quarta-feira, 15 de abril de 2015

Carlos Carreiras: "Calamidade demográfica do país é prioridade patriótica"


O autarca de Cascais [Carlos Carreiras] considera que, apesar das novidades no campo político relativamente a candidaturas presidenciais, é importante “o país voltar a concentrar-se nos assuntos que realmente importam”.
“Ter ou não ter filhos é uma decisão individual. Mas a calamidade demográfica em que o país se encontra faz desta uma matéria política e uma prioridade patriótica”, escreve o social-democrata no artigo de opinião que assina esta quarta-feira no jornal i, antecipando o “ritmo insustentável de destruição de capital demográfico”, que em 2060 será notado na população: seremos apenas 8,5 milhões de portugueses.

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A demografia é uma bomba relógio, que ameaça o país, a médio e a longo prazo. Até a gente de direita percebe isto, embora apenas alguns se atrevam a dizê-lo na praça pública. Com esta política de severa austeridade - que vai prosseguir por muito tempo, para que, numa manobra financeira complexa, a poupança gerada pelo Estado português vá pagar, não só a dívida pública, contraída junto das instituições da troika, mas, principalmente, a dívida acumulada pelos bancos privados portugueses sobre os bancos privados da Alemanha, e cujos títulos são considerados produtos tóxicos - o êxodo da nova geração, quer a mais qualificada, quer a menos qualificada, vai desequilibrar o quadro demográfico, através da diminuição acentuada e progressiva da taxa da natalidade. É um processo corrosivo e silencioso, que se encontra fora das preocupações da maioria dos portugueses, que, naturalmente, se encontram mais concentrados nas consequências imediatas da crise, com o seu funesto cortejo da perda de rendimentos e com a progressiva falta de resposta dos serviços do Estado Social (Educação, Saúde e Segurança Social).
Quando o número de idosos começar a ultrapassar o número da população ativa, vai entrar-se na época apocalítica da tragédia social. Não haverá dinheiro para pagar as reformas dos jovens atuais, o PIB desacelará em ritmo exponencial, o Estado Social ficará reduzido ao nível da inutilidade, e Portugal descerá ao inferno do Terceiro Mundo. 
E a concretizar-se esta tragédia, no futuro, os responsáveis seremos todos nós, que iremos votar nas eleições legislativas de Outubro deste ano e nas presidenciais de Janeiro do próximo ano.

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NOTA
APROVEITO PARA INFORMAR OS LEITORES DO ALPENDRE DA LUA QUE, ESTE ANO, NÃO VOU FESTEJAR O 25 DE ABRIL DE CRAVO AO PEITO. 
VOU DE LUTO, COM UMA BRAÇADEIRA PRETA NO BRAÇO.
E ISTO, PORQUE O 25 DE ABRIL MORREU E UM OUTRO ABRIL AINDA NÃO NASCEU.