sábado, 11 de junho de 2016

Os problemas estruturais da economia portuguesa e os caminhos a percorrer

A economia portuguesa está muito dependente do contributo  da
Procura Interna (consumo) e desde 2014 encontra-se estagnada

Os problemas estruturais da economia portuguesa e os caminhos a percorrer

Para resolver os problemas estruturais da economia, Portugal, mantendo-se ou não na área do euro, tem de orientar a sua estratégia em dois pilares: por um lado, promover intensivamente as exportações e, por outro lado, produzir bens que substituam importações. O objectivo é ganhar excedentes, perante o exterior, e aumentar a receita fiscal para possibilitar, sem um pesado esforço orçamental e sem mais medidas de austeridade, pagar a gigantesca dívida pública, que terá de ser reestruturada, inevitavelmente. 

Em relação ao aumento do consumo, [o consumo também conta para a formação do PIB] o governo teria de ter dois aspectos em consideração: que esse aumento do consumo não viesse a aumentar a procura de bens e serviços importados e que, por razões de equidade e de justiça social, o aumento desse consumo derivasse da melhoria dos rendimentos da classe média e da população mais desfavorecida. O aumento do consumo iria promover também mais receita fiscal, evitando-se o agravamento dos impostos, que já são muito pesados e que já provocam o funcionamento da economia.

Mas, para conseguir este desiderato, é necessário investimento, o público e o privado, que dinamize a economia. Infelizmente, verifica-se que o investimento continua a ser raquítico, e insuficiente para sustentar o crescimento económico. As empresas estão descapitalizadas e o crédito bancário, devido à insolvência dos bancos nacionais, é difícil e problemático. O actual governo está a fazer o que pode. A aposta na reabilitação urbana, apoiada pelo Estado, vai reanimar um pouco a recuperação da construção civil - que, no passado, foi o grande motor da economia - o que vai atrair investimento e criar emprego. 

Não se vê no horizonte a recuperação do investimento, por parte da iniciativa privada, que seria essencial para investir na produção de bens, que substituíssem as importações, bem como na produção de bens para o mercado externo e que, através da inovação, aumentassem, de uma forma significativa, o valor acrescentado. E Portugal necessita, como de pão para a boca, de aumentar as exportações, a um nível médio de cinco por cento ao ano Mas, sem investimento, pouco se poderá fazer na criação de riqueza e no desenvolvimento do país.

É neste quadro de pensamento (o de a economia portuguesa não conseguir crescer nos próximos anos) que funciona o comportamento da Comissão Europeia (um órgão da UE domesticado pela Alemanha), ao pretender aplicar severas sanções a Portugal, através de um procedimento por défice orçamental excessivo, ao mesmo tempo que quer impor mais cortes nas pensões e mais desvalorizações salariais, o que vai levar, tal como já tenho dito, Portugal a percorrer o calvário de sofrimento da Grécia. Desde 2010, a desvalorização salarial atingiu os vinte por cento, o que já é dramático, mas a Comissão Europeia quer que atinja os trinta por cento, o que, a verificar-se, será uma catástrofe. 

Claro que, se Portugal tivesse uma moeda própria, para poder desvalorizá-la no interesse da sua economia, a fim de aumentar as exportações, tudo seria mais fácil, mais rápido e menos doloroso a longo prazo. E este é o principal problema estrutural da economia portuguesa, um verdadeiro nó górdio, que precisa de um Alexandre Magno, que o decepe com a espada.
Alexandre de Castro
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Curiosidade: Leia aqui a célebre lenda do nó górdio.

Publicado em "Abril de Novo Magazine", por deferência dos seus editores.

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