terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Foi há 52 anos que mataram o General que ousou desafiar Salazar


Foi há 52 anos que mataram o General que ousou desafiar Salazar

Vivi com muita intensidade esses negros tempos. Seis anos antes do seu assassinato, em 1958, em plena campanha eleitoral para a Presidência da República, estive presente, quando ele passou por Lamego, a caminho de Viseu, onde ia fazer uma sessão de propaganda. Também eu dei o brado "Viva Humberto Delgado", juntamente com uma centena de pessoas, que acorreram ao Rossio, para o saudar.
Foi o meu baptismo na política. Tinha apenas 14 anos.
Alexandre de Castro
2017 02 13

2 comentários:

Alexandre de Castro disse...

Humberto Delgado foi um dos militares, que ainda jovem, fez parte do Movimento do 28 de Maio, que abateu a República, embora a República já se encontrasse irremediavelmente corroída, até ao tutano, pela acção conjugada dos monárquicos ressabiados, pelos pré-fascistas, pelos militares descontentes, pelos homens da sotaina e, até, por alguns dirigentes republicanos, que olhavam mais para o seu umbigo, do que para a efígie da mulher com barrete frígio. Foi já como general e como embaixador de Portugal na NATO, que ele, ao ver como funcionavam as democracias na Europa e nos EUA, que começou a ganhar a consciência da perversidade de Salazar e do seu regime. Este foi o lastro que o levou a enfrentar Salazar. Com aquela frase, "Obviamente demito-o", levantou um país inteiro, que o aclamou nas principais cidades, por onde passou. Apesar da manipulação prévia dos cadernos eleitorais, Humberto Delgado ganhou as eleições presidenciais de 1958, o que obrigou o regime a recorrer à falsificação da contagem dos votos: Se Delgado já era um herói para o povo, com o seu bárbaro assassinato, transformou-se num mártir da resistência ao odioso salazarismo.

mamanka disse...

Homem corajoso, antifascista, granjeou a simpatia popular por ser contra o Salazar, que esteve tempo suficiente no poder a oprimir o povo, para que Delgado, não sendo comunista, mudasse a sua maneira de pensar em relação ao regime e até tivesse assinado um acordo com o PCP nas eleições presidenciais de 1958. Sendo assassinado, perpetuou a sua coragem e fez muitos começarem a entender o que ia mal neste país. Lembrado como o general sem medo, ainda hoje é lembrado pela frase dirigida ao ditador "Óbviamente, demito-o!" Ainda era muito pequena nessa data, Alexandre de Castro, mas recordo desde sempre o que tem sido passado de geração em geração.