sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Saiba onde os portugueses "escondem" as suas poupanças


Numa altura em que se discute a forma de os ricos ajudarem a combater a crise orçamental, vale a pena saber quais são os destinos escolhidos pelos portugueses para resguardarem as suas poupanças do fisco.
Jornal de Negócios
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É impressionante a quantidade de dinheiro que sai de Portugal para os off shores, num movimento contínuo inserido na grande manobra do capital financeiro internacional, que promove, por esta via, a transferência da riqueza dos países pobres para os países mais ricos. Uma vez colocado nesses paraísos fiscais, esse dinheiro é investido nos mais diversos fundos de investimento, constituídos nas bolsas de valores dos países mais desenvolvidos. Mas esse dinheiro não fica parado. Circula à velocidade da luz, na vertigem da especulação bolsista, e também é investido nos empréstimos internacionais aos bancos comerciais e aos governos dos diferentes países. Por isso, é provável que nos empréstimos concedidos a Portugal, com juros elevadíssimos, parte desses capitais envolvidos tenha tido origem em Portugal.
O dinheiro que vai para os off shore não é, de certeza, oriundo dos rendimentos da grande maioria dos trabalhadores portugueses. Os biliões de euros exportados por Portugal provêm dos rendimentos dos grandes accionistas dos bancos e das grandes empresas, que, por um lado, procuram fugir aos impostos do próprio país, e, por outro lado, obter maiores rentabilidades nos mercados bolsistas. Não se discutindo a legalidade do processo, embora se ponha em causa a respectiva legitimidade moral, nem negando os respectivos direitos sobre a sua titularidade, não se pode ignorar, contudo, que esse dinheiro resulta do esforço colectivo do mundo do trabalho. Ao sair para o exterior, esse dinheiro deixa de produzir efeitos na riqueza do país, onde poderia ser orientado para o investimento, para a poupança ou para o consumo de bens e serviços. É por isso que eu digo que a sacralização do mercado, baseada na trilogia (santíssima trindade do neoliberalismo) da liberdade de circulação de capitais, de mercadorias e de pessoas é uma autêntica farsa, e que apenas serve os interesses do grande capital financeiro. É um verdadeiro saque, organizado à escala global.
Ver infografia:  
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=503467