sábado, 16 de abril de 2016

Dados secretos revelam ligação de Portugal a offshores



Dados secretos revelam ligação de Portugal a offshores

Os dados do Offshore Leaks, um conjunto de informações secretas entregues ao International Consortium of Investigative Journalism, revelam a existência de pelo menos 22 nomes e 12 offshores ligadas a Portugal, escreve este sábado o Expresso.

Offshore Leaks é o nome dado a um conjunto de cerca de 2,5 milhões de documentos secretos relativos a offshores das Ilhas Virgens Britânicas, das Ilhas Cook e ainda de outros paraísos fiscais.
Portugal também aparece na lista. De acordo com o Expresso, existem 12 offshores registadas em nome de pessoas que deram a morada portuguesa e 22 portugueses que, com morada portuguesa e estrangeira, são directores de offshores.
NOTÍCIAS AO MINUTO [25 de Junho de 2013]

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Afinal, já se sabia da "coisa"! Nós é que nos esquecemos, ou, então, não valorizámos, na altura, a notícia, nem a comunicação social a veio lembrar. A notícia, que aqui deixo, é de 25 de Junho de 2013, do Notícias ao Minuto, e que reporta para o jornal Expresso. E, como se pode ver, os documentos entregues ao "International Consortium of Investigative Journalism" não se referem apenas ao Panamá, mas também a outros paraísos fiscais, espalhados pelo mundo, assim como o seu número é maior do que aquele que foi anunciado recentemente.

Eu não ponho em dúvida a veracidade de tudo aquilo que, até ao momento, tem sido divulgado, até porque, embora não acredite em bruxas, sei que elas existem. Por mera intuição e palpite, até por aqui já escrevi, há uns tempos, que o dinheiro depositado nos offshors e aquele que circula nas bolsas de valores multiplicam muitas vezes o dinheiro que é aplicado na economia real, e esta será uma das razões estruturais que podem explicar as crises financeiras sucessivas, que estamos a suportar. É que, o dinheiro que vai para um offshort deixa de ser útil à economia onde foi gerado. 
No entanto, a minha dúvida sobre tudo isto assenta na metodologia que está a ser aplicada para divulgar as informações. Por que razão os primeiros nomes a saltarem para a berlinda foram os dos presidentes da Rússia (*) e da Síria?

É certo que, na primeira lista divulgada, também aparece lá o nome do Rei da Arábia Saudita, um aliado dos EUA. Muita gente pensará que é uma forma dos jornalistas envolvidos neste gigantesco processo marcarem a sua isenção e imparcialidade, que o tempo dirá se vai ser real ou aparente. Eu vou esperar pela próxima reunião anual da OPEP, ainda este mês, para ver se aquele monarca não está a ser submetido a um processo de chantagem, por causa da sua inflexível posição em relação à não diminuição da produção de petróleo, posição esta que prejudica os interesses dos EUA, em relação à rentabilidade esperda da produção de petróleo, através do gás xisto. Depois dessa reunião eu explico melhor esta trama, que, aliás, já aqui referi, pela rama, há uns tempos.

Vamos ver se este grande escândalo financeiro, que põe a nu a podridão do regime capitalista global, vai ou não, no futuro, induzir alterações profundas no sistema. Julgo que não. O capitalismo financeiro precisa dos offshors, tal como eu preciso de comer todos os dias. E se não comer, morro. E para não morrer, tenho de ajudar a combater o monstro.

(*) O nome do Presidente russo, Vladimir Putin não aparece nos registos. Apenas aparecem nomes de alguns dos seu amigos. Mas a forma como as notícias foram dadas, induziram em erro muitos leitores. Quando a notícia se limitava genericamente a elencar os Chefes de Estado e os primeiros ministros envolvidos, avançava-se com o nome de Putin, sem se fazer o respectivo ajustamento à verdade. A isto chama-se manipulação da opinião pública.
AC