terça-feira, 13 de dezembro de 2011

VOU SER ROUBADO!


Decidi escrever este texto com duas intenções claras: a primeira, de desabafo, a segunda, de protesto. Estou farto de ouvir nas notícias que vou ser roubado. Até hoje nunca fui roubado. Esta vai ser a primeira vez. Felizmente nunca tive a necessidade de recorrer à polícia por um crime desse tipo. Agora, pela primeira vez na minha vida, sei com grande antecedência que vou ser roubado. Vão-me roubar muito dinheiro, o dinheiro dos subsídios de férias e de natal que conquistei com grande esforço, para o qual trabalho e ao qual acho que tenho direito. Não fiz nada para merecer este roubo. Sempre cumpri com as minhas obrigações, nomeadamente com as minhas obrigações fiscais, nunca deixei de cumprir com os meus compromissos financeiros, nunca deixei de pagar tudo aquilo que devia, nunca na minha vida roubei. Agora dizem-me que tenho que aceitar ser roubado por culpa dos erros de outros. Dizem-me também que aos responsáveis pelo facto de ter que ser roubado nada irá acontecer. Esses sim, aqueles que geriram mal os dinheiros públicos, aqueles que são os responsáveis pelas políticas que conduziram o nosso país à situação em que está, aqueles que gastaram dinheiros públicos muito para além das suas possibilidades,… foram eles que contribuíram para a situação em que se encontra o meu país. Não me recordo de ter tido algum comportamento ou ter feito algo que contribuísse para esta situação. Mas afinal, porque é que eu tenho que me deixar roubar e contribuir para pagar os erros de outros? Será que um dia também existirá o risco de me mandarem para a prisão por crimes que outros cometeram? Será que o meu erro foi, após anos a recibos verdes e a contratos a prazo, ter lutado com unhas e dentes para entrar para a função pública onde eu esperava encontrar estabilidade e segurança para assegurar segurança à minha família? Será este roubo uma inevitabilidade? Não quero acreditar! Quero lutar contra isto!
Gostaria de manifestar a minha indignação e a minha profunda revolta com esta situação que me recuso a aceitar e pela qual estou disposto a lutar como nunca lutei tanto por algo na minha vida. Pretendo lutar de todas as formas democráticas e pacíficas que se encontram disponíveis ou que venham a ser disponibilizadas para poder lutar e tentar evitar ser roubado.
Desde já agradecia a todos os que leiam este documento que agora torno público, que o reencaminhassem ao maior número de pessoas possível, que o divulgassem e afixassem, e me indicassem, através do email que a seguir identifico, todas as formas de luta e de protesto a que poderei recorrer e aderir para tentar evitar ser roubado. Conto com a ajuda de todos! Estou disponível e muito interessado por enveredar por todas as formas de luta e de protesto que sejam legais, apesar de duvidar da legalidade daquilo que me querem fazer.
Desde já agradeço a vossa atenção,
Filipe José Queirós Gomes
Psicólogo e Funcionário Público

PS: espero nunca vir a sofrer nenhum tipo de retaliações por enveredar por esta ou qualquer outra forma de protesto pacífico para tentar lutar contra o roubo que me querem fazer, pois entendo que este é um direito que tenho, o direito de manifestar a minha mais profunda indignação com esta situação.
Amabilidade do Jorge Manuel Magalhães Ribeiro

2 comentários:

Maria José Meireles disse...

Alguém comentava, hoje, que a única classe que está protegida pela lei é a classe política. Foi então que me lembrei do filme: "Uma vida de insecto"... :)

João Afonso disse...

Comunicação ao país do 1.º ministro português na RTP 1 13-10-2011 20:15h

Já estou habituado a lidar com ladrões...não sei é defender-me.

Roubaram-me a meninice, privando-me do elementar. Passei muitas vezes só com um prato de sopa. Jantei vezes sem conta cevada com codeoas de boroa.

Roubaram-me na minha adolescência e aos 12 anos trabalhava numa padaria e pasteleria. Horário de semana das 24h ás 15h. Sexta/f.ª das 22h ás 23h de sábado. O almoço era demais o mesmo. Caldo com nabos. Dormia numa enxerga de palha por cima de um forno e rodeado de baratas e ratos. Aos domingos os patrãoes muito devotos obrigavam-me a ir à missa e quando chegava tinha que ir crivar as brasas dos fornos.

Roubaram-me a minha juventude e atiraram-me para uma guerra em que a fome me obrigou a comer formigas de asa para aliviar as dores de estomago. Deram-me ração de combate e comprimidos diários para estar apto para o combate, e o sangue saí-a por ambas as partes mais intimas. Vi as maiores atrocidades e sofri com elas.

Roubaram-me a saúde e tive que fazer a expensas próprias a minha recuperação, sacrificando a familia e um filho de tenra idade.

Roubaram-me a dignidade colocando na empresa um outsorcing retirando-me as competências.

Roubaram-me o trabalho mandamdo-me para a reforma aos 56 anos.

Roubam-me agora a minha pensão e o meu subsídio de férias após 43 anos de trabalho.

Roubaram-me tudo...menos a minha virgindade.

As medidas anunciadas hoje pelo 1.º ministro não indentifica nem processa os criminosos das atividades financeiras ilícitas bens como a especulação,acumulação de reformas, reformas vitalícias com alguns meses, corrupção, etc,etc.

Já vi fazer revoluções por muito menos.