome endémica da Humanidade. Naturalmente, esse rendimento
mínimo terá de ser inferior ao salário mínimo instituído. O sistema também
funcionaria melhor, em termos de justiça social, se o salário mínimo de cada
país fosse atualizado automaticamente, através do referencial de uma percentagem fixa, em
relação à respetiva média anual dos salários praticados, em cada país. O Rendimento Básico
Incondicional obedeceria também a uma proporcionalidade em relação ao salário
mínimo ou em relação ao rendimento per
capita nacional.
Alguma coisa terá de ser feita a este nível, se
não quisermos ser confrontados, a médio prazo, com uma grande tragédia global
e, logicamente, também com incidência nacional.
Alexandre de Castro
Fevereiro de 2014
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
na cabeça a bacia de barbeiro
ornamento digno de tal guerreiro
elmo dourado de antigo cavaleiro
montado nos ossos duros do Rocinante,
cavalo de muita fome e paciência,
lança partida em cada investida
enfrentando da Natureza a inclemência
cortejando as damas com finura
falando, na sua loucura, com fervor
e imitando Cid, o Campeador …
pedaços da nossa vida pelo mundo
moinhos de vento dos sonhos então desfeitos
sendo apenas Sanchos, contrafeitos,
nem do cura gostando da figura
nem do mestre Nicolau a ronha e a manha,
tão normais e humanos são os seus feitos,
só
forjada na luta e na aventura…
Nunca o medo lhe travou a mão
a espadeirar a esmo mouro ou cristão…
Por dama ofendida dava a vida
mas armava grande confusão,
pois qualquer mulher era princesa
e qualquer estalajadeiro cortesão…
Só lhe invejo o amor por Dulcineia
não por ciúmes dela, coitada, que era tão feia,
mas pela beleza e formosura
que a loucura punha em tal figura…
Doutro modo se recorda a governanta,
senhora do seu nariz, pelo na venta,
pois tal mulher que os livros queima
a seu amo e senhor, sem compaixão,
é de esperar que não obtenha o meu perdão…
gostaria de imitar vossa grandeza,
amar Dulcineia, mesmo feia,
pensando amar uma princesa…
Sonhar os mesmos sonhos sem sofrer
querer também o governo da tal ilha
ter um asno e um Rocinante a jeito meu
comer com os cabreiros o que a terra deu
ver o amor nascer da própria lua
e atacar os carneiros com igual fúria…
e tivesse a fidalguia da tal Mancha
gostaria de ser o D. Quixote
e ter por escudeiro o Sancho Pança…
Mas se fosse anafado e de muitas carnes
atarracado e baixo, como compete
a pessoas da sua condição,
incapaz de fazer abstinências
e de Cavalarias nada soubesse,
que isso é de muito finas sapiências,
se me faltassem a coragem e a bravura
quando meu amo enfrentasse um quadrilheiro,
então gostaria de ser o escudeiro
do Cavaleiro da Triste Figura…
sábado, 28 de novembro de 2020
O Ditador
O Ditador não tinha esporas
nem botas de montar,
mas montou um povo inteiro…
Não tinha espada
nem desfilava em marchas marciais,
mas foi o general da tropa amansada…
O Ditador não dormia,
vigiava…
Tinha medo que o apanhassem distraído
e o matassem…
Por isso, inventou a polícia secreta,
que desenhou a geografia das esquinas
de todas as ruas das cidades, vilas e aldeias…
O Ditador não tinha afectos…
O poder era o seu único e verdadeiro amor,
que se lhe conhecia…
Da sua cabeça saíam possantes tentáculos,
que apertavam as gargantas como tenazes,
a quem ousava discordar…
O Ditador julgou-se eterno,
mas esqueceu-se do equilíbrio instável das
cadeiras
(ele não percebia nada das leis da Física)…
Caiu e desmaiou, e depois morreu,
mas sempre a acreditar
que governaria o país, para além da sua morte…
Alexandre de Castro
Lisboa,
Maio de 2008
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
nunca chegarás a ler o último capítulo
nem nunca a tua leitura será definitiva.
Já te falei de todos os caminhos percorridos
das cumplicidades dos sussurros
dos perigos e dos medos das encruzilhadas
talvez tivessem sido os espelhos estilhaçados
a trair o contorno das imagens
que apareceram desfocadas nos meus olhos húmidos
quando todo o Universo ficou sem a luz das estrelas
para que eu não pudesse ver as sombras
projectadas pela noite.
Lisboa, Outubro de 2010
terça-feira, 24 de novembro de 2020
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
ERA
QUATERNÁRIA
a Quaternária,
de nervos e veias em relevo,
que, enfim,
uniu o polegar aos outros dedos ...
A gruta guardou a escuridão do tempo,
no silêncio cortante de arestas,
e o sílex rasgou a pedra
em riscos imberbes da primeira infância,
pela mão do homem
que, balbuciando preces
à luz, ao sol e ao trovão,
estremeceu aos vagidos de cada alvorada
Bípede, ergueu-se na altivez
da coluna erecta ...
Façanha única!...
Foi daquela mão talhando a pedra
que nasceu o inacabado poema
que a humanidade escreveu.
Alexandre
de Castro
Lisboa,
Maio de 1991
sábado, 21 de novembro de 2020
A Dança dos astros
ensaiaram a dança onírica das valências
que a matéria perseguiu o rasto da luz
que inspirou a “poeta”
as lágrimas de uma nuvem
criaram os mares e as águas
e o hálito quente da sua boca ardente
desenhou na Terra a primeira metáfora
com que inventou a Vida…
depois, muito depois, gozando as delícias da eternidade
e as da infinitude da palavra,
esperou pelo Homem para inventar o amor
… e os átomos continuaram a dançar…
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Mãe
Naquele último momento
tentaste confessar-me um segredo,
um segredo qualquer
guardado uma vida inteira
e que eu não entendi
porque a tua fala desesperada
ficou suspensa
nos lábios imobilizados.
Só os teus olhos alarmados
mexiam de ânsia e de medo.
Mas não sei se seria realmente um segredo
o que me querias dizer
ou apenas um último lamento
ou até, quem sabe,
a recordação daquelas tardes de Junho,
quando eu ainda era criança,
em que te deitavas comigo
(enrolados num cobertor de papa)
com medo das trovoadas.
- É Deus que está a ralhar – dizias-me,
enquanto me apertavas com carinho,
para me proteger.
Talvez, também, quando, um dia, me perdi de ti,
e perguntei, depois de te reencontrar,
se eras realmente a mesma mãe,
se não eras outra, igual à primeira,
de um mundo que, por momentos,
eu imaginei duplicado, em coisas e pessoas,
e que, agora, sei que esse mundo não existe,
porque tu já morreste
e eu não vejo nem tenho outra mãe.
Lisboa, Maio de 2007
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
A sustentabilidade do tempo…
Nunca tenho tempo para nada
porque sempre julgo
ter tempo para tudo.
que contam o tempo devagar
quando afinal, e veloz como o vento,
o tempo passa a correr.
que contava os dias pelos dedos,
as horas pelo sol
e despertava ao cantar do galo.
E ela sempre teve tempo para tudo,
até para cuidar dos netos.
E foi sempre assim,
até morrer…
Alexandre de Castro
terça-feira, 10 de novembro de 2020
sábado, 7 de novembro de 2020
a estilhaçar a noite,
durante as tempestades
dos meus sonos agitados…
E, lá ao longe,
envolta num halo de luz, muito brilhante,
vejo uma mulher,
a acenar-me com um lenço branco.
Queria correr para ela,
mas os meus pés ficaram grudados
no alcatrão do caminho.
Ainda tive tempo de ouvir o seu lamento,
em forma de poema, a anunciar
que habitava “uma terra sem chão”
e que um pássaro, para a salvar, lhe disse para voar…
…
E ela voou…
Lisboa, Novembro 2020
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
Frases Soltas
terça-feira, 3 de novembro de 2020
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Esta noite choveu prata sobre o rio
Esta noite choveu prata sobre o rio
eram lágrimas de dor do sufoco do poema
derramadas às portas da cidade…
…
E Lisboa emudeceu...
Ficarei a vaguear por aqui
banhando-me no rio com as Tágides
até ao dia das auroras e da reverberação da luz
na lâmina líquida das águas
e a acordar todos os sonhos adormecidos...
...
E Lisboa adormeceu…
Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2020
sábado, 31 de outubro de 2020
Livro de Assentos
Não
sei o que dizer!…
Não
sei!…
Só
sei que o Tempo corre depressa
e
escorre veloz pelos meus dedos,
já
doridos de tanto contarem as folhas
do Livro de Assentos, onde eu anoto
os
tempos das esperas e das tuas ausências…
…
E
a tua ausência dói…
E
tu sabes isso…
E
eu não sei se, com a minha dor, tu sentes prazer…
Alexandre de Castro
Lisboa, Outubro de 2020
terça-feira, 27 de outubro de 2020
Louros, grandes, rosados, de pele branca
bebem o sol às rodelas
em esplanadas de relva
ou nas línguas de areia que o mar descobre ...
nas vísceras da miséria que os cerca
e lá no íntimo, muito dentro de si,
enquanto bebem o seu whisky ou o seu gin,
pensam secretamente:
Que bom não ter nascido aqui!...
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
Avô João de Castro - Poeta e Dramaturgo
A minha querida mana, Maria Helena, junto ao busto do nosso avô paterno, João de Castro, poeta e dramaturgo, a quem a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães homenageou, em reconhecimento da sua obra literária e do seu empenho na organização de importantes eventos culturais.
"Horas Vagas" é o título da sua multifacetada obra poética, muito influenciada, na sua estrutura e na sua temática, pela escola romântica.
A nível teatral, destaca-se a brilhante adaptação do romance, "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, que terá sido, no meu entender e no entender de alguns críticos literários, a sua obra prima, e que foi considerada a melhor adaptação teatral daquele romance camiliano.
Também para o teatro, adaptou o romance "As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis.
"Alma da Pátria" foi a sua inédita obra teatral, e que se concentra na Revolução de 1640.
Todas estas peças teatrais foram representadas em Linhares de Ansiães, sob a sua direcção, como encenador.
Curioso em conhecer a sua árvore genealógica, lançou-se no árduo trabalho de vasculhar arquivos municipais, livros dos baptismos, nas sacristias das igrejas paroquiais, e recolher informações sobre nascimentos, casamentos e óbitos nas conservatórias do registo civil, tendo assim conseguido seguir o ascendente ramo familiar paterno até ao pai do sacerdote, Padre Manuel da Nóbrega (século XVI), sacerdote, este, que se notabilizou no Brasil, então colónia portuguesa, através da sua acção evangelizadora dos povos indígenas.
Segundo informação do meu pai, o meu avô teria emprestado os apontamentos do seu trabalho de investigação a um seu conterrâneo, de apelido Rosinha, que nunca mais lhos devolveu.
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
Poema de Fernando Pessoa
É fácil trocar as
palavras,
Difícil é interpretar os
silêncios!
É fácil caminhar lado a
lado,
Difícil é saber como se
encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao
coração!
domingo, 18 de outubro de 2020
Que se lembrou de mim…
Não digas nada que eu não saiba.
Porque a dor é sempre maior do que a ferida
E eu já não tenho tempo para nada…
E as noites são cada vez mais frias…
Falta-me o teu calor para aquecer as mãos
Falta-me a tua voz e o teu canto
Para aquecer os dias…
Não digas nada daquele dia
Em que te encontrei à porta do poema
E tu disseste que já me conhecias…
Não digas nada da tua poesia
Que eu bebia numa taça de prata
Para me embriagar na volúpia dos meus sonhos
Até à chegada das festivas madrugadas.
……………………………………………….
Não digas nada meu amor…
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
A dança dos astros
A dança dos astros
que a matéria perseguiu o rasto da luz
que inspirou a “poeta”
as lágrimas de uma nuvem
criaram os mares e as águas
e o hálito quente da sua boca ardente
desenhou na Terra a primeira metáfora
com que inventou a Vida…
depois, muito depois, gozando as delícias da eternidade
e as da infinitude da palavra,
esperou pelo Homem para inventar o amor
… e os átomos continuaram a dançar…
Alexandre de Castro
Lisboa, Fevereiro de 2013



















