sexta-feira, 24 de junho de 2016

Grã-Bretanha salta fora da União Europeia


Grã-Bretanha salta fora da União Europeia

Nem calculam como é agradável deitar-me e levar para o meu sono uma notícia desagradável, e sobre a qual escrevi umas linhas, e ler, depois de acordar, uma outra notícia, agora agradável, que desmente a primeira. 
O Brexit ganhou, embora por uma unha negra. Mesmo que tivesse perdido, mesmo por uma pequena margem, a humilhação da UE, tal como então afirmei, seria enorme. E, com a vitória do Brexit, a UE sai desta refrega humilhada e vencida. Foi uma derrota em toda a linha, que poderá vir a determinar o seu fim, se, entretanto. não houver a clarividência dos dirigentes dos países europeus para alterarem o seu paradigma último, que era o de construir uma federação europeia. 
Eu já afirmei várias vezes que é impossível federar a Europa, quer por motivos históricos, quer por motivos linguísticos. Ao longo da sua História, dominaram sempre as forças centrífugas, baseadas nas diversidades nacionais. Como já afirmei também, nem Carlos Magno, nem Napoleão nem Hitler conseguiram unir a Europa. O sentimento de pertença à Europa não se sobrepõe ao sentimento de pertença a cada nação.
A derrota da UE não começou nem acabou com este referendo na Grã-Bretanha. Ela começou com a crise grega e portuguesa, crise que mostrou aos europeus até onde pode ir a perfídia das instâncias europeias, telecomandadas pela Alemanha. 
No entanto, não sei, tal como ninguém ainda sabe, como é que a sua derrota total vai acabar.
AC

2 comentários:

Alexandre de Castro disse...

Perante a enorme fractura, provocada pelo referendo britânico, no edifício da UE, tudo o que andamos a dizer agora, sobre o que irá acontecer, é apenas futurologia. Nas grandes crises, a imprevisibilidade é a regra. Ninguém admitia, em 1914, que o assassinato do príncipe herdeiro do Império Austro Húngaro iria provocar, um mês depois, uma guerra mundial. Mas toda a gente percebia que uma guerra seria inevitável. E era.

Alexandre de Castro disse...

O delírio integracionista-federalista da UE desenvolveu-se à revelia dos cidadãos de cada país. E o processo estava a descambar para uma ditadura político-financeira. A imagem de uma Europa castigadora para os países mais pobres e de uma Europa arrogante, assumida pelos países mais ricos, com destaque para a Alemanha. despertou a consciência dos cidadãos. Os britânicos perceberam isto.