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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Poema: COMUNIKAÇÃO - por maria azenha

Óleo - Nguyen Dinh Dang
Imagem selecionada pela autora do poema.

COMUNIKAÇÃO

Ah,não me tragam jornais !
nem discursos, nem notícias !
nem ciências d’empilhar astros !
Sou filha de todo o mundo
e escrevo versos de rastos !
……………………………………..
E do Espaço comuniko ,
no Espaço digo a meu Pai :

Tempo nublado no Mundo !
Buenos Aires ,
nenhuma Consolação 
Rio ,
1992 , Mar de Junho ,
Nova Iorque ,
Ladrão .

Europa!
Sábado!
Domingo !
A Grande e Monumental Prisão
no almofariz-atómico da Terra!

No Espaço comuniko :
digo pobre ,
digo rico ,
a calça negra do PIB
o quark
o IP : ou seja :
o índice de Poluição ,
o Buraco-Negro ,
a crise do Relâmpago ,
a chuva na Jugoslávia ,
IELTSIN ,
os sete países mais ricos ,
milhares de hectares produzidos
por novos escravos
em novo estilo marquês-de-sade ,


Projectado em iates ,
onde cromossomas azuis de fino trato
são exportados diariamente
para a Produção
para a Perfeição-Extrema-do-Corpo ,
para todas as Ideologias de Conforto ,
para os eclipses ,
para o Morto ,
para a Notre-Dame-da-Vida ,
para o Catolicismo-do-Ozono ,
para a Comunicabilidade diária ,
para o Esgoto .

para quem sabe no governo traficar
um Kilo de Cocaína ,
um metro de papoilas ,
um carro ,
uma camioneta de moscas ,
um camião de políticos ,
doze facadas , embriões humanos in vitro ,
uma colecção de narcóticos ,
um tubo de ensaio de Gritos ,
homens e mulheres irreconhecíveis
e ainda
um museu de Presos trucidados
enquanto uma Laranja adormecida
se penteava .

tudo isto participa
dum meti-cu-lo-sí-ssimo Plano !
tudo isto é o Grande Circo da Propriedade Humana !
tudo isto funciona como um Carnaval avariado
pela Esfinge do Caos ,
pelo código das Esculturas da Noite
que em nome da Santa-Fome
em nome de todo o globo ,

vão construindo

milhões de dormitórios para não-haver-sono ,
supermercados para o Consumidor ,
hipermercados para o Hiperconsumidor ,
cartões de Crédito para o Devedor,



Sistemas telefónicos internos
Para
CO
MU-
NI
KAR nenhum fogo
avenidas –sem-ruído para não-ser amor
propfessores para o não-pensador ,
computadores
para CO
MUNI-
KAR

e no centro do globo ,
a Consciência
Cósmica sem ter um lugar !

E ainda ,
num raio de 70 metros aproximadamente
todas as ruas arborizadas milimetricamente
com 
moscas voadoras,
árvores de plástico,
varejeiras,
flores,
e
as montanhas
não vão aumentar de preço !

a cada mugido de uma vaca
é logo separada a Cria !



e tudo isto ,
pela cor-verde-mar
dos pecados de Roma
e
das Flores putrefactas .
Tudo isto como um jogo de Deus e do Diabo
num supermercado vazio !
Tudo isto porque Adão e Eva
não conhecem a Poesia de Vanguarda !


Em minha opinião
os Donos do Mundo e os seus Revendedores
alcançaram a graça recebida
pelo espírito do Lodo
no plano astral da Vida .

mas eu digo :
Nós não somos Gado !
Nós somos Criadores !
e por tal motivo ,
em vez de Pássaros e Ruídos ,
traremos para a Conferência do Mundo
o chão varrido pelos lábios destes Senhores ,
e em nome do Cosmos ,
em nome da essência do Homem ,
da nova Atlântida do mundo ,
semearemos acácias
no
ventre dos meninos !

Folhearemos mais tarde
O
Álbum da Terra
E
os cinco continentes de ouro
serão 
to-
dos
UM !

in " P.I.M.", 1999


Nota crítica: Trago para aqui as palavras de Citoyen du Monde, a propósito deste poema de Maria Azenha: “Este poema reflecte sem dúvida o ADN  poético de Maria Azenha. Gostei muito de reler esta força de intemporalidade e verdade”.
Trata-se, na verdade, de um poema de antologia. Porque é subversivo na forma e no tema. Na forma, porque a autora, mais uma vez, transgride o cânone, apoiando-se na desconstrução das palavras e da sua irregular disposição no texto, como suporte para a construção das suas metáforas, sempre surpreendentes. No tema, porque, de uma forma cáustica e arrasadora, submete ao ridículo, através de uma caricatura (como se o poema fosse panfletário ou um poema denúncia), os atores e os principais responsáveis da trágico-comédia que revolve o mundo, situando-se num tempo, não muito longínquo, de intensa crispação, marcado pela hipocrisia dos poderosos, mas que não perde atualidade nos dias de hoje. Eu diria mesmo que será sempre um “poema atual”, na medida em que o Homem nunca ultrapassará as misérias da existência, aqui denunciadas.
Estamos na presença de um dos melhores poemas da Maria Azenha, já que vem marcado por uma inconfundível e prodigiosa originalidade.

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às quintas-feiras. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

GLÓRIA A DALI!... GLÓRIA A PICASSO!...



Museu Exposição de Salvador Dalí em Madrid com recorde de visitantes

Com mais de 630.000 visitantes, a mostra que o Museu Rainha Sofia dedica a Salvador Dalí é a mais visitada da história das exposições organizadas em Madrid, ultrapassando os 600.000 visitantes que teve “El Hermitage en el Prado”.
Inaugurada a 26 de Abril, a exposição inclui obras do pintor surrealista nunca antes exibidas em Espanha, como “Las bañistas”, do Museu de Saint Petersburg (Florida, Estados Unidos), “La persistencia de la memoria”, do MoMA (Nova Iorque, Estados Unidos), ou “Alucinación: seis imágenes de Lenin sobre un piano”, do Centro Pompidou (Paris, França).
A pouco mais de duas semanas do fim da exposição, a 02 de setembro, a afluência de visitantes tem aumentado e o museu prevê alargar o horário nos próximos dias 30 e 31, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
A mostra realizada em 2006, conjuntamente pelo Museu do Prado e Rainha Sofia, intitulada “Picasso. Tradición y Vanguardia” contou com um total de 785.000 visitantes, contabilizando os dois espaços.
O interesse despertado por Dalí, no entanto, levou a mostra no Rainha Sofia a ultrapassar o número de visitantes que uma exposição de Sorolla no Prado recebeu em 2009 (459.267), tal como os que contemplaram “Goya en tiempos de guerra”, em 2008, também no Prado (437.327).

***«»***
Dali, tal como Picasso, foi um génio da pintura. Ergueu-a até às raias da loucura. Imorredoiras, as suas obras irão galvanizar todas as gerações futuras, pelo arrojo de uma febril imaginação, que foi capaz de desconstruir artisticamente todas as fronteiras do mundo real. 
A Espanha bem pode orgulhar-se destes dois "monstros" da pintura, que também já são pertença de toda a Humanidade, que os reclama como "heróis e filhos queridos" da Arte, incluindo-os no património imaterial da sua memória e da sua História.
GLÓRIA A DALI!... GLÓRIA A PICASSO!...

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Economia portuguesa: Sol de pouca dura!...


Nos números que vai divulgar amanhã, o INE (Instituto Nacional de Estatística) deverá anunciar uma saída de Portugal da recessão dois anos e meio (dez trimestres consecutivos) depois de a economia ter começado a cair a pique. As várias previsões avançadas por bancos e centros de investigação universitários apontam para uma subida entre 0,2% e 0,6% do PIB no segundo trimestre, motivada pela boa prestação das exportações e pela melhoria, ainda que tímida, do consumo interno, embora ainda em terreno negativo.

***«»***
Como o povo diz, são as melhoras da morte. O governo vai tentar tirar dividendos políticos deste infinitésima melhoria da economia neste segundo trimestre, que se deve essencialmente ao aumento das exportações, com o turismo a constituir-se no principal impulsionador desta rúbrica macro-económica. E foi também o turismo a promover a ligeira descida do desemprego. Tudo isto marcado pelos efeitos da sazonalidade, o que não é nada tranquilizador para os tempos que se avizinham, já que, no próximo ano, o consumo interno vai levar um grande trambolhão, devido aos cortes das pensões dos funcionários públicos. Com a ausência de investimento produtivo significativo e com o consumo interno (o público e o privado) estagnado ou a descer, não se vislumbra que a médio prazo a economia possa crescer, exclusivamente ancorada nas exportações, que estão muito dependentes de condicionalismos externos.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

domingo, 11 de agosto de 2013

Amanhã é o Dia "D"
vou estar atento à meteorologia
para avaliar o risco de desembarcar na Normandia.
Com os nazis, todos os cuidados são poucos.
AC

sábado, 10 de agosto de 2013

Jornal i: Como nasceu e cresceu o monstro dos Swaps - por Ana Suspiro


Os swaps especulativos são legais? Jurista compara contratos a apostas, devendo ser nulos quando está em causa a mera especulação
Não é preciso ser um observador atento para perceber que os swaps são mais um subproduto daquilo a que alguns chamam a “economia de casino” dos mercados. Para o jurista José Lebre de Freitas, o que está em causa quando estes contratos são apenas especulativos é precisamente isso. “Quando meramente especulativo, por visar cobrir o risco para uma das partes da subida das taxas de juro cobradas por determinada operação económica ou financeira (...), o contrato de swap de taxa de juro subsume-se no conceito de jogo ou aposta”, escreve num artigo para a revista da Ordem dos Advogados. O jurista defende que será nulo um contrato de swap de taxa de juro que “não tenha subjacente qualquer operação real, constituindo mera especulação para ambas as partes”. A expressão foi usada para qualificar os swaps mais lesivos que, ainda antes de se começar a medir a evolução do activo subjacente (o juro ou outro), já tinham valor de mercado negativo.
Mas mesmo que sejam válidos, a análise aos contratos feitos pelos bancos antes da crise financeira permite concluir que as duas partes esperavam que as taxas Euribor se mantivessem no intervalo dos 15 anos anteriores. Por isso, a “queda vertiginosa” de 2009 constitui “uma alteração anormal e imprevisível das circunstâncias que constituíram a base negocial, profundamente injusta para o cliente da instituição financeira e contrária à boa-fé (...). Haveria, pois, fundamento para a resolução do contrato, se este fosse válido (fonte de obrigações civis) ou apenas ilícito (fonte de obrigações naturais)”, conclui Lebre de Freitas.

Também o consultor jurídico do Estado defende que há argumentos para pedir na justiça a anulação dos contratos – outra razão seria a falta de visto prévio do Tribunal de Contas –, mas o governo quis evitar esse risco em vésperas de regresso ao país aos mercados e, com uma excepção, preferiu negociar.

Quando nascem os contratos swap nas empresas públicas?
A partir de 2006, as manchetes dos jornais alertavam para a subida das taxas de juro que ia fazer subir a prestação do crédito à habitação, mas também de outros créditos. As empresas públicas mais endividadas, dos transportes, aceleram a contratação de instrumentos de gestão de risco (já havia contratos desde 2003) para as proteger da subida dos juros que todos previam à data. Mas nem todos os contratos se limitam a cobrir o risco. Hoje sabe-se que o governo, por recomendação do IGCP, recusou swaps que visavam baixar o défice no imediato porque trariam custos a prazo mais altos. Mas esse conselho não serviu para as empresas públicas porque estas, à data, estavam fora das contas

Quem comprou e quem vendeu?
As empresas públicas com maior endividamento, sobretudo do sector dos transportes. Há, contudo, uma exposição anormal a swaps e perdas potenciais em duas empresas. Metro de Lisboa e Metro do Porto concentram mais de dois mil milhões de perdas potenciais. Do outro lado estão sobretudo bancos internacionais, muitos de investimento, mas há um que se destaca. O Santander tem muitos contratos de risco mais alto (conhecidos como “snowball”) onde se concentram 40% das perdas potenciais.

Porque se demorou tanto tempo a detectar o problema?
Em Setembro de 2008, explode a crise financeira. Os bancos centrais baixam as taxas directoras para reanimar a economia e as taxas de mercado afundam. Neste cenário, até os swaps simples de cobertura de risco de juros trazem perdas, mas podem, em tese, ser renegociados. Mas as contas das empresas ainda não mostravam o buraco potencial, já que só a transição para as normais internacionais de contabilidade obrigou a valorizar os instrumentos e activos no balanço a preços de mercado. Quando, em 2011, o Eurostat obriga o défice a incluir estas empresas (Refer, metros) no défice público, soam os primeiros alarmes sobre este monstro. Portugal já estava a caminho do resgate financeiro.

O que foi feito para resolver o problema?
O cheque da ajuda a Portugal, 78 mil milhões de euros, excluiu as necessidades de financiamento das empresas públicas que deixaram de ter acesso ao mercado. Portugal teve de quantificar todas as responsabilidades potenciais e contingentes do sector empresarial do Estado que fossem ameaça às metas do défice e da dívida. O foco estava então nas parcerias público-privadas (PPP). Os contratos swap são uma parte deste problema, mas a sua dimensão real (então 1650 milhões de euros de perdas potenciais) só foi conhecida em Julho de 2011 no relatório da Direcção-Geral do Tesouro, pedido pela antiga equipa das Finanças (Teixeira dos Santos e Costa Pina), mas que foi entregue à dupla sucessora (Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque). Polémicas à parte sobre o teor das pastas de transição, desde o Verão de 2011 que o governo tem informação sobre o buraco potencial. Mas faltava saber muito mais.

Porquê só agir no final de 2012?
É uma das respostas que falta. O governo diz que foi necessário recolher muita informação sobre os contratos e esperar pela mudança dos estatutos do IGCP para que a agência da dívida pudesse negociar com a banca. Em Outubro de 2012, o IGCP contrata a consultora Stormharbour num ajuste directo de meio milhão de euros. Lá trabalha Paulo Grey, ex-quadro de um banco que vendeu swaps (o Citigroup). Em Novembro começam as negociações com a banca, quando as perdas potenciais eram mais elevadas. Alguns defendem que se devia ter esperado pela recuperação do valor de mercado. O governo diz que foi a ameaça de cancelamento antecipado de vários bancos, prevista nos contratos caso o rating da República ou das empresas baixasse, que obrigou a agir. Mas esta ameaça não é nova. O IGCP defende a via negocial, por oposição à judicial, para não hostilizar os bancos que apoiam o regresso de Portugal aos mercados. Entre esses bancos estão vários vendedores de swaps.
Todos os swaps são maus?
Contratar instrumentos de gestão de risco de taxa de juro é uma prática prudente em empresas expostas ao risco financeiro. Mesmo quando têm perdas potenciais devido à evolução dos juros em mercado, os swaps simples (“vanilla”) não foram classificados problemáticos. O problema está nos swaps complexos ou estruturados. O seu preço de mercado e o juro a pagar estão indexados a variáveis exóticas (que nada têm a ver com juros), com prazos longos, e cuja dinâmica escapa ao controlo por causa do efeito em cadeia (“snowball” – o último cupão define o preço do seguinte). Pode nem haver limite para o cupão a pagar pelas empresas. Alguns destes swaps geraram ganhos para os clientes, as empresas, nos anos iniciais (e foram elogiados), mas fizeram disparar os custos da dívida no médio e longo prazo, tais como os que o Barclays e o Citigroup tentaram vender a Portugal em 2005.

As perdas potenciais são reais?
As perdas potenciais associadas aos swaps medem-se pelo valor negativo a preços de mercado, num determinado momento, dos swaps contratados. Em Julho de 2011 eram 1650 milhões de euros. No final de 2012, o valor quase tinha duplicado, para três mil milhões de euros, em grande medida devido à descida dos juros. As empresas são obrigadas a reconhecer estas perdas potenciais nas contas, mas o saldo final só pode ser fechado quando o swap chega ao fim ou é cancelado antecipadamente. Aí, as perdas (ou ganhos) passam a reais. Mas a factura das empresas também se mede pelos custos resultantes dos juros mais altos que pagam em relação ao valor de mercado, que chegam em alguns casos a 14%.

A negociação com a banca foi positiva?
O governo diz que sim. Foram renegociados 69 contratos swap com nove bancos, reduzindo as perdas potenciais em 500 milhões de euros, valor do “perdão” que os bancos concederam face a perdas potenciais de 1527 milhões. A operação foi neutra para o OE porque o prejuízo dos contratos fechados pelas empresas que contam para o défice (839 milhões) foi anulado pelos ganhos dos swaps do IGCP. O governo fala ainda numa poupança de 110 milhões em juros. A oposição desconfia. A ministra já admitiu que há um saldo negativo de 169 milhões, mas em empresas fora do défice público.

O problema ficou resolvido?
Não. Na verdade, a parte mais bicuda do problema está por resolver. Ainda há perdas potenciais de 1500 milhões de euros. Para além dos bancos com quem ainda não houve acordo, e cujos swaps mereceram do IGCP recomendação de anular, há o caso mais bicudo do Santander. Pela análise do IGCP, é o banco com mais contratos problemáticos, pela complexidade da estrutura dos swaps e pelas perdas associadas. É o único caso em que o governo assume ir para tribunal para tentar anular contratos. O processo já está no Ministério Público, mas a via negocial ainda não se fechou.

Quem já foi apanhado na teia dos swaps?
A bomba swap parecia ser uma nova ameaça ao ex-governo de Sócrates, já que a maioria dos contratos foram feitos nesses anos. Mas as primeiras vítimas foram dois secretários de Estado, ex-gestores de empresas que contrataram swaps (Juvenal Peneda e Braga Lino). Em Maio caem três gestores pela mesma razão: Silva Rodrigues (Metro Carris), Paulo Magina (agência de compras) e Vale Teixeira (EGREP). O inquérito chega ao parlamento por iniciativa da maioria, mas é Maria Luís que se torna o alvo a abater. Primeiro, porque sobrevive como secretária de Estado, apesar de ter feito swaps na Refer. Depois, porque diz nada ter recebido do anterior governo, no que é desmentida por testemunhos e documentos. E ainda porque sobe a ministra e escolhe como sucessor no Tesouro um ex-quadro de um banco que tentou vender tóxicos a Portugal – que, entretanto, se demitiu. Mas, se a responsabilidade política está a ser apurada, nada se sabe para já sobre a eventual responsabilização financeira (dos gestores) e criminal.

***«»***
Também ficamos sem saber onde acaba a conivência de gestores e de políticos (com prebendas à mistura) e começa a incompetência destes jovens e promissores quadros, na maioria oriundos da Universidade Católica, onde o ensino da Economia e da Gestão é ministrado exclusivamente sob a redutora ótica do neoliberalismo.

Agradecimento


Agradeço a V.B. Mello a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amigo/seguidor.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Escritores: Morreu Urbano Tavares Rodrigues

Urbano Tavares Rodrigues, quando novo

Morreu hoje o escritor e professor universitário Urbano Tavares Rodrigues, de 89 anos, confirmou ao DN a sua editora, a Dom Quixote.
A notícia foi dada pela filha, Isabel Fraga, na página de Facebook "Urbano Tavares Rodrigues - escritor", onde escreveu esta manhã: "O meu pai acaba de nos deixar. Estava internado nos capuchos há 3 dias. Não tenho mais informações. Soube agora mesmo".
Catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa, membro da Academia das Ciências, tem uma obra literária e ensaística muito vasta e traduzida em inúmeros idiomas, do francês e do espanhol ao russo e ao chinês. Obteve diversos prémios, entre eles o de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o prémio Fernando Namora, o Ricardo Malheiros da Academia das Ciências.
Entre os seus livros, destaque para 'A Noite Roxa', 'Bastardos do Sol', 'Os Insubmissos', 'Imitação da Felicidade', 'Fuga Imóvel', 'Violeta e a Noite', 'O Supremo Interdito', 'Nunca Diremos Quem Sois' ou 'A Estação Dourada'.
Urbano Tavares Rodrigues, que foi afastado do ensino universitário durante as ditaduras de Salazar e Caetano, participou activamente na resistência. Impedido de leccionar em Portugal, foi leitor de português nas universidades de Montpellier, Aix e Paris entre os anos de 1949 e 1955. E foi preso por várias vezes nos anos sessenta.
Doutorou-se em 1984 em Literatura com uma tese sobre a obra de Manuel Teixeira Gomes.

***«»***
Urbano Tavares Rodrigues foi um escritor que me marcou muito, na minha juventude. Ligado ao neo-realismo, nas suas primeiras obras, e influenciado pela mundividência cultural de Paris, onde se exilou, como refugiado político, Urbano Tavares Rodrigues depressa assimilou a corrente literária do existencialismo de Sarte e de Camus, autores que também foram para mim uma referência. Uma Pedrada no Charco é um romance notável, com Urbano Tavares Rodrigues a exibir o fulgor da sua criatividade ficcional e o seu abrangente Humanismo. Morreu sem que lhe fosse atribuído o Prémio Camões, para ao qual chegou a ser proposto, há uns anos, e que ele desejava. Um júri fundamentalista, no seu fervor anticomunista, roubou-lhe essa glória merecida e justa, atribuindo-o a um outro escritor de menor craveira. Mas o seu nome na História da Literatura Portuguesa ninguém o poderá apagar, onde figurará como o primeiro escritor a fazer a ponte entre o neo-realismo, já em decadência, e as novas correntes literárias, surgidas na década de sessenta do século passado. Foi um escritor geracional, um escritor de uma geração, que foi a minha. Tenho uma saudade imensa de Urbano Tavares Rodrigues.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Entrevista a um candidato - Blogue AUREN


O blogue AUREN entrevistou os quatro candidatos à presidência da Câmara Municipal de Ourém. 
Ver aqui a entrevista ao candidato da CDU.

Poema: Da experiência da cor - maria azenha

óleo sobre tela | © maria azenha, Julho, 2013 - Mar II

Da experiência da cor

fui eu que pedi este amor
sem lhe poder dar um nome
num quarto de água azul 
fechado à chave com fogo 

a linguagem muda das aves
deixou na casa um vocábulo

queria perguntar-lhe os nomes 
mas calo-me

há uma claridade irreal
que ultrapassa os limites da casa

e o meu amor é neve repleta de frutos

agora durante a noite 
sou um barco flutuante 
onde a sombra da lua cai e canta

há uma torre que não me alcança 
no centro do quadrado

falo da experiência das aves
ou do branco da infância


 Nota: Um belo poema de amor! Há uma metáfora, um quarto de água azul/fechado à chave com fogo, e uma transcendência, há uma torre que não me alcança/no centro do quadrado. E o poema resolve-se nesse conflito.

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às quintas-feiras. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

VOTAR - por Amadeu Homem


Não há muito tempo, eu defendi o voto em branco - nunca o nulo. Depois disso, mudei de opinião. Devo dizer mesmo, com humildade, que me arrependi. Claro que é possível, racionalmente, imaginar uma situação em que não consigamos rever-nos numa das diversas listas. Mas eu creio que constitui uma certa manifestação de arrogância (que eu já tive) aquela atitude de total e desdenhosa rejeição. É como se estivéssemos a declarar, para nós e para o Universo : "eu sou tão especial e tão inteligente que nenhuma das soluções apresentadas pelos meus Concidadãos me mobiliza". Aliás, as listas que se apresentam serão sempre um espelho da Sociedade que temos. E foi também parcialmente nossa a responsabilidade da falta de qualidade, se é que ela existe. Agora, digam-me: ficar em casa aumenta essa qualidade? Há que votar. Há que, pelo menos, ir à assembleia de voto. E há que ter a coragem de escolher. Nem que seja o menor dos males. É assim que penso hoje.

Amadeu Homem
Professor Catedrático de História da Universidade de Coimbra

***«»***
Votar é um dever cívico, que custou muito a conquistar. Escolher é uma responsabilidade. Escolher bem é uma qualidade.
AC


Adenda: Deixo aqui o comentário sobre esta questão, que publiquei num outro sítio, respondendo a um leitor:

"Se a memória não me atraiçoa, julgo que o Cavaco Silva foi eleito por 21% dos eleitores inscritos, o que ainda vem dar mais força ao seu argumento. Na realidade, quer a abstenção quer o voto branco só vão dar força ao partido vencedor. É uma forma de transferir as escolhas para os outros. É também uma forma descaracterizar, e até assassinar, a democracia. A maturidade de um povo avalia-se pelo seu grau de participação na coisa pública. E, temos de concordar: os portugueses ficaram mal nesta fotografia. E não só os eleitores. Também os eleitos. Ainda ontem, no município onde eu vou ser candidato à Câmara Municipal, a Assembleia Municipal não se realizou por falta de quorum, porque os deputados municipais do PS e do PSD não apareceram. E a reunião da AM destinava-se a discutir um documento importante: o PDM. Com este nível de responsabilidade não vamos lá.
E vou acabar, reformulando a frase da minha entrada aqui: Votar é um dever cívico, que custou muito a conquistar. Escolher é uma responsabilidade. Escolher bem é uma qualidade. E participar é fundamental".

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

POR CAMINHOS DO ALÉM - por Amadeu Homem


O Chico 76, conhecido por Papa Francisco, veio declarar que, de acordo com os exemplos de vida, os ateus poderiam ir para o Céu. Pessoalmente, confesso que desconheço qual será a IP ou a auto-estrada que deverei percorrer para ir para o Céu. E a minha ignorância vai ao ponto de também ignorar o itinerário para o Purgatório, bem como o trilho para o Inferno. Ora, a Instituição vaticanesca veio logo desmentir o Chico 76, declarando que ele estava equivocado: o destino de um ateu só poderia ser o Inferno. 
Fica-se sem saber quem é que manda na circulação metafísica das almas: o Vaticano institucional? O Chico 76? Um dos dois estará enganado. Ora, isto perturba muitíssimo as férias dos defuntos. Imaginemos que um deles, ou vários, queriam ir passar férias ao Inferno, onde presumivelmente estarão as gajas boas. Que fazer? Perguntar ao Chico 76 ou à Opus Dei? É uma encravação! 
Mas coloquemos como hipótese académica o caso de um crente, muito patife, querer dar uma olhada pelo Inferno. Ele poderá, neste caso, dar uma boleia a um ateu. Mas a meio do caminho aparecerá a Brigada Rodoviária Celestial a dizer : - Tenham paciência, não podem ir juntos. Tu, patife mas crente, vais dar um salto ao Purgatório, bebes por lá um copo, para purificar, e segues logo para o Céu. Quanto a ti, homem justo mas incréu, seguirás aquele carreiro, pois só podes ter guia de marcha para o Inferno. 
Parece-me que os caminhos do Céu deverão funcionar ainda pior do que a nossa Junta Autónoma das Estradas. O que é plausível. As Juntas obraram sempre mal, desde as Juntas Militares às juntas de bois.
Amadeu Homem
Professor Catedrático de História da Universidade de Coimbra

***«»***
Caro Professor, Amadeu Homem: Eu julgo que essa afirmação do Chico 76 (boa piada), de que os ateus também poderiam ir para o Céu, é uma armadilha. Uma vez lá chegados, seriam eles, os ateus, as vítimas das medidas de austeridade, que uma troika qualquer anda por lá a implementar, a fim de resolver a grave crise celestial, caracterizada por um défice orçamental de almas e por uma enorme dívida soberana, junto do credor Diabo. Por outro lado, essa troika exige o aumento de exportações de almas, e só um ceguinho é que não vê que seriam as almas dos ateus a marchar em fila indiana para o Inferno. Nestas condições, eu só quero ir para o Céu, com um bilhete de Ida e Volta.

Agradecimento


Agradeço ao Salatiel a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amigo/seguidor.

UHF - Vernáculo

Amabilidade do Jorge Magalhães Ribeiro

Um discurso ácido, que não é apenas dirigido aos políticos e aos banqueiros. Haverá muita gente anónima a enfiar a carapuça!...

sábado, 3 de agosto de 2013

"Las 13 rosas"


«QUE MI NOMBRE NO SE BORRE DE LA HISTORIA».
En recuerdo de las 13 Rosas, fusiladas el 5 de agosto de 1939.
CARMEN BARREDO AGUADO 20 Años;
BLANCA BRISAC VAZQUEZ 29 años;
JULIA CONESA CONESA 19 años,
ELENA GIL OLAYA 20 años,
ANA LOPEZ GALLEGO 21 años,
MARTINA BARROSO GARCÍA 24 años,
DIONISIA MANZANERO SALAS 20 años,
PILAR BUENO IBAÑEZ 27 años,
ADELINA GARCÍA CASILLAS 19 años,
VIRTUDES GONZALEZ GARCÍA 18 años,
JOAQUINA LOPEZ LAFFITE 23 años,
VICTORIA MUÑOZ GARCÍA 18 años
 LUISA RODRÍGUEZ DE LA FUENTE 18 años.

"Las 13 rosas"
El 3 de agosto de 1939 fueron juzgadas, por procedimiento sumarísimo, a puerta cerrada, acusadas de pertenecer a las JSU (Juventudes Socialistas Unificadas) y de repartir pasquines poco antes de la entrada de las tropas franquista. En el juicio se les condenó a morir en un plazo de setenta y dos horas; antes de cumplirse el plazo, el 5 de agosto, fueron fusiladas. Tenían entre 16 y 29 años. En aquellos días la mayoría de edad estaba fijada a los 21 años, siete de las trece eran menores. Desde entonces, se les conoce como las Trece Rosas. 'Que nuestros nombres no se borren de la Historia'- decían ellas.

***«»***
Quantos caminhos temos ainda de trilhar para conquistar a dignidade?!
Quanto tempo temos ainda de esperar para cicatrizar as feridas da memória?!
E que tempo é este, este nosso tempo, de sombras e de medos, povoado por fantasmas à solta, que nos acordam na negritude das noites e nos atormentam a existência dos dias?!
De quanto tempo precisamos para encurtar os caminhos?
E quais os caminhos para encurtar o tempo, para ainda poder salvar a memória das “Las 13 rosas” mortas?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Eis a questão shakespeareana!...

Imagem recolhida da página de Carlos Esperança

É o eterno ser e não ser shakespeareano. A diferença que separa o PCP e o BE do PS é equidistante à que aproxima o PS de Seguro do PSD do Coelho. Para onde migraram as intenções de voto, que, perante a impopularidade do governo, deveriam estar no PS, que parece não querer descolar? Até parece que Portugal não está mergulhado numa crise profunda! Ou, então, a crise não é igual para todos, o que para mim não é novidade. Cerca de metade dos portugueses está a viver, e pelos vistos, bem, à custa das dificuldades e dos sacrifícios da outra metade. Há uma visível bipolarização social, que não tem tradução ao nível do espectro partidário. Na minha modesta opinião, julgo que há um partido que não consegue definir-se, porque anda a pôr um pé fora e outro dentro... É e não é... É ser e não ser... Vai e não vai... Fica e não fica.. De manhã é carne e à tarde é peixe... E esta indefinição, que já é patológica, está a contribuir para uma perigosa fratura social, com os movimentos populares, mesmo à revelia dos partidos de esquerda, a radicalizarem a sua luta, contra a evidente injustiça social. Em Portugal, na Grécia e em Espanha, ainda se navega na fase de semear os ventos. Mas os anúncios das tempestades já se fazem ouvir, até da parte do FMI, embora de uma forma discreta e indireta. 

Adenda: Entretanto, hoje, saíram novas sondagens a desmentirem a que aqui se refere. PCP e PS são os únicos partidos a registarem subidas nas intenções de voto, embora ligeiras. A hecatombe eleitoral ainda é possível. O CDS já está reduzido à sua insignificância, o que torna caricata a permanência (irrevogável?) do seu máximo dirigente nas funções de vice-primeiro-ministro. 

A NOVA MINISTRA DAS FINANÇAS E O BPN - Paulo Morais

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Há uns anos, quando um grupo de investigadores pretendia recolher amostras dos ossos do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, para as submeter a um inovador processo de análise do DNA celular, o poder político, refletindo o medo, que se apoderou de muitos portugueses, de que essas investigações trouxessem surpresas desagradáveis em relação ao atual registo da História, proibiu a abertura do respetivo túmulo, que se encontra na igreja de Santa Cruz, em Coimbra. Com o BPN, passa-se a mesma coisa. Não se abre o túmulo com medo dos fantasmas, que nele dormem, e que, se algum dia acordarem, farão estremecer a sociedade portuguesa. As surpresas serão muitas e serão muito graves, a envolver muita gente importante, que não quer a revelação da verdade, antes de morrer. É que já passou o tempo em que se enforcavam os cadáveres!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Poema: A uma mulher de nome Joana - por maria azenha

Óleo - Daehyuk Sim
Imagem selecionada pela autora

A uma mulher de nome Joana

Dói este silêncio.
Esta montra d’água de luz insuportável.
E Deus vem
de vez em quando
abrir vogais na garganta

Com uma voz que logo arde
toquei a sua mão
que me conduz aos templos.

Moveu-se a grande porta dos segredos
com cerejas negras nos ouvidos
para atravessar a escuridão
de algumas páginas.

Ela entrava
pelas doze cordas da casa
com palavras sinuosas,
às dos condenados semelhantes
que se prendiam a estacas febris.

Que centro imóvel
vive agora
por detrás dos lagos?

Há uma faca que abre ao meio os sinos
e o nome das pedras
vem logo por dentro.

Há silêncio apenas.

Com os olhos cegos que ainda abrasam
vi uma gazela
ajoelhada na neve,
e estremeci.

Lá estava uma pedra a pedir perdão
e junto à pedra um barco
e as águas das trevas bateram-me nos ombros.

Em volta do seu nome aglomeram-se orquídeas
coroando a fronte.

Parece que tombam de jardins azuis
e se erguem pela casa
num último suspiro.

Tem sede de rosas brancas debruçadas sobre a ponte.

E o grande arquiteto escreve,
à custa do meu nome,
a errância da morte.


Maria Azenha

Nota: Limito-me a deixar uma simples frase, para classificar este e outros poemas de Maria Azenha: um verdadeiro delírio metafórico, a erguer-se sobre as palavras de uma catedral gótica.

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às quintas-feiras. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Passos apela a acordo para "clima de união nacional"


O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou hoje a um acordo e convergência de objetivos com o PS, para além da atual legislatura, que termina em 2015, de modo a conseguir um clima de união nacional.
"Desde que tenhamos os pés assentes na terra e sejamos realistas - quer dizer, não comecemos a estabelecer objetivos que estão manifestamente para além daquilo que as condições nos permitem -, então é possível vencer e ultrapassar obstáculos e conseguir um clima de união nacional, não é de unidade nacional, é de união nacional, que permita essa convergência", disse Passos Coelho, discursando em Pombal na sessão solene de abertura das Festas do Bodo.
O primeiro-ministro sublinhou que o atual quadro fiscal, que classificou de "adverso às empresas", necessita de ser melhorado.
"Mas não conseguimos fazer isso de um ano para o outro, não é possível. Não poderíamos agravar ainda mais o IRS para compensar alguma perda de rendimento que resultaria dos impostos para as empresas", sustentou.
Diário de Notícias


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A expressão “união nacional”, utilizada pelo primeiro-ministro, Passos Coelho,  remete-nos para um negro passado longínquo, do qual a minha geração se recorda amargamente.
Talvez Passos Coelho, de tanto falar de “pés assentes na terra”, acabe por se enterrar até ao pescoço.
Mas analisemos detalhadamente as palavras de Passos Coelho, proferidas durante a sua visita à vila do Pombal, em que, pela primeira vez, a nova estratégia do governo, presumivelmente desenhada pelo ministro Maduro, aparece bem explicitada.
Para aumentar a credibilidade do governo, agora recauchutado, que ficou de rastos com a crise provocada pelas demissões de Vítor Gaspar e de Paulo Portas - o primeiro a deixar uma carta demolidora, com frases assassinas, e o segundo a dar um novo significado à palavra “irrevogável”- e, também, para tentar minimizar os futuros custos eleitorais, quer nas eleições autárquicas, quer nas próximas eleições legislativas, Passos Coelho necessita de encostar à parede o Partido Socialista. Se, até aqui, Passos Coelho optou por uma estratégia de violento confronto verbal com o seu opositor, tentando culpá-lo de todos os males do país (esqueceu-se das culpas do PSD, que ainda são maiores), agora está a ensaiar um aggiornamento, já tentado sem sucesso por Cavaco Silva, insistindo no convite de querer envolver e comprometer o PS num acordo global de governação, que permita ao governo prosseguir na tal Reforma do Estado, que mais não é do que uma dissimulada intenção de desmantelamento do Estado Social, que já está em marcha, e também conseguir um consenso para o corte dos tais 4,7 milhões de euros no Orçamento de Estado. Como chamariz, Passos Coelho acrescentou agora outro dossiê, o da redução do IRC para as empresas.
Temos de concordar que a estratégia é brilhante, pois seja qual for a atitude a tomar pelo PS, Passos Coelho recolherá benefícios, embora não tantos como desejaria, o que quer dizer que o PS ficará entalado. Se aceitar o canto de sereia de Passos Coelho, o PS passa a ser parte da solução (falsa e enganadora), mas também passará a ser parte do problema. Deixará de poder fazer uma oposição incisiva e contundente ao governo, tal como tem feito até ao momento, embora com objetivos eleitoralistas. Se resistir à armadilha, habilmente montada, poderá ser sempre atacado por Passos Coelho, com a acusação de que o PS não quer contribuir para uma política de salvação nacional, agora rebatizada de política de “união nacional”.
É evidente que os partidos de esquerda, os sindicatos e os movimentos de protesto independentes não ficar paralisados e apáticos, à espera do desenlace deste namoro romântico entre os dois partidos que, com as suas políticas erráticas, conduziram o país a uma das maiores crises políticas, económicas e sociais da da sua História.
As próximas eleições autárquicas são uma excelente oportunidade para exibir um cartão vermelho a este governo de direita e de condenar a ambiguidade do PS em relação à sua posição quanto ao memorando da troika, que assinou, se a CDU vier a receber os votos de todos os eleitores que estão descontentes com as sucessivas políticas de austeridade, que vão continuar a ser implementadas,  por outra vias e processos. À esquerda do PS, não há outra alternativa eleitoral, que não seja a da CDU. A abstenção apenas servirá para reforçar o poder do atual governo, já que não entra na ponderação do método da distribuição de mandatos, com muita pena minha.

domingo, 28 de julho de 2013

Clube dos mentirosos!...

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Nenhuma destas ilustres personalidades, bajuladas até à náusea por gente invertebrada, conseguiria manter-se em funções públicas, em qualquer país civilizado. São a negação da honestidade e a imagem perfeita da podridão de um regime político, que já não consegue regenerar-se. Percebe-se que querem agarrar-se ao poder, a qualquer preço, negando-se a si próprios, se for necessário, o que nos obriga a ter que os expulsar à força, antes que violentem a dignidade do nosso povo.

Agradecimento


Agradeço à Emília a gentileza de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.